Sentidos: O Gosto – A Arte de Nutrir o Templo Interior e Exterior
Confesso que, quando comecei a refletir sobre os sentidos na Maçonaria, o gosto foi o último a despertar minha atenção.
A visão, com sua luz; a audição, com sua palavra; o tato, com seu contato – todos me pareciam dotados de uma profundidade simbólica imediata, enquanto o gosto parecia relegado a uma função meramente biológica, quase animal, desprovida de significado iniciático.
Foi essa percepção limitada, reconheço agora, que me impedia de compreender que o gosto não é apenas o sentido que nos permite distinguir o doce do amargo, mas uma das mais sutis metáforas para a arte do discernimento – a capacidade de escolher o que nos nutre e o que nos corrompe, tanto no plano físico quanto no espiritual.
Ao mergulhar na investigação deste sentido, fui gradualmente compreendendo que o gosto, na perspectiva maçônica, é o guardião da pureza do nosso templo orgânico: ele nos alerta sobre o que é saudável ou nocivo, sobre o que nos fortalece ou nos enfraquece, sobre o que nos aproxima da saúde ou nos conduz à doença.
Mas foi ao transpor essa percepção para o plano simbólico que a verdadeira revelação ocorreu – pois compreendi que o gosto também se aplica ao que consumimos mental e espiritualmente, às ideias que acolhemos, às influências que absorvemos, aos hábitos que cultivamos, e que, assim como o corpo rejeita um alimento estragado, a alma deve aprender a rejeitar o que a contamina e a escolher, com discernimento, o que a edifica.
Neste artigo, compartilho as reflexões que esta pesquisa despertou em mim acerca do gosto como arte de nutrir o templo interior e exterior – uma jornada que me levou a revisitar a sabedoria antiga sobre a alimentação, a compreender a importância da moderação e do autocontrole, e a reconhecer que cada escolha, por menor que pareça, é um tijolo na construção da vida que desejamos edificar.
Convido o leitor a acompanhar-me nessa redescoberta, pois o gosto, uma vez compreendido em sua plenitude, revela-se não apenas um sentido físico, mas um verdadeiro guia para a purificação da alma – lembrando-nos que, assim como o corpo se constrói com o que ingere, a alma se constrói com o que escolhe abraçar.

Usuário não autorizado! O acesso integral à esta página e aos demais artigos do MS MAÇOM é reservado a membros devidamente identificados. Solicitamos que realize o login para proceder. Privacidade e discrição são pilares de nossa comunidade, e seu cumprimento é essencial!

Nos siga nas redes sociais:












