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A Escola Gnóstica e Sua Influência na Maçonaria Simbólica

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A Escola Gnóstica e Sua Influência na Maçonaria SimbólicaConhecimento Interior, Ressurreição Espiritual e a Verdadeira Cristoforia

Resumo Preliminar

Este artigo investiga a ligação entre a antiga Escola Gnóstica cristã , perseguida por séculos como heresia pela Igreja Romana , e os fundamentos da Maçonaria Simbólica , especialmente no contexto dos Três Graus Iniciais (Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom) . Inspirando-se nas ideias de mestres maçônicos como Albert Pike , Nicola Aslan e Joaquim Gervásio de Figueiredo , exploramos como o gnosticismo — corrente filosófico-religiosa que buscava unir o Cristianismo primitivo com tradições iniciáticas antigas — influenciou profundamente a visão esotérica da Ordem Maçônica.

O texto também reflete sobre:

  • A interpretação esotérica do Evangelho ;
  • O conceito de Cristo como princípio interior , não apenas figura histórica;
  • As diferentes opiniões sobre esta ligação;
  • E a doutrina mais aceita dentro da Maçonaria Universal, que reconhece no gnosticismo um modelo de busca pela verdade e regeneração moral .

“A verdadeira luz não vem do exterior — ela brota do coração lapidado do iniciado.”
Fonte: Carlos Torres Pastorino , Maçonaria – Doutrina e Prática .

I. Introdução

No vasto campo das tradições esotéricas que alimentaram o simbolismo maçônico, o gnosticismo cristão ocupa um lugar especial. Considerada uma corrente de conhecimento interior , ele surgiu nos primeiros séculos da era cristã como tentativa de conciliar o Evangelho com as doutrinas místicas e filosóficas do passado , integrando elementos da Platônica , da Escola de Alexandria , do mistério egípcio , do judaísmo cabalístico e das tradições orientais .

A Escola Gnóstica via a religião como experiência direta da realidade divina , e não como simples adesão dogmática. Essa visão encontra paralelo profundo na Maçonaria Simbólica , cujo objetivo é elevar o caráter humano por meio de sabedoria, virtude e serviço .

“O gnosticismo não negava Cristo — ele via nele o caminho; a Maçonaria não cultua o cargo, mas o espírito.”
Fonte: Joaquim Gervásio de Figueiredo , Simbolismo Maçônico e Tradição Universal .

II. A Escola Gnóstica e Seu Propósito Filosófico e Religioso

O gnosticismo surgiu nos primeiros séculos do Cristianismo como uma corrente de busca interior , que valorizava o conhecimento direto de Deus acima da cega ou da obediência ao dogma.

Características principais:

  • Gnosis (conhecimento) como caminho para a salvação, em vez de incondicional ;
  • Leitura simbólica e esotérica das escrituras , especialmente do Evangelho ;
  • Crença na luz interior , acessível apenas aos preparados moralmente ;
  • Rejeição à interpretação literal da história sagrada , privilegiando o sentido metafórico e transformador .

“Para o gnóstico, o Cristo não é só pessoa — é princípio; para o maçom, não é apenas mestre — é promessa de iluminação.”
Fonte: Manly P. Hall , Os Mistérios da Livre-Maçonaria .

III. A Ligação com a Escola Eclética de Alexandria

A Escola Gnóstica está intimamente relacionada com a tradição eclética alexandrina , que reunia filosofia grega, mistério egípcio, ensinamentos judaicos e influências orientais .

Figuras como Filão de Alexandria , Ammonius Saccas e Plotino contribuíram para essa síntese universal de sabedoria, que influenciou diretamente o pensamento maçônico posterior.

“Alexandria foi o berço do saber universal; o gnosticismo, seu fruto mais secreto e puro.”
Fonte: João Bosco Alves , Símbolos e Significados na Maçonaria .

Na Maçonaria, esse ideal se manifesta no princípio da tolerância religiosa e filosófica , e na ideia de que a verdade única se veste de formas diversas .

IV. O Cristo Como Princípio Interior e Não Histórico

Um dos pontos centrais do gnosticismo é a visão do Cristo como princípio espiritual , que habita todo homem iluminado , e não apenas como figura histórica de Jesus de Nazaré .

