O Primeiro Templo de Salomão e a Maçonaria: História, Simbolismo e Controvérsias Acadêmicas
Quatrocentos e oitenta anos depois que o povo de Israel havia saído do Egito, no quarto ano do reinado de Salomão em Israel; no mês de fevereiro, Salomão começou a construir o Templo (1Reis 6).
No décimo primeiro ano de seu reinado, no mês de agosto, terminou completamente o Templo, levando, portanto, sete anos para construí-lo. Salomão também construiu o seu palácio e levou treze anos (13) para terminá-lo. Salomão reinou em Israel por 40 anos, sete anos da cidade de Hebrom e 33 de Jerusalém, se não me falha a memória.
Introdução
“A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular”. Esta máxima bíblica, imortalizada nos salmos e nos evangelhos, poderia bem servir de epígrafe para a complexa relação entre o Templo de Salomão e a Maçonaria. O Primeiro Templo de Jerusalém, cuja construção é narrada no Primeiro Livro dos Reis, capítulos 5 a 9, representa não apenas um marco na história do povo de Israel, mas também o mais poderoso e duradouro símbolo da tradição maçônica. Como observa o texto bíblico, a construção estendeu-se por sete anos, tendo sido iniciada “no ano quatrocentos e oitenta depois de saírem os filhos de Israel do Egito, no quarto ano do reinado de Salomão sobre Israel, no mês de zive (que é o segundo mês)” (1 Reis 6:1).
O presente artigo propõe-se a examinar as interseções entre o Templo de Salomão e a Maçonaria sob uma perspectiva crítica e equilibrada, confrontando as narrativas tradicionais da ordem com as evidências históricas e arqueológicas disponíveis. Para tanto, serão ouvidas vozes de diferentes matizes: desde os historiadores maçônicos que defendem a antiguidade da conexão simbólica, passando pelos arqueólogos que buscam confirmar a historicidade do relato bíblico, até os críticos mais radicais que questionam a própria existência do Templo conforme descrito nas Escrituras.
1. O Primeiro Templo: Entre a Narrativa Bíblica e o Debate Historiográfico
1.1 A Descrição Bíblica e seu Contexto
O Primeiro Templo de Jerusalém, também conhecido como Templo de Salomão, ocupa posição central na narrativa bíblica. Segundo o relato do Primeiro Livro dos Reis, Salomão, filho e sucessor de Davi, empreendeu a construção de uma casa para o nome de Yahweh, cumprindo assim o desejo paterno que não pudera ser realizado. O texto descreve com minúcia as dimensões, os materiais e o processo construtivo: “A casa que o rei Salomão edificou ao Senhor era de sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e trinta de altura” (1 Reis 6:2). A Arca da Aliança, símbolo máximo da presença divina, foi solenemente transferida para o Santo dos Santos, o local mais sagrado do santuário .
O texto introdutório fornecido recorda, com precisão cronológica, que Salomão reinou quarenta anos: sete em Hebrom e trinta e três em Jerusalém. Esta distinção é importante porque reflete a tradição de um reino unificado, com capital inicial em Hebrom (tradição sulista, ligada a Judá) e posteriormente transferida para Jerusalém (cidade conquistada por Davi e situada em território neutro, entre as tribos do norte e do sul).
A construção do Templo, levada a cabo em sete anos, contrasta com os treze anos gastos na edificação do palácio real (1 Reis 7:1), sugerindo, na interpretação piedosa, a prioridade concedida à casa de Deus sobre a residência do monarca. Salomão, porém, conforme a narrativa bíblica, teria sucumbido à influência de suas numerosas esposas estrangeiras – setecentas princesas e trezentas concubinas, segundo o texto – construindo altares para deuses como Quemos (de Moabe) e Moloque (de Amom). Esta transgressão teria selado o destino do reino e, subsequentemente, do próprio Templo, que seria destruído em 586 a.C. por Nabucodonosor II .
1.2 O Debate Arqueológico e a Crítica Histórica
A questão que divide a comunidade acadêmica é precisamente esta: até que ponto a narrativa bíblica corresponde a eventos históricos? Durante boa parte do século XX, prevaleceu entre os estudiosos uma atitude de aceitação substancial do relato bíblico. No entanto, a partir da década de 1980, uma onda de ceticismo crítico varreu os departamentos de arqueologia bíblica e história antiga .
