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O Espírito: Convergência entre Fé, Filosofia e Maçonaria

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O Espírito: Convergência entre , Filosofia e Maçonaria

A noção de espírito transcende fronteiras culturais e religiosas, representando a conexão entre o humano e o divino. Para o cristianismo, é a presença de Jesus Cristo no ser humano, como destacado pelo apóstolo Paulo em sua carta aos Coríntios: “Não sabeis vós que sois deuses e que o espírito do Cristo habita em vós?” (1 Coríntios 3:16). Na Maçonaria, o espírito se manifesta como a essência do Grande Arquiteto do Universo (GAU) presente no maçom, simbolizando a busca pela verdade e a vivência ética. Essa dualidade entre espiritualidade e filosofia encontra ressonância em diversas tradições, desde a Antiguidade até o Espiritismo, passando pela Teosofia e pela filosofia platônica.


Espírito, Alma e a Dicotomia Filosófica

A distinção entre espírito e alma é central em muitas correntes de pensamento. Segundo o Breviário Maçônico de Rizzardo da Camino, a alma é vivente (elemento vital do corpo), enquanto o espírito é vivificante , a centelha divina que concede imortalidade à existência humana (Camino, 2014, p. 151).

  • Platão via o espírito como o nous (νοῦς), princípio racional e imutável que transcende a materialidade.
  • Para o Espiritismo , codificado por Allan Kardec, o espírito é a entidade desencarnada que evolui através de reencarnações, comunicando-se por meio de médiuns (Kardec, O Livro dos Espíritos , 1857).
  • Na Maçonaria , o espírito é a manifestação do GAU, orientando os obreiros na construção moral e simbólica da sociedade.

Essa convergência reflete a universalidade do conceito: o espírito como fonte de sabedoria e guia para a iluminação.


Histórico e Curiosidades dos Ritos Maçônicos: REAA e YORK

Os rituais maçônicos dos Ritos Escocês Antigo e Aprovado (REAA) e York são expressões simbólicas dessa busca espiritual.

Rito Escocês Antigo e Aprovado (REAA)

Originário do século XVIII, o REAA evoluiu a partir de práticas medievais e sociedades secretas europeias. Desenvolvido na França, foi sistematizado pelo Barão de Tschoudy em 1762 e popularizado pelos Estados Unidos após a fundação do Supremo Conselho em Charleston (1801). Com 33 graus simbólicos, cada nível representa uma jornada iniciática, culminando no 33º grau, conferido a membros destacados.

Curiosidades:

  • O 18º grau (Cavaleiro Rosa-Cruz ) incorpora simbolismos herméticos e alquímicos.
  • O uso de espadas e paramentos coloridos simboliza a luta contra o ego e a busca pela verdade.
  • O REAA influenciou movimentos como o Iluminismo e a Revolução Francesa, integrando ideais de liberdade e razão.

Rito York

Mais antigo que o REAA, o York tem raízes na Inglaterra do século XVIII. Organizado em três graus simbólicos (Aprendiz, Companheiro e Mestre) e complementado pelo Capítulo do Arco Real e pela Ordem dos Cavaleiros de Malta e do Templo, enfatiza a ligação com a tradição cristã e a história bíblica.

Curiosidades:

  • O grau de Real Arco simboliza a reconstrução do Templo de Salomão, associado à busca do conhecimento perdido.
  • Os Cavaleiros de Malta e do Templo incorporam elementos da Idade Média, com rituais baseados em juramentos de honra e proteção.
  • George Washington, maçom do Rito York, contribuiu para sua popularidade nos EUA.

O Espírito na Prática Maçônica

A Maçonaria ensina que o dever do obreiro é viver “em espírito e verdade” (João 4:24), alinhando ações com os princípios do GAU. O amor fraternal, base da ordem, nasce dessa consciência espiritual compartilhada. Nos rituais, símbolos como a coluna jônica (sabedoria), a escada de três degraus (, esperança e caridade) e o olho que tudo vê reforçam essa união entre o humano e o divino.


Conclusão

O espírito, seja como presença de Cristo, centelha do GAU ou entidade imortal, é o fio condutor das buscas humanas por significado. Nos ritos maçônicos, sua simbologia e rituais não apenas perpetuam tradições antigas, mas também convidam os obreiros a uma jornada interior. Como ensinava Platão, é pelo nous que transcenderemos as sombras da caverna e alcançaremos a luz da verdade.


Fontes:

  1. CAMINO, Rizzardo da. Breviário Maçônico . 6ª ed. São Paulo: Madras, 2014.
  2. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos . 1857.
  3. BÍBLIA SAGRADA. 1 Coríntios 3:16; João 4:24.
  4. DUBOIS, Pierre. História da Maçonaria . São Paulo: Pensamento, 2009.
  5. WAITE, Arthur E. A Enciclopédia da Maçonaria . Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.

“Que a paz do Grande Arquiteto do Universo esteja sempre convosco.

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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