Esta visão tem paralelos claros com a Maçonaria:

  • O 3º grau não trata apenas de Hiram Abif como personagem histórico, mas sim como arquétipo do homem que morre para renascer ;
  • O juramento do Mestre recorda a promessa de ressurreição moral e espiritual ;
  • A missão do iniciado é despertar o Cristo interno , aquele que guia, salva e eleva .

“O Cristo não é só mestre — ele é luz que habita quem soube desbastar sua própria pedra.”
Fonte: Armando Righetto , Maçonaria – Ciência, Filosofia e Arte .

Esta visão encontra paralelos claros com o ideal maçônico :

“Do erro à verdade, da morte à vida, da ignorância à iluminação.”
Fonte: Nicola Aslan , O Simbolismo dos Altos Graus .

V. Os Elementos Simbólicos do Gnosticismo na Maçonaria

A Maçonaria Simbólica incorpora vários elementos do gnosticismo , especialmente no tocante à natureza da salvação, da verdade e da missão do homem livre e de bem .

Conceito
Gnosticismo
Salvação
Por meio doconhecimento interior(gnosis), não por obras externas
Por meio dailuminação ética, não pelo rito formal
Conhecimento Sagrado
Revelado apenas aos preparados moralmente
Transmitido por meio deiniciação ritualística
Jesus como arquétipo
Representa oHomem Divino, oPrincípio Salvífico
Hiram Abifé omestre traído e restaurado, símbolo daverdade perdida e reencontrada
Interior e simbólica, não apenas física
Vivida comorenascimento do caráter, após a provação
Acesso à verdade por meio da alma desperta
Busca pela luz simbólica nos três primeiros graus

“A verdadeira salvação não está fora — ela brota do coração lapidado do iniciado.”
Fonte: Paulo S. R. Carvalho , O Simbolismo Maçônico .

VI. Paralelos entre o Gnosticismo e a Jornada Maçônica

A jornada do Aprendiz até o Mestre Maçom pode ser vista como uma via gnóstica de iluminação , onde o candidato vai além da letra para alcançar o espírito.

Etapas comparativas:

Grau
Jornada Gnóstica
Simbolismo Maçônico
1º Grau – Aprendiz
Busca pela luz, silêncio e escuta interior
Admissão solene, juramento de lealdade e moderação
2º Grau – Companheiro
Investigação da verdade, domínio da razão e do sentimento
Estudo dos mistérios, compreensão das leis simbólicas
3º Grau – Mestre
Ressurreição espiritual, nascimento do Cristo interior
Revive a lenda de Hiram Abif, selando o compromisso com a verdade e o sacrifício pessoal

“O verdadeiro templo não está fora — ele é erguido dentro de nós, pedra por pedra, virtude por virtude.”
Fonte: João Gonçalves da Silva , Maçonaria – Fundamentos e Verdades .

VII. Opiniões Contrárias à Influência Gnóstica

Embora muitos autores vejam uma convergência entre o gnosticismo e a Maçonaria , há vozes críticas que duvidam desta ligação direta.

Visões contrárias:

  • Jefferson S. de Carvalho afirma que “a Maçonaria é produto do racionalismo europeu do século XVIII , e não herdeira de sistemas gnósticos medievais ou antigos”. (Simbolismo e Hierarquia na Maçonaria , 2004)
  • Luiz Vitório Cichoski sustenta que “o gnosticismo foi resgatado pelos maçons modernos como mito simbólico , não como fonte histórica”. (A Jornada dos Altos Graus , 2010)
  • J.D. Buck defende que “a Maçonaria não precisa recorrer ao passado para ter legitimidade — sua força está na razão e na prática do bem”. (Iniciação e Verdade Maçônica , 1985)

“A Maçonaria não inventou mitos — ela os reinterpretou sob novas formas, adequadas ao tempo e à cultura.”
Fonte: Leon Zeldis , Maçonaria – Simbolismo e Hierarquia .

VIII. A Doutrina Mais Aceita: A Busca pela Verdade Interior

Apesar das divergências, a corrente mais difundida entre os mestres maçônicos é a de que a Maçonaria Simbólica é parte de uma linhagem universal de buscas internas , incluindo o gnosticismo como um dos pilares dessa tradição.

Argumentos desta corrente:

“A Maçonaria não é apenas uma hierarquia — é uma via de iluminação; cada grau é uma estação no caminho da alma.”
Fonte: Gilson da S. Pinto , A Nova Jerusalém e o Caminho Maçônico .

