Volveremos nossa atenção para a data de 12 de outubro de 1804, quando da fundação do segundo Supremo Conselho do Mundo, o da França, oriundo dos EUA, com a finalidade de difundir o R∴E∴A∴A∴ na Europa. Denominado, inicialmente, como Rito para os Altos Graus, chegou sem ritual próprio para os trêsprimeiros Graus. O conjunto desses Graus, ainda, não era denominado de Simbolismo, sendo, conhecido, na época, por Lojas Azuis ou Blue Lodges.
O G∴O∴F∴, que tinha a decoração de seus Templos baseada no Rito Francês, começou a praticar o R∴E∴A∴A∴ sem fazer as devidas alterações, misturando aspectos desses Ritos, fruto disso, hoje, o R∴E∴A∴A∴ é o mais enxertado do mundo, principalmente, aqui no Brasil, com a ajuda do criador das Grandes Lojas, o Irmão Mário Bhering, que buscou agradar a G∴L∴U∴I∴, a fim de conquistar sua simpatia e reconhecimento.
Em 1816, após momentos conturbados com o Supremo Conselho, o G∴O∴F∴ assumiu a jurisdição de parte do Rito Escocês Antigo e Aceito, decidindo que ficaria com o poder sobre o conjunto dos Graus 1º ao 18º. Essa escolha baseou-se na intenção de dirigir o Rito Escocês Antigo e Aceito com a mesma abrangência simbólica, como já fazia com o Rito Moderno, ou seja, do Grau de Aprendiz ao de Rosa-Cruz. No Rito Moderno, o de Rosa-Cruz é o 7º, e no Escocês Antigo, o 18º. Em 1820, o Grande Oriente reorganizou o R∴E∴A∴A∴, voltando-o para o funcionamento sequencial do Grau de Aprendiz ao de Rosa-Cruz. A esse conjunto de Graus, sob a mesma direção, foi atribuída a denominação de Loja Capitular, presidida, preferencialmente, por um Cavaleiro Rosa-Cruz.
Surge uma nova concepção obediencial no Rito Escocês Antigo e Aceito na França: Lojas Simbólicas, Lojas de Perfeição, Capítulos, obedientes ao G∴O∴F∴; Conselhos Kadosh, Consistórios, Supremo Conselho, obedientes ao Supremo Conselho do Grau 33º. Posteriormente, a Maçonaria Brasileira seguiria esse formato francês, permanecendo assim até o ano da criação das Grandes Lojas, por Bhering, em 1927, quando o Supremo Conselho conseguiu recuperar seu poder nos Graus 4º ao 33º.
Com o surgimento das Grandes Lojas no Brasil, essas tiveram a missão de organizar e coordenar a prática dos trêsprimeiros Graus, então, já chamados de Simbólicos. As modificações produzidas pelo G∴O∴F∴, em 1820, com o Ritual que criou as Lojas Capitulares, não foram desfeitas, sendo incorporadas aos Graus Simbólicos do Rito definitivamente.
Surge, com isso, uma modificação que perdura até os dias de hoje, e muitos não têm conhecimento: o piso do Oriente em desnível com o do Ocidente, próprio das Lojas Capitulares, conforme o Ritual de 1820. Pode-se observar que, no Ritual de 1804, o piso do Templo é todo plano, apenas o Trono do Venerável Mestre era mais elevado e não havia separação com balaustrada.
O Oriente elevado foi criado para simbolizar o Santuário do Grau Rosa-Cruz. O Venerável Mestre, preferencialmente, deveria ter, no mínimo, o Grau 18º, assim como os que tinham assento no Oriente.
O Oriente elevado, jamais fez parte da ritualística dos Graus Simbólicos e, portanto, não deveria ter permanecido na descrição do Templo após o desaparecimento das Lojas Capitulares, pois isso contribuiu para desinformar a respeito do Templo adequado para as Lojas Simbólicas.
Após esse introito, passaremos a falar de mais um enxerto no R∴E∴A∴A∴, tema principal desta matéria: a figura do Mestre Instalado. A cerimônia de Instalação do Mestre da Loja é, até, mais antiga do que o próprio Grau de Mestre Maçom, já que, antigamente, quem dirigia a Loja era um eleito entre os Companheiros; não existia o Grau de Mestre Maçom. Posteriormente, surgiria tal Grau. E, com a figura do Past Master (Mestre Instalado) pairava uma dúvida, pois o Grau maior do Simbolismo, sendo o de Mestre Maçom, não poderia aceitar a participação de aludida figura na Cerimônia de Instalação do Mestre da Loja, nem mesmo os que já tivessem ingressado no estudo dos Graus Superiores.
A cerimônia de Instalação do Mestre da Loja remonta ao início do século XVIII, sendo introduzida em toda a Maçonaria, somente, a partir de 1810. Tal cerimônia é anterior à criação do Grau de Mestre Maçom, em 1724, e, somente, efetivado em 1738. O título de Venerável Mestre teve origem nos meados do século XVII, com a transição da Maçonaria Operativa para Especulativa. Deriva da palavra inglesa “Worship”, significando “culto”, “adoração”, “reverência”. Como forma de tratamento, a palavra inglesa “Worshipful”, significa “adorado”, “reverente”, “venerável”. Portanto, “Worshipful Master” significa Venerável Mestre.
Na Alemanha, o Venerável Mestre recebe o nome de “Meister vom Stuhl”, ou seja, Mestre de Cátedra. A Cátedra é o significado mais importante do Veneralato. O Catedrático é mais um doutrinador, um ensinador, um sábio, que inaugura uma nova era de conhecimento, que dá nova visão do mundo e que a ninguém presta obediência doutrinária. Portanto, umVenerável Mestre não pode ser sagrado, e sim, consagrado por uma Comissão de Três Mestres Instaladores, devidamente, nomeada pelo Grão-Mestre.
A palavra instalação é oriunda do latim medieval, “in” e “stallum”, cadeira. Chamamos de Instalação o ato que concede o direito de exercer privilégios de um ofício. Um aspecto importante e específico da Instalação Maçônica é o que dá direito de sagrar homens e objetos. A Instalação do Venerável se dá no Trono de Salomão, na Cadeira do mais Sábio dos Reis, conquistando o mesmo o poder de ungir Maçom, de fazer Maçom.
No RitualEmulation, existe o chamado Santo Real Arco, criado por volta de 1751, baseado no retorno do povo judeu da Babilônia e em uma antiga lenda sobre a descoberta de umaltar, de uma cripta e da Palavra Sagrada. Não chega a ser um Grau em si, embora essa não seja a interpretação de boa parte dos maçons ingleses, mas, sim, uma extensão do Grau de Mestre, tendo ritualística própria, e parte do ritual reservada, apenas, aos “Past Masters”.
Em meio à tentativa de união das Grandes Lojas Inglesas (Modernos e Antigos), isso chegou a ser um impasse. Em 1813, concretizou-se a união dessas Potências, sendo que a Maçonaria Inglesa considerou que, no Simbolismo, existem, apenas, os três Graus conhecidos, porém o Santo Arco Real, nesses, está inserido (vai entender!), embora exista um Supremo Grande Capítulo que o administra separadamente.
No Brasil, até 1928, nem no Rito Moderno nem no R∴E∴A∴A∴, foi realizada qualquer Cerimônia de Instalação. Com o surgimento das Grandes Lojas, o R∴E∴A∴A∴ adotou essa prática, que, anos mais tarde, também, foi imitada pelo G∴O∴B∴. A pedido do Grão-MestreÁlvaro Palmeira, o insigne escritor Nicola Aslan, que, em 1966, havia se desligado das Grandes Lojas e se filiado ao G∴O∴B∴, foi incumbido de escrever umRitual de Instalação, adotado no ano seguinte.
O Templo com o piso do Oriente elevado, oriundo das Lojas Capitulares, passou a ser reservado aos Mestres Instalados, o que veio a fortalecer essa nova categoria, que possui segredos próprios e exclusivos.
Voltamos a perguntar: Mestre Instalado é um Grau? A resposta é não. Porém, sua superioridade hierárquica sobre o Mestre Maçom se caracteriza na Cerimônia de Instalação, no momento em que todos os Mestres Maçons Não-Instalados, mesmo os portadores dos Altos Graus, são obrigados a cobrirem o Templo.
Dada a sua experiência, adquirida por haver presidido uma Loja, compõe o Colégio de Mestres Instalados de sua Oficina, e aí, até, justificando sua presença no Oriente, servindo como consultores, em auxílio ao Venerável Mestre.
O termo Past Master tem sua origem na Maçonaria Inglesa e é próprio do Rito Emulation, servindo para designar o Ex-Venerável Mestre. De forma errônea, algumas Grandes Lojas, como a Americana e a Brasileira o adotaram. Para os americanos, é válido pelo idioma inglês adotado e por praticarem o Craft no Simbolismo, mas, para nós brasileiros, usuários da língua portuguesa, esse termo nada tem a ver, principalmente, por não existir no R∴E∴A∴A∴.
Temos visto muitos Irmãos pronunciarem o termo “PastVenerável”, o que vem a ser pior ainda, já que não define qual idioma se pretende usar. O certo é tratar o MestreInstalado, que recém encerrou seu Veneralato, de Ex-Venerável.
Há cerca de 10 anos, quando proferimos uma palestra no Rio de Janeiro sobre “Cabala e Maçonaria”, relacionamos a Árvore da Vida com os cargosem Loja e tivemos a oportunidade de fazer uma analogia da invisível e misteriosa Sephira Daat, cujo significado é “Conhecimento”, posicionada, ocultamente, na coluna central da Árvore da Vida, entre Kether (Coroa – a origem de Tudo) e Tiphereth (local do Eu Superior), com a figura do Mestre Instalado. Tal Sephira, somente, surge após a realização das 10 Sephiroth, interligadas através dos 22 caminhos da Sabedoria, relacionados aos 22 Arcanos Maiores do Tarô, que, somando-se às 10 Sephiroth, aludem ao número 32, os 32 Portais da Sabedoria.
Em relação ao corpo humano, são os nossos 32 dentes, localizados na boca, de onde vem a força do Verbo, da Vibração, o Poder da Criação Espiritual. O surgimento da Sephira Daat soma o cabalístico número Mestre, o 33, tão nosso, porém oriundo de Antigas e Ocultas Tradições, do qual pouquíssimos Iniciados nos Verdadeiros Mistérios têm conhecimento, como a Ordem dos Traichu-Marutas. Mas esse já é outro assunto, que poderemos, até, tratar em outra oportunidade.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).