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Domingo Faustino Sarmiento

Domingo Faustino Sarmiento

Domingo Faustino Sarmiento — Biografia, pensamento, obras e legado

Domingo Faustino Sarmiento (1811–1888) foi uma das figuras intelectuais e políticas mais importantes — e também mais controversas — da América Latina no século XIX. Professor, escritor, jornalista, pedagogo, diplomata, militar, governador, senador e presidente da Argentina, Sarmiento dedicou sua vida à construção de um projeto de modernização nacional baseado principalmente na educação pública, alfabetização, formação de professores, ciência, comunicações, imigração e organização institucional do Estado.

Sua influência ultrapassou largamente as fronteiras argentinas. Viveu e trabalhou no Chile, viajou pela Europa, África, Estados Unidos e Canadá, exerceu funções diplomáticas e manteve contato com importantes intelectuais e educadores de seu tempo.

Sua trajetória também esteve profundamente relacionada aos grandes conflitos políticos do século XIX sul-americano, particularmente às disputas entre unitarismo e federalismo na Argentina, à oposição a Juan Manuel de Rosas e, posteriormente, à Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai.

Ao mesmo tempo, Sarmiento foi autor de uma obra literária e política extraordinariamente extensa. Seu livro Facundo: Civilização e Barbárie, publicado em 1845, tornou-se um dos textos fundamentais para compreender a formação intelectual e política da Argentina oitocentista.

Sua personalidade, contudo, não pode ser reduzida à imagem do “pai da educação argentina”. Sarmiento foi simultaneamente educador e autoritário, modernizador e elitista, defensor da educação popular e crítico severo de determinados grupos sociais e culturais, especialmente daqueles que identificava com aquilo que denominava “barbárie”.

É justamente essa combinação de grandeza intelectual, modernização e contradições que torna sua figura historicamente relevante.

1. Nascimento e origem familiar

Sarmiento nasceu em 14 de fevereiro de 1811, na cidade de San Juan, embora tenha sido registrado oficialmente em 15 de fevereiro, razão pela qual esta última data passou a ser tradicionalmente utilizada para seu aniversário. Seu nome de nascimento era Faustino Valentín Quiroga Sarmiento; posteriormente, passou a utilizar Domingo Faustino Sarmiento.

Era filho de José Clemente Quiroga Sarmiento, ligado às lutas da independência argentina, e de Paula Albarracín, mulher de forte personalidade que exerceu enorme influência sobre sua formação.

A família não possuía grandes recursos econômicos. Essa origem relativamente humilde tornou-se posteriormente um elemento importante da própria narrativa autobiográfica de Sarmiento.

Sua infância transcorreu em San Juan, no bairro de Carrascal, então uma das áreas mais pobres da cidade.

Desde muito cedo demonstrou extraordinária inclinação para os estudos. Aprendeu a ler ainda criança e frequentou a chamada Escola da Pátria, instituição criada no contexto revolucionário argentino. Depois dessa educação formal inicial, tornou-se essencialmente autodidata.

2. O autodidata

A formação intelectual de Sarmiento constitui um dos aspectos mais fascinantes de sua biografia.

Não frequentou uma universidade tradicional. Sua formação resultou principalmente da combinação entre leitura, experiência prática, ensino, jornalismo e viagens.

Leu história, literatura, filosofia, política, religião, direito e obras pedagógicas.

Aprendeu idiomas por conta própria e desenvolveu especial interesse pela cultura europeia e norte-americana.

O próprio Sarmiento transformaria posteriormente essa experiência em elemento central de sua autobiografia. Em Recuerdos de provincia, publicada em 1850, apresentou sua formação como resultado de uma espécie de educação permanente, realizada apesar das limitações econômicas e institucionais.

A obra é particularmente importante porque mistura memória pessoal, história familiar e construção de uma imagem pública do próprio autor. A Biblioteca Nacional do Chile classifica o livro como autobiográfico e destaca sua importância para a campanha política e para a construção da imagem intelectual de Sarmiento.

3. O primeiro professor aos quinze anos

Um dos episódios mais conhecidos de sua juventude ocorreu quando Sarmiento tinha aproximadamente 15 anos.

Acompanhando seu tio, o presbítero José de Oro, deslocou-se para San Francisco del Monte, na província de San Luis, onde ajudou a fundar uma escola.

Ali começou a ensinar crianças, algumas delas mais velhas do que ele.

O episódio é simbólico porque revela uma característica que permaneceria durante toda a sua vida: para Sarmiento, ensinar e aprender eram atividades inseparáveis.

O jovem que não conseguira acesso à formação acadêmica tradicional passou a construir sua própria trajetória como educador.