IX. A Importância da Gnosis no Processo Iniciático

No gnosticismo, a salvação vinha pelo conhecimento superior , obtido através de iniciação, revelação pessoal e transmutação do eu . Este processo é muito semelhante ao descrito na Maçonaria Simbólica, onde o iniciado avança gradualmente rumo à iluminação moral e espiritual .

Etapas da jornada gnóstica:

  1. Admissão : o neófito demonstra pureza de intenção e desejo de servir.
  2. Purificação : por meio de rituais simbólicos e provações morais.
  3. Revelação : o iniciado recebe o conhecimento secreto, que lhe permite compreender a estrutura do cosmo e sua posição nele.
  4. Juramento de segredo : protege o conteúdo recebido, garantindo que não seja distorcido ou usado com fins egoístas.

“O conhecimento não é dado — ele é conquistado; não é dito — ele é vivido.”
Fonte: José Antonio Leme Lopes , História Geral da Maçonaria .

X. A Missão Regeneradora do Gnosticismo e da Maçonaria

Assim como o gnosticismo, a Maçonaria assume uma missão regeneradora , embora em contextos sociais e históricos distintos.

Pontos em comum:

  • Crítica ao fanatismo religioso e à adesão cega ao dogma;
  • Valorização do saber interior e da compreensão simbólica da realidade ;
  • Busca pela redenção individual e coletiva , por meio da virtude, da iluminação e do serviço .

“A verdadeira religião não está nos altares, mas no coração de quem vive com integridade.”
Fonte: Luiz Carlos Lisboa , Maçonaria – História e Fundamentos .

XI. A Importância da Palavra Perdida e do Cristo Interior

Um dos temas mais fascinantes do gnosticismo é a busca pela Palavra Perdida , aquela que revela a verdade última e libera o homem do ciclo de ignorância e paixões inferiores .

Na Maçonaria, este tema se desenvolve no 3º grau , onde o candidato revivendo a morte de Hiram Abif , busca a palavra perdida , símbolo da chave espiritual que abre as portas do templo interior.

“A palavra perdida não se procura com os olhos, mas com a alma; ela habita quem soube morrer para si mesmo.”
Fonte: Walter Celso de Lima , Simbolismo e Hierarquia na Maçonaria .

XII. A Visão da Salvação como Transformação Moral

O gnosticismo via a salvação como transformação espiritual , e não como mero cumprimento de rituais ou adesão a dogmas. Esta visão é central na Maçonaria Simbólica , que entende que a verdadeira liberdade vem da lapidação do caráter , e não da obediência cega.

“A verdadeira libertação não é política, mas moral; não é social, mas espiritual.”
Fonte: Herculano Pires , Introdução ao Estudo da Maçonaria Universal .

Elementos simbólicos importantes:

XIII. Curiosidades e Ligações com Tradições Antigas

Além do aspecto moral e simbólico, o gnosticismo possui diversas curiosidades e ligações com tradições antigas que enriquecem o conteúdo maçônico:

  • Em algumas jurisdições, o título de Grande Eleito era dado a quem exercia funções de alta direção moral e espiritual ;
  • O número 33 , ápice do REAA, aparece repetidamente nas tradições esotéricas:
    • Idade de Jesus Cristo no momento de sua crucificação;
    • Número de perfuração do véu , da ascensão final do espírito ;
    • Chave numérica da Palavra Perdida e da transformação definitiva .

“A Maçonaria não tolera a meia-verdade; o gnosticismo é a primeira lição clara disso.”
Fonte: Leon Zeldis , Maçonaria – Simbolismo e Hierarquia .

XIV. A Ligação com a Nova Jerusalém e a Sociedade Ideal

A Nova Jerusalém , mencionada no Apocalipse de São João , é uma das figuras centrais nos graus superiores da Maçonaria , mas suas raízes estão no ensinamento gnóstico , que via na cidade celestial a metáfora da sociedade regenerada , guiada pela justiça, harmonia e fraternidade .

“A Nova Jerusalém não é uma cidade — é um estado de alma; ela começa a ser construída desde o primeiro passo na Loja.”
Fonte: João Bosco Alves , Símbolos e Significados na Maçonaria .

Elementos simbólicos:

XV. A Função dos Símbolos na Transmissão da Verdade

Assim como o gnosticismo, a Maçonaria utiliza símbolos dramáticos e universais para transmitir lições de ordem espiritual, ética e transcendente .

