Simbolismo das Provas
Desde as suas origens, a Maçonaria tem utilizado uma vasta gama de símbolos para representar ideias e princípios que estão no cerne da sua filosofia. O uso de símbolos é uma prática comum em muitas culturas e religiões, mas na Maçonaria, esse uso é especialmente proeminente.
Cada símbolo carrega significados que vão além da sua aparência e é essencial para a educação moral e espiritual dos seus membros. Através de rituais e cerimônias, os maçons são guiados por esses símbolos, que desempenham um papel crucial em sua jornada de autoconhecimento e crescimento pessoal.
O Neófito, na cerimônia de iniciação, é submetido a diversas provas cujo significado tentaremos desvendar:
01 – DA TERRA – que significa a caverna em que eram recolhidos os candidatos nas antigas iniciações. Ficavam ai recolhidos pôr largo período de tempo, deviam rastejar nos corredores e nos subterrâneos sufocantes.
Como vedes esta prova, hoje em dia, ficou bastante reduzida e se restringe a uma pequena permanência na “Sala de Reflexões”.
02 – DA VERDADE – A ponto de uma espada sobre o coração é o símbolo da Verdade, a qual, pôr intermédio da intuição se manifesta diretamente no íntimo de nosso ser, ao ingressarmos no Templo, em um particular estado de devoção receptiva, havendo-nos afastado das influências exteriores e fechado os nossos olhos ao mundo profano.
Embora não vejamos, sentimos; se bem que não saibamos explicarmos o porquê e a razão dos feitos, percebemos intuitivamente algo que reconhecemos com Verdade, que se manifesta em nossa consciência nessa forma repentina e violenta, da qual a ponta da espada sobre nosso peito constitui um símbolo muito expressivo.
03 – DE CORAGEM – O Neófito é conduzido pelo braço e depois de dar algumas voltas é conduzido à porta do Templo onde deve dar um salto.
O simbolismo dessas passagens é muito sugestivo. O Profano ou o Neófito, de olhos vendados, arroja-se para frente, para o desconhecido, ansioso de melhorar sua situação e ampliar seus conhecimentos, seguro de que não estará abandonado na trilha encetada pois sente junto de si o Irmão Guia, desconhecido, mas que nele confia plena e totalmente; confia-lhe mesmo a própria vida.
E é assim que agem os Maçons, embora não conheçam um Irmão, mas, tão logo identificado, prestam-lhe o mais decidido apoio e o conduzem a porta seguro, sem grandes alaridos, discretamente.
04 – A TAÇA SAGRADA – Esta Taça nos descreve muito eficazmente as desilusões que encontra quem procede das regiões puramente ideais, do Oriente simbólico, para enfrentar as realidades materiais.
A doçura inefável dos sublimes conhecimentos adquiridos, os planos ou programas de atividades formuladas pela mente, parece transformar-se na amargura que nasce quanto tudo parece estar sendo contrariado; nossos anseios, projetos e as mais puras aspirações no âmbito da família, da Ordem e da Sociedade, ou onde quer que seja.
Não nos devemos admirar se, em um momento de debilidade ou aflições, a alma cede momentaneamente ao peso opressor dessa aflição e fazemos brotar do fundo do coração, o grito de angústia: “Se possível. Pai afasta de mim esta Taça” ! (Lucas, Capítulo 23 Versículo 46).
O iniciado que foi purificado pêlos três elementos deve estar convertido e agir como um verdadeiro filósofo, e portanto “ser” a pedra filosofal que tudo transmita pela simples influência de sua presença, com sua atitude interior. Assim pois, longe de evitar e afastar de si a amarga porção que lhe é oferecida pela ignorância dos homens (lembremos Sócrates), deve levá-la serenamente aos lábios, como se fosse a mais doce das bebidas. É então que se efetua o milagre: a amargura se converte em doçura e a visão espiritual triunfa sobre as sombras da ilusão.
05 – DO SANGUE – Esta prova faz recordar muitas tradicionais e antigas provas, entre elas, citaremos “Fausto “de Goethe, quando Mefistófeles pede a Fausto sacramentar com sua sangue o trágico pacto pelo qual se obriga a servi-lo em troca de sua alma. Pergunta-lhe Fausto qual razão do tratado ter de ser firmado com sangue, Mefistófeles respondeu misteriosamente: O Sangue é uma substância de singular virtude”.
Efetivamente o sangue é a expressão mais importante da vida individual, e “EGO” da pessoa e portanto o que há de mais genuíno em nosso organismo. A permanência da vida no corpo está intimamente ligada à fluidez do sangue, que circula e anima, cessando a vida quando deixa de circular.
A afirmação do Neófito “estar disposto a firmar com o seu próprio sangue o juramento”, significa que se dispões a aderir com corpo e alma e de maneira permanente aos Princípios e idéias da Ordem , fazendo os mesmos “Carne de sua carne, sangue de seu sangue e vida de sua vida”( Gênesis, Capítulo 2, Versículo 23).
06 – DA SOLIDARIEDADE – Para dar uma prova tangível de suas boas intenções o Neófito é convido a ofertar, voluntariamente algo em socorro das infelizes e necessitados, com o qual manifesta e reconhece sue dever de solidariedade para um aqueles sem recursos e de meios suficientes para viver.
Todos nós devemos e podemos ser nos úteis reciprocamente: o egoísta é um ser inconsciente que desconhece os laços que nos unem e o dever que temos de cooperar com todas as nossas forças para alcançar o Bem Comum. O Maçom jamais pode ser egoísta ignorante de suas relações e deveres para com o próximo.

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