Essa experiência ajudaria a formar sua convicção de que a educação deveria funcionar como instrumento de ascensão social e construção da cidadania.

4. A Argentina dividida entre unitários e federais

A juventude de Sarmiento coincidiu com um dos períodos mais turbulentos da história argentina.

O país encontrava-se dividido entre diferentes projetos de organização política, particularmente entre unitários e federais.

Sarmiento alinhou-se ao campo unitário e tornou-se adversário de importantes líderes federais, principalmente Juan Manuel de Rosas e Facundo Quiroga.

Essa posição política teria consequências pessoais.

Em 1831, após a vitória federal e o fortalecimento de Facundo Quiroga, Sarmiento exilou-se no Chile.

Esse primeiro exílio seria decisivo para sua formação intelectual e profissional.

5. Chile: escola, jornalismo e política

No Chile, Sarmiento trabalhou como professor, jornalista e em outras atividades para sobreviver.

Estudou de forma autodidata e aprofundou seus conhecimentos de línguas, história e política.

Quando retornou temporariamente a San Juan, em 1836, fundou o periódico El Zonda, utilizado como instrumento de crítica política.

A experiência jornalística tornou-se uma das marcas de sua personalidade.

Sarmiento escrevia com estilo vigoroso, agressivo e frequentemente provocador. Para ele, o jornal era mais do que um meio de informação: era uma arma política e pedagógica.

Seu jornalismo seria fundamental para a formação de sua reputação como intelectual público.

6. A geração intelectual e o projeto de modernização

Sarmiento esteve ligado ao ambiente intelectual que posteriormente seria associado à chamada Geração de 1837, grupo de jovens intelectuais argentinos influenciados pelo romantismo europeu, pelo liberalismo e pelo pensamento político moderno.

Entre suas preocupações estavam:

Sarmiento acreditava que a Argentina precisava romper com estruturas sociais que considerava responsáveis pelo atraso político e econômico.

Essa visão seria posteriormente condensada em sua famosa oposição entre “civilização” e “barbárie”.

7. Facundo — a obra que marcou sua geração

Em 1845, Sarmiento publicou Facundo: Civilização e Barbárie, provavelmente sua obra mais famosa.

O título completo era Civilización y barbarie. Vida de Juan Facundo Quiroga, embora a obra seja normalmente conhecida simplesmente como Facundo.

O livro não é uma biografia convencional.

Sarmiento utiliza a figura do caudilho Facundo Quiroga para interpretar a sociedade argentina e explicar os problemas políticos de seu país.

A oposição entre:

civilização = cidade, educação, instituições, ciência, comércio e modernização

e

barbárie = ruralidade, caudilhismo, violência, atraso e personalismo

constitui o eixo interpretativo da obra.

Entretanto, essa dicotomia não deve ser tomada hoje como uma descrição objetiva da realidade argentina. Trata-se de uma construção intelectual e política de Sarmiento, profundamente influenciada por seus valores e por sua luta contra o federalismo e o regime de Rosas.

O livro é simultaneamente literatura, ensaio político, história, sociologia e manifesto de modernização.

8. Sarmiento escritor

Uma das características menos compreendidas de Sarmiento é sua importância literária.

Ele não foi apenas um político que escrevia.

Foi um escritor de grande força estilística.

Sua prosa combinava:

  • autobiografia;
  • jornalismo;
  • história;
  • ensaio;
  • descrição social;
  • crítica política;
  • narrativa literária.

Sua produção completa é gigantesca. A edição de suas Obras Completas chegou a reunir dezenas de volumes, revelando a dimensão extraordinária de sua atividade intelectual.

9. Recuerdos de provincia

Publicado em 1850, Recuerdos de provincia é uma das grandes autobiografias latino-americanas do século XIX.

Sarmiento reconstrói sua infância, sua família, sua província e sua própria formação.

O livro possui também uma dimensão política.

Ao narrar sua trajetória de jovem pobre e autodidata que alcançou posição de destaque, Sarmiento constrói uma espécie de autorretrato exemplar.

Sua própria vida torna-se argumento em favor da educação.

Se a educação havia permitido ao filho de uma família modesta transformar-se em escritor, professor, diplomata e estadista, ela poderia, segundo sua lógica, transformar também a sociedade.

10. Viajes — o mundo como laboratório

Outra obra importante é Viajes, resultado das viagens realizadas por Sarmiento pela Europa, África e América.

Em 1845, o governo chileno encarregou-o de estudar sistemas educacionais estrangeiros.

A viagem levou Sarmiento por diversos países, entre eles:

A experiência transformou sua visão sobre educação e desenvolvimento.