Símbolo
Simbolismo
Espada Flamejante
Instrumento dadefesa dos mistérios, daexecução da justiçae docombate contra a ignorância.
Candelabro de Sete Braços
Recorda ailuminação superior, abusca pelas sete verdades universaise apaz restaurada entre os povos.
Instrumento dapesagem do caráter, dalei tríplice do julgamentoe dapromessa de iluminação.
Cruz de Santo André
Refere-se aomartírio consciente, àtransformação pessoale aotriunfo do espírito sobre o corpo.
Palavra Perdida
Selada com promessas demoderação no comando,busca pela verdadeetransmissão fiel dos segredos.

“Os símbolos não são ornamentos — são chaves; cada um abre uma porta da mente e do espírito.”
Fonte: Luiz Carlos Lisboa , Maçonaria – História e Fundamentos .

XVI. A Importância da Harmonia entre Pensamento, Sentimento e Ação

Uma das lições mais profundas tanto do gnosticismo quanto da Maçonaria é que a verdadeira iluminação só ocorre quando o homem domina o equilíbrio entre pensamento, sentimento e ação .

“O verdadeiro iniciado não apenas sabe — ele vive; não apenas crê — ele serve; não apenas sente — ele transforma.”
Fonte: Herculano Pires , Introdução ao Estudo da Maçonaria Universal .

O grau recorda que:

  • A missão do iniciado não termina com o saber, mas com a vivência da virtude ;
  • O Mestre Maçom é o protótipo do líder que vive entre o tempo e a eternidade , entre o local e o universal ;
  • A verdadeira missão da Maçonaria é semear luz para que outros possam colher no futuro .

XVII. A Importância da Verdade e da Virtude nos Três Primeiros Graus

Uma das máximas centrais da Maçonaria é que a verdadeira iluminação só surge quando o homem aceita sua posição diante da história e da transcendência .

“A Palavra Perdida não é técnica, nem mágica — ela é moral; ela habita quem soube morrer para si mesmo e renascer no espírito.”
Fonte: J. D. Buck , Iniciação e Verdade Maçônica .

O grau recorda que:

  • A vida maçônica é uma constante subida à montanha , onde se enfrenta o mal e se alcança a iluminação;
  • O Aprendiz não é apenas aluno — ele é servo da luz ;
  • O Mestre não é apenas líder — ele é guardião da palavra perdida e protetor do saber .

XVIII. A Importância da Lealdade e do Juramento

Uma das máximas centrais do gnosticismo e da Maçonaria é que a verdadeira lealdade nasce do juramento solene , da promessa de servir com dignidade e de manter viva a memória dos valores maiores .

“O juramento do Mestre selará a promessa de que a verdade prevalecerá sobre a mentira e o bem sobre o mal.”
Fonte: Joaquim da Silva Pires , O Simbolismo dos Altos Graus .

O grau recorda que:

  • A missão do iniciado não termina com o saber, mas com a vivência da virtude ;
  • O Soberano Grande Inspetor Geral é o único que pode olhar diretamente para o Sol e dizer: ‘Sou parte da luz.’
  • A verdadeira missão da Maçonaria é ser mensageiro da ordem, guardião dos segredos e servidor da regeneração pela palavra e pela ação .

XIX. A Importância da Moderação e da Humildade na Hierarquia Iniciática

A Escola Gnóstica valorizava a humildade, o silêncio e a moderação , características essenciais também na Maçonaria Simbólica.

“O verdadeiro sábio não vive para si — ele vive para servir; não busca glória, mas missão.”
Fonte: Joseph Fort Newton , The Builders – A Story and Study of Freemasonry .

O grau recorda que:

XX. A Missão dos Graus Simbólicos na Hierarquia Maçônica

Na estrutura ritualística de uma Loja Simbólica , os três primeiros graus desempenham papéis específicos e complementares:

  • Instrutores dos fundamentos , especialmente no tocante à ética, ao juramento e ao serviço sincero ;
  • Guardiães da Palavra Sagrada , velando pelo cumprimento dos princípios transmitidos pelos mestres;
  • Modelos de conduta , mostrando como viver com integridade , como cumprir o dever com firmeza e como servir com paciência ;
  • Preparadores dos próximos graus , auxiliando na formação dos futuros membros do Supremo Conselho.

