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A busca da verdade e a caminhada: o itinerário maçônico do autoconhecimento à sabedoria

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A busca da verdade e a caminhada: o itinerário maçônico do autoconhecimento à sabedoria

a) Resumo preliminar do texto base

O texto base destaca que o dever essencial do maçom é a constante busca da Verdade, tarefa individual que transcende o ato simbólico da iniciação e exige prática constante e sincera.

Ser maçom não é apenas receber um título, mas tornar-se verdadeiramente iniciado pela vivência do simbolismo, onde cada passo da compreensão deve ser acompanhado de outro, correspondente, na aplicação prática.

A busca da Verdade deve ser feita com liberdade de espírito, despindo-se de preconceitos e ilusões profanas. O verdadeiro progresso depende do desejo veemente de conhecer, aliado à coragem de romper com as aparências do mundo sensível.

b) Pesquisa histórica sobre a busca da Verdade na Maçonaria Regular

A busca da Verdade é uma das colunas fundamentais da Maçonaria Regular desde sua origem especulativa no século XVIII. Na Constituição de Anderson (1723), já se delineava que a maçonaria deveria fomentar a moral, o autoconhecimento e a investigação espiritual — valores que, por extensão, implicam a busca pela Verdade, compreendida como um ideal filosófico e moral.

Albert Pike, em Morals and Dogma, ensina que a iniciação simbólica apenas abre a porta do Templo; cabe ao iniciado trilhar o caminho da Luz, superando seus próprios vícios e limitações. Para Pike, “o maçom deve buscar a Verdade como os antigos iniciados buscavam os deuses — com reverência, disciplina e coragem”. O trabalho maçônico é a construção contínua do templo interior, sendo a Verdade o seu cume simbólico.

Nicola Aslan afirma que “a iniciação sem aplicação prática é como um juramento sem ação: palavra morta”. A Verdade, segundo ele, não é apenas um conceito filosófico, mas uma realidade a ser vivida nos três planos do ser: mental, moral e espiritual.

Joaquim Gervásio de Figueiredo, no seu Dicionário Maçônico, define a busca da Verdade como “a superação progressiva da ignorância”, sendo cada grau um patamar ascendente no aperfeiçoamento da alma. A caminhada maçônica é comparável ao trajeto do Sol: do Ocidente da ignorância ao Oriente da iluminação.

Historicamente, os maçons sempre cultivaram o pensamento filosófico como caminho para a Verdade. As Lojas Regulares foram importantes centros de difusão do iluminismo, abrigando homens como Montesquieu, Voltaire e Goethe — todos ligados à ideia de que o conhecimento liberta.

c) Opiniões contrárias

Dentro da própria tradição maçônica, surgiram vozes discordantes quanto à forma da busca da Verdade. Alguns autores contemporâneos, influenciados por correntes racionalistas, defendem que a Verdade não é um conceito absoluto, mas construído socialmente. Essa posição relativista, embora tolerada em círculos filosóficos, não encontra guarida nas Obediências Regulares, que sustentam a existência de um Princípio Superior, fonte da Verdade eterna.

Carlos Torres Pastorino adverte que a obsessão por verdades absolutas pode levar ao dogmatismo, afastando o maçom do espírito de humildade que deve reger seu aprendizado. Já Gilson da Silva Pinto alerta para o perigo da “inércia intelectual disfarçada de reverência”, quando o maçom aceita símbolos sem reflexão.

Essas críticas não negam a busca da Verdade, mas sugerem que ela deve ser dinâmica, aberta ao questionamento contínuo. Entretanto, autores como Leon Zeldis lembram que a Verdade, na Maçonaria Regular, não é uma resposta pronta, mas um horizonte de sentido que orienta a caminhada pessoal do iniciado.

d) Doutrina mais aceita

A doutrina dominante na Maçonaria Regular, conforme sintetizada por Rizzardo da Camino, reconhece a Verdade como um ideal transcendente. Ela não pode ser capturada por dogmas profanos, mas é buscada pelo método simbólico, que une razão e intuição. A caminhada para a Verdade é solitária, mas inspirada pelos ritos, símbolos e exemplos dos mestres.

William Wynn Westcott, fundador da Societas Rosicruciana in Anglia e membro proeminente da Maçonaria regular inglesa, afirmava que “a Verdade não é revelada ao imprudente, mas ao que disciplina a mente e purifica o coração”. Para ele, o segredo maçônico maior é justamente este: a Verdade é inacessível ao espírito impuro, pois é uma experiência de interiorização e comunhão com o GADU.

Essa doutrina é bem expressa no ritual simbólico do Aprendiz, cuja marcha representa o equilíbrio entre compreensão (passo com o pé esquerdo) e ação (passo com o pé direito), como descreve o próprio texto base.

e) Integração do texto base com a pesquisa

O texto base declara que o maçom permanece sempre um aprendiz, e sua jornada pela Verdade é pessoal, contínua e exige desprendimento dos preconceitos. Essa visão está em plena harmonia com a tradição regular, segundo a qual a iniciação não outorga a posse da Verdade, mas desperta o desejo de buscá-la.

Os autores clássicos e modernos analisados convergem nesse ponto: o iniciado deve viver o simbolismo, integrando conhecimento e conduta. A Verdade, nesse contexto, não é meramente racional ou teórica, mas ética e espiritual, expressa no viver justo e no pensar elevado.

O desejo ardente de conhecer — destacado no texto — é o motor da caminhada maçônica, que deve ser feita com liberdade de espírito, despojamento interior e fidelidade à própria consciência. O maçom não busca agradar aos homens, mas conformar-se à Verdade universal, mesmo que isso implique nadar contra a corrente do mundo profano.

Autor: Ivair Ximenes Lopes

Referências bibliográficas

  • Pike, Albert. Morals and Dogma. Southern Jurisdiction, 1871.

  • Aslan, Nicola. Ritual e Iniciação. Editora Aurora.

  • da Camino, Rizzardo. A Tradição Maçônica e sua Filosofia Iniciática. Ed. Madras.

  • Figueiredo, Joaquim Gervásio de. Dicionário Maçônico. Ed. A Trolha.

  • Zeldis, Leon. A Maçonaria Explicada. Ed. A Trolha.

  • Westcott, William Wynn. The Magical Mason. Weiser Books.

  • Torres Pastorino, Carlos. Sabedoria do Evangelho.

  • Pinto, Gilson da S. Maçonaria: Filosofia e Simbolismo. Ed. Maçônica.

  • Mansur, Alberto. Reflexões Maçônicas. Ed. Aurora.

  • Conte, Carlos Brasílio. O Espírito da Maçonaria. Ed. Pensamento.

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

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A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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