O enigmaé um dos conceitos mais fascinantes e profundos da Maçonaria, simbolizando a busca eterna pela verdade e o autoconhecimento.
Como ensina Rizzardo da Camino, “a Esfinge do Egito, com corpo de leão e cabeça de mulher, desafia a argúcia dos sábios há séculos, representando o mistério que cerca a própria existência humana” (Camino, 2014, p. 136). Na tradição maçônica, os enigmas não são apenas charadas intelectuais, mas símbolos esotéricos que guiam o obreiro na jornada de transformação moral e espiritual.
A Esfinge e os Enigmas Maçônicos
A Esfinge, guardiã das pirâmides de Gizé, tornou-se um símbolo universal do enigma. Seu famoso enigma — “Qual é o ser que anda de quatro patas pela manhã, de duas ao meio-dia e de três à noite?” — foi resolvido por Édipo com a resposta “o homem”, revelando a natureza efêmera e mutante da condição humana. Na Maçonaria, essa alegoria é amplificada: o maior enigma é o próprio ser humano, cuja essência só se revela através da meditação e da iniciação.
Camino destaca que “na Maçonaria temos muitos enigmas de difícil interpretação, chegando a depender da fé do maçom, pela dificuldade de encontrar umesclarecimento adequado” (Camino, 2014, p. 136). Elementos como a Cadeia de União, o grito de socorro, o aperto de mãos e a palavra secreta “Huzzé” são exemplos de símbolos cujo significado transcende a literalidade, exigindo reflexão e vivência prática.
Histórico e Curiosidades nos Ritos Maçônicos: REAA e YORK
O REAA, com seus 33 graus simbólicos, é um universo de enigmas esotéricos. O Grau 18º (Cavaleiro Rosa-Cruz) explora mistérios alquímicos e espirituais, enquanto o Grau 30º (Cavaleiro da Aurora) enfatiza a luta contra as sombras do desconhecimento.
O uso de palavras sagradas e gestos codificados nos rituais simboliza a transmissão de conhecimentos ocultos, acessíveis apenas aos iniciados.
Albert Pike, em Morals and Dogma, compara os enigmas maçônicos às provas enfrentadas pelos antigos mistérios gregos e egípcios: “O enigma é o véu que separa o profano do sábio” (Pike, 1871).
O York, com raízes na Inglaterra do século XVIII, utiliza enigmas para simbolizar a reconstrução do Templo de Salomão, metáfora para a edificação moral. O Capítulo do Arco Real e o Ordem dos Cavaleiros de Malta incorporam enigmas ligados à busca pela “Palavra Perdida” , chave para a iluminação.
Camino afirma que “o maior dos enigmas que o homem tenta desvendar, milímetro por milímetro, é o próprio homem” (Camino, 2014, p. 136). A Maçonaria vê no ser humanoum universo de contradições e potencialidades, cujo entendimento exige meditaçãoconstante.
Filósofos e doutrinadores ampliaram essa ideia:
Platão, na Alegoria da Caverna , compara o homem à criatura presa nas sombras da ignorância, que só alcança a verdade ao enfrentar os enigmas da realidade.
Carl Jungvia nos símbolos maçônicos manifestações do inconsciente coletivo, onde enigmas como a Esfinge representam o confronto com o “shadow” (a sombra interior).
Para desvendar os enigmas, Camino sugere que “a meditação lenta e constante contribui para o desenvolvimento desse mistério” (Camino, 2014, p. 136). A Maçonaria não oferece respostas prontas, mas ferramentas para a autodescoberta:
A Cadeia de União: Simboliza a conexão entre os obreiros e a busca coletiva pela verdade.
O Grito de Socorro : Lembrete de que a sabedoria requer ajuda e humildade.
A Palavra Perdida : Representa o conhecimento que cada maçom deve reconstruir em si mesmo.
Os enigmas na Maçonaria não são obstáculos, mas pontos de partida para a iluminação.
Seja na Esfinge do Egito ou nos rituais dos RitosREAA e York, seu propósito é claro: desafiar o obreiro a ir além do visível, explorando as profundezas de sua própria existência. Como diz o provérbio maçônico: “O homem que não se conhece não pode conhecer o universo.”
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem(REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).