Sarmiento passou a comparar sistematicamente as instituições estrangeiras com a realidade argentina e chilena.

11. Massachusetts e a influência de Horace Mann

Aqui está uma das conexões mais importantes e interessantes da trajetória de Sarmiento com os Estados Unidos e a Nova Inglaterra.

Durante sua viagem aos Estados Unidos, em 1847, Sarmiento conheceu Horace Mann, uma das figuras mais importantes da história da educação norte-americana.

Mann era então secretário do Board of Education de Massachusetts.

Sarmiento ficou profundamente impressionado com o sistema educacional desenvolvido na Nova Inglaterra, particularmente com a ideia de uma rede pública de ensino, a formação profissional dos professores e a participação das mulheres no magistério.

Horace Mann forneceu-lhe acesso a materiais e instituições educacionais de Massachusetts. Sarmiento observou diretamente a experiência das escolas normais e posteriormente tentou adaptá-la à realidade sul-americana.

Essa influência seria extraordinariamente importante.

Pode-se dizer que Massachusetts foi um dos laboratórios intelectuais do projeto educacional de Sarmiento.

12. A escola normal e as mulheres professoras

Sarmiento percebeu algo que teria consequências profundas na educação argentina: a importância da formação profissional dos professores.

A experiência norte-americana mostrou-lhe o potencial das escolas normais.

Posteriormente, como presidente, estimulou a criação de escolas normais na Argentina.

Também promoveu a contratação de professoras norte-americanas para atuar na formação de docentes argentinos.

Educ.ar registra a chegada de dezenas dessas educadoras, muitas delas provenientes da tradição pedagógica norte-americana, incluindo nomes como Mary Gorman, Sarah Eccleston, Mary Morse, Margaret Collord e Jennie Howard.

Essa política representou uma importante transformação no sistema educacional argentino.

Também demonstra que Sarmiento tinha uma concepção relativamente avançada, para seu tempo, sobre a participação feminina na educação.

13. A primeira escola normal da América Latina

Em 1842, ainda no Chile, Sarmiento participou da criação da Escola Normal de Preceptores, considerada pela documentação oficial argentina uma das primeiras instituições latino-americanas especializadas na formação de professores.

Essa experiência seria posteriormente reproduzida na Argentina.

Em 1870 foi criada a Escola Normal de Paraná, que se tornou um dos centros fundamentais da formação docente argentina.

O chamado normalismo argentino teria enorme influência sobre o sistema educacional do país durante décadas.

14. Educação como instrumento de construção nacional

Para Sarmiento, educação não era simplesmente uma política social.

Era uma política de Estado.

Ele acreditava que não seria possível consolidar uma república estável com uma população majoritariamente analfabeta.

O primeiro censo nacional argentino, realizado em 1869, revelou uma população de 1.737.076 habitantes e mais de um milhão de pessoas que não sabiam ler e escrever.

Esse dado ajuda a compreender a dimensão do desafio.

A escola deveria produzir:

  • cidadãos;
  • trabalhadores qualificados;
  • leitores;
  • eleitores;
  • funcionários públicos;
  • professores;
  • indivíduos integrados à economia moderna.

A educação, portanto, estava diretamente relacionada ao projeto de construção do Estado nacional.

15. Governador de San Juan

Sarmiento foi governador de San Juan entre 1862 e 1864.

Durante sua administração promoveu reformas educacionais e administrativas.

Defendeu a obrigatoriedade do ensino primário e criou novas instituições escolares.

Sua atuação, entretanto, também demonstrou seu lado autoritário.

A relação com adversários políticos e caudilhos foi frequentemente marcada pela confrontação e pelo uso da força.

Essa característica acompanharia toda a sua carreira política.

16. A questão indígena e a “barbárie”

A compreensão de Sarmiento exige necessariamente enfrentar um dos aspectos mais controversos de seu pensamento.

Ele utilizava a expressão “barbárie” para designar determinados grupos e formas de organização social que considerava incompatíveis com o projeto de modernização.

Isso incluía setores rurais, caudilhos, determinadas populações indígenas e outros grupos considerados, por ele, obstáculos ao projeto de Estado moderno.

A historiografia contemporânea critica fortemente esse aspecto.

Seu projeto de modernização estava baseado em uma hierarquia cultural na qual determinadas formas europeias e norte-americanas de organização social eram consideradas superiores.

Portanto, o Sarmiento educador não pode ser separado do Sarmiento que defendia políticas de forte assimilação cultural e que, em determinados momentos, admitia soluções violentas para os conflitos internos.

17. Sarmiento e a Guerra da Tríplice Aliança

É necessário corrigir uma afirmação comum sobre sua biografia.