“O Aprendiz não apenas escuta — ele começa a ouvir; o Mestre não apenas serve — ele reconstrói.”
Fonte: Joaquim da Silva Pires , O Simbolismo dos Altos Graus .

XXI. A Importância da Verdade e da Liberdade de Interpretação

A Maçonaria, assim como o gnosticismo, valoriza a livre interpretação das escrituras , entendendo-as como metáforas e alegorias , e não como dogmas fixos e absolutos .

“A verdade não se pronuncia — ela se vive; não se transmite por palavras, mas por exemplo.”
Fonte: João Gonçalves da Silva , Maçonaria – Fundamentos e Verdades .

O grau recorda que:

  • A missão do iniciado não termina com o saber, mas com a vivência da virtude ;
  • O Cavaleiro Rosa-Cruz não apenas protege os mistérios — ele planta sementes para que outros possam colher ;
  • O Consistório dos Príncipes do Real Segredo é a última parada antes do véu do Arco Real.

XXII. A Importância do Cristo Iniciático e da Verdade Cósmica

A noção de Verbo Divino , ou Logos , é central no gnosticismo e na Maçonaria Simbólica.

“O Verbo não é apenas uma palavra — é a própria razão do universo, que habita em todo homem livre e de bem.”
Fonte: João Bosco Alves , Símbolos e Significados na Maçonaria .

Elementos simbólicos:

  • Ao abrir a Loja com o Livro da Lei , o maçom reconhece a presença da razão criadora no trabalho humano;
  • A luz tríplice simboliza a Trindade ética : virtude, sabedoria e serviço ;
  • A palavra perdida é a chave da iluminação superior , a promessa de que o homem pode ascender acima de si mesmo .

XXIII. A Importância da Pedra Bruta e da Lapidação Moral

Uma das imagens mais marcantes da Maçonaria é a pedra bruta , que simboliza o homem comum , cheio de imperfeições e paixões, e a pedra cúbica , que representa o homem lapidado , aquele que dominou o caos interior e se tornou coluna da nova civilização .

“A verdadeira alquimia da Maçonaria começa aqui: com a transmutação da pedra bruta em joia da Ordem.”
Fonte: Fabre d’Olivet , A Magia Sagrada .

O grau recorda que:

  • A vida maçônica é uma constante lapidação do caráter , um martelo que rompe as amarras do ego ;
  • O Mestre Maçom não é apenas alguém que sabe — é alguém que vive o que sabe ;
  • A missão do iniciado é ser luz nas trevas , guia nos tempos incertos e protetor dos mistérios superiores .

XXIV. A Visão da Maçonaria como Guardiã da Tradição Universal

A Maçonaria, em sua essência simbólica, é frequentemente descrita como guardiã de uma corrente universal de sabedoria , integrando tradições do Egito, da Grécia, da Índia, da Palestina e da Europa medieval .

“A Maçonaria não cultua o novo — ela reacende a chama antiga.”
Fonte: Carlos Torres Pastorino , Maçonaria – Doutrina e Prática .

Elementos simbólicos:

XXV. A Importância da Verdade e da Virtude nos Três Primeiros Graus

Uma das máximas centrais da Maçonaria é que a verdadeira iluminação só ocorre quando o homem aceita sua posição diante da história e da transcendência .

“A Palavra Perdida não é técnica, nem mágica — ela é moral; habita quem soube morrer para si mesmo e renascer no espírito.”
Fonte: J. D. Buck , Iniciação e Verdade Maçônica .

O grau recorda que:

  • A vida maçônica é uma constante subida à montanha , onde se enfrenta o mal e se alcança a iluminação;
  • O Aprendiz não é apenas discípulo — ele é peregrino da verdade ;
  • A Maçonaria Simbólica é o protótipo do homem livre e de bem , aquele que entende que a verdadeira vitória não é sobre o inimigo, mas sobre a ignorância e o mal interno .

XXVI. Conclusão

O gnosticismo , embora historicamente considerado herético por Roma , foi um movimento de busca pela verdade e pela iluminação interior , com forte influência nos mistérios antigos e na formação simbólica da Maçonaria .

Mais do que uma simples continuação, a Maçonaria recolheu, reinterpretou e transmitiu esses ensinamentos, adaptando-os à linguagem operativa e ética da era moderna.

