A Maçonaria na Inglaterra: A Grande Loja dos Modernos, a Grande Loja dos Antigos e a Maçonaria Escocesa
Introdução
A Maçonaria moderna tem seu marco inicial em 1717 com a fundação da Grande Loja da Inglaterra , mas seu desenvolvimento não foi linear. Ao longo do século XVIII, surgiram divisões internas que culminaram na criação de duas grandes correntes maçônicas inglesas: a Grande Loja dos Modernos (Moderns) e a Grande Loja dos Antigos (Antients) . Essas instituições rivalizaram por décadas até sua fusão em 1813, formando a Grande Loja Unida da Inglaterra , que permanece como uma das mais influentes do mundo.
Paralelamente, a Maçonaria escocesa também desempenhou papel fundamental, tanto no contexto britânico quanto internacional, especialmente com o desenvolvimento do Rito Escocês Antigo e Aceito .
I. A Grande Loja da Inglaterra (1717) e a Formação dos Modernos
A Grande Loja da Inglaterra foi criada oficialmente em 24 de junho de 1717 , data considerada pela maioria dos historiadores maçônicos como o nascimento da Maçonaria especulativa moderna. Seus primeiros membros eram predominantemente homens cultos, leigos e de classe média ou alta, interessados em filosofia, ciência e moralidade simbólica.
Essa loja centralizadora passou a ser conhecida como a Grande Loja dos Modernos , principalmente por adotar uma abordagem mais racionalista e menos ligada aos antigos costumes operativos.
“O ano de 1717 marca a transição da Maçonaria operativa para a especulativa, com a fundação da Grande Loja da Inglaterra.”
Fonte: José Antonio Leme Lopes , História Geral da Maçonaria , 2002.
II. A Fundação da Grande Loja dos Antigos (1751)
Em 1751 , um grupo dissidente da Grande Loja dos Modernos fundou a Grande Loja dos Antigos da Inglaterra (Ancient Free and Accepted Masons ), liderado por figuras como Duncan Campbell e Laurence Dermott . Os Antigos se opunham ao caráter elitista e à perda de certos rituais tradicionais entre os Modernos.
Eles defendiam uma Maçonaria mais próxima das tradições operativas originais, com maior ênfase nos símbolos, mistérios e hierarquias. Além disso, rejeitavam as adaptações feitas pelos Modernos em relação a Deus e à Bíblia, mantendo uma base cristã mais explícita.
“Os Antigos acusavam os Modernos de terem abandonado os verdadeiros fundamentos da Ordem.”
Fonte: Manly P. Hall , Os Mistérios da Livre-Maçonaria , 1990.
Curiosidades:
- A Grande Loja dos Antigos tornou-se popular entre trabalhadores manuais e imigrantes irlandeses.
- Foi através dos Antigos que o Rito Escocês se espalhou pelas colônias americanas e pela Europa.
- Laurence Dermott escreveu o livro “Ahiman Rezon” , que se tornou uma referência doutrinária dos Antigos.
III. Rivalidade e Fusão entre Modernos e Antigos (1813)
Por cerca de 60 anos, as duas Grandes Lojas coexistiram, com relações tensas e reconhecimento mútuo negado. Porém, em 1813 , após longas negociações, ocorreu a fusão histórica , criando a Grande Loja Unida da Inglaterra (United Grand Lodge of England – UGLE) .
A fusão estabeleceu um novo modelo de governança e ritualística, incorporando elementos das duas correntes. O grão-mestre da nova entidade foi Arthur Wellesley, Duque de Wellington — famoso por sua vitória contra Napoleão em Waterloo.
“A reconciliação entre Modernos e Antigos foi um momento crucial na história da Maçonaria universal.”
Fonte: Luiz Carlos Lisboa , Maçonaria – História e Fundamentos , 2005.
IV. A Maçonaria Escocesa e seu Papel Histórico
A Maçonaria escocesa tem raízes distintas e muito antigas, remontando às guildas medievais da Escócia . Diferente da inglesa, a Maçonaria escocesa sempre teve uma forte tradição simbólica, mística e ritualística.
Um dos maiores legados da Maçonaria escocesa é o Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA) , desenvolvido no final do século XVIII por figuras como Esteban Morin e Henrique José Da Costa , e posteriormente estruturado em Charleston, EUA, pelo General Albert Pike .
Além disso, a Grande Loja da Escócia , fundada em 1736 , ainda hoje existe e é independente da UGLE, com autonomia própria e uma tradição distinta.
“A Escócia é berço de uma Maçonaria profundamente espiritual e simbólica, cujo legado se espalhou pelo mundo.”
Fonte: Carlos Torres Pastorino , Maçonaria – Doutrina e Prática , GOB, 1976.
V. Ligações entre as Grandes Lojas e seus Impactos Globais
A rivalidade entre Antigos e Modernos na Inglaterra influenciou diretamente o desenvolvimento da Maçonaria em outros países, especialmente nas Américas e na França. A exportação dos dois modelos levou à formação de sistemas maçônicos divergentes, muitas vezes com disputas por legitimidade e autoridade ritualística.
Já a Maçonaria escocesa, através do REAA, tornou-se extremamente influente no Brasil, Estados Unidos, América Latina e Caribe. Hoje, é o rito mais praticado no mundo.
Curiosidades:
- O Rito Escocês foi introduzido nos EUA por franceses fugidos da Revolução Haitiana.
- O Duque de Wellington, líder da fusão em 1813, era maçom e figura central da política europeia.
- A Grande Loja da Escócia mantém um calendário próprio e ainda utiliza alguns rituais medievais.
VI. Conclusão
A história da Maçonaria inglesa está marcada por uma evolução complexa, desde a fundação da Grande Loja dos Modernos em 1717 , passando pela emergência da Grande Loja dos Antigos em 1751 , até a fusão histórica em 1813 que deu origem à Grande Loja Unida da Inglaterra .
Paralelamente, a Maçonaria escocesa contribuiu significativamente para o desenvolvimento ritualístico e simbólico da Ordem, especialmente através do Rito Escocês Antigo e Aceito .
Essas instituições não apenas moldaram a Maçonaria britânica, mas tiveram impacto global, influenciando sistemas maçônicos em todo o mundo ocidental.
VII. Fontes de Pesquisa Utilizadas
- Lopes, José Antonio Leme – História Geral da Maçonaria . Editora Pensamento, São Paulo, 2002.
- Lisboa, Luiz Carlos – Maçonaria – História e Fundamentos . Editora Madras, São Paulo, 2005.
- Hall, Manly P. – Os Mistérios da Livre-Maçonaria . Ed. Pensamento, SP, 1990.
- Pastorino, Carlos Torres – Maçonaria – Doutrina e Prática . GOB, São Paulo, 1976.
- Pires, Herculano – Introdução ao Estudo da Maçonaria Universal . IBRASA, São Paulo, 1995.
- Newton, Joseph Fort – The Builders – A Story and Study of Freemasonry . Macoy Publishing, Richmond, 1914.
- Dermott, Laurence – Ahiman Rezon . Londres, 1756.
- Pike, Albert – Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry . Charleston, 1871.
- UGLE – United Grand Lodge of England – Site Oficial: www.ugle.org.uk
- Grande Loja da Escócia – Site Oficial: www.gsml.org.uk
Ivair Ximenes Lopes

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











