Na Maçonaria, o conceito de dimensão transcende a simples medição espacial, integrando tanto o físico quanto o metafísico . Como ensina Rizzardo da Camino, “a dimensão de uma Loja é composta de três partes: altura, comprimento e largura” (Camino, 2014, p. 126). Essas medidas não são apenas arquitetônicas, mas simbólicas, representando os estados de consciênciaque o maçom atravessa em sua jornada de autoconhecimento.
A Loja é dividida em três áreas: a Sala dos Passos Perdidos, o Átrioe o Templo, cada uma refletindo estágios de transformação espiritual e moral.
A estrutura física da Loja espelha uma jornada iniciática:
Sala dos Passos Perdidos: O espaço inicial, onde os maçons ainda conversam sobre assuntos profanos, como negócios ou fofocas. Camino descreve que “na sala dos passos perdidos, permanece o efeito do profano” (Camino, 2014, p. 126), recordando que a transição para o sagrado requer purificação.
Átrio: O limiar entre o mundo exterior e o templo, simbolizando o subconsciente . Aqui, o obreiro medita, preparando-se para a entrada no Templo.
Essa divisão reflete a filosofia pitagórica das três partes do ser humano: corpo, alma e espírito. A jornada do maçom é mover-se da profanidade (consciência ordinária) para a iluminação(hiperconsciência), equilibrando as dimensões físicas e espirituais.
Histórico e Curiosidades nos Ritos Maçônicos: REAA e YORK
O REAA, com seus 33 graus, incorpora as dimensões do templo desde os primeiros rituais. No Grau 1º (Aprendiz Maçom) , o candidato entra na Sala dos Passos Perdidos, onde é instruído a abandonar preocupações mundanas.
Em lojas do REAA, a Sala dos Passos Perdidosé adornada com símbolos como a coluna partida , lembrando a fragilidade dos vínculos terrenos.
O Grau 18º (Cavaleiro Rosa-Cruz) enfatiza a importância da meditação no Átrio, preparando o obreiro para a “ascensão à quarta dimensão” — a espiritual.
O uso de véus e cortinas entre as áreas do templo simboliza os véus que separam as dimensões da consciência.
O York, com raízes na Inglaterra do século XVIII, vincula as dimensões à reconstrução do Templo de Salomão. O Capítulo do Arco Real explora o Átrio como espaço de descoberta da “Palavra Perdida” , enquanto o Grau de Cavaleiro Templário associa o Templo à pureza do coração e à disciplina cavaleiresca.
Curiosidades:
George Washington, maçom do York, instituiu normas rigorosas para a Sala dos Passos Perdidos, proibindo discussões políticas ou comerciais antes dos rituais.
O Grau de Mestre inclui a leitura de passagens bíblicas sobre a construção do Templo de Salomão, reforçando que “o templo é o lugar santificado onde, por prêmio (Iniciação), lhe foi permitido ingressar” (Camino, 2014, p. 126).
A Dimensão Psicológica: Consciência, Subconsciência e Hiperconsciência
A Maçonaria vê as dimensões como metáforas para o desenvolvimento interior :
Consciência (Sala dos Passos Perdidos) : O estado inicial, onde o maçom ainda lida com os resquícios do ego e da vida profana.
Subconsciência (Átrio) : A fase de reflexão, onde emoções e vícios são confrontados.
Hiperconsciência (Templo) : A união com o GAU, onde o obreiro vive a “fraternidade universal” (Camino, 2014, p. 126).
Filósofos como Carl Jungassociam essa jornada ao processo de individuação, onde o indivíduo integra as sombras do subconsciente para alcançar a totalidade psíquica. Albert Pike, em Morals and Dogma, compara o Templo à “mente iluminada, onde a dualidade cessa e a unidade divina se revela” (Pike, 1871).
Camino destaca que “todo ser humano é dimensionado, basta a conscientização disso de modo que seu comportamento deve ser medido e pesado” (Camino, 2014, p. 126). A Maçonaria exige que o obreiro domine seus impulsos, alinhando-se ao provérbio: “A medida do homem é a medida de sua virtude.”
Nos rituais, elementos como a balança(símbolo da justiça) e o compás (limite da razão) reforçam a importância do equilíbrio. O Grau 32º (Sublime Príncipe do Real Segredo) do REAA inclui juramentos de “nunca agir levianamente, pois o templo é o santuário da verdadeira liberdade” (DUBOIS, 2009).
Manly P. Hall, em A Filosofia Perene , afirma que “a dimensão do templo é o espelho da alma, onde cada passo revela a verdadeira jornada do iniciado” (Hall, 1928).
A Maçonaria ensina que a transição entre as dimensões exige disciplina e autoconhecimento. Camino alerta que “o maçom não pode atuar levianamente, mas saber que o templo é o lugar santificado onde, por prêmio (Iniciação), lhe foi permitido ingressar” (Camino, 2014, p. 126). Essa preparação é evidente no REAA, onde o Grau 30º (Cavaleiro da Aurora) inclui rituais de purificação antes da entrada no Templo, e no York, onde o Capítulo do Arco Real enfatiza a importância de deixar para trás os pesos da vida profana.
A Dimensão e a Busca pela Unidade
Apesar das divisões em dimensões, a Maçonaria busca a unidade . Camino reforça que “os números andam sempre aos pares, mas a unidade é a meta” (Camino, 2014, p. 126). Essa visão alinha-se ao taoísmo, onde o Yin e o Yang são opostos complementares, e ao cristianismo, onde “o Pai e o Filho são um” (João 10:30).
A dimensão na tradição maçônica não é apenas uma questão de espaço, mas de consciência . Seja no REAA ou no York, a jornada de purificação entre a Sala dos Passos Perdidos, o Átrio e o Templo recorda que a verdadeira obra do obreiro é a edificação interior. Como ensina o poeta Rumi: “O templo é o coração; suas dimensões, os degraus da alma.”
Fontes:
CAMINO, Rizzardo da. Breviário Maçônico . 6ª ed. São Paulo: Madras, 2014.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem(REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).