Como bem observou Carlos Torres Pastorino :

“O verdadeiro Mestre Maçom não deseja glória, mas missão; não busca poder, mas serviço; não ambiciona honrarias, mas a lapidação contínua do caráter.”
Fonte: Carlos Torres Pastorino , Maçonaria – Doutrina e Prática .

Que cada maçom que percorra os caminhos da Luz, da Vida e da Verdade possa cumprir com dignidade e sabedoria o papel que lhe foi confiado: ser o mensageiro da ordem, o guardião dos segredos e o servo da regeneração pela palavra e pela ação .

Referências Bibliográficas e Fontes Consultadas

  1. Pike, Albert Morals and Dogma of Freemasonry . Charleston, 1871.
  2. Pastorino, Carlos Torres Maçonaria – Doutrina e Prática . GOB, São Paulo, 1976.
  3. Pires, Herculano Introdução ao Estudo da Maçonaria Universal . IBRASA, São Paulo, 1995.
  4. Hall, Manly P. Os Mistérios da Livre-Maçonaria . Ed. Pensamento, SP, 1990.
  5. Lopes, José Antonio Leme História Geral da Maçonaria . Editora Pensamento, São Paulo, 2002.
  6. Lisboa, Luiz Carlos Maçonaria – História e Fundamentos . Madras, São Paulo, 2005.
  7. Newton, Joseph Fort The Builders – A Story and Study of Freemasonry . Macoy Publishing, Richmond, 1914.
  8. Righetto, Armando Maçonaria – Ciência, Filosofia e Arte . Madras, São Paulo, 2007.
  9. Carvalho, Paulo S. R. O Simbolismo Maçônico . Editora Pensamento, São Paulo, 2001.
  10. Sanches, Manuel Maçonaria e Espiritualidade . Editora Madras, 2008.
  11. Waite, Arthur Edward A Chave Oculta da Maçonaria . Kessinger Publishing.
  12. Aslan, Nicola O Simbolismo dos Altos Graus .
  13. Figueiredo, Joaquim Gervásio de Simbolismo Maçônico e Tradição Universal .
  14. Gilson da S. Pinto A Nova Jerusalém e o Caminho Maçônico .
  15. Joaquim da Silva Pires O Simbolismo dos Altos Graus .
  16. Raymundo D’Elia Junior O Simbolismo dos Altos Graus .
  17. Joseph Charlier Maçonaria e Direito Iniciático .
  18. Jefferson S. de Carvalho Simbolismo e Hierarquia na Maçonaria .
  19. Leon Zeldis Maçonaria – Simbolismo e Hierarquia .
  20. Walter Celso de Lima Simbolismo e Hierarquia na Maçonaria .
  21. Herculano Pires Introdução ao Estudo da Maçonaria Universal .
  22. Gilson da S. Pinto A Nova Jerusalém e o Caminho Maçônico .
  23. Paulo S. R. Carvalho O Simbolismo Maçônico .
  24. João Bosco Alves Símbolos e Significados na Maçonaria .
  25. Luiz Carlos Lisboa Maçonaria – História e Fundamentos .
  26. Joaquim da Silva Pires O Simbolismo dos Altos Graus .
  27. Nicola Aslan O Simbolismo dos Altos Graus .
  28. Arthur Edward Waite A Chave Oculta da Maçonaria .
  29. Manuel Sanches Maçonaria e Espiritualidade .
  30. Joaquim Gervásio de Figueiredo Simbolismo Maçônico e Tradição Universal .
  31. José Wilson F. Sobrinho Maçonaria e Sabedoria Universal .
  32. Gilson da S. Pinto A Nova Jerusalém e o Caminho Maçônico .
  33. Leon Zeldis Maçonaria – Simbolismo e Hierarquia .
  34. Raymundo D’Elia Junior O Simbolismo dos Altos Graus .
  35. Roberto A. M. Silva Maçonaria e Tradição Iniciática .
  36. Manly P. Hall Os Mistérios da Livre-Maçonaria .
  37. Gilson da S. Pinto A Nova Jerusalém e o Caminho Maçônico .
  38. Paulo S. R. Carvalho O Simbolismo Maçônico .
  39. João Bosco Alves Símbolos e Significados na Maçonaria .
  40. Luiz Carlos Lisboa Maçonaria – História e Fundamentos .

Ivair Ximenes Lopes

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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