Sarmiento não foi originalmente um crítico severo da Guerra da Tríplice Aliança.

Pelo contrário.

Em 1865, durante sua missão diplomática nos Estados Unidos, Sarmiento demonstrava forte hostilidade a Francisco Solano López e defendia a necessidade de combater o governo paraguaio.

Estudo acadêmico sobre as relações de Bartolomé Mitre com o Paraguai registra correspondência de Sarmiento na qual ele defendia a guerra e comparava Solano López a um “novo Alexandre guarani”.

Essa posição é importante para compreender sua mentalidade política.

Sarmiento interpretava o conflito através de sua própria chave intelectual:

civilização versus barbárie.

Solano López aparecia, em sua visão, como expressão de um regime autoritário e militarizado que ameaçava a ordem política regional.

Portanto, não é historicamente adequado apresentá-lo simplesmente como pacifista ou opositor da guerra.

18. Dominguito e a dimensão pessoal da guerra

A Guerra da Tríplice Aliança adquiriu para Sarmiento uma dimensão profundamente pessoal.

Seu filho adotivo, Domingo Fidel Sarmiento, conhecido como Dominguito, alistou-se no exército argentino.

Dominguito morreu em 22 de setembro de 1866, durante a Batalha de Curupaytí, no Paraguai, aos 21 anos.

Sarmiento encontrava-se nos Estados Unidos, exercendo funções diplomáticas, quando recebeu a notícia.

O acontecimento o abalou profundamente.

Posteriormente escreveu Vida de Dominguito, obra dedicada à memória do filho.

Existem duas versões importantes dessa obra: uma primeira, mais íntima, escrita em 1867, e outra publicada em 1886, com caráter mais patriótico e cívico.

A morte de Dominguito constitui uma das chaves para compreender a evolução emocional e política de Sarmiento em relação à guerra.

19. A Guerra e a mudança de perspectiva

Embora tenha apoiado a guerra em sua fase inicial, Sarmiento posteriormente testemunhou seus efeitos devastadores.

Em 1870, durante sua presidência, a guerra chegou ao fim com a morte de Solano López em Cerro Corá.

O próprio Museu Histórico Sarmiento registra que, durante a presidência de Sarmiento, diante da devastação e do esgotamento provocado pelo conflito, a guerra chegou ao seu término.

A experiência deixou uma marca contraditória em seu pensamento.

De um lado, continuava identificando Solano López com o autoritarismo e a “barbárie”.

De outro, o prolongamento do conflito, a morte de milhares de pessoas e a destruição do Paraguai produziram uma percepção cada vez mais sombria sobre o custo humano da guerra.

Uma frase atribuída a Sarmiento em carta de 1869 tornou-se particularmente célebre pela brutalidade de sua formulação, ao comentar que a guerra terminava porque praticamente todos os paraguaios adultos haviam sido mortos.

Essa passagem é importante não para transformá-lo retrospectivamente em pacifista, mas para demonstrar a profunda contradição existente em sua relação com o conflito.

20. Presidente da Argentina

Sarmiento foi eleito presidente da Argentina em 1868, sucedendo Bartolomé Mitre.

Governou entre 1868 e 1874.

Sua presidência ficou marcada por múltiplos conflitos:

  • Guerra da Tríplice Aliança;
  • revoltas internas;
  • epidemias;
  • conflitos políticos;
  • resistência de setores regionais;
  • questões indígenas;
  • reorganização militar;
  • modernização administrativa.

Apesar dessas dificuldades, seu governo promoveu uma extraordinária agenda de modernização.

21. A grande revolução educacional

A principal realização da presidência de Sarmiento foi a expansão do sistema educacional.

Durante seu governo foram criadas aproximadamente 800 escolas, e o número de alunos da educação primária teria passado de aproximadamente 30 mil para cerca de 100 mil.

Foram também criadas ou fortalecidas instituições como:

  • escolas normais;
  • escolas militares;
  • escolas navais;
  • colégios nacionais;
  • bibliotecas populares;
  • instituições científicas.

A política educacional de Sarmiento criou bases que posteriormente seriam ampliadas e consolidadas pela Lei 1.420 de Educação Comum, sancionada em 1884, já depois de sua presidência.

22. Ciência e Observatório Astronômico de Córdoba

Outro aspecto extraordinário de seu governo foi a valorização da ciência.

Sarmiento participou da criação do Observatório Astronômico de Córdoba, inaugurado em 1871.

Também estimulou a criação da Academia de Ciências de Córdoba.

Seu objetivo era incorporar à Argentina os conhecimentos científicos necessários para um Estado moderno.

