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A Abertura do Livro da Lei

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A Abertura do Livro da Lei

1. Resumo Preliminar

A cerimônia de abertura do Livro da Lei é um dos momentos mais solenes da ritualística maçônica.

A abertura do Livro da Lei na Maçonaria varia conforme o rito e o grau, mas é um ato simbólico de abertura dos trabalhos da Loja, com leituras específicas ou passagens. O Livro da Lei representa a filosofia e a lei moral que cada maçom deve seguir, e sua abertura marca o compromisso com os princípios da Ordem.
O que é o Livro da Lei?
  • É o símbolo da lei moral e da filosofia que cada maçom deve respeitar e seguir.
  • Para a maioria dos ritos, o Livro da Lei é a Bíblia, mas a presença de outros livros é permitida em alguns casos de juramentos.
Como é a abertura?
  • A abertura do Livro da Lei não é um ato religioso, mas sim um momento ritualístico para iniciar os trabalhos da Loja.

Representa a invocação da presença do Grande Arquiteto do Universo (G∴A∴D∴U∴) nos trabalhos da Loja e simboliza a união entre o espiritual e o material, entre o transcendente e a ação humana.

A depender da religião predominante do iniciado, o Livro pode ser a Bíblia Sagrada, o Alcorão, o Talmude, o Bhagavad-Gita, os Vedas, entre outros. No Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA), a abertura do Livro da Lei assume caráter místico e litúrgico, marcando a legitimidade da sessão.

2. Pesquisa Histórica

A presença de um Livro Sagrado nos trabalhos maçônicos remonta às primeiras Constituições de Anderson (1723), que, embora não mencionassem diretamente a Bíblia, faziam referência à necessidade de que o Maçom professasse em Deus (ANDERSON, 1723). Com o tempo, o uso de um Livro da Lei se consolidou como elemento indispensável das Lojas regulares, servindo de fundamento espiritual e jurídico-simbólico.

No REAA, a cerimônia de abertura do Livro da Lei é interpretada como manifestação da luz divina no Templo. Nicola Aslan (1997) observa que o Livro, colocado no centro da Loja, “é a garantia da legitimidade e regularidade da sessão, e sem sua abertura não há Maçonaria”.

Albert Pike (1871), por sua vez, ensina que a abertura representa o “renascimento do homem interior diante da sabedoria eterna contida nas escrituras sagradas”.

Joaquim Gervásio de Figueiredo (1989) destaca que a abertura do Livro da Lei se vincula a um ato de submissão à Verdade, representando o juramento de fidelidade que cada maçom deve prestar.

Rizzardo da Camino (1994) aponta ainda que a cerimônia se articula com a geometria sagrada, visto que o altar triangular e o dossel triangular formado pelos bastões dos diáconos configuram a estrela de seis pontas, símbolo da harmonia entre os opostos.

3. Opiniões Contrárias

Alguns autores, no entanto, questionam a exclusividade dos Livros Sagrados como fundamento maçônico. Armando Righetto (1995) admite que algumas jurisdições consideram possível utilizar Constituições, Códigos ou mesmo a Lei Maior do país como Livro da Lei, entendendo que o compromisso maçônico deve ser, acima de tudo, ético e civil.

Joseph Fort Newton (1921) pondera que a essência da Maçonaria está no compromisso com valores universais, não em um livro específico, pois “a Maçonaria não é uma religião, mas um caminho de vida”. Leon Zeldis (2006) também relativiza o caráter absoluto da abertura, destacando que a ritualística não deve ser confundida com dogmatismo religioso.

4. Doutrina Mais Aceita

Apesar das opiniões divergentes, a doutrina predominante, sobretudo no REAA, afirma que o Livro da Lei deve ser uma obra sagrada, e não apenas jurídica ou política. Nicola Aslan (1997) insiste que “sem o Livro da Lei, não há Loja regular”, e Gervásio de Figueiredo (1989) reforça que o juramento só é válido quando feito sobre um texto sagrado.

Albert Pike (1871) interpreta o Livro como símbolo da busca da verdade eterna, sendo sua abertura um ato de invocação espiritual indispensável. Rizzardo da Camino (1994) concorda, ao ressaltar que o ritual expressa a harmonia entre o céu e a terra, em perfeita sintonia com a máxima hermética: “O que está em cima é como o que está embaixo”.

Assim, a doutrina mais aceita mantém o entendimento de que o Livro da Lei é um elemento litúrgico fundamental da Maçonaria, constituindo o elo entre o Maçom e o G∴A∴D∴U∴.

5. Considerações Finais

A abertura do Livro da Lei constitui uma das cerimônias mais significativas da Maçonaria. No REAA, ela simboliza a invocação da presença divina, a união dos contrários e a legitimação dos trabalhos da Loja. Embora existam opiniões divergentes quanto à necessidade de que o Livro seja obrigatoriamente um texto religioso, a doutrina majoritária reconhece que apenas um texto sagrado cumpre a função de ligar o Maçom ao transcendente.

Portanto, a abertura do Livro da Lei não é mero formalismo, mas um ato litúrgico que reforça o caráter espiritual da Maçonaria, mantendo viva sua tradição e universalidade.

Autor Ivair Ximenes Lopes

6. Referências

  • ANDERSON, James. The Constitutions of the Free-Masons. Londres: 1723.

  • ASLAN, Nicola. História do Supremo Conselho do Grau 33 no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Maçônica, 1997.

  • CAMINO, Rizzardo da. Ritualística Maçônica. São Paulo: Pensamento, 1994.

  • FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de. Dicionário de Maçonaria. São Paulo: Pensamento, 1989.

  • NEWTON, Joseph Fort. The Builders: A Story and Study of Masonry. Londres: Rider & Co., 1921.

  • PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry. Charleston: Supreme Council, 1871.

  • RIGHETTO, Armando. Estudos sobre a Maçonaria. São Paulo: Editora Maçônica, 1995.

  • ZELDIS, Leon. Estudios sobre la Masonería Moderna. Buenos Aires: Ediciones Masónicas, 2006

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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