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Jean de La Fontaine – Poeta das Fábulas que Retratou a Alma Humana

Jean de La Fontaine – Poeta das Fábulas que Retratou a Alma Humana

pesquisa e redação: Ivair Ximenes Lopes

Ao longo dos meus anos de estudo sobre a literatura que moldou o imaginário ocidental, poucos nomes me provocaram uma admiração tão profunda quanto o de Jean de La Fontaine.

Ele não foi um filósofo de sistemas, nem um teólogo de dogmas; foi, antes de tudo, um observador da alma humana — alguém que, com a simplicidade aparente de histórias de animais, teceu um retrato implacável e ao mesmo tempo terno da sociedade de seu tempo.

Suas fábulas, que atravessaram séculos e fronteiras, continuam a ser lidas, recitadas e adaptadas em todo o mundo, provando que a sabedoria popular, quando vestida de poesia, torna-se eterna.

Neste artigo, convido o leitor a conhecer a vida, as obras e as curiosidades que cercam este que é, sem dúvida, o maior fabulista da era moderna.

Origens e Formação: O Filho do Inspetor de Águas e Florestas

Jean de La Fontaine nasceu em 13 de julho de 1621 na pequena cidade de Château-Thierry, no norte da França. Filho de um inspetor de águas e florestas (um cargo público de administração ambiental), cresceu num ambiente de classe média, mas com acesso à natureza e aos livros.

Estudou teologia e direito em Paris, mas seu coração nunca esteve nas leis ou nos dogmas.

A literatura era sua verdadeira paixão. Em 1647, por desejo do pai, casou-se com Marie Héricart, então com apenas 14 anos. O casamento nunca foi feliz e durou apenas onze anos, mas gerou um filho, Charles, criado praticamente pela mãe.

A Carreira Literária: Do Mecenato à Academia

Em 1652, La Fontaine assumiu temporariamente o cargo do pai, mas logo partiu para Paris, onde se colocou a serviço do ministro das finanças Nicolas Fouquet, um mecenas de artistas.

Foi nesse período que começou a escrever poemas e a frequentar os círculos literários da capital.

Com a queda de Fouquet, La Fontaine tornou-se protegido da Duquesa de Bouillon e da Duquesa de Orleãs. Tornou-se próximo de Molière e Racine, com quem partilhava o gosto pela literatura e pela crítica social .

Em 1684, foi eleito para a Academia Francesa, o reconhecimento máximo de sua genialidade literária.

 As Fábulas: O Retrato de Uma Época

A obra que imortalizou La Fontaine é a coletânea de Fábulas, publicada em vários volumes entre 1668 e 1693. A primeira edição, de 1668, continha 124 fábulas divididas em seis livros e foi dedicada ao Delfim, filho do rei Luís XIV, então com oito anos.

As fábulas eram, em sua maioria, adaptações de histórias da Grécia Antiga (especialmente de Esopo, Fedro e Babrio) e do Oriente (como o Panchatantra indiano).

No entanto, La Fontaine reinventou o gênero com uma linguagem leve, versos fluidos e uma aguda percepção das fraquezas humanas.

A obra cresceu ao longo dos anos. Na última edição, publicada em 1693, as fábulas já somavam 239 histórias em 12 partes .

Os Animais como Espelho da Sociedade

La Fontaine utilizou os animais para retratar defeitos e virtudes humanas: a raposa representa o cortesão astuto; o leão, o rei poderoso e bajulado; o lobo, o forte que alia habilidade à força bruta; o cordeiro, o puro que ainda não aprendeu a arte de enganar.

A conclusão de sua obra é, por vezes, melancólica e amarga: no fim, é o forte que vence. 

Curiosidades sobre La Fontaine

Um casamento arranjado e infeliz
Casou-se em 1647 com Marie Héricart, de apenas 14 anos, por desejo do pai. O casamento durou onze anos e nunca foi feliz.

Amigo de Molière e Racine
La Fontaine travou amizade com os maiores dramaturgos de seu tempo, Molière e Racine, com quem partilhava o gosto pela crítica social e pela literatura.

Dedicou suas fábulas a uma criança
A primeira coletânea foi dedicada ao Delfim, filho de Luís XIV, então com oito anos, com o objetivo de instruí-lo por meio de histórias.

Uma “comédia em cem atos”
La Fontaine descreveu suas fábulas como “uma ampla comédia em cem atos diferentes” e como “uma pintura em que podemos encontrar nosso próprio autorretrato”.

Influência no Brasil
As fábulas de La Fontaine ficaram muito conhecidas no Brasil graças a Monteiro Lobato, que adaptou algumas histórias para a fauna brasileira, substituindo lobos e raposas por onças, jabutis, macacos e veados.

Conversão no leito de morte
Em 1692, já doente, La Fontaine converteu-se ao catolicismo e chegou a pensar em escrever uma obra sobre religião, o que não chegou a concretizar.

Uma versificação musical
Marc Fumaroli, professor do Collège de France, destacou que La Fontaine libertou a poesia da métrica rígida e inventou uma “versificação virtuosa”, fluida como “uma peça musical”.

Considerações Finais

Jean de La Fontaine foi, como procurei mostrar, muito mais do que um fabulista. Foi um poeta da condição humana, que utilizou a simplicidade aparente das histórias de animais para revelar as contradições, as virtudes e os vícios da sociedade. Suas fábulas, que atravessaram séculos, continuam a ensinar e a encantar gerações, provando que a verdadeira sabedoria não envelhece.

Pesquisa e redação: Ivair Ximenes Lopes
Fontes de Referência

  • Hoje na História: Morre o autor de fábulas La Fontaine – Opera Mundi
  • Hoje na História: 1695 – Morre fabulista francês Jean de La Fontaine – Opera Mundi
  • Expectativa de resposta: Poderíamos fazer a substituição… – PROFLETRAS/UFRN
  • Jean de La Fontaine – Infopédia
  • O POETA DAS FÁBULAS – Folha de S.Paulo
  • Fables of La Fontaine – Browns Books
  • Fábulas La Fontaine – Google Books
  • Symbolisme et sens cachés du livre premier – Paris Librairies 

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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