Na Maçonaria, o dever é um dos pilares fundamentais da conduta humana, vinculado à ideia de responsabilidade moral e à jornada iniciática do obreiro.
Como ensina Rizzardo da Camino, “os deveres maçônicos não vêm catalogados, mas brotam ao passo que surgem, por meio do conhecimento” (Camino, 2014, p. 124). A Ordem Maçônica não impõe regras de forma arbitrária; exige que seus membros internalizem os princípios éticos através da reflexão e da vivência ritualística, integrando-os à sua identidade espiritual.
O Dever como Princípio Universal
Para a Maçonaria, o dever transcende o individual, estendendo-se a cinco esferas fundamentais:
Para com a pátria : Lealdade e contribuição para o bem comum.
Para consigo mesmo : Autodisciplina e busca pela iluminação.
Camino destaca que “os deveres marcham paralelamente com os direitos; ninguém poderá exigir um direito enquanto não observar os deveres” (Camino, 2014, p. 124). Essa visão alinha-se à filosofia estoica, onde a virtude é a base para a liberdade, como defende Marcus Aurelius em Meditações : “A liberdade nasce do cumprimento do dever.”
Histórico e Curiosidades nos Ritos Maçônicos: REAA e YORK
O REAA, com seus 33 graus simbólicos, estrutura-se como uma jornada de lapidação moral, onde cada grau revela novos deveres. No Grau 3º (Mestre Maçom) , a lenda de Hiram Abif ensina que o dever à verdade e à integridade supera até mesmo o medo da morte. O Grau 30º (Cavaleiro da Aurora) enfatiza o dever de combater a injustiça, enquanto o Grau 32º (Sublime Príncipe do Real Segredo) vincula o dever à defesa dos valores humanos contra a tirania.
Curiosidades:
O uso do martelo do Venerável Mestresimboliza a autoridade que nasce do cumprimento dos deveres, não do poder.
Com raízes na Inglaterra do século XVIII, o York associa o dever à disciplina cavaleiresca . O Capítulo do Arco Real explora o dever de reconstruir o Templo de Salomão como metáfora para a edificação moral, enquanto o Grau de Cavaleiro Templário enfatiza o dever de proteger os fracos e defender a justiça.
Curiosidades:
George Washington, maçom do York, instituiu normas rigorosas de dever cívico, associando-as aos princípios maçônicos de responsabilidade.
O Grau de Companheiro inclui alegorias sobre os “três pilares do dever” : Saber, Querer e Ousar.
Em rituais do Grau de Mestre , o candidato é advertido: “Quem não domina seu coração não pode cumprir seu dever.”
O Dever e a Transformação Interior
Na Maçonaria, o dever não é apenas uma obrigação, mas umprocesso de autotransformação. Camino afirma que “o maçom cumpre seus deveres porque é um Iniciado” (Camino, 2014, p. 124). Albert Pike, em Morals and Dogma, compara o dever à “bússola do espírito, que orienta o obreiro nos tempos de turbulência” (Pike, 1871), enquanto Manly P. Hall, em A Filosofia Perene , vê no dever a “ponte entre o humano e o divino” (Hall, 1928).
A Maçonaria ensina que o dever é umexercício de liberdade, não de submissão. Como diz o provérbio maçônico: “A verdadeira independência é o cumprimento do dever.”
Na prática maçônica, o dever manifesta-se em rituais como a Cadeia de União, onde cada maçom assume a responsabilidade de apoiar seus irmãos, e no Grau 14º (Grande Eleito dos Reais Mistérios) do REAA, que exige juramentos de “nunca permitir que o egoísmo governe as ações” .
O Dever e a Crítica ao Mundo Profano
Camino observa que “a maioria, no mundo profano, pleiteia direitos sem dar-se conta dos deveres que lhe são impostos” (Camino, 2014, p. 124). A Maçonaria contrasta-se com essa visão, recordando que direitos e deveres são inseparáveis. O Grau de Companheiro no York inclui a leitura de passagens bíblicas como Mateus 23:11 (“Quem quiser ser grande, seja vosso servo” ), reforçando que a liderança nasce do serviço.
Nos rituais, símbolos como o Esquadro(medida da retidão) e a Coluna Partida (fragilidade daquele que abandona o dever) lembram que a virtude só se realiza quando o obreiro age com integridade, mesmo em situações adversas.
O Dever na Prática Maçônica: Entre o Rito e a Vida Cotidiana
A Maçonaria não impõe deveres, mas incentiva seu desenvolvimento gradual. Camino destaca que “a cada grau que o maçom alcança, novos deveres deverá observar” (Camino, 2014, p. 124). No REAA, o Grau 18º (Cavaleiro Rosa-Cruz) exige que o obreiro assuma o dever de transmutar vícios em virtudes, enquanto no York , o Grau de Mestre vincula o dever à promessa de “nunca abandonar um irmão em dificuldade” .
Na vida cotidiana, o maçom pratica o dever através de:
Assistência aos irmãos enfermos (visitas, apoio material e espiritual).
Participação ativa na Loja , evitando a passividade que corrói a fraternidade.
Defesa dos princípios universais de igualdade e justiça, mesmo diante de pressões sociais.
A Maçonaria vê o dever como umcatalisador de evolução espiritual . Camino reforça que “o ato de prestar auxílio ao próximo não constitui em si um dever, mas o reflexo de uma personalidade bem formada” (Camino, 2014, p. 124). Essa visão alinha-se ao budismo, onde o dever é a prática do Dharma (lei cósmica), e ao cristianismo, onde Jesus ensina: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” (João 13:34).
Nos rituais, o dever é simbolizado pelo aperto de mão(compromisso mútuo) e pela palavra secreta (sinal de lealdade à Ordem). Como diz o poeta Rumi: “O dever é a semente da liberdade; plantada com integridade, floresce em justiça.”
O dever, na tradição maçônica, não é um fardo, mas uma expressão de maturidade moral . Seja no REAA ou no York, a Ordem recorda que a verdadeira liberdade só existe quando o indivíduo se compromete com o coletivo. Como ensina o provérbio maçônico: “O maçom que cumpre seu dever é o verdadeiro guardião do templo.”
BÍBLIA SAGRADA. João 13:34 (“Amai-vos uns aos outros” ); Mateus 23:11 (“Quem quiser ser grande, seja vosso servo” ).
“Que o dever seja sempre a luz que guia os passos do maçom, lembrando que a verdadeira grandeza não está na procura por direitos, mas no cumprimento das obrigações com integridade.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem(REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).