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A Dimensão: Entre o Físico e o Espiritual na Maçonaria

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A Dimensão: Entre o Físico e o Espiritual na Maçonaria

Na Maçonaria, o conceito de dimensão transcende a medição espacial, integrando tanto o físico quanto o metafísico . Como ensina Rizzardo da Camino, “a dimensão de uma Loja é composta de três partes: altura, comprimento e largura” (Camino, 2014, p. 126). Essas medidas não são apenas arquitetônicas, mas simbólicas, representando os estados de consciência que o maçom atravessa em sua jornada de autoconhecimento. A Loja é dividida em três áreas: a Sala dos Passos Perdidos , o Átrio e o Templo , cada uma refletindo estágios de transformação espiritual e moral.


As Três Dimensões da Loja: Da Profanidade à Iluminação

A estrutura física da Loja espelha uma jornada iniciática:

  1. Sala dos Passos Perdidos : O espaço inicial, onde os maçons ainda conversam sobre assuntos profanos, como negócios ou fofocas. Camino descreve que “na sala dos passos perdidos, permanece o efeito do profano” (Camino, 2014, p. 126), recordando que a transição para o sagrado requer purificação. A escala 1:150 mencionada em fontes externas — “equivalendo 1 medida no desenho a 150 na realidade”
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    — pode ser vista como metáfora para a proporção entre o simbólico e o físico na jornada maçônica.

  2. Átrio : O limiar entre o mundo exterior e o templo, simbolizando o subconsciente . Aqui, o obreiro medita, preparando-se para a entrada no Templo.
  3. Templo : A dimensão da hiperconsciência , onde a fraternidade se une em prol da glória do Grande Arquiteto do Universo (GAU). Albert Pike, em Morals and Dogma , compara o templo à “mente iluminada, onde a dualidade cessa e a unidade divina se revela” (Pike, 1871).

Essa divisão reflete a filosofia pitagórica das três partes do ser humano: corpo, alma e espírito. A jornada do maçom é mover-se da profanidade (consciência ordinária) para a iluminação (hiperconsciência), equilibrando as dimensões físicas e espirituais.


Histórico e Curiosidades nos Ritos Maçônicos: REAA e YORK

Rito Escocês Antigo e Aprovado (REAA)

O REAA, com seus 33 graus, incorpora as dimensões do templo desde os primeiros rituais. No Grau 1º (Aprendiz Maçom) , o candidato entra na Sala dos Passos Perdidos , onde é instruído a abandonar preocupações mundanas. O Grau 3º (Mestre Maçom) inclui a alegoria da morte e ressurreição de Hiram Abif , simbolizando a transição entre as dimensões da ignorância e da iluminação.

Curiosidades:

  • Em lojas do REAA, a Sala dos Passos Perdidos é adornada com símbolos como a coluna partida , lembrando a fragilidade dos vínculos terrenos.
  • O Grau 18º (Cavaleiro Rosa-Cruz) enfatiza a importância da meditação no Átrio, preparando o obreiro para a “ascensão à quarta dimensão” — a espiritual.
  • O uso de véus e cortinas entre as áreas do templo simboliza os véus que separam as dimensões da consciência, reforçando que “a verdadeira proteção está na no GAU”

Rito York

O York, com raízes na Inglaterra do século XVIII, vincula as dimensões à reconstrução do Templo de Salomão. O Capítulo do Arco Real explora o Átrio como espaço de descoberta da “Palavra Perdida” , enquanto o Grau de Cavaleiro Templário associa o Templo à pureza do coração e à disciplina cavaleiresca.

Curiosidades:

  • George Washington, maçom do York, instituiu normas rigorosas para a Sala dos Passos Perdidos, proibindo discussões políticas ou comerciais antes dos rituais.
  • Em rituais do Grau de Companheiro , o candidato é conduzido do Átrio ao Templo por uma escada de quinze degraus , simbolizando as etapas da sabedoria.
  • O Grau de Mestre inclui a leitura de passagens bíblicas sobre a construção do Templo de Salomão, reforçando que “o templo é o lugar santificado onde, por prêmio (Iniciação), lhe foi permitido ingressar” (Camino, 2014, p. 126).

A Dimensão Psicológica: Consciência, Subconsciência e Hiperconsciência

A Maçonaria vê as dimensões como metáforas para o desenvolvimento interior :

  • Consciência (Sala dos Passos Perdidos) : O estado inicial, onde o maçom ainda lida com os resquícios do ego e da vida profana.
  • Subconsciência (Átrio) : A fase de reflexão, onde emoções e vícios são confrontados.
  • Hiperconsciência (Templo) : A união com o GAU, onde o obreiro vive a “fraternidade universal” (Camino, 2014, p. 126).