Essa política revela uma característica essencial de seu pensamento:

educação e ciência eram instrumentos de soberania nacional.

Não bastava alfabetizar a população; era necessário também produzir conhecimento científico.

23. Telégrafo e ferrovias

Sarmiento compreendeu a importância estratégica das comunicações.

Durante sua administração houve grande expansão das redes telegráficas e ferroviárias.

Para ele, o telégrafo possuía significado político e econômico extraordinário: permitia reduzir as distâncias entre Buenos Aires e as províncias e integrar um território extenso e politicamente fragmentado.

A própria documentação oficial argentina o apresenta como um dos grandes impulsionadores das telecomunicações no país.

24. Imigração

Sarmiento também incentivou a imigração europeia.

A imigração era vista como mecanismo de transformação social e econômica.

Seu modelo ideal de modernização envolvia a combinação de:

educação + imigração + agricultura + ferrovias + ciência + urbanização + instituições republicanas.

Essa concepção seria extremamente influente na Argentina do final do século XIX.

25. O papel das mulheres na educação

Uma curiosidade particularmente relevante é a posição de Sarmiento sobre as mulheres educadoras.

Ele acreditava que as mulheres poderiam desempenhar papel fundamental na expansão da escola pública.

A contratação de professoras norte-americanas foi parte deliberada de seu projeto.

Muitas dessas educadoras permaneceram na Argentina por décadas e ajudaram a formar gerações de professoras.

Nesse ponto, Sarmiento foi significativamente inovador para seu tempo.

Sua política educacional contribuiu para a profissionalização feminina do magistério e para a expansão da presença das mulheres no espaço público.

26. Relação com os Estados Unidos

A experiência norte-americana teve influência decisiva sobre Sarmiento.

Durante sua viagem, observou:

  • escolas públicas;
  • escolas normais;
  • bibliotecas;
  • universidades;
  • ferrovias;
  • agricultura;
  • imprensa;
  • organização municipal;
  • instituições políticas.

Mas sua relação com os Estados Unidos foi mais profunda do que simples admiração.

Ele procurou compreender como instituições sociais poderiam ser adaptadas para a América do Sul.

Massachusetts e a tradição educacional da Nova Inglaterra tiveram papel particularmente importante nesse processo.

O contato com Horace Mann e com as escolas normais de Massachusetts tornou-se uma referência permanente.

27. Uma curiosidade: Sarmiento e Newton

Durante sua passagem pelos Estados Unidos, Sarmiento visitou uma escola normal localizada nas proximidades de Boston, em Newton, experiência que o impressionou profundamente.

Observou um currículo que incluía disciplinas como:

  • geografia;
  • aritmética;
  • álgebra;
  • geometria;
  • física;
  • anatomia;
  • fisiologia;
  • música;
  • pedagogia;
  • botânica;
  • desenho;
  • atividades físicas.

Essa experiência ajudou a formar sua concepção de uma educação docente ampla, científica e profissionalizada.

28. Sarmiento e Benjamin Franklin

Outra curiosidade intelectual é sua admiração por Benjamin Franklin.

Sarmiento identificava-se com a imagem do homem que, partindo de condições relativamente modestas, utilizava o conhecimento, a disciplina e o trabalho para alcançar projeção social.

Franklin tornou-se, nesse sentido, uma espécie de modelo de autodidata republicano.

A leitura de biografias de Franklin influenciou sua própria concepção autobiográfica.

29. Sarmiento e a fotografia

Sarmiento também demonstrou interesse por tecnologias modernas.

Foi um dos políticos latino-americanos de seu tempo mais familiarizados com a utilização da fotografia como instrumento de representação pública.

Suas fotografias contribuíram para a construção de sua imagem como estadista moderno.

Isso pode parecer um detalhe, mas revela sua percepção de que a política moderna também envolvia imagem, comunicação e opinião pública.

30. O homem das comunicações

Seu interesse por tecnologia não se limitava ao telégrafo.

Sarmiento demonstrava fascínio por:

  • ferrovias;
  • máquinas;
  • navegação;
  • imprensa;
  • fotografia;
  • educação científica;
  • comunicações.

Ele acreditava que a velocidade da circulação de pessoas, mercadorias e informações modificaria profundamente a sociedade.

Nesse aspecto, sua visão tinha um caráter surpreendentemente moderno.

31. Conflito y armonías de las razas en América

Em 1883, publicou Conflicto y armonías de las razas en América.

A obra representa uma fase posterior e mais problemática de seu pensamento.

Sarmiento tenta interpretar a formação social americana através de categorias raciais e culturais então correntes no pensamento científico e político do século XIX.

