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A glória do Criador: o serviço livre e consciente do maçom na maçonaria regular

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A glória do Criador: o serviço livre e consciente do maçom na maçonaria regular

a) Resumo preliminar do texto base

O texto base aborda o princípio segundo o qual todo trabalho maçônico, tanto no templo quanto na vida profana, deve ser consagrado à Glória do Grande Arquiteto do Universo (GADU). Tal Glória não se busca por reconhecimento humano, mas pela manifestação interna do Princípio Divino que habita cada maçom.

A noção de “serviço” é reinterpretada à luz da liberdade: servir não como escravo, mas como um homem livre, guiado por ideais elevados e pela consciência do dever.

O verdadeiro maçom é, portanto, um servidor livre do Princípio Supremo, agindo com autonomia espiritual e não em função de conveniências materiais ou recompensas externas.

b) Pesquisa histórica sobre a glorificação do GADU na tradição maçônica regular

Desde os primórdios da Maçonaria Regular — especialmente a partir da Constituição de Anderson de 1723 — a ideia de um Deus Supremo, Criador e Geômetra do Universo, é um ponto essencial da doutrina. A fórmula “À Glória do Grande Arquiteto do Universo” (A.G.D.G.A.D.U.) passou a ser obrigatória em todos os trabalhos regulares, sendo repetida no início de cada sessão ritualística.

Albert Pike, em Morals and Dogma, ensina que todo trabalho do iniciado deve refletir o culto interior a Deus, jamais baseado em vaidade ou prestígio humano. Para Pike, a verdadeira adoração ao Criador está na obra silenciosa, disciplinada e moral, refletindo-se no caráter e no exemplo social do maçom.

Nicola Aslan destaca que a ideia de glorificar o GADU remete à antiga tradição operativa, em que os pedreiros medievais construíam catedrais “ad maiorem Dei gloriam”, isto é, para maior glória de Deus, mesmo sem assinar seus nomes. Essa abnegação é herdada pela Maçonaria Especulativa, cujo princípio é: “trabalhar sem esperar recompensa, senão a satisfação do dever cumprido”.

Rizzardo da Camino, por sua vez, defende que o serviço maçônico — como expressão da Glória do Criador — é uma ação consciente e libertadora. Ele liga essa ideia ao conceito filosófico estoico de liberdade interior, onde o homem se torna realmente livre quando obedece voluntariamente à Razão Superior que governa o mundo, isto é, ao Logos ou GADU.

c) Opiniões contrárias

Algumas correntes críticas dentro da maçonaria contemporânea — especialmente influenciadas por vertentes liberais e laicas — propõem que o conceito de glorificar o GADU poderia ser mais simbólico e menos teológico. Para esses críticos, o uso constante de fórmulas religiosas poderia afastar irmãos de convicções mais filosóficas ou agnósticas, ainda que a crença num princípio superior seja condição básica da Maçonaria Regular.

Carlos Torres Pastorino chama a atenção para o risco de que a expressão da Glória do Criador possa ser mal compreendida como culto exterior e mecânico, perdendo seu verdadeiro valor iniciático. Segundo ele, a Glória só é real quando expressa na conduta diária do maçom, não nas palavras ritualísticas vazias.

Outros autores, como Frederico G. Costa, alertam contra uma visão elitista do “serviço maçônico”. Eles propõem uma compreensão mais social e humanista, que valorize o serviço ao próximo em todas as suas dimensões, inclusive nas lutas por justiça social, e não apenas no plano espiritual ou simbólico.

d) Doutrina mais aceita

A doutrina dominante entre os autores da Maçonaria Regular sustenta que o serviço do maçom deve ser sempre voltado à Glória do GADU, não por submissão servil, mas como expressão de liberdade consciente. Joaquim Gervásio de Figueiredo enfatiza que o verdadeiro maçom é aquele que serve por escolha e não por obrigação, e que a obediência aos princípios morais deve nascer do entendimento profundo do seu valor.

Leon Zeldis e Armando Righetto reforçam que o ideal do maçom não é agradar aos homens, mas alinhar-se à Vontade Superior, que é sempre boa, justa e verdadeira. Esse serviço é considerado nobre porque se faz sem esperar glória pessoal, buscando apenas a exaltação do Princípio Divino.

No mesmo sentido, Manly P. Hall argumenta que “a devoção verdadeira ao GADU não está nas palavras, mas na integridade do esforço que cada maçom empreende para transformar a si mesmo e melhorar o mundo ao seu redor”.

e) Integração do texto base com a pesquisa

O texto base ensina que todo maçom deve glorificar o GADU através de suas ações, sem buscar reconhecimento externo. A pesquisa histórica confirma que essa tradição remonta aos tempos operativos, onde a construção das grandes obras era vista como serviço sagrado.

Os autores citados explicam que o verdadeiro serviço maçônico é livre, moral, e consciente — jamais mecânico ou interesseiro. O conceito de “serviço” como derivação de “servo” (do latim servus) é transformado na maçonaria: o iniciado não é um escravo das conveniências, mas um servidor do Bem, da Verdade e do Amor. Essa doutrina encontra respaldo na ética estoica, cristã e iluminista que permeia a Maçonaria Regular.

Ao compreender isso, o maçom reconhece que sua atividade — mesmo profana — deve estar em sintonia com os princípios superiores que glorificam, através dele, o Criador. Sua liberdade reside justamente em agir por consciência, não por medo, vaidade ou submissão material.

Autor: Ivair Ximenes Lopes

Referências bibliográficas

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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