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O Domínio: A Arte de Controlar a Si Mesmo e ao Mundo na Maçonaria

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O Domínio: A Arte de Controlar a Si Mesmo e ao Mundo na Maçonaria

Na Maçonaria, o domínio é um dos pilares fundamentais da formação moral e espiritual do obreiro. Como ensina Rizzardo da Camino, “uma das finalidades da Maçonaria é ensinar o maçom a dominar as suas paixões e emoções” (Camino, 2014, p. 128). Esse domínio não se limita ao controle do eu; ele se expande para a gestão das relações sociais, da natureza e do ambiente profano. A prática maçônica vê no autocontrole a base para a harmonia pessoal e coletiva, alinhando-se ao lema “Conhece-te a ti mesmo” inscrito nos templos antigos.


O Domínio como Prática Iniciática

A Maçonaria exige que seus membros aprendam a dominar as “emoções traiçoeiras” que afloram repentinamente, especialmente em momentos de tensão. Camino destaca que “o maçom, antes de tudo, aprende em seus primeiros anos de atividade a dominar a si mesmo, para então habilitar-se a ‘dominar’ todos os aspectos da Natureza e de seu semelhante” (Camino, 2014, p. 128).

O sinal gutural , praticado durante rituais, simboliza esse exercício de autodomínio. Ao emitir sons específicos e manter posturas rituais, o obreiro treina a contenção dos impulsos, preparando-se para enfrentar os desafios do mundo exterior. Albert Pike, em Morals and Dogma , associa esse domínio à “luta interna entre o ego e a razão, onde o verdadeiro maçom vence a si mesmo antes de vencer os outros” (Pike, 1871).


Histórico e Curiosidades nos Ritos Maçônicos: REAA e YORK

Rito Escocês Antigo e Aprovado (REAA)

O REAA, com seus 33 graus simbólicos, estrutura-se como uma jornada de lapidação do caráter. No Grau 3º (Mestre Maçom) , a lenda de Hiram Abif ilustra a luta contra as paixões humanas, onde os três traidores representam a ganância, a vaidade e a inveja. O ritual exige que o candidato mantenha a serenidade mesmo diante de provas dramáticas, simbolizando a superação dos vícios.

Curiosidades:

  • O Grau 30º (Cavaleiro da Aurora) enfatiza a importância de dominar a ira e a impaciência, vinculando o domínio à ressurreição espiritual.
  • Em lojas do REAA, o uso do martelo do Venerável Mestre simboliza a autoridade que nasce do autocontrole, não da força bruta.
  • O Grau 18º (Cavaleiro Rosa-Cruz) explora a alquimia do espírito, transformando emoções em sabedoria.

Rito York

No York, o domínio é associado à disciplina cavaleiresca e à responsabilidade ética. O Capítulo do Arco Real vincula a reconstrução do Templo de Salomão ao equilíbrio entre razão e paixão. O Grau de Cavaleiro Templário enfatiza a necessidade de “manter a serenidade mesmo em batalhas espirituais” (Camino, 2014, p. 128), recordando que a verdadeira força está na moderação.

Curiosidades:

  • O Grau de Companheiro inclui alegorias sobre a pedra bruta e a pedra polida , metáforas para a transformação do caráter.
  • George Washington, maçom do York, instituiu normas de conduta que integravam o domínio emocional à liderança política.
  • Em rituais do Grau de Mestre , o candidato é advertido: “Quem não domina seu coração não pode construir um mundo justo.”

O Domínio na Filosofia e no Pensamento Maçônico

Grandes filósofos e doutrinadores ampliaram o conceito de domínio:

  • Platão , em A República , compara o autocontrole ao “condutor da biga da alma” , onde a razão guia os cavalos da paixão e do desejo.
  • Marcus Aurelius , estoico, defende no livro Meditações que “a virtude reside na aceitação do coletivo e na domínio do ego” (Século II).
  • Manly P. Hall , em A Filosofia Perene , afirma que “o verdadeiro maçom domina seu temperamento, convertendo-o em instrumento de serviço” (Hall, 1928).