A obra contém concepções hoje consideradas profundamente problemáticas e marcadas por hierarquizações raciais e culturais.

Não se pode, portanto, utilizar Sarmiento apenas como símbolo abstrato da educação e ignorar essas dimensões.

Sua obra deve ser estudada criticamente, considerando o contexto intelectual do século XIX e também os efeitos históricos dessas ideias.

32. A contradição fundamental de Sarmiento

Talvez a melhor maneira de compreender Sarmiento seja reconhecer suas contradições.

Ele foi:

democrata e autoritário;

educador popular e elitista;

defensor da ciência e homem de fortes preconceitos culturais;

modernizador e defensor de políticas coercitivas;

admirador dos Estados Unidos e crítico de aspectos de sua sociedade;

defensor da educação feminina e representante de uma visão hierárquica da sociedade;

promotor da educação pública e participante de conflitos militares extremamente violentos.

Essas contradições não anulam sua importância.

Ao contrário, tornam seu pensamento mais interessante para a historiografia contemporânea.

33. O último período de sua vida

Após deixar a presidência, Sarmiento continuou exercendo funções públicas.

Foi senador nacional, atuou na administração educacional e continuou escrevendo.

Em 1879, chegou a exercer brevemente o cargo de ministro do Interior.

Em 1881, assumiu função de destaque na administração da educação nacional.

Continuou escrevendo e defendendo suas ideias até os últimos anos de vida.

34. Morte em Assunção

Sarmiento morreu em 11 de setembro de 1888, em Assunção, Paraguai, aos 77 anos.

A escolha do Paraguai como local de sua permanência nos últimos momentos de vida possui uma ironia histórica extraordinária.

O homem que havia sido um defensor da guerra contra o Paraguai terminou seus dias justamente naquele país.

Após sua morte, seus restos foram transportados para Buenos Aires e sepultados no Cemitério da Recoleta.

35. O Dia do Professor

Na Argentina, o dia 11 de setembro é celebrado como o Día del Maestro.

A data foi escolhida em homenagem à morte de Sarmiento.

A tradição foi posteriormente incorporada ao calendário educacional de diversos países latino-americanos em diferentes formas.

Assim, Sarmiento tornou-se uma espécie de símbolo continental da profissão docente.

36. Principais obras de Sarmiento

Entre suas obras mais importantes destacam-se:

Facundo: Civilización y barbarie (1845)
Sua obra mais famosa. Analisa a sociedade argentina através da oposição entre civilização e barbárie.

Viajes (1849)
Relato de suas viagens pela América, Europa e África e de suas observações sobre sociedades e sistemas educacionais.

Recuerdos de provincia (1850)
Autobiografia e reconstrução da história familiar e provincial de Sarmiento. A primeira edição foi publicada em Santiago do Chile em 1850.

Argirópolis (1850)
Projeto político para reorganização institucional da região do Prata.

Educación popular (1849)
Uma de suas obras fundamentais sobre educação e formação do cidadão.

Campaña en el Ejército Grande (1852)
Relato e interpretação de sua participação política e militar na campanha contra Rosas.

Conflicto y armonías de las razas en América (1883)
Obra tardia na qual desenvolve suas interpretações sobre raça, cultura e formação social americana.

Vida de Dominguito (1886)
Biografia de seu filho adotivo, morto em Curupaytí durante a Guerra da Tríplice Aliança.

37. Obras e instituições que permanecem

O legado de Sarmiento não está apenas em seus livros.

Está também nas instituições que ajudou a criar ou consolidar:

  • escolas públicas;
  • escolas normais;
  • bibliotecas populares;
  • observatórios;
  • instituições científicas;
  • sistemas telegráficos;
  • ferrovias;
  • formação profissional de professores;
  • educação feminina;
  • administração educacional.

Por isso, sua influência deve ser analisada tanto no campo da história intelectual quanto na história institucional da Argentina.

38. Sarmiento e a construção do Estado argentino

Sarmiento pertence ao grupo de dirigentes responsáveis pela consolidação do Estado argentino depois das guerras civis.

Junto com figuras como Bartolomé Mitre e Nicolás Avellaneda, integra o período frequentemente denominado de Presidências Históricas.

Esse processo envolveu:

Mas essa construção também ocorreu por meio da repressão de adversários políticos e de campanhas militares contra grupos considerados obstáculos ao projeto estatal.

A modernização argentina, portanto, teve simultaneamente uma dimensão institucional e coercitiva.

39. A importância histórica de Sarmiento

Sarmiento permanece importante porque formulou uma pergunta que continua atual:

Como transformar uma sociedade por meio da educação?

Sua resposta foi radical para o século XIX.

A escola deveria ser uma das principais instituições de construção nacional.

Para ele, um Estado moderno necessitava de cidadãos alfabetizados, professores profissionalizados, ciência, imprensa, infraestrutura e circulação de informações.

Nesse aspecto, Sarmiento antecipou concepções posteriormente incorporadas às políticas públicas modernas.

40. O legado controverso

Não seria historicamente adequado transformar Sarmiento em um personagem exclusivamente heroico.

Sua defesa da educação pública é extraordinária.

Seu papel na construção do sistema educacional argentino é incontestável.

Sua produção literária é de primeira importância.

Sua influência sobre a política latino-americana foi enorme.

Mas seu pensamento também contém:

  • elitismo;
  • racismo;
  • eurocentrismo;
  • desprezo por determinadas culturas populares;
  • defesa de políticas coercitivas;
  • concepções hierárquicas sobre grupos sociais.

A historiografia contemporânea deve, portanto, evitar tanto a hagiografia quanto a demonização retrospectiva.

Sarmiento precisa ser compreendido em sua época, mas sem que o contexto histórico seja utilizado para apagar as consequências e contradições de suas ideias.

41. Sarmiento em perspectiva latino-americana

A grandeza de Sarmiento não está apenas em ter sido presidente da Argentina.

Ele participou de uma transformação mais ampla da América Latina.

Durante o século XIX, intelectuais latino-americanos enfrentavam uma questão comum:

Como transformar sociedades coloniais e pós-coloniais em Estados nacionais modernos?

Sarmiento respondeu com:

educação + ciência + imigração + instituições + infraestrutura + modernização cultural.

Outros pensadores deram respostas diferentes.

Simón Bolívar enfatizou a construção política e continental.

Andrés Bello valorizou a educação, a cultura e o direito.

Juan Bautista Alberdi enfatizou a Constituição, a imigração e o desenvolvimento econômico.

José Martí posteriormente formularia uma visão muito mais crítica da imitação dos modelos estrangeiros.

Sarmiento ocupa, portanto, posição central no debate latino-americano sobre modernização.

42. Uma síntese do pensamento de Sarmiento

O pensamento de Sarmiento pode ser resumido em cinco grandes eixos:

1. Educação: instrumento fundamental de transformação social.

2. Ciência: condição para o progresso nacional.

3. Estado: instituição necessária para superar a fragmentação política.

4. Modernização: integração econômica, territorial e cultural.

5. Civilização: criação de instituições capazes de substituir o personalismo e o caudilhismo.

O problema está na definição que Sarmiento fazia de “civilização”.

Para ele, a civilização estava profundamente associada aos modelos europeus e norte-americanos.

É justamente nesse ponto que sua obra deve ser analisada criticamente.

43. Curiosidades sobre Sarmiento

1. Nasceu um dia antes da data oficial tradicionalmente comemorada.
Documentos oficiais argentinos registram que nasceu em 14 de fevereiro, mas foi registrado no dia 15.

2. Começou a ensinar ainda adolescente.
Aos aproximadamente 15 anos, já participava da criação de uma escola em San Luis.

3. Foi essencialmente autodidata.
Depois de sua formação escolar inicial, grande parte de sua educação foi construída por meio de leitura e estudo independente.

4. Teve forte influência de Massachusetts.
O contato com Horace Mann e com o sistema educacional da Nova Inglaterra foi decisivo para sua concepção de escola normal e formação de professores.

5. Dominguito morreu na Guerra do Paraguai.
A morte do filho adotivo em Curupaytí marcou profundamente sua vida.

6. Escreveu uma biografia do próprio filho adotivo.
Vida de Dominguito foi publicada em 1886.

7. Morreu no Paraguai.
Sarmiento morreu em Assunção, em 1888, quase duas décadas depois do término da guerra.

8. Foi um dos grandes entusiastas do telégrafo.
Considerava as comunicações essenciais para integrar territorialmente a Argentina.

9. Sua obra completa é monumental.
A edição de suas obras chegou a reunir dezenas de volumes.

10. Sua imagem é simultaneamente nacional e continental.
Na Argentina, tornou-se símbolo da educação; na história intelectual latino-americana, é estudado como um dos grandes formuladores do projeto de modernização do século XIX.

44. Conclusão

Domingo Faustino Sarmiento foi um homem de seu tempo, mas também um homem que tentou antecipar o futuro.

Sua convicção de que uma nação não poderia construir instituições democráticas duradouras sem educação pública permanece uma das dimensões mais poderosas de seu legado.

