A Galinha dos Ovos de Ouro: A ganância e a destruição da fonte do Bem
setembro 14, 2026
A Galinha dos Ovos de Ouro: A ganância e a destruição da fonte do Bem
Nas pesquisas sobre as fábulas que moldaram a sabedoriaocidental, poucas me provocaram uma reflexão tão profunda quanto a da galinha dos ovos de ouro.
Atribuída a Esopo e imortalizada por La Fontaine, esta narrativa simples condensa uma das mais agudas críticas à cobiça humana: o camponês que, desejando tudo de uma só vez, mata a ave que lhe garantia a prosperidade diária e descobre, no ventre vazio, apenas vísceras comuns. A sua importância reside na forma como revela que a ganância, ao destruir a fonte do bem, condena o próprio ganancioso à ruína.
Ao mergulhar nas fontes filosóficas, encontrei em Sêneca, na sua obraSobrea Brevidade da Vida, a advertência de que “não é que tenhamos pouco tempo, mas que perdemos muito”, ecoando a lição de que a impaciência destrói o que a paciência constrói.
Um camponês e sua esposa tinham a sorte de possuir uma galinha muito especial: todos os dias, sem falta, ela punha um ovo de ouro puro.
O casal ficou rico rapidamente, vendendo os ovos e acumulando riquezas. Mas o camponês, tomado pela cobiça e pela impaciência, começou a refletir: “Se a galinha põe um ovo de ouro por dia, dentro dela deve haver uma mina de ouro!
Por que esperar um ovo por dia se posso matá-la e pegar tudo de uma só vez?” Convencido por essa lógica perversa, pegou uma faca, abriu o ventre da galinha e nada encontrou além das vísceras de uma ave comum.
A galinha estava morta e, com ela, a fonte de sua prosperidade.
O camponês perdeu tudo por sua cupidez e falta de senso.
A moral da história é: “A ganância é uma armadilha: quem quer tudo de uma vez acaba perdendo até o pouco que tinha.”
Santo Agostinho, nas Confissões, descreve a cobiça como um amor desordenado que escraviza a alma ao transitório. Os estoicos, por sua vez, ensinavam que a verdadeira riqueza está na autossuficiência e na serenidade. Doutrinadores como Montaigne, nos Ensaios, viram nesta fábula uma metáfora daqueles que, por quererem mais, perdem o essencial.
Novas interpretações sugerem que a galinha representa não apenas a riqueza material, mas qualquer fonte de bem — a saúde, o amor, a amizade — que a impaciência pode destruir. No contexto maçónico, a fábula adverte contra a tentação de saltar etapas na jornada iniciática, esquecendo que o aperfeiçoamento é um processo diário. Este artigo convida o autor e o leitor a refletirem sobre a sabedoria da paciência e o perigo da cobiça desmedida. Que a leitura ilumine essa lição intemporal.
Esta fábula, embora aparentemente simples, é um dos mais severos alertas simbólicos contra o vício que a Maçonaria coloca entre os maiores inimigos do aperfeiçoamento moral: a Avareza e a Impaciência. A galinha dos ovos de ouro não é apenas uma históriasobre riqueza material; ela é, sobretudo, uma parábola sobre o trabalho iniciático, a paciência do aprendiz e o perigo de se confundir o processo com o produto.
A galinha representa a própria OficinaMaçônica ou, mais intimamente, o trabalho diário do obreiro. Ela produz, todos os dias, um ovo de ouro — ou seja, pequenas conquistas, pequenas virtudes, pequenos avanços na compreensão dos símbolos.
O camponês, porém, personifica o maçom que perde a paciência. Ele não quer esperar o amadurecimento gradual; ele quer a iluminação instantânea, o domínio pleno dos mistérios, a perfeiçãomoral — e quer isso agora, de uma só vez.
Essa ânsia de “matar a galinha” aparece na vida maçônica sob várias formas: o Aprendiz que, mal iniciado, já quer pular graus sem ter assimilado os fundamentos; o obreiro que buscacargos e honrarias antes de ter construído caráter; o irmão que quer resolver todos os seus conflitos interiores com um único gesto simbólico, sem o devido trabalho de desbaste.
A sabedoria, a virtude e a Luz não vêm em pacotes fechados; elas são fruto de um processo diário, quase monótono, mas que, ao final, gera um tesouro inestimável — o ouro do espírito.
A faca do camponês é a ferramenta da precipitação, da violência contra o sagrado.
Ela simboliza o julgamento equivocado de que o valor está no interior oculto e não na produção continuada. Na Maçonaria, isso é um erro capital: o valor do trabalho não está em um suposto “segredo” guardado no centro da galinha, mas no ato repetido e paciente de cuidar dela e receber seus frutos.
O camponês, ao matar a galinha, descobre que dentro dela só há vísceras — ou seja, a matéria bruta sem nenhum brilho. Essa é a dura lição do materialista e do imediatista: a riqueza verdadeira não é um tesouro enterrado, mas um fluxo que só se mantém pela continuidade do cuidado.
A galinha pode ser a própria alma do obreiro, que produz “ovos de ouro” quando é nutrida com bons pensamentos, boas ações e estudo sério. O camponês que a mata é o homem que, em sua ansiedade, destrói sua própria paz espiritual em busca de uma felicidade ilusória — a riqueza material, o poder, o reconhecimento externo.
Por fim, o desfecho trágico da história (o camponês perde tudo) ecoa umprincípio iniciático fundamental: a Lei da Colheita. Quem não sabe esperar, quem arranca a planta antes do tempo, quem quebra o vaso para pegar o mel, fica sem a planta, sem o vaso e sem o mel.
Na Oficina, o Mestre ensina que o aprendizado é como o trabalho da pedra: cada golpe de cinzel remove apenas lascas pequenas, e são milhares de golpes que transformam a pedra bruta em pedra polida. Quem tentar darum só golpe que “quebre tudo” só encontrará cacos.
A galinha dos ovos de ouro, portanto, não é umsímbolo da riqueza material, mas da riqueza do trabalho contínuo — e a maior de todas as riquezas, na Maçonaria, é o próprio obreiro em sua jornada, dia após dia, fiel ao seu compromisso com a Verdade e o Bem.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).