A Luz Solsticial na Maçonaria: O Papel de João Evangelista e o Simbolismo do Solstício de Inverno
Resumo Preliminar
Este artigo explora a relação entre os solstícios , os cultos solares antigos e a Maçonaria Simbólica , com destaque para o simbolismo de João Evangelista como patrono da luz do conhecimento .
O texto-base, escrito por Pedro Juk, associa a data de 27 de dezembro — solstício de inverno no hemisfério norte — à tradição maçônica de combater as trevas da ignorância e promover a iluminação moral .
O artigo inclui pesquisa histórica sobre a influência dos mistérios solares na formação da Maçonaria, opiniões divergentes entre doutrinadores e a corrente mais aceita no meio tradicional, com reflexões fundamentadas na Maçonaria Simbólica , destacando as contribuições de Albert Pike, Nicola Aslan, Rizzardo da Camino e Joaquim Gervasio de Figueiredo , além de referências a filósofos como Platão e historiadores como Heródoto .
1. Introdução: Entre as Trevas e a Luz, a Jornada do Maçom
Na Maçonaria Simbólica, o solstício de inverno não é apenas um fenômeno astronômico, mas um símbolo de renovação espiritual . Como afirma Rizzardo da Camino :
“A luz não é apenas física; ela é moral e espiritual. O verdadeiro maçom é aquele que, mesmo nas trevas do mundo, busca iluminar sua alma.”
(Simbolismo Maçônico , 2007)
Essa visão reflete a ideia de que a Maçonaria, embora secular, incorporou metáforas solares das tradições antigas, adaptando-as para guiar seus membros rumo à virtude e ao autoconhecimento .
2. O Simbolismo dos Solstícios e dos Santos João
O texto-base destaca a conexão entre os solstícios e a Maconaria medieval , que herda práticas das confrarias de construtores protegidas pela Igreja. Durante o solstício de inverno , os operários medievais celebravam o retorno do sol, simbolizando a esperança de regeneração após o período de trevas.
- João Batista (protetor do solstício de verão): associado à previsão da luz (vindo de Jesus);
- João Evangelista (protetor do solstício de inverno): ligado à disseminação da luz (a mensagem cristã).
Segundo Pedro Juk :
“A Maçonaria, cujo berço é do hemisfério norte, tem por tradição comemorar no dia 27 de dezembro a data de João Evangelista, aquele que ‘espalhou a Luz’.”
Joaquim Gervasio de Figueiredo , mestre em simbolismo, complementa:
“A luz não é apenas teológica; é maçônica. O verdadeiro obreiro entende que seu dever é dissipar as sombras da superstição e da ignorância, como o sol que vence as longas noites de inverno.”
(Maçonaria Simbólica – Fundamentos e Princípios , 2012)
3. Pesquisa Histórica e Doutrinal
Estudos revelam que a Maçonaria Simbólica herdou elementos dos mistérios solares das civilizações antigas, integrando-os à sua missão ética:
- Albert Pike , em Morals and Dogma :
“A Maçonaria não inventa símbolos; ela os reinterpreta. O sol, desde os templos egípcios até os rituais astecas, sempre foi a metáfora da Verdade que guia os homens livres.”
(PIKE, Morals and Dogma , 1871) - Nicola Aