Ao longo ds pesquisas que tenho realizado sobre a natureza da existência humana, poucos problemas me provocaram uma inquietação tão profunda quanto o problema mente-corpo.
Como pode uma coisa tão etérea quanto umpensamento — que não ocupa espaço, que não tem peso, que não obedece às leis da física — mover um corpo material, feito de carne e osso, sujeito à gravidade e à inércia?
O problema mente-corpo confronta-nos com a aparente impossibilidade de explicar como a experiência subjetiva emerge de um cérebro físico, e como essa experiência, por sua vez, pode agir sobre o mundo material.
Esta é a questão que, desde os filósofos gregos até aos neurocientistas contemporâneos, desafia a nossa compreensão do que significa ser humano.
Platão, no Fédon, defendeu a imortalidade da alma e a sua separação do corpo; Aristóteles, no De Anima, concebeu a alma como a forma do corpo, inseparável dele.
Descartes, nas Meditações Metafísicas, formulou o dualismo moderno, separando a res cogitans da res extensa, e inaugurou o problema tal como o conhecemos. Spinoza, na Ética, propôs o monismo, afirmando que mente e corpo são dois atributos da mesma substância.
Doutrinadores como Leibniz, com a sua harmonia preestabelecida, e Kant, com o seu idealismo transcendental, tentaram reconciliar as duas dimensões. No século XX, Gilbert Ryle denunciou o “fantasma na máquina”, enquanto os filósofos da mente contemporâneos — de Daniel Dennett a David Chalmers — continuam a debater o “problema difícil da consciência”.
Novas interpretações, como as de Francisco Varela e Humberto Maturana, sugerem que a mente não é uma substância, mas um processo emergente da interação entre o organismo e o ambiente.
Este artigo convida o autor e o leitor a explorarem as profundezas deste enigma que, há mais de dois milénios, continua a desafiar filósofos, cientistas e todos aqueles que ousam perguntar: o que é, afinal, a mente?
O problema levantou-se devido ao fato de que os fenômenos mentais parecem qualitativa e substancialmente diferentes dos corpos de onde parecem depender. Em sua essência, o problema pergunta: como os eventos mentais se relacionam com os eventos físicos?
A dificuldade central reside na aparente incompatibilidade entre duas coisas que experimentamos como fundamentalmente diferentes:
A mente (ou alma, para alguns dualistas) é uma substância com características próprias: não é material ou física, não ocupa lugar no espaço, não está sujeita às leis da física e, para alguns, é imortal.
O corpo, por sua vez, tem características exatamente contrárias: é físico, ocupa lugar no espaço, está sujeito às leis da natureza e, com o passar do tempo, degenera até deixar de existir.
Apesar de serem coisas completamente distintas, mente e corpo interagem um com o outro.
Por exemplo, o desejo de mover o braço (um evento mental) faz com que o braço se mova (um evento físico). Da mesma forma, comer além da conta (um evento físico) gera a sensação de indisposição (um evento mental).
O problema, portanto, pode ser formulado com uma pergunta simples: como uma coisa não-física (a mente) interage causalmente com uma coisa física (o corpo)? As coisas físicas interagem por meio de forças físicas — empurrando, puxando, atraindo, magnetizando.
Mas se a mente não é física, ela não pode afetar o corpo através de forças gravitacionais, elétricas ou mecânicas. Explicar essa interação referindo-se ao cérebro não resolve o problema, porque o cérebro é simplesmente outro tipo de corpo físico.
Embora o problema mente-corpo já tivesse sido abordado por filósofos da era anterior a Aristóteles, foi René Descartes (1596-1650) quem o formulou na forma em que ele existe hoje. Descartes identificou claramente a mente com a consciência e a autoconsciência, distinguindo-a do cérebro.
Descartes sustentou que a mente é uma substância não física e, portanto, não espacial. Para ele, existem duas substâncias fundamentalmente diferentes no mundo:
A substância pensante (res cogitans) — a mente, que é imaterial, indivisível e não extensa.
A substância extensa (res extensa) — o corpo, que é material, divisível e ocupa espaço.
Essa visão, conhecida como dualismo de substâncias ou dualismo cartesiano, criou o que os filósofos chamam de “problema da interação”: se mente e corpo são substâncias tão radicalmente distintas, como elas podem interagir?Descartes tentou resolver essa questão localizando o ponto de interação na glândula pineal, uma pequena estrutura no cérebro. No entanto, essa solução foi amplamente criticada, pois não explicava como uma substância imaterial poderia mover uma glândula material.
Apesar das críticas, o dualismo cartesiano teve uma influência imensa. Ele estabeleceu os termos do debate por séculos e criou o quadro conceitual dentro do qual a maioria das discussões posteriores se desenvolveu. Como observou a Britannica, a principal objeção contra o dualismo cartesiano na filosofia da mente é que ele parece incompatível com a ciência. No entanto, a formulação de Descartes continua sendo o ponto de partida para qualquer discussão séria sobre o problema mente-corpo.
O dualismo mente-corpo é a teoria que afirma que a mente e o corpo são duas substâncias diferentes. O dualismo abrange um conjunto de pontos de vista sobre a relação entre mente e matéria, sujeito e objeto.
Dualismo de substâncias: A mente e o corpo são ontologicamente distintos, como no caso de Descartes.
Dualismo de propriedades: Existe apenas um tipo de substância (a física), mas ela possui dois tipos de propriedades: físicas e mentais, que são irredutíveis entre si.
2. O Monismo
O monismo é a teoria que afirma que a mente e o corpo são, na realidade, uma única substância. Os monistas podem ser divididos em:
Materialistas ou fisicalistas: afirmam que ambas são matéria.
Idealistas: apoiam que ambas estão situadas na mente.
Monistas neutrais: apoiam que ambas as substâncias são redutíveis a uma terceira substância neutra.
O materialismo reducionista, também conhecido como teoria da identidade mente-cérebro ou materialismo do estado central, é uma das principais alternativas ao dualismo cartesiano. Essa teoria afirma que os estados mentais são idênticos a estados cerebrais. Não há dois tipos de substâncias; há apenas o cérebro e suas atividades físicas.
4. O Funcionalismo
O funcionalismo é uma teoria que tolera a solução materialista para o problema mente-corpo fornecida pela teoria da identidade do estado central. Em vez de perguntar “do que a mente é feita?”, o funcionalismo pergunta “o que a mentefaz?”.
5. O Eliminativismo
O eliminativismo é uma posição mais radical, que argumenta que o problema mente-corpo surgeporque usamos conceitos psicológicos populares (como “crença”, “desejo” e “dor”) que são, na verdade, falsos e devem ser eliminados da ciência. Para os eliminativistas, a psicologia popular é uma teoria falha, e o progresso científico exigirá que abandonemos esses conceitos em favor de uma neurociência mais precisa.
6. O Naturalismo Biológico
O naturalismo biológico de John Searlebusca promover uma solução para o problema mente-corpo. Searle argumenta que a consciência é umfenômeno biológico, assim como a digestão ou a fotossíntese. Para Searle, a confusão sobre objetividade e subjetividade é apenas a ponta do iceberg do problema mente-corpo tradicional.
A principal dificuldade do dualismo cartesiano é explicar como uma entidade imaterial pode interagir com uma entidade material. Essa dificuldade levou muitos filósofos contemporâneos a rejeitar o dualismo de uma vez por todas.
3. A Lacuna Explanatório
O filósofo Joseph Levine introduziu o conceito de “lacuna explanatória” para descrever a dificuldade que as teorias fisicalistas da mente encontram em explicar como as propriedades físicas dão origem à forma como as coisas são sentidas quando experienciadas.
O dualismo mente-corpo permeia a cultura popular. Filmes como Matrix e Ghost in the Shell exploram a possibilidade de uma mente separada do corpo, enquanto a ficção científica frequentemente aborda o upload de consciências para computadores.
Os neurocientistas continuam a investigar os correlatos neurais da consciência — o menor conjunto de mecanismos cerebrais e eventos suficientes para algum sentimento consciente específico. No entanto, mesmo que identifiquemos todos os correlatos neurais, a questãofundamental de como a matéria dá origem à experiência subjetiva permanece em aberto.
O problema mente-corpo nos ensina que a experiência subjetiva é irredutível. Mesmo que saibamos tudosobre os neurônios e as sinapses, ainda não sabemos o que é “sentir” uma cor, uma dor ou uma emoção. A consciência, como observou Searle, é umfenômeno biológico, mas é também umfenômeno que resiste à redução completa a termos físicos.
O problema mente-corpo também nos ensina a humildade intelectual. Apesar de mais de dois milênios de debate, ainda não temos uma resposta definitiva. As teorias propostas — dualismo, monismo, funcionalismo, eliminativismo — oferecem perspectivas valiosas, mas nenhuma alcançou consenso.
Como observou a Britannica, a dificuldade está em explicar como uma entidade material exibe intencionalidade, racionalidade ou consciência. O problema mente-corpo continua a nos desafiar, lembrando-nos de que a mente, a consciência e a experiência subjetiva são territórios que ainda guardam muitos de seus segredos. E essa falta de uma resposta definitiva não é um fracasso, mas um testemunho da profundidade e da complexidade do problema.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).