Seu contato com a Nova Inglaterra, especialmente com Massachusetts e Horace Mann, foi decisivo para a elaboração de seu projeto educacional. A experiência norte-americana mostrou-lhe que a escola poderia ser organizada como uma política pública nacional e que a formação profissional do professor era tão importante quanto a construção de escolas.

Na Argentina, procurou transformar essa experiência em instituições permanentes.

Entretanto, seu projeto de modernização estava acompanhado de uma visão hierárquica da sociedade. A oposição entre “civilização” e “barbárie”, embora intelectualmente poderosa, serviu também para justificar a exclusão ou repressão de grupos considerados incompatíveis com o modelo de sociedade que desejava construir.

Sua posição diante da Guerra da Tríplice Aliança revela outra dimensão dessa complexidade. Sarmiento inicialmente apoiou o enfrentamento contra o Paraguai e manifestou profunda hostilidade a Solano López. Mais tarde, a duração, a brutalidade e o custo humano da guerra produziram em seus escritos expressões de enorme amargura. A morte de seu filho Dominguito em Curupaytí tornou essa experiência ainda mais pessoal.

Por isso, Sarmiento não deve ser estudado apenas como “Pai da Educação Argentina”.

Ele deve ser compreendido como um dos grandes arquitetos intelectuais da modernização argentina, um escritor de extraordinária força, um educador revolucionário para seu tempo, um político combativo e também uma personalidade profundamente contraditória.

Seu legado permanece justamente porque suas ideias permitem discutir questões que continuam atuais:

Qual é o papel da educação na construção de uma República?

Até onde pode chegar o Estado em nome da modernização?

Quem define o que é “civilização”?

Como conciliar progresso, diversidade cultural e liberdade?

É possível construir uma sociedade moderna sem transformar diferenças culturais em hierarquias?

Essas perguntas fazem com que a obra de Sarmiento continue relevante mais de um século depois de sua morte.

 

Pesquisa Ivair Ximenes Lopes

Fontes consultadas e bibliografia essencial

ARGENTINA. Gobierno de la Nación. Domingo Faustino Sarmiento: a 215 años de su nacimiento. Buenos Aires, 2026.

ARGENTINA. Gobierno de la Nación. Domingo Faustino Sarmiento: la escuela como pilar de la Nación. Buenos Aires.

ARGENTINA. Gobierno de la Nación. Domingo F. Sarmiento: un visionario de las telecomunicaciones. Buenos Aires, 2025.

EDUC.AR. Secretaría de Educación de la Nación Argentina. Domingo Faustino Sarmiento: vida e historia. Buenos Aires.

EDUC.AR. Secretaría de Educación de la Nación Argentina. Sarmiento y la educación. Buenos Aires.

EDUC.AR. Secretaría de Educación de la Nación Argentina. 11 de Septiembre: “Enseñar la patria”. Buenos Aires.

MUSEO HISTÓRICO SARMIENTO. Fallecimiento de Domingo Fidel Sarmiento en Batalla de Curupaytí. Buenos Aires.

MUSEO HISTÓRICO SARMIENTO. Domingo F. Sarmiento publica Vida de Dominguito. Buenos Aires.

MUSEO HISTÓRICO SARMIENTO. Fin de la Guerra de la Triple Alianza. Buenos Aires.

MUSEO HISTÓRICO SARMIENTO. Firma del Tratado de la Triple Alianza. Buenos Aires.

MEMORIA CHILENA — BIBLIOTECA NACIONAL DE CHILE. Recuerdos de provincia (1850). Santiago do Chile.

SARMIENTO, Domingo Faustino. Facundo: civilización y barbarie. 1845.

SARMIENTO, Domingo Faustino. Viajes por Europa, África y América. 1849.

SARMIENTO, Domingo Faustino. Educación popular. 1849.

SARMIENTO, Domingo Faustino. Recuerdos de provincia. Santiago de Chile: Imprenta de Julio Belín y Compañía, 1850.

SARMIENTO, Domingo Faustino. Argirópolis. 1850.

SARMIENTO, Domingo Faustino. Conflicto y armonías de las razas en América. 1883.

SARMIENTO, Domingo Faustino. Vida de Dominguito. 1886.

SANSÓN CORBO, Tomás. “Bartolomé Mitre y la historia de Paraguay. Itinerarios de una relación tempestuosa”. Estudios Paraguayos, v. 40, n. 1, 2022.

POMER, León. La guerra del Paraguay: Estado, política y negocios. Buenos Aires.

BIBLIOTECA VIRTUAL MIGUEL DE CERVANTES. Recuerdos de provincia, de Domingo Faustino Sarmiento. Edição digital baseada na primeira edição de Santiago do Chile, 1850.

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MM I-Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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