Este artigo explora a vida intrigante deste príncipe que recusou a carreira militar, desafiou a lei real do casamento e deixou sua marca duradoura em uma das mais antigas instituições do mundo: a Maçonaria Inglesa.
AugustoFrederico nasceu em 27 de janeiro de 1773 no Palácio de Buckingham, em Londres. Era o nono filho e sexto menino do rei George III e da rainhaCarlota de Mecklenburg‑Strelitz. Foi batizado em 25 de fevereiro de 1773 na Câmara do Grande Conselho do Palácio de St. James pelo arcebispo de Canterbury.
Desde pequeno, sofria de asma e por isso não pôde acompanhar os irmãos no treino militar em Hanover. Essa limitação o afastou da tradicional carreira de oficial que os outros príncipes de sua geração abraçavam. Na verdade, ele chegou a considerar seguir a vida de clérigo na Igreja da Inglaterra.
Em 1786, foi enviado com os irmãos para a Universidade de Göttingen, na Alemanha. Esse período no continente fomentou seus interesses intelectuais e o expôs a ideias liberais que o acompanhariam por toda a vida.
Enquanto se recuperava do clima romano em busca de alívio para sua asma, conheceu Lady Augusta Murray, segunda filha do 4° conde de Dunmore. Em abril de 1793, os dois se casaram secretamente numa cerimônia da Igreja da Inglaterra em Roma, repetindo o ato em dezembro do mesmo ano na famosa igreja de St. George, Hanover Square, em Londres – sem jamais revelar suas verdadeiras identidades.
A união, no entanto, infringia a Royal Marriages Act de 1772, que exigia o consentimento do soberano. O rei George III anulou o casamento em agosto de 1794. O príncipe também teve um romance extraconjugal com uma certaMrs. Bugge e foi apontado como amante da famosa Emma Hamilton, a cortesã associada a Lord Nelson.
Augusta Emma d’Este (1801‑1866) – casou-se com Sir Thomas Wilde, primeiro Barão Truro e lorde‑chanceler da Inglaterra.
Como o casamento foi declarado nulo, os doisfilhos foram considerados ilegítimos e nunca puderam herdar os títulos do pai. Em 1806, Lady Augusta recebeu permissão real para usar o sobrenome D’Ameland em vez de Murray, e as crianças adotaram o nome de famíliad’Este.
1.3. Ducado e atividades públicas
Em 27 de novembro de 1801, AugustoFrederico foi formalmente criado Barão de Arklow, Conde de Inverness e Duque de Sussex. Contudo, suas opiniões políticas progressistas – defesa da emancipação católica, abolição da escravatura, reforma parlamentar e fim das restrições civis a judeus e dissidentes – o afastaram cada vez mais do pai e da corte.
Foi eleito presidente da Society of Arts em 1816 e ocupou a presidência da Royal Society entre 1830 e 1838. Construiu uma impressionante biblioteca pessoal de mais de 50.000 volumes, incluindo cerca de 1.000 edições da Bíblia e inúmeros manuscritosantigos – em hebraico e outras línguas.
Apesar de casado com Lady Augusta Murray, o duque tornou‑se amante de Lady Cecília Letícia Buggin, filha do 2° conde de Arran. Em 1831, um ano após a morte de Lady Augusta, casou‑se novamente, novamente sem a autorização real. Lady Cecília nunca pôde usar o título de Duquesa de Sussex, mas a rainha Vitória a criou Duquesa de Inverness em 1840.
Após uma vida plena de contrastes, AugustoFrederico faleceu em 21 de abril de 1843 no Palácio de Kensington, vítima de erisipela (uma infecção bacteriana da pele). Tinha 70 anos.
No seu testamento, expressou o desejo de não ser enterrado junto aos demais membros da família real. Em consequência, foi sepultado no Cemitério de Kensal Green, em Londres, num jazigo em frente à capela principal. The Times, em seu obituário, registrou que “nenhuma morte na família real, a não ser o falecimento de um soberano, poderia ter provocado um sentimento mais forte de perda”.
