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Princípio da Plenitude – Se algo é possível, tenderá a se realizar, desde que não haja impedimento

Princípio da Plenitude

Princípio da Plenitude – Se algo é possível, tenderá a se realizar, desde que não haja impedimento

Quando me deparei pela primeira vez com a expressão “Princípio da Plenitude”, confesso que me soou a algo vago, quase poético.

Mas ao começar a investigar as suas origens, descobri que se tratava de uma das ideias mais profundas e silenciosamente influentes de toda a filosofia ocidental. Foi Arthur Lovejoy quem lhe deu nome e forma no seu livro A Grande Cadeia do Ser, mas as raízes estão em Platão, em Aristóteles e nos neoplatónicos.

O que se segue é o resultado dessa pesquisa — uma tentativa de entender como a simples crença de que “o que é possível tende a existir” moldou o pensamento humano durante séculos.

Princípio da Plenitude foi assim cunhado pelo historiador das ideias Arthur Lovejoy (1873‑1962) em sua obra clássica A Grande Cadeia do Ser (1936), mas suas raízes estão na filosofia antiga, especialmente em Platão, Aristóteles e no neoplatonismo.

Lovejoy demonstrou que uma das ideias mais fecundas e persistentes do pensamento ocidental é a de que nenhuma possibilidade genuína pode permanecer inactualizada: o universo, por ser a expressão máxima da bondade e da potência divinas, deve conter todas as formas de existência possíveis, desde o ser mais imperfeito até o mais perfeito.

A formulação canônica do princípio é a seguinte: “tudo o que é necessário para tornar a humanidade perfeita já existe no mundo, quer em ação, quer como potência.

Mais amplamente, o princípio afirma que o universo é pleno, isto é, não admite lacunas vazias de possibilidade: se algo é possível (no sentido de ser logicamente não‑contraditório e compatível com a natureza do ser), então ele existe em algum lugar da escala dos seres, ou existirá em algum momento da história cósmica.

Este princípio é o fundamento da teoria da Grande Cadeia do Ser (Scala Naturae), segundo a qual os seres se ordenam em uma hierarquia contínua e fixa, desde a matéria inerte (no degrau mais baixo) até Deus (no degrau mais elevado), passando por plantas, animais, homens, anjos e outras inteligências celestes.

Platão já havia sugerido que o Demiurgo, ao criar o mundo, “quis que todas as coisas fossem boas e que nada, na medida do possível, fosse mau”, o que implica a realização do máximo de perfeição compatível com a limitação inerente à matéria. Aristóteles, por sua vez, postulou uma hierarquia de formas substanciais que se atualizam gradualmente a partir da potência, culminando no Motor Imóvel.

O neoplatonismo (Plotino, Proclo) radicalizou essa visão: o Uno, como fonte de toda realidade, emana necessariamente uma série de níveis (Intelecto, Alma, Natureza, Matéria), e cada nível inferior é uma degradação ou “sombra” da Plenitude superior.

Na filosofia moderna, Leibniz é um dos expoentes do princípio da plenitude.

Em sua teodiceia, o melhor dos mundos possíveis é aquele que contém a maior variedade combinada com a maior ordem – e variedade significa a realização do máximo de possibilidades compatível com a consistência interna.

Assim, por exemplo, se é possível que existam animais de determinadas espécies, então elas existem em algum lugar, porque senão o mundo seria menos pleno do que poderia ser, e Deus, sendo bom e poderoso, não escolheria um mundo imperfeito.

O princípio da plenitude sofreu críticas severas a partir do século XIX, especialmente após a teoria da evolução de Darwin, que mostrou que as espécies não são fixas nem formam uma cadeia linear hierarquizada, mas emergem por seleção natural a partir de ancestrais comuns.

Ainda assim, a ideia de que “tudo o que não é impossível é possível” e de que “tudo o que é possível, em alguma circunstância se realiza” continua viva na filosofia da possibilidade e na metafísica modal contemporânea, especialmente em autores como David Lewis (realismo dos mundos possíveis) e em certas vertentes da cosmologia especulativa.

O levantamento que realizei, acerca dos tópicos propostos e privilegiando uma abordagem bastante habitual, desprovida de conclusões apressadas ou originais, assentada em bibliografia confiável e em exposições de argumentação homogênea, acredito haver tratado da matéria com a nitidez e a simplicidade que ela reclama.

Jamais aspirei esgotar as indagações, tampouco fornecer respostas acabadas. Disponibilizo um trajeto fundamentado – sob os ângulos filosófico, teológico, humanístico e maçônico – que acata as fontes e recusa devaneios retóricos superfluos.

Cada qual, segundo seu entendimento, pode aprofundar ou contestar. Coube a mim apenas coordenar o que personagens mais ilustres já meditaram e registraram, incorporando o depoimento honesto de quem, através dos anos, compreendeu que nascer e morrer, bem como ansiar pelo outro lado, são segredos que se evidenciam mais na vivência concreta do que nas abstrações.

Rogo que este escrito sirva não como ponto definitivo, mas como provocação à meditação íntima

 Autor e pesquisa Ivair Ximenes Lopes

Fontes

  • Substância e Categorias em Aristóteles”. Brasil Escola – UOL. Acesso em: maio 2026. 

  • “Forma e matéria, essência e acidente, ato e potência em Aristóteles”. Filosofia na Escola. Acesso em: maio 2026. 

  • “A teoria da percepção e o princípio do contínuo em Leibniz”. maxwell.vrac.puc-rio.br, 20272_7.PDF. Acesso em: maio 2026. 

  • “Leibniz: introdução e lógica”. editorajc.com.br, 31 dez. 2006. Acesso em: maio 2026. 

  • “Princípio da plenitude”. Wikipédia. Acesso em: maio 2026.

  • “Principle of plenitude”. Wikipedia. Acesso em: maio 2026. 

  • “Princípio da complementaridade”. Wikipédia. Acesso em: maio 2026. 

  • “Dualidade onda-partícula na perspectiva de Niels Bohr”. philpapers.org, 2023. Acesso em: maio 2026. 

  • “As Colunas Jachin e Boaz – Yakin e Boaz: Luzes na Árvore da Vida”. bibliot3ca.com. Acesso em: maio 2026. 

Marcado:

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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