As ondas da Instrução…
Em síntese, instrução é conjunto das formalidades e informações necessárias para incutir naquele um algo ou ponto necessário, com vistas a dar um norte e ou prestar esclarecimentos ou repassar dados para uso, diante de uma situação, dada como nova.
E ondas, é algo que vem e vai, ora sobressaindo, ora se amoldando ao seu terreno de exercício e outra amoldando de per si, as necessidades e exigências coerentes com o todo.
Pois bem. Simples assim! Não vamos complicar.
Sob o ponto de vista de quem recebe. Este trabalho, que nós maçons, chamamos simbolicamente desbastar a pedra bruta, expressão herdada da maçonaria operativa e que tem sido transportada pela maçonaria especulativa através dos séculos.
Por vezes ouvimos ou lemos que “Devemos ser sempre, eternos aprendizes”.
Isso depende, e vos assento: Não é uma verdade no todo, mas em partes. Aprendizes, enquanto tal, devemos ser sempre instruídos, abertos aos novos desafios, na simplicidade do querer aprender e sempre retornar uma jornada. Mesmo sendo um Mestre experiente, isso não é se portar como um, abnegar de conhecimento e da função, principalmente o Mestre.
Noutro mote, não há essa concepção, pois a maçonaria, é a plena realização de uma caminhada interior, que exige a superação do aprendizado, estuda os fenômenos e chega a incutir uma plenitude dos conhecimentos, necessário ao Maçom Experiente ou erudito. Neste ponto, não pode ficar o maçom fixo, como Aprendiz, o seu progresso é esperado e exigido, não há exigência do tempo, mas certo é que a ampulheta trabalha em seu desfavor, senão o conhecimento seria mitigado, acredito que na essência, não teria então, entendido aquele o espírito do pensador.
È verdade que a Maçonaria exige dos seus membros, dentre outras tantas condições, boa reputação moral, conhecimento do homem médio para entender o seu espírito, confiança num ser supremo. Mas, exige ainda, tolerância para com toda a forma de manifestação de consciência, de religião ou de filosofia, cujos objetivos sejam os de conquistar a verdade, a moral, a paz e o bem-estar social.
Aqui a instrução toma um rumo próprio e individual, conquanto, cada ser, traz consigo, os conhecimentos, experiências e sentimentos que acumula ou somará aqueles que acumulará por sua vida. Tornando-se um viés importante da absorção do conhecimento.
A este viés, aqui chamo de conhecimento natural que há de se transformar numa Instrução individual, que somada ao todo há de coadunar com a “egregora” necessária do conhecimento maçônico.
Certo é que a doutrina maçônica orienta os seus membros a dedicarem-se à felicidade dos seus semelhantes, não somente porque a razão e a moral lhes impõem tal obrigação, mas também porque esse sentimento de solidariedade nos faz irmãos, é o que se observa numa leitura simples do “ritual” do grau.
Podemos dar a instrução uma segunda onda do trabalho maçônico, que consiste na prática do ritual; construção do Templo em que nos encontramos, que seria uma espécie de procedimento esperado, que cada um desenvolve a partir daquele conhecimento revelado na Instrução da primeira onda.
Tudo isso vos afirmo é uma característica maçônica, em que a dinâmica e o simbolismo que nos permitem abrir a mente para a realidade do mundo superior, beneficiando das energias positivas de todos os Irmãos e vencendo todo o tipo de pensamentos negativos.
No exercício da segunda onda, que é a prática ritualista a qual por via energias, promove e potencia o desenvolvimento espiritual do Maçom, que vai aspergir, ou deveria, no mundo dito “profano”. É um trabalho conjunto com enorme projeção individual, em que o indivíduo passa a ter consigo, a característica que o diferencia do profano, o de iniciado.
A esta evolução proporcionada pelas duas primeiras ondas da nossa Instrução, tida aqui apenas como trabalho — instrução, pratica ritualística, realizado a priori no mundo do desconhecido para alguns, não deve levar o maçom a uma interiorização e acanha-lo sobre o seu conhecimento de si próprio, mas deve ser transportada para o exterior, participando na construção do Templo Mundo, contribuindo decisivamente para a transformação do mundo profano, através da valorização da cidadania e do aperfeiçoamento moral e ético da sociedade. È o que chamo aqui de terceira onda da instrução.
Sendo que este culto da tolerância, a fraternidade e a liberdade individual, será uma fonte geradora da tolerância universal entre os homens, a fraternidade que é o ápice da felicidade humana e a liberdade dos seres, tudo numa forma de busca incessante, por vezes utópica, mas necessária, justa e sempre perfeitamente pretendida ao Maçom.
O nosso trabalho, o nosso trabalho, exige a conjugação destas três ondas, número interessante, já bastante debatido, firmado em artigos e que não é o foco deste escrito, mas que coaduna com o pensamento que me veio na divisão que fiz. Para dar ao final uma forma harmoniosa para que seja plenamente conseguido.
Por fim, vos remeto aos meus escritos, os Olhos dos céus e a origem de tudo, pois a ideia primordial da onda é a representação do “Eterno”, aquele que gerou o todo.
Reflitamos!
Ivair Ximenes Lopes
MS Maçom, 09 de setembro de 2011

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