Filósofos como Carl Jung associam essa jornada ao processo de individuação , onde o indivíduo integra as sombras do subconsciente para alcançar a totalidade psíquica. Albert Pike, em Morals and Dogma , compara o Templo à “mente iluminada, onde a dualidade cessa e a unidade divina se revela” (Pike, 1871).


A Medida do Homem: Entre o Material e o Espiritual

Camino destaca que “todo ser humano é dimensionado, basta a conscientização disso de modo que seu comportamento deve ser medido e pesado” (Camino, 2014, p. 126). A Maçonaria exige que o obreiro domine seus impulsos, alinhando-se ao provérbio: “A medida do homem é a medida de sua virtude.”

Nos rituais, elementos como a balança (símbolo da justiça) e o compás (limite da razão) reforçam a importância do equilíbrio. O Grau 14º (Grande Eleito dos Reais Mistérios) do REAA inclui juramentos de “nunca agir levianamente, pois o templo é o santuário da verdadeira liberdade” (DUBOIS, 2009).


A Dimensão na Filosofia e no Pensamento Maçônico

Grandes filósofos e doutrinadores ampliaram o conceito de dimensão:

  • Platão , em A República , compara a jornada do maçom à ascensão da caverna à luz, onde cada dimensão representa um estágio de iluminação.
  • Plotino , neoplatônico, vê no número três (altura, comprimento, largura) a trindade do ser: matéria, alma e espírito.
  • Manly P. Hall , em A Filosofia Perene , afirma que “a dimensão do templo é o espelho da alma, onde cada passo revela a verdadeira jornada do iniciado” (Hall, 1928).

Albert Pike, em Morals and Dogma , associa as dimensões às virtudes cardeais : prudência (altura), justiça (comprimento) e fortaleza (largura), recordando que “a perfeição do templo está em sua capacidade de elevar o espírito” (Pike, 1871).


A Dimensão como Preparação para a Iniciação

A Maçonaria ensina que a transição entre as dimensões exige disciplina e autoconhecimento . Camino alerta que “o maçom não pode atuar levianamente, mas saber que o templo é o lugar santificado onde, por prêmio (Iniciação), lhe foi permitido ingressar” (Camino, 2014, p. 126). Essa preparação é evidente no REAA, onde o Grau 30º (Cavaleiro da Aurora) inclui rituais de purificação antes da entrada no Templo, e no York, onde o Capítulo do Arco Real enfatiza a importância de deixar para trás os pesos da vida profana.


A Dimensão e a Busca pela Unidade

Apesar das divisões em dimensões, a Maçonaria busca a unidade . Camino reforça que “os números andam sempre aos pares, mas a unidade é a meta” (Camino, 2014, p. 126). Essa visão alinha-se ao taoísmo , onde o Yin e o Yang são opostos complementares, e ao cristianismo, onde “o Pai e o Filho são um” (João 10:30).

Nos rituais, a Cadeia de União simboliza essa integração, conectando os irmãos em uma única corrente espiritual. Como diz o provérbio maçônico: “A medida do templo é a medida da alma; a largura do coração, a altura da esperança e o comprimento da paciência.”


Conclusão: A Dimensão como Mapa da Alma

A dimensão na tradição maçônica não é apenas uma questão de espaço, mas de consciência . Seja no REAA ou no York, a jornada de purificação entre a Sala dos Passos Perdidos, o Átrio e o Templo recorda que a verdadeira obra do obreiro é a edificação interior. Como ensina o poeta Rumi : “O templo é o coração; suas dimensões, os degraus da alma.”


Fontes:

  1. CAMINO, Rizzardo da. Breviário Maçônico . 6ª ed. São Paulo: Madras, 2014.
  2. PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry . Charleston, 1871.
  3. HALL, Manly P. A Filosofia Perene . São Paulo: Pensamento, 1928.
  4. DUBOIS, Pierre. História da Maçonaria . São Paulo: Pensamento, 2009.
  5. BÍBLIA SAGRADA. João 10:30 (“O Pai e eu somos um” ).
  6. PLATÃO. A República . Século IV a.C.
  7. MARCUS AURELIUS. Meditações . Século II.
  8. JUNG, Carl. O Homem e seus Símbolos . 19

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

MS Maçom


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