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As Escrituras: O Livro Sagrado como Âncora Espiritual na Maçonaria

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As Escrituras: O Livro Sagrado como Âncora Espiritual na Maçonaria

Na Maçonaria, as Escrituras ocupam um lugar central como símbolo de autoridade moral, espiritualidade e unidade entre os obreiros. Como ensina Rizzardo da Camino, “as escrituras são sagradas ou profanas; as sagradas são constituídas dos livros religiosos de todos os povos” (Camino, 2014, p. 143). Enquanto as profanas podem incluir textos legais ou filosóficos, as sagradas refletem a predominante na loja, seja ela cristã, islâmica ou outra. Essa dualidade revela a complexidade da tradição maçônica em equilibrar universalismo e particularidades culturais.

O Livro Sagrado: Espelho da da Loja

Em uma loja maçônica, o Livro Sagrado é colocado no altar como “lâmpada para os pés” e “luz divina” (Camino, 2014, p. 143), simbolizando a fonte de inspiração para os rituais e a conduta dos membros. A escolha do texto depende da religião majoritária dos maçons:

  • Cristianismo : A Bíblia, com suas Sagradas Escrituras, é o livro mais comum em países de tradição ocidental.
  • Islamismo : Em lojas muçulmanas, o Alcorão ocupa o altar, guiando os obreiros segundo os princípios do Corão.
  • Materialismo : Em correntes como o Rito Francês Moderno, que priorizam valores terrenos, o “livro da lei” pode ser a constituição do país ou as regras internas da própria instituição.

Camino destaca que essa diversidade gerou confusão: “Criou-se certa confusão nas Lojas, visto que há uma corrente que insiste em denominar Livro Sagrado de livro da lei” (Camino, 2014, p. 143). A distinção é crucial, pois misturar sagrado e profano dilui o propósito espiritual da Ordem.

Histórico e Curiosidades dos Ritos Maçônicos: REAA e YORK

Rito Escocês Antigo e Aprovado (REAA)

Originário da França do século XVIII, o REAA incorpora o Livro Sagrado como elemento central nos rituais de iniciação. O altar, adornado com o texto sagrado, serve de suporte para juramentos e reflexões sobre ética e transcendência.

Curiosidades:

  • O Grau 3º (Mestre Maçom) inclui a leitura de passagens bíblicas sobre justiça e ressurreição, vinculadas à lenda de Hiram Abif.
  • Em lojas não cristãs, o REAA adapta-se ao contexto local, usando o Alcorão ou os Vedas hindus, respeitando a pluralidade cultural.
  • O Supremo Conselho do REAA defende que o Livro Sagrado seja tratado com reverência, evitando usos simbólicos que o desvirtuem.

Rito York

Com raízes na Inglaterra do século XVIII, o York enfatiza a conexão entre as Escrituras e a prática maçônica. A Bíblia é o livro sagrado padrão, especialmente nas cerimônias do Arco Real e dos Cavaleiros Templários , que associam sua leitura à reconstrução do Templo de Salomão.

Curiosidades:

  • O Capítulo do Arco Real utiliza a Bíblia para decifrar a “Palavra Perdida” , metáfora para o conhecimento divino.
  • George Washington, maçom do York, jurou fidelidade à Constituição dos EUA com a mão sobre a Bíblia, simbolizando a união entre e Estado laico.
  • Em lojas ecumênicas, o York permite a inclusão de outros textos sagrados, desde que respeitados como fontes de sabedoria universal.

A Espiritualidade do Altar: Fonte da Egrégora

Para a Maçonaria, o altar não é apenas um móvel, mas o centro espiritual da loja . Camino afirma que “a espiritualidade de uma Loja fixa-se no Altar onde está o Livro Sagrado” (Camino, 2014, p. 143). Esse espaço é considerado o “nascedouro da egrégora— a energia coletiva gerada pelos pensamentos e rituais dos obreiros.

Filósofos e doutrinadores ampliaram esse conceito:

A Defesa da Bíblia na Tradição Cristã

Em países de maioria cristã, como o Brasil, a Bíblia é o Livro Sagrado por excelência. Camino alerta que “as pressões para substituir o sagrado pelo profano são frequentes e incisivas” (Camino, 2014, p. 143), exigindo que os maçons cristãos zelem por sua presença e leitura ritualística.

Essa defesa não é exclusivismo, mas reconhecimento da Bíblia como base da cultura ocidental e de valores maçônicos como amor ao próximo e justiça social. Como disse o poeta Rumi : “A Bíblia é uma janela aberta para a alma humana.”

Conclusão: O Livro Sagrado como Pedra Angular da Fraternidade

As Escrituras, sejam elas Bíblia, Alcorão ou outro texto sagrado, são mais do que objetos cerimoniais: são o coração pulsante da loja maçônica. Seu uso ritualístico, especialmente nos Ritos REAA e York, recorda que a verdadeira jornada do obreiro não é apenas operativa, mas espiritual. Ao honrar o Livro Sagrado, o maçom afirma seu compromisso com a luz da sabedoria e a construção de uma sociedade mais harmônica.

Fontes:

  1. CAMINO, Rizzardo da. Breviário Maçônico . 6ª ed. São Paulo: Madras, 2014.
  2. PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry . Charleston, 1871.
  3. HALL, Manly P. A Filosofia Perene . São Paulo: Pensamento, 1928.
  4. PLATÃO. A República . Século IV a.C.
  5. DUBOIS, Pierre. História da Maçonaria . São Paulo: Pensamento, 2009.
  6. BÍBLIA SAGRADA. Salmos 119:105 (“Tua palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” ).

“Que o Livro Sagrado seja sempre o farol que guia os passos dos maçons, iluminando o caminho da fraternidade, da verdade e da justiça.”

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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