A corrente cética ou minimalista
Liderada por nomes como Israel Finkelstein, arqueólogo da Universidade de Tel Aviv, a chamada “escola minimalista” ou “baixa cronologia” passou a questionar a existência de um reino unificado e poderoso nos séculos X e IX a.C. Finkelstein argumenta que Jerusalém, na época atribuída a Davi e Salomão, não passava de uma modesta aldeia, incapaz de patrocinar a construção monumental descrita na Bíblia. A ausência de evidências arqueológicas diretas no Monte do Templo – onde escavações são impossibilitadas por razões políticas e religiosas – alimenta esta posição cética. Como registra a Wikipédia, “a maioria dos estudiosos modernos concorda que o Primeiro Templo existia no Monte do Templo em Jerusalém na época do cerco babilônico, mas há um debate significativo sobre a data de sua construção e a identidade de seu construtor” .
Mais radical ainda é a posição de Shlomo Sand, historiador israelense da Universidade de Tel Aviv, cuja obra provocou intensa controvérsia ao questionar os próprios fundamentos da historiografia judaica tradicional. Para Sand, a ideia de um grande reino de Davi e Salomão é uma construção ideológica do século XIX, forjada por historiadores como Heinrich Graetz para atender às necessidades do nascente movimento sionista. Sand argumenta que “não existe sinal ou lembrança do suntuoso reinado de Davi e Salomão” e que as descobertas arqueológicas recentes “mostram a existência de dois pequenos reinos: Israel, o mais potente; e a Judéia” . Para ele, a Bíblia não é um livro de história, mas sim um texto teológico, constitutivo das comunidades religiosas judaicas após a destruição do Primeiro Templo.
A corrente tradicional ou maximalista
Em posição oposta, encontram-se arqueólogos como Yosef Garfinkel, também da Universidade Hebraica de Jerusalém, cujas escavações em Khirbet Qeiyafa (identificada com a bíblica cidade de Shaaraim) trouxeram novos elementos ao debate. Em 2012, Garfinkel anunciou a descoberta de objetos de culto que, segundo ele, apresentam notável semelhança com as descrições bíblicas do Templo. Trata-se de três caixas de pedra talhadas, com altura equivalente ao dobro da largura, características que “respondem a descrições feitas na Bíblia do palácio e do templo de Salomão” .
Garfinkel defende que a cidade de Khirbet Qeiyafa, datada do século X a.C. por testes de carbono-14, apresenta “um planejamento típico das cidades da Judeia” e constitui “o exemplo mais recente que temos de uma cidade desse reino, nos indicando que este tipo de planejamento já estava em uso nos tempos do rei Davi”. Para ele, “a exatidão das descrições não nos deixa outra opção” senão reconhecer a historicidade substancial do relato bíblico, embora admita que a Bíblia contém “episódios fidedignos e outros que não o são” .
Outro argumento frequentemente invocado pelos defensores da historicidade é a semelhança arquitetônica entre o Templo descrito na Bíblia e templos siro-hititas do mesmo período descobertos na Síria e Turquia, como os de Ain Dara e Tell Tayinat. Tais paralelos sugerem que o autor bíblico estava familiarizado com a arquitetura sacra da Idade do Ferro no Levante, o que conferiria credibilidade à descrição .
A posição intermediária e o consenso possível
Entre os extremos, há espaço para posições mais matizadas. Muitos estudiosos aceitam a existência do Templo como estrutura real, mas questionam sua magnificência e a datação precisa. A possibilidade de que a estrutura original fosse modesta e tenha sido posteriormente ampliada é aventada por alguns pesquisadores . O que parece incontroverso é que, após o retorno do exílio babilônico, o Segundo Templo foi erguido no mesmo local, perpetuando a memória e o prestígio do edifício salomônico .
2. A Maçonaria e a Construção da Lenda do Templo
2.1 As Origens Documentais da Tradição
A associação entre a Maçonaria e o Templo de Salomão não é produto da especulação recente, mas remonta aos primórdios da documentação histórica da ordem. O Manuscrito Cooke, datado de aproximadamente 1410, constitui a mais antiga referência conhecida a esta tradição. Trata-se de uma “Old Charge” – compilação de regras e histórias destinadas aos maçons operativos ingleses – que já incorporava tradições orais consideravelmente mais antigas .
Segundo este manuscrito, a arte da Maçonaria teria sido aprendida pelos israelitas durante sua permanência no Egito. Posteriormente, já estabelecidos na Palestina, eles a desenvolveram de acordo com as tradições hebraicas, transformando-a numa arte iniciática nos moldes da praticada pelos egípcios. O texto atribui ao rei Davi a iniciativa da construção do Templo, cabendo a Salomão a tarefa de dar-lhe continuidade e concluí-la .
