Desde as primeiras vezes nos bancos de uma Loja, meu olhar foi imediatamente atraído pelos grandes símbolos da maçonaria – e pelos oficiais com suas insígnias bem visíveis.
Demorou anos até que, em uma Sessão particularmente silenciosa, meus olhos se fixassem no teto, mais precisamente na cobertura que se estendia sobre a cadeira do Venerável, e eu me perguntasse: o que faz ali, suspenso sobre a autoridade máxima da Loja, um simples pedaço de pano?
Foi uma inquietação que começou como uma curiosidade menor, mas que, ao persistir, revelou-se uma porta de entrada para um dos mais antigos e universais símbolos humanos – e, confesso, quanto mais me aprofundava, mais percebia o quanto esse elemento aparentemente decorativo carregava significados que atravessavam impérios, religiões e séculos de história.
Ao desenrolar o fio dessa investigação, fui conduzido a uma viagem que ultrapassou em muito os limites do templo maçônico, levando-me a explorar os tronos dos faraós egípcios, onde o dossel já marcava a presença divina do soberano; os cortejos imperiais romanos, onde o páliodistinguia a majestade do imperador; e as basílicas cristãs, onde o baldaquino protegia o altar e o celebrante.
Foi uma surpresa descobrir que este objeto, hoje tão discreto e por vezes despercebido, foi durante milênios o principal marcador de sacralidade e poder – uma forma de demarcar, no espaço físico e no imaginário coletivo, o ponto onde o céu se inclina sobre a terra, onde o invisível se faz visível através de uma simples cobertura de tecido.
E, ao compreender essa longa cadeia de transmissão, entendi também por que a Maçonaria, com sua genialidade simbólica, o resgatou para a liturgia da Loja: não como um mero ornamento, mas como a materialização de um princípio fundamental – o da autoridade que emana de uma fonte superior e que, ao sentar-se sob o dossel, recorda ao Venerável que seu poder não lhe pertence, mas lhe é confiado.
Neste artigo, compartilho os frutos dessa minha jornada de investigação sobreum dos mais negligenciados – e, paradoxalmente, mais eloquentes – objetos da panóplia maçônica.
Convido o leitor a acompanhar-me na redescoberta de um símbolo que a pressa e a rotina tornaram invisível, mas que, uma vez desvendado, revela camadas sobre camadas de significado, desde os rituais de coroação da antiguidade até o silêncio respeitoso que envolve o trono (sólio) do Venerável.
Afinal, revisitar a história do dossel é compreender que, na Maçonaria, até os elementos mais discretos carregam memórias de impérios e sussurram lições de humildade – lembrando-nos que, sob qualquer cobertura, o verdadeiro altar é sempre o coração que se inclina diante do Mistério
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"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).