Albert Pike, em Morals and Dogma , reforça que “a Maçonaria não ensina o poder sobre os outros, mas o poder sobre si mesmo” (Pike, 1871), alinhando-se ao ideal de que a autoridade nasce da integridade moral.


O Domínio e a Transformação Interior

A Maçonaria não vê o domínio como sufocamento de emoções, mas como disciplina consciente . Camino alerta que “as paixões residuais ainda presentes no maçom ao adentrar o templo devem ser dissolvidas através da meditação e da vivência ritualística” (Camino, 2014, p. 128). A postura física durante os rituais — como o sinal gutural — serve de lembrete constante: a serenidade é uma escolha, não um estado passivo.

Filósofos como Epicteto e Sêneca influenciaram essa visão, defendendo que “a liberdade verdadeira só existe quando dominamos nossos impulsos” (Stoicismo). Na Maçonaria, isso se traduz na capacidade de o obreiro agir com calma em qualquer circunstância, seja no templo ou no mundo profano.


O Domínio no Cotidiano: Família, Profissão e Sociedade

O domínio aprendido na Loja reflete-se na vida cotidiana. Camino destaca que “o controle em Loja refletirá no controle no seio de sua família e de sua profissão, e, assim, a felicidade estará próxima” (Camino, 2014, p. 128). A capacidade de acalmar a ira, mediar conflitos e agir com prudência torna o maçom um agente de paz e progresso.

Nos rituais, símbolos como a Cadeia de União e o Olho que Tudo Vê reforçam a interdependência entre o autocontrole e a harmonia coletiva. O Grau 14º (Grande Eleito dos Reais Mistérios) do REAA inclui juramentos de “nunca permitir que a emoção efêmera governe as ações permanentes” , enquanto o York associa o domínio à parábola bíblica do sábio que constrói sua casa sobre a rocha (Mateus 7:24-25).


O Domínio como Caminho para a Iluminação

Na tradição maçônica, o domínio é mais do que uma virtude — é um processo de iluminação . Camino afirma que “quem possui um gênio vulgarmente denominado de ‘pavio curto’ deverá esforçar-se para o domínio(Camino, 2014, p. 128). Essa transformação não é individualista, mas coletiva: ao dominar-se, o maçom inspira outros a seguirem o mesmo caminho.

Carl Jung, em O Homem e seus Símbolos , vê no domínio uma manifestação do processo de individuação , onde o indivíduo integra a sombra (instintos reprimidos) para alcançar a totalidade psicológica. A Maçonaria, com seus rituais de confrontação simbólica com os vícios, oferece uma estrutura para esse amadurecimento.


Conclusão: O Domínio como Fundamento da Fraternidade

O domínio, na tradição maçônica, não é um fim, mas um meio para a edificação de uma sociedade justa . Seja no REAA ou no York, a Ordem ensina que a verdadeira autoridade nasce da virtude, não do poder. Como diz o provérbio maçônico: “A força do leão está em sua paciência, não em sua fúria.”


Fontes:

  1. CAMINO, Rizzardo da. Breviário Maçônico . 6ª ed. São Paulo: Madras, 2014.
  2. PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry . Charleston, 1871.
  3. HALL, Manly P. A Filosofia Perene . São Paulo: Pensamento, 1928.
  4. PLATÃO. A República . Século IV a.C.
  5. MARCUS AURELIUS. Meditações . Século II.
  6. DUBOIS, Pierre. História da Maçonaria . São Paulo: Pensamento, 2009.
  7. BÍBLIA SAGRADA. Mateus 7:24-25 (“A parábola da casa sobre a rocha” ).

“Que o domínio seja o farol que guia os passos do maçom, lembrando que a verdadeira vitória não está no mundo exterior, mas na conquista de si mesmo.”

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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