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O Ego: Entre o Humano e o Divino na Maçonaria

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O Ego: Entre o Humano e o Divino na Maçonaria

Na Maçonaria, o ego é um conceito profundamente examinado, pois representa o desafio constante entre a natureza humana e a busca pela iluminação espiritual. Como ensina Rizzardo da Camino, “há profunda diferença entre eu e ego: enquanto o ego significa a pessoa humana vivente, o ‘eu’ é a parte divina dentro do homem” (Camino, 2014, p. 131). O ego, associado ao “nome de Deus” (“eu sou” ), é visto como a sombra que pode levar ao egocentrismo , enquanto o “eu” simboliza a centelha divina que guia o obreiro na jornada iniciática.


O Ego e o “Eu Divino”: Uma Dicotomia Essencial

Na tradição maçônica, o ego é a manifestação da individualidade terrena, muitas vezes vinculada ao egocentrismo “a forma negativa da personalidade humana” (Camino, 2014, p. 131). Porém, Camino reconhece que, em certas ocasiões, o egoísmo é salutar , como quando o indivíduo zela por sua saúde e bem-estar, alinhando-se à máxima bíblica: “Ama o próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39). Aprendendo a amar-se primeiro, o maçom prepara-se para amar o próximo com autenticidade.

Já o “eu” é a essência imutável e divina, comparável ao nous platônico, que transcende o físico e se conecta ao Grande Arquiteto do Universo (GAU) . Albert Pike, em Morals and Dogma , associa o “eu” à “alma imortal que reflete a luz divina” (Pike, 1871), enquanto o ego é o véu que separa o humano da verdadeira sabedoria.


O Ego nos Ritos Maçônicos: REAA e YORK

Nos rituais da Maçonaria, especialmente nos Ritos Escocês Antigo e Aprovado (REAA) e York, o ego é tratado como um obstáculo a ser lapidado.

Rito Escocês Antigo e Aprovado (REAA)

O REAA, com seus 33 graus simbólicos, aborda o ego em rituais que enfatizam a humildade e a superação do individualismo. No Grau 3º (Mestre Maçom) , a lenda de Hiram Abif ilustra a luta contra os vícios do ego, onde os três traidores simbolizam a ganância, a vaidade e a inveja.

Curiosidades:

  • O Grau 18º (Cavaleiro Rosa-Cruz) explora a alquimia do ego, transformando o “eu” humano em “eu” espiritual.
  • Em lojas do REAA, o uso de espelhos durante rituais simboliza a confrontação com o próprio ego, recordando que “a verdadeira jornada é domar o eu para revelar o divino” (Pike, 1871).
  • George Washington, maçom do York, aplicou princípios maçônicos ao equilibrar o ego político com a ética coletiva, evitando o autoritarismo.

Rito York

O York, com raízes na Inglaterra do século XVIII, vincula o ego à responsabilidade moral . No Capítulo do Arco Real , a reconstrução do Templo de Salomão simboliza a edificação do caráter, onde o ego deve ser subjugado para que a sabedoria prevaleça.

Curiosidades:

  • O Grau de Companheiro inclui alegorias sobre a “pedra bruta” e a “pedra polida” , metáforas para a lapidação do ego.
  • Em rituais do Grau de Mestre , o candidato é advertido: “Não pronuncies o nome de Deus em vão; o ‘eu sou’ é o sopro da vida que deve guiar tua jornada.”
  • O Grau de Cavaleiro Templário enfatiza a disciplina para dominar o ego, recordando que “a verdadeira força nasce do sacrifício pessoal” (Camino, 2014, p. 131).

Histórico: Do Egito Antigo às Lojas Maçônicas

A dualidade entre ego e “eu divino” remonta às tradições antigas:

  • No Egito , a alma (Ba ) e o espírito (Ka ) eram partes complementares, onde o ego correspondia ao Ba (personalidade mortal) e o “eu” ao Ka (essência imortal).
  • Na Grécia Antiga , Platão, em A República , compara o ego ao cavalo selvagem que puxa a biga da alma, exigindo domínio racional para alcançar a harmonia.
  • Na Maçonaria operativa, o ego era contido por meio de juramentos de obediência e humildade, práticas que se intensificaram na Maçonaria especulativa do século XVIII.

Filosofia e Psicologia: O Ego como Sombra a Ser Iluminada

Grandes filósofos e pensadores ampliaram o significado do ego:

  • Marcus Aurelius , estoico, defende no livro Meditações que “o homem sábio domina seu ego, pois a virtude está na aceitação do coletivo” (Século II).
  • Carl Jung , em O Homem e seus Símbolos , vê o ego como a “consciência desperta” , que deve integrar a sombra (instintos reprimidos) para alcançar a totalidade psicológica.
  • Manly P. Hall , em A Filosofia Perene , afirma que “o maçom deve reconhecer seu ego, não para eliminá-lo, mas para transmutá-lo em ferramenta de serviço” (Hall, 1928).

O Ego na Prática Maçônica: Domínio e Lapidação

A Maçonaria exige que seus membros pratiquem a autoconsciência para equilibrar ego e “eu”. Camino destaca que “o maçom não pode dizer ‘eu sou maçom’, porque pretenderia tomar o lugar de Deus” (Camino, 2014, p. 131). Esse princípio reflete na proibição de usar o nome de Deus em vão, lembrando que a verdadeira identidade do obreiro está na servidão à fraternidade , não no individualismo.

Rituais incluem:

  1. A Cadeia de União : Símbolo da interdependência, onde o ego é dissolvido na energia coletiva.
  2. O Silêncio Inicial : Momento para acalmar o ego antes de iniciar os trabalhos, alinhando-se à “voz interior”.
  3. A Palavra Sagrada : Revelada apenas após o candidato demonstrar domínio sobre seu ego, como no Grau 3º.

Conclusão: O Ego como Desafio Iniciático

O ego, na tradição maçônica, não é inimigo, mas um desafio a ser lapidado . Seja no REAA ou no York, a Ordem ensina que a verdadeira jornada do obreiro não é a aniquilação do ego, mas sua transformação em instrumento de virtude. Como disse o poeta Rumi : “O ego é a tempestade; o eu, o farol que guia.”


Fontes:

  1. CAMINO, Rizzardo da. Breviário Maçônico . 6ª ed. São Paulo: Madras, 2014.
  2. PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry . Charleston, 1871.
  3. HALL, Manly P. A Filosofia Perene . São Paulo: Pensamento, 1928.
  4. PLATÃO. A República . Século IV a.C.
  5. JUNG, Carl. O Homem e seus Símbolos . 1964.
  6. MARCUS AURELIUS. Meditações . Século II.
  7. BÍBLIA SAGRADA. Mateus 22:39 (“Amai ao próximo como a vós mesmos” ).

“Que o maçom aprenda a domar seu ego, convertendo-o em aliado para a construção de um mundo mais justo, onde o ‘eu’ divino prevaleça sobre a sombra do eu humano.”

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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