Como o duque não deixou herdeiros legítimos, o ducado de Sussex ficou vago até ser reativado pela rainha Elizabeth II em 2018 para o príncipe Harry.
AugustoFrederico foi o único filho sobrevivente de George III que não seguiu carreira militar nem naval. Sua asma o tornava inadequado para as duras campanhas de Hanover, e sua personalidade independente o transformou num Whig convicto, defendendo reformas que a corte absolutista abominava.
Além de sermuito alto – mais de 1,90m –, o duque possuía uma voz extremamente extensa. Certa vez gabou‑se: “Tenho a voz mais maravilhosa que já se ouviu – três oitavas – e eu entendo de música”. Colecionava pássaros cantores, relógios e era apaixonado por ópera.
2.3. A biblioteca “Monstra” e as Bíblias
Sua coleção particular era tão notável que mereceu um catálogo próprio, o Bibliotheca Sussexiana. Entre os tesouros estavam umPentateuco manuscrito de 1272, uma cópia da Bíblia de Gutenberg em papel e a Bíblia de 1462 em vitela. Muitos desses volumes foram doados ou vendidos após sua morte, mas a coleção permanece ummarco bibliográfico.
Ainda jovem, enquanto vivia na Holanda austríaca, AugustoFrederico foi iniciado na maçonaria no final do século XVIII, num rito escocês próximo à Estrita Observância Templária. Mais tarde, ele declararia que essa iniciação foi um dos momentos mais importantes de sua vida.
O duque trabalhou incansavelmente para conciliar as práticas rivais. Criou a Loja de Reconciliação, que funcionou de 1813 a 1816 e produziu rituais unificados. A principal controvérsia foi o status do Real Arco de Jerusalém – no final, ficou definido como parte integrante da “Maçonaria Pura e Antiga” de trêsgraus.
Quanto aos chamados “Altos Graus” (como CavaleirosTemplários e Rito Antigo e Aceito), o duque, sem proibi‑los formalmente, desencorajou suas atividades, considerando‑os incompatíveis com a maçonaria unificada.
Uma das marcas mais originais de seu magistério foi o processo de “descristianização” dos rituais. Educado no cristianismo, o duque aprendeu hebraico, frequentou a Grande Sinagoga de Londres e quis que a maçonaria acolhesse judeus, cristãos (de qualquer denominação) e muçulmanos, todos unidos pela referência ao Antigo Testamento. Ele trabalhou para eliminar referências explicitamente cristãs que pudessem excluir os não‑cristãos, sem, contudo, promover um secularismo antirreligioso.
Em 1842, fundou a Royal Masonic Benevolent Institution, destinada a amparar maçons idosos e suas viúvas – instituição que ainda hoje cuida de mais de mil pessoas na Inglaterra e no País de Gales.
No Museu da Maçonaria, em Londres, encontra‑se um busto de mármore do duque, esculpido por Francis Chantrey, com a inscrição: *“HRH THE DUKE OF SUSSEX / ELECTED GRAND MASTER OF FREE MASONS 1813”*.
O maçom e historiador George Oliver dedicou ao duque sua obra“Signs and Symbols Illustrated and Explained in a Course of Twelve Lectures on Freemasonry” (1837).
Wikipedia – Prince Augustus Frederick, Duke of Sussex
History Hit – Rebel Royal: Who Was Prince Augustus Frederick, Duke of Sussex?
Victorian Web – Prince Augustus Frederick, Duke of Sussex (1773–1843)
Wikisource – Dictionary of National Biography, 1885‑1900 (Augustus Frederick)
Wikipedia – AugustoFrederico, Duque de Sussex (em português)
Museum of Freemasonry – The Sceptre and the Trowel
BBC News – First Duke of Sussex unlucky in love after marriage rows O Prumo de Hirão – O Grão‑Mestre Duque de Sussex (1813‑1843) e a descristianização dos rituais ingleses
Art UK – Augustus Frederick (1773–1843), Duke of Sussex (pintura e informaçõesmaçônicas)
Wikipedia – Augustus d’Este (filho do duque)
Royal Masonic Benevolent Institution (fundada pelo duque)
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).