Esta atribuição a Davi, que contradiz a narrativa bíblica (onde a Davi é negado o privilégio de construir o Templo exatamente por ter derramado sangue em demasia), revela um aspecto importante da mentalidade medieval: a preocupação com a exatidão histórica era secundária face ao valor simbólico e legitimador da narrativa. Lionel Vibert, estudioso da maçonaria, sugere que esta tradição remontaria a uma constituição outorgada pelo rei saxão Athelstan no século X, indicando a antiguidade e persistência do motivo salomônico na cultura dos pedreiros ingleses .
O Manuscrito Dumfries nº 3 (c. 1650) acrescenta novo elemento à tradição ao afirmar que o Templo de Salomão foi construído a partir das instruções dadas por Deus a Moisés para a edificação do Tabernáculo, e que este, por sua vez, baseava-se em “medidas modulares do cosmo”. Estabelece-se assim uma cadeia simbólica: o Tabernáculo como reprodução do universo, o Templo como sucessor do Tabernáculo, e a loja maçônica como representação do Templo .
2.2 O Significado Simbólico do Templo na Tradição Maçônica
Para a Maçonaria especulativa, o Templo de Salomão transcende sua dimensão histórica para constituir-se em alegoria multifacetada. Nicola Aslan, importante estudioso e autor maçônico brasileiro, dedica extensa análise ao tema em suas obras, destacando que o Templo representa simultaneamente três realidades: o cosmos, a sociedade ideal e o próprio indivíduo.
Como simulacro do cosmo, a construção do Templo metaforiza a própria obra da criação divina, tarefa na qual o maçom é chamado a colaborar como “operário do Supremo Arquiteto do Universo”. As medidas, orientações e proporções do edifício sagrado refletiriam, nesta perspectiva, a ordem harmônica que rege o universo. Daí a importância dos números, das formas geométricas e dos materiais empregados, cada qual portador de significado simbólico .
Como modelo de sociedade, o Templo representa a comunidade ideal, organizada hierarquicamente mas fundada no trabalho cooperativo e na busca comum da perfeição. Os diferentes grupos de obreiros – pedreiros, talhadores, fundidores, carpinteiros – espelham a diversidade de funções necessárias ao bom funcionamento do corpo social, enquanto a figura do mestre construtor (Hiram Abiff, na tradição maçônica) encarna o ideal de sabedoria e competência técnica a serviço da comunidade .
Como alegoria do indivíduo, finalmente, o Templo representa o próprio homem, chamado a edificar-se interiormente. “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”, pergunta Paulo de Tarso (1 Coríntios 3:16), texto frequentemente evocado na tradição maçônica para fundamentar esta interpretação. A construção do templo interior – o aperfeiçoamento moral, a eliminação dos vícios, o cultivo das virtudes – constitui, nesta perspectiva, a verdadeira obra à qual o maçom é convocado .
2.3 A Figura de Salomão: Sabedoria e Queda
A figura do rei Salomão ocupa posição ambivalente na tradição maçônica. Por um lado, é celebrado como paradigma de sabedoria (“Sabedoria de Salomão”), patrono das artes e da arquitetura, modelo de governante justo e esclarecido. Por outro, a narrativa bíblica de sua queda – a idolatria a que foi levado por suas esposas estrangeiras – não é ignorada, mas sim incorporada à reflexão simbólica.
O texto introdutório recorda este aspecto frequentemente omitido nas celebrações do rei sábio: Salomão “construiu na montanha a leste de Jerusalém lugares para adoração de Quemos, deus de Moabe; Moloque, deus de Amom”, em flagrante desobediência à ordem divina. A tradição maçônica, longe de ocultar esta falha, dela extrai importantes lições. Como observa o artigo do portal Freemason.pt: “Salomão falhou neste intento e, em decorrência, o Reino de Israel, organizado por Deus para ser o protótipo do estado perfeito sobre a terra, desmoronou. Esta é uma lição que tem que estar presente na mente de todo o Maçom: não basta ter sabedoria para construir obras de grande engenho; é preciso que essa obra tenha um espírito” .
A queda de Salomão adverte contra o perigo de separar a sabedoria técnica da integridade moral. O Templo, por mais magnífico que fosse, não pôde subsistir quando seus construtores se desviaram dos princípios que deveriam animá-lo. A destruição do edifício material torna-se, assim, metáfora da ruína interior que aguarda aqueles que edificam sobre fundamentos falsos.
3. O Debate Historiográfico sobre as Origens Maçônicas
Se a conexão simbólica entre Maçonaria e Templo de Salomão é pacífica entre os membros da ordem, o mesmo não se pode dizer da interpretação histórica desta relação. Em 2018, a Quatuor Coronati Lodge nº 2076, considerada a mais importante loja de pesquisa maçônica do mundo, promoveu em Londres um simpósio intitulado “1717 & Tudo Aquilo”, colocando em debate a própria data de fundação da primeira Grande Loja e, por extensão, a confiabilidade das fontes históricas da maçonaria .
Os críticos: Anderson como “falsificador”
Andrew Prescott, professor de Humanidades Digitais da Universidade de Glasgow, apresentou argumentos contundentes contra a confiabilidade das narrativas tradicionais. Prescott concentrou suas críticas na figura de James Anderson, ministro presbiteriano escocês responsável pela redação das “Constituições dos Maçons” (1723) e de sua versão expandida (1738). Segundo Prescott, Anderson seria “inescrupuloso” e teria deliberadamente inventado elementos da história maçônica para beneficiar sua própria posição .
O argumento central de Prescott baseia-se na análise documental: as referências que sustentam a narrativa da fundação em 1717 foram todas escritas na década de 1730 ou posteriormente, sendo portanto pouco confiáveis. Além disso, ele sugere que Anderson teria alterado atas antigas para fundamentar sua versão dos fatos, inserindo a data de 1717 como elemento central de um “grande redesenho da narrativa maçônica” .
Susan Sommers, professora de História do Saint Vincent College, aprofundou esta linha crítica ao examinar o contexto pessoal e financeiro de Anderson. Endividado e tendo perdido sua posição como ministro presbiteriano, Anderson teria assumido a reescrita das Constituições em 1738 “principalmente por razões financeiras”, já que era pago por página – o que explicaria a extensão da obra. Sommers argumenta que as Constituições não podem ser vistas como “estudo histórico confiável das origens da Maçonaria”, mas sim como “continuação dos argumentos teológicos de Anderson, escritos com fins lucrativos” .
Os defensores: coerência e testemunhos contemporâneos
Em defesa da narrativa tradicional, John Hamill, diretor de projetos especiais da Grande Loja Unida da Inglaterra, contestou a ideia de que Anderson teria simplesmente inventado a história. Hamill observa que, quando Anderson publicou as Constituições de 1738, “havia muitos maçons líderes que teriam sido capazes de evitar um erro tão simples”. A ausência de contestação contemporânea sugere, para ele, que a narrativa correspondia ao que efetivamente se acreditava ser a história da ordem .
Hamill apresentou ainda evidências documentais, como uma carta do Duque de Richmond (Grão-Mestre em 1724), que menciona inequivocamente os três Grão-Mestres que precederam Montagu, demonstrando que “a Grande Loja existia antes de Montagu”. Para ele, os argumentos dos críticos baseiam-se em uma “grande conspiração envolvendo muitas pessoas”, o que seria historicamente implausível .
Richard Berman, pesquisador visitante da Universidade de Oxford Brookes, ofereceu uma perspectiva complementar ao situar a fundação da Grande Loja no contexto político-religioso da Inglaterra pós-Revolução Gloriosa. Para Berman, a Maçonaria surgiu da necessidade de o protestantismo defender-se contra a ameaça católica, e figuras como o Duque de Montagu teriam utilizado as lojas como “instrumento para promover os interesses Whig e huguenotes”. Esta leitura política, longe de contradizer a narrativa tradicional, oferece-lhe um contexto mais rico e complexo .
4. Síntese e Considerações Finais
A relação entre o Primeiro Templo de Salomão e a Maçonaria revela-se, à luz da investigação histórica, como fenômeno complexo e multifacetado. Não se trata, evidentemente, de uma continuidade institucional ou iniciática ininterrupta – tese que nenhum historiador sério sustentaria hoje. Mas também não se reduz a mera fantasia ou invenção deliberada.
O que os documentos históricos demonstram é que, desde pelo menos o século XV, os maçons operativos ingleses cultivavam a tradição de associar sua arte à construção do Templo de Jerusalém. Esta associação cumpria funções específicas: legitimava a profissão ao vinculá-la a um evento de transcendência religiosa; fornecia um código simbólico rico em significados morais e espirituais; e estabelecia uma ponte entre o trabalho manual e a sabedoria divina.
Quando a Maçonaria especulativa emerge no século XVIII, herda esta tradição e a desenvolve, conferindo-lhe novas camadas de significado. O Templo deixa de ser apenas o edifício histórico para tornar-se arquétipo universal: modelo do cosmo, projeto de sociedade ideal, imagem do homem aperfeiçoado. A figura de Salomão, com suas luzes e sombras, oferece material para reflexão sobre as potencialidades e limites da sabedoria humana.
O debate historiográfico contemporâneo, tanto sobre a historicidade do Templo quanto sobre as origens da Maçonaria, longe de enfraquecer o valor simbólico desta tradição, enriquece nossa compreensão de como as sociedades constroem e reconstroem seu passado. A arqueologia nos ensina que o passado é sempre interpretado à luz do presente; a história da Maçonaria nos mostra como as tradições são continuamente recriadas para atender às necessidades de cada geração.
Que o Templo de Salomão tenha sido ou não exatamente como descrito na Bíblia, que a Maçonaria tenha ou não iniciado precisamente em 1717 – estas questões, embora importantes para o historiador, não esgotam o significado do fenômeno. Pois o Templo continua a ser edificado, simbolicamente, cada vez que um maçom se esforça por “cavar masmorras ao vício e erguer templos à virtude”, cada vez que uma loja se reúne “à glória do Grande Arquiteto do Universo”, cada vez que a tradição é transmitida a um novo iniciado. Neste sentido, o Templo de Salomão permanece vivo – não como ruína arqueológica, mas como ideia-força, como símbolo operante, como memória ativa.
Autor Ivair Ximenes Lopes
Fontes
Wikipédia, a enciclopédia livre. “Templo de Salomão”.
Freemason.pt. “O Templo do Rei Salomão – A origem da lenda”. Portal Maçônico.
G1. “Arqueólogos acham vestígios que podem ser de reinos citados na Bíblia”. EFE, 15 maio 2012.
Vermelho. “Sand: uma farsa ideológica por trás da gênese do povo judeu”. 6 dez. 2008.
Bibliot3ca. “E tudo começou quando? Quatro historiadores perguntam se a primeira Grande Loja foi formada em 1717”. Tradução J. Filardo.
Bíblia Sagrada. Primeiro Livro dos Reis (caps. 5-11) e Primeiro Livro das Crônicas.
Aslan, Nicola. “Estudos Maçônicos: O Templo de Salomão”. Rio de Janeiro: Editora Maçônica, [s.d.].
Vibert, Lionel. “The Story of the Craft”. London: [s.n.], [s.d.]

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
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No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.












Um comentário
O primeiro templo de Israel foi construído pelo seu rei Salomão no cume do monte Moriá (2 Crônicas 3:1), tradicionalmente conhecido como o monte onde Abraão havia oferecido e quase sacrificado seu filho Isaque como oferta ao Senhor (Gênesis 22:2). Foi solenemente inaugurado por Salomão em aproximadamente 950 AC (1 Reis 7 e 8), mas destruído completamente até os alicerces em 586 AC por Nebuzaradã, chefe da guarda e servidor do rei Nabucodonozor da Babilônia (2 Reis 25:8-17, 2 Crônicas 36:15-19).
O segundo templo foi construído por Zerubabel, descendente de Davi e neto piedoso do ímpio rei Jeconias (ou Joaquim) de Judá. As obras foram iniciadas em 525 AC por ordem de Ciro, rei da Pérsia (Esdras 1:2-4), sobre o local onde fora construído o templo de Salomão (Esdras 2:68), ficando o edifício pronto em 516 AC, quando foi consagrado ao Senhor (Esdras 6:15). No decorrer do tempo ele foi dilapidado pela ação dos inimigos e parcialmente arruinado por falta de manutenção.
Quase exatamente cinco séculos depois, o rei fantoche Herodes, um edumeu nomeado pelos romanos, ofereceu-se para restaurar o templo a fim de agradar o povo. Sendo aceita a sua oferta, ele iniciou as obras de restauração em 18 AC desenvolvendo um projeto altamente pretensioso e dispendioso, em uma escala muito maior do que o templo original. O edifício principal foi terminado em dez anos, mas Herodes e seus sucessores ampliaram muito a área circundante com aterros, muros de pedra e edificações, e a restauração só foi considerada como concluída 83 anos mais tarde, no ano 65 DC. Este foi o templo existente quando o Senhor Jesus esteve na terra, muito admirado pelos discípulos (Marcos 13:1, Lucas 21:5).
Passados apenas cinco anos depois de terminado, o templo e as outras construções no monte foram totalmente destruídos pelos romanos, junto com a cidade de Jerusalém. Os muros foram em grande parte danificados no tempo das cruzadas. Restou uma parte conhecida como o “muro das lamentações”, onde os judeus costumam fazer as suas preces já há muito tempo, sendo hoje também uma atração turística.