Como deve ser entendida a caridade pelo maçom: uma análise fundamentada
julho 4, 2025
Como deve ser entendida a caridade pelo maçom: uma análise fundamentada
a) Resumo preliminar do texto base
O texto base enfatiza que, embora caridade e beneficência sejam valores muito mencionados dentro da Maçonaria e outras instituições filantrópicas, muitas vezes a caridade tradicional não é verdadeiramente eficaz, pois pode reforçar a raiz dos males que pretende combater, principalmente porque atua sobre sintomas e não sobre as causas profundas, como o erro e a ignorância.
A caridade deve ser secreta, espontânea e baseada na fraternidade verdadeira, antecipando necessidades e preservando a dignidade do irmão ajudado, jamais expondo sua situação publicamente, nem mesmo na Loja.
b) Pesquisa histórica sobre a caridade na Maçonaria Regular
Historicamente, a caridade é um dos pilares da Maçonaria desde sua origem nas guildas medievais, quando a solidariedade entre os mestres construtores incluía o auxílio mútuo aos membros em dificuldades. Com o advento da Maçonaria Especulativa, a caridade passou a ser entendida não só como auxílio material, mas como uma expressão da fraternidade universal e do aprimoramento moral.
Segundo Albert Pike, em sua obra Morals and Dogma, a verdadeira caridade transcende a simples dádiva material e é um ato de amor inteligente e consciente, que busca elevar o beneficiado espiritualmente, evitando perpetuar sua dependência ou sentimento de inferioridade. Para Pike, a caridade deve educar e transformar, atuando na causa e não somente no efeito.
No rito da Maçonaria Regular, o auxílio aos irmãos é realizado com sigilo e respeito, evitando que o nome do ajudado seja divulgado, conforme reforça Joaquim Gervásio de Figueiredo em seu Dicionário Maçônico, refletindo o entendimento de que a verdadeira caridade é um ato de amor genuíno, e não uma exposição pública.
c) Opiniões contrárias
Apesar do consenso sobre a importância da caridade, há críticas quanto à sua efetividade quando realizada de forma puramente assistencialista. Alguns autores, como José Castellani, argumentam que a caridade deve ser acompanhada de programas educativos e estruturais para que as causas da necessidade sejam eliminadas e não apenas mascaradas.
Outros, como Armando Righetto, criticam a caridade que gera dependência e passividade no beneficiado, advertindo contra práticas que alimentam a “caridade paternalista”, que pode reforçar hierarquias e o sentimento de inferioridade, contrariando os valores de igualdade e liberdade da Maçonaria Regular.
Há ainda uma discussão sobre o sigilo excessivo que, para alguns, pode dificultar a mobilização mais ampla e organizada da solidariedade dentro da Loja, como observa Carlos Alberto Gonçalves.
d) Doutrina mais aceita
A doutrina dominante na Maçonaria Regular reforça que a caridade deve ser um exercício de fraternidade que respeita a dignidade e a autonomia do irmão necessitado, exercida com discrição e sem ostentação. Para Rizzardo da Camino, a caridade maçônica é um ato de amor que deve combinar compaixão com sabedoria, agindo nas causas da necessidade, sobretudo no campo moral e espiritual, para promover a emancipação do indivíduo.
Armando Righetto complementa ao afirmar que o auxílio deve ser precedido pela compreensão das reais necessidades do irmão, evitando gestos que o humilhem ou o coloquem em situação inferior.
O texto base denuncia as limitações da caridade tradicional e a necessidade de uma prática mais consciente e respeitosa, que se alinha perfeitamente com o pensamento de Albert Pike e Nicola Aslan, para quem a caridade deve educar e dignificar, não reforçar o sofrimento ou a dependência.
O aspecto de sigilo e discrição na ajuda fraternal, fundamental no texto base, encontra respaldo nas normas e costumes da Maçonaria Regular descritos por Joaquim Gervásio de Figueiredo, o que indica uma prática histórica e ritualística consolidada.
Críticas à caridade paternalista e à exposição pública do necessitado, como a feita no texto base, são também reiteradas pela doutrina maçônica que preza pela preservação do equilíbrio entre irmãos, conforme evidenciado nas obras de Rizzardo da Camino e Armando Righetto.
Assim, a caridade maçônica verdadeira é uma manifestação da fraternidade que busca o bem-estar integral do irmão, tratando suas causas e respeitando sua dignidade, num gesto de amor e sabedoria que transcende a simples ajuda material.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).