A necessidade da tolerância inabalável e sincera na maçonaria
a) Resumo preliminar do texto base
O texto base reflete sobre a importância da tolerância como valor essencial para a vivência maçônica.
Estabelece que a verdadeira fraternidade só pode existir onde há liberdade de pensamento e respeito mútuo pelas opiniões divergentes.
A intolerância, fruto de incompreensão e orgulho, é incompatível com os princípios da Maçonaria Regular. A busca da Verdade, sendo uma jornada individual, exige que cada um seja livre para trilhar seu caminho espiritual e intelectual, sem censura ou imposição de ideias.
b) Pesquisa histórica sobre a tolerância na maçonaria
A Maçonaria Regular surgiu no contexto europeu do século XVIII, marcado por guerras religiosas, absolutismo e dogmatismo. A fundação da Grande Loja de Londres (1717) simbolizou uma resposta a esse ambiente sectário: um espaço de encontro entre homens de diferentes crenças, partidos e escolas filosóficas, unidos pelo ideal comum de aperfeiçoamento humano e moral.
Desde as Constituições de Anderson (1723), observa-se um princípio fundacional de tolerância. O artigo I afirma: “Um maçom é obrigado, por sua condição, a obedecer à lei moral; e se compreender corretamente a Arte, nunca será um estúpido ateu nem um libertino irreligioso. […] Embora nas épocas antigas os maçons fossem obrigados, em cada país, a pertencer à religião local, hoje se julga mais conveniente obrigá-los apenas àquela religião com a qual todos os homens concordam, deixando a cada um a sua própria opinião.” (Tradução de José Castellani).
Esse princípio ganhou força com autores como Albert Pike, que em Morals and Dogma declara: “A intolerância é, por sua própria natureza, anti-maçônica. A fraternidade maçônica só pode florescer onde há liberdade de consciência e respeito mútuo.”
No Brasil, Nicola Aslan reforça que a Maçonaria é “um templo onde a fé pode entrar, mas o dogma deve ficar de fora” (O que é Maçonaria?). Isso demonstra que a pluralidade de ideias sempre foi esperada e valorizada pela Maçonaria Regular, mas exige da parte de todos o cultivo da tolerância ativa e consciente.
c) Opiniões contrárias
Apesar do ideal da tolerância ser proclamado como universal dentro da Maçonaria, na prática alguns maçons ou até algumas potências regulares já demonstraram atitudes que ferem esse princípio — seja por disputas internas, por rigidez doutrinária ou por divergências políticas e ideológicas.
Críticos como Carlos Torres Pastorino apontam que “a tolerância teórica nem sempre se converte em tolerância vivida”, o que pode gerar divisões, cisões e desarmonia entre irmãos. Outros estudiosos notam que há uma linha tênue entre tolerância e relativismo — e que a aceitação de toda opinião pode enfraquecer os valores fundamentais da Ordem.
Esse é um dilema clássico da ética: até que ponto deve-se tolerar a intolerância? A Maçonaria Regular enfrenta o desafio de sustentar seus Landmarks e princípios sem cair em dogmatismo ou permissividade incoerente.
d) Doutrina mais aceita
A doutrina predominante na Maçonaria Regular é clara: a tolerância não é uma opção, mas uma obrigação moral e iniciática. Ela não se limita ao respeito formal, mas deve ser ativa, generosa e fraterna. A Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE) e demais potências regulares sustentam esse princípio como essencial à convivência entre irmãos.
Rizzardo da Camino, em A Tradição Maçônica, afirma que “o espírito de fraternidade só se realiza onde há tolerância, pois sem ela a liberdade é uma ficção e a igualdade se transforma em mera retórica.”
Joaquim Gervásio de Figueiredo, por sua vez, observa em seu Dicionário Maçônico que “a intolerância é o maior obstáculo à verdadeira iniciação, pois esta exige o abandono do ego e a abertura à verdade do outro.”
Além disso, autores como Leon Zeldis e Joseph Fort Newton reforçam que a Verdade, sendo transcendente e multifacetada, jamais poderá ser apreendida plenamente por um só ponto de vista. A diversidade de opiniões é uma riqueza iniciática, não uma ameaça.
Na visão de Ailton Elisiário de Souza, “o maçom verdadeiro não impõe, propõe; não julga, compreende; não separa, une.”
e) Utilização do texto base com inserções da pesquisa
A tolerância, conforme afirma o texto base, “impõe-se como primeira condição da vida e da atividade maçônica”. Isso está em sintonia com a tradição iniciática da Maçonaria Regular, que sempre buscou unir, e não dividir. Como destaca Albert Pike, “a intolerância religiosa, filosófica ou política é uma praga que o maçom deve combater, primeiramente em si mesmo.”
O texto também assevera que “a verdadeira liberdade de pensamento mede-se pela liberdade que cada indivíduo sabe conceder aos demais”. Essa é a essência da liberdade dentro da Ordem — um dos três grandes pilares maçônicos, ao lado da Igualdade e Fraternidade.
A afirmação de que “toda antipatia é fundamentalmente uma falta de compreensão” ecoa o pensamento de C.W. Leadbeater, que via na ignorância e no orgulho as maiores causas de desunião entre os homens.
Por fim, quando o texto diz que “cada homem deve buscar seu próprio caminho em direção à Luz”, ele reafirma um dos dogmas da Maçonaria Regular: a Verdade é uma busca individual e progressiva, e não um dogma absoluto. O caminho do maçom é interno, mas sua jornada não se realiza de modo egoísta, pois só se caminha plenamente na Luz quando se respeita a marcha dos demais.
Autor Ivair Ximenes Lopes
Referências bibliográficas
Albert Pike, Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry.
Nicola Aslan, O que é Maçonaria?, Ed. Aurora.
Joaquim Gervásio de Figueiredo, Dicionário Maçônico, Ed. A Trolha.
Rizzardo da Camino, A Tradição Maçônica e sua Filosofia Iniciática, Ed. Madras.
Leon Zeldis, A Maçonaria Explicada.
Joseph Fort Newton, The Builders.
Ailton Elisiário de Souza, Reflexões Maçônicas sobre Ética e Conduta.
C.W. Leadbeater, O lado oculto da Maçonaria.
Carlos Torres Pastorino, Sabedoria Iniciática.

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











