Ao longo dos meus anos de estudosobre os gigantes que moldaram o cristianismo primitivo, poucos nomes me provocaram uma admiração tão profunda quanto o de João Crisóstomo.
Ele não foium teólogo de gabinete, nem um administrador distante das realidades do povo; foi, antes de tudo, umpastor de almas — alguém cuja eloquência, nascida de uma vida de penitência e de uma profunda intimidade com as Escrituras, incendiava corações e desafiava o poder estabelecido.
A sua vida, marcada por uma ascensão meteórica ao trono de Constantinopla e uma queda trágica no exílio, é um testemunho de que a verdadeirafidelidade à Palavra não se curva aos privilégios, nem se dobra diante das intrigas da corte.
Neste artigo, convido o leitor a conhecer a trajetória, as obras e as curiosidades que cercam este que é, sem dúvida, o maior orador da história da Igreja.
João Crisóstomo (em grego: Ἰωάννης ὁ Χρυσόστομος) nasceu por volta de 347 d.C. (algumas fontes indicam 349) em Antioquia, na Síria, uma das maiores cidades do ImpérioRomano e berço de uma das mais importantes escolas teológicas. Filho de umoficial militar de alta patente, ficou órfão de pai ainda na infância e foi criado por sua mãe, Antusa, uma mulher piedosa que lhe transmitiu a fé cristã.
Desde cedo, João demonstrou um talento extraordinário para a palavra. Recebeu a melhor educação possível, estudando filosofia e retórica com o famoso mestre pagão Libânio, que via no jovem seu sucessor natural. Contudo, Libânio ficou desapontado quando o promissor estudante preferiu o “fascínio da fé ao da retórica”, exclamando mais tarde: “Se os cristãos não me o tivessem roubado!”. Joãofoi, na verdade, “roubado” pela atração que nutria pelas palavras sagradas, que estudava com atenção no círculo de Diodoro de Tarso, futuro bispo da cidade.
A Vida Monástica e o Sacerdócio
Por volta de 375, João abandonou a vida mundana e tornou-se eremita. Passou seisanos no deserto, dos quais os doisúltimos em uma caverna, em rigoroso ascetismo. Neste período, permaneceu doisanos continuamente em pé, dormindo muito pouco, e decorou toda a Bíblia. Como consequência, sua saúde ficou permanentemente debilitada — seu estômago e rins foram danificados, o que o obrigou a retornar a Antioquia.
De volta à cidade, foi ordenado diácono em 381 e sacerdote em 386 pelo bispo Fabiano. Foi como sacerdote em Antioquia que João se destacou como pregador, ganhando fama por suas homilias eloquentes e corajosas. Entre 386 e 397, pregou uma série de homilias que se tornariam clássicas, incluindo as famosas vinte e uma homilias sobre as estátuas, pregadas durante a Quaresma de 387, quando a população de Antioquia, enfurecida, derrubou estátuas do imperador Teodósio. Suas palavras tiveram tamanho impacto que muitos pagãos se converteram, e a vingança do imperadorfoi significativamente atenuada.
No outono de 397, Joãofoi nomeado arcebispo de Constantinopla, a capital do Império. Teve que deixar Antioquia escondido, pois temia-se que a despedida de alguém tão popular pudesse provocar uma revolta.
Em Constantinopla, João manteve seu estilo austero: recusou-se a participar de banquetes luxuosos, viveu com simplicidade e realizou uma reforma clerical que obrigava os sacerdotes a deixarem a corte e retornarem às suas igrejas. Isso o tornou muito popular entre o povo, mas valeu-lhe inimigos poderosos entre a nobreza e o clero apegado aos privilégios.
A situação deteriorou-se com a aliança entre o Patriarca Teófilo de Alexandria e a Imperatriz Eudóxia. Teófilo, que desejava subjugar a sé de Constantinopla, acusou João de apoiar as doutrinas de Orígenes. Em 403, foi convocado um sínodo, o chamado “Sínodo do Carvalho”, que o depôs. Reconduzido brevemente após um terremoto que a imperatriz interpretou como castigo divino, Joãofoi novamente exilado em 404, por se recusar a comparecer diante de um sínodo convocado por seus inimigos.
Joãofoi enviado para o exílio em Cucuso, na Armênia, e depois para Comana Pôntica. Durante a viagem forçada, exausto e doente, faleceu em 14 de setembro de 407. Suas últimas palavras teriam sido: “Glória a Deus por todas as coisas”.
A mais famosa de todas é a Homilia Pascoal, lida anualmente na Igreja Ortodoxa durante a liturgia da Páscoa.
Suas homilias revelam um estilo direto, pessoal e profundamente pastoral, influenciado pela Escola de Antioquia, que privilegiava uma interpretação mais literal e histórica das Escrituras.
Sobre o Sacerdócio (De Sacerdotio): sua obra mais conhecida, um tratado em seis livros sobre a dignidade e a responsabilidade do ministério sacerdotal.
Homilias sobre o Evangelho de Mateus: uma das mais extensas séries homiléticas.
Homilias sobre as Epístolas de São Paulo: especialmente sobre Romanos, Coríntios e Efésios.
“Boca de Ouro”: O apelido Chrysostomos foi-lhe atribuído postumamente em reconhecimento à sua eloquência incomparável.
O discípulo que Libânio perdeu: O famoso mestre pagão Libânio, em seu leito de morte, teria dito que Joãoteria sido seu sucessor “se os cristãos não tivessem roubado-o de nós”.
A saúde sacrificada: Seus doisanos como eremita em pé, dormindo muito pouco, danificaram permanentemente seu estômago e rins.
A reforma clerical impopular: Como arcebispo, removeu muitos padres por indignidade, incluindo o bispo de Éfeso.
O “Sínodo do Carvalho”: Foi deposto em um sínodo convocado por seus inimigos em 403.
A reconciliação póstuma: Trinta anos após sua morte, em 438, suas relíquias foram solenemente trasladadas para Constantinopla, e o imperador Teodósio II pediu publicamente perdão pelo exílio imposto por seus pais.
Patrono dos pregadores: É considerado o padroeiro dos pregadores e oradores cristãos.
A homilia mais breve e mais amada: A Homilia Pascoal, lida anualmente na Páscoa, começa com as palavras: “Se alguém é piedoso e amante de Deus, goze esta bela e luminosa festa!”.
Crisóstomo nos ensinou que a pregação não é um exercício de retórica vazia, mas um ato pastoral que exige coragem, verdade e amor. Ele não hesitou em confrontar o poder, denunciar a corrupção e chamar os ricos à conversão. A sua vida, marcada pelo exílio e pela perseguição, é um testemunho de que a fidelidade à Palavra tem um preço — mas também uma recompensa que transcende o tempo.
Como ele próprio escreveu: “A glória de Deus é o homem vivo; e a vida do homem é a visão de Deus”. Que a sua “boca de ouro” continue a ecoar através dos séculos, lembrando-nos que a Palavra de Deus, quando proclamada com fidelidade, tem o poder de transformar corações e mudar a história.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).