Temperança: Concepções Filosóficas e o Princípio Maçônico
A temperança é uma das virtudes mais antigas, mais fundamentais e mais universais da tradição filosófica, ética e espiritual da humanidade.
Em sua acepção mais geral, a temperança designa a virtude que modera os desejos, que controla as paixões, que equilibra os apetites, que regula os prazeres, que mantém o domínio da razão sobre os impulsos, que assegura a harmonia interior e a serenidade da alma.
A temperança é a capacidade de dizer "não" aos excessos, de viver com moderação, sobriedade, comedimento, equilíbrio, discrição, continência, autodomínio.
Etimologicamente, a palavra "temperança" vem do latim temperantia, derivada do verbo temperare, que significa "moderar", "regular", "misturar", "combinar na justa medida", "dar a temperatura adequada". O temperare é a ação de misturar os elementos na proporção correta, de dar a justa medida, de equilibrar as forças opostas, de criar uma harmonia.
A temperança é, portanto, a arte de misturar — de combinar os desejos e as paixões com a razão, de equilibrar os prazeres e as necessidades, de harmonizar as diferentes dimensões da vida humana, de dar à alma a "temperatura" adequada, que não é nem o excesso de calor (a intemperança) nem o excesso de frio (a insensibilidade), mas o justo equilíbrio.
Ao longo da história da filosofia, a temperança foi objeto das mais profundas reflexões e das mais variadas interpretações.
Ela é uma das quatro virtudes cardeais da tradição clássica, ao lado da prudência, da justiça e da fortaleza, e tem sido compreendida como a moderação dos prazeres, como o autodomínio, como a sobriedade, como a continência, como a disciplina dos apetites, como a harmonia interior, como a saúde da alma.
Na Maçonaria, a temperança ocupa um lugar central, sendo compreendida como uma das virtudes fundamentais que o maçom deve cultivar, como a base do autodomínio, como a condição da liberdade interior, como o equilíbrio que permite ao maçom trabalhar sobre sua pedra bruta com sabedoria e com moderação.
Este artigo propõe uma dupla abordagem: primeiramente, uma incursão pelo conceito filosófico de temperança ao longo da história; em seguida, uma análise de como a Maçonaria — instituição essencialmente filosófica, filantrópica, educativa e progressista — compreende e incorpora este princípio em sua doutrina e prática.

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