Há uma pergunta que atravessa silenciosamente os rituaismaçônicos, ecoando entre colunas e mosaicos, gravada nos altares e nos passos do obreiro: por que a beleza ocupa um lugar tão central na Arte Real?
A resposta não está na ornamentação vazia, nem no deleite estéril dos sentidos.
Ela não adorna o Templo; ela constrói o Templo Interior.
A abordagem maçônica dos princípios do gosto universal e da beleza revela uma profunda convergência entre a reflexão filosófica e a prática iniciática.
Quandoum obreiro contempla as ColunasJ e B, o Delta Luminoso ou o Pavimento Mosaico, ele não está apenas diante de objetos decorativos. Ele experimenta uma satisfação desinteressada — aquilo que Kant, na Crítica da Faculdade do Juízo, define como um prazer sem conceito, isento de qualquer interesse prático ou utilitário.
“O belo é aquilo que, sem conceito, é representado como objeto de um prazer universal.” — Immanuel Kant, Crítica da Faculdade do Juízo, § 9.
A beleza da palavra proferida, da música executada, da cerimônia realizada — todas estas manifestações estéticas são objeto de um consenso tácito que se funda na educação comum do gosto iniciático, e não em uma imposição externa ou dogmática.
Ao contrário, ele representa o chão da vida, o campo de ação onde o maçom exerce sua arte de lapidar a pedra bruta.
Os contrastes — branco e preto, claro e escuro, virtude e vício, prazer e dor, verdade e mentira — são inerentes à existência humana.
Contudo, a beleza do conjunto não está numa das cores isoladamente, nem na supressão de um dos termos do contraste, mas na harmonia dos opostos: os quadrados formam um todo contínuo e ordenado, onde cada elemento, por mais diferente que seja de seu vizinho, contribui para a unidade do desenho.
Simbolicamente, o Pavimento Mosaico ensina que a Maçonaria reúne homens das mais variadas nacionalidades, raças, credos e opiniões — diversidade que poderia ser fonte de conflito — e os une em uma fraternidade harmoniosa.
A beleza arquitetônica e alegórica das colunas reside precisamente no fato de que nenhuma delas é bela sozinha. O par, na sua confrontação harmoniosa, produz uma impressão estética que ultrapassa a soma de suas partes.
Esta dualidade complementar é uma manifestação concreta da “unidade na diversidade”: a diversidade dos princípios não é caótica, nem excludente; ela é organizada, relacional, dialógica — e por isso mesmo, bela.
“A verdadeirabeleza reside na relação justa entre as partes, que juntas formam um todo superior, onde a força de uma é equilibrada pela estabilidade da outra.”
A Beleza, neste contexto, é entendida como uma qualidade relacional, uma propriedade emergente da interação coordenada dos elementos. O Templo, enquanto espaço sagrado e obra de artesimbólica, convida o maçom a contemplar a unidade que subjaz à multiplicidade aparente.
Esta lição ecoa a máxima do referido autor, que nos ensina a transcender as aparências contraditórias do mundo fenomênico para alcançar a síntese superior que caracteriza a verdadeirainiciação. Na tríade, a Sabedoria planeja, a Força executa, e a Beleza harmoniza e finaliza a obra — um processo que espelha a própria criação divina e a arte do construtor.
Todo o acervo que levantei, no que diz respeito aos eixos discutidos e privilegiando uma abordagem deliberadamente trivial, ausente de soluções antecipadas ou exóticas, alicerçado em documentação idônea e em escritos de linha coesa, suponho haver abordado o tema com a simplicidade e a reverência que ele exige.
Não almejei sufocar as indagações, nem oferecer capítulos derradeiros. Coloco em cena umcaminho justificado — nos prismas filosófico, teológico, humanístico e maçônico — que venera as origens consultadas e evita esforços retóricos excessivos. Cada leitor, com sua própria lente, pode ampliar ou vetar as ideias.
Atribuiu-se a mim a tarefa de meramente dispor o que entendimentos mais autorizados já refletiram e gravaram, incorporando o testemunho franco de alguém que, na sucessão dos anos, captou que respirar, fenecer e aguardar a outra margem são charadas que se revelam mais na rotina concreta do que nas abstrações sem carne.
Que este escrito funcione não como marco de encerramento, mas como empurrão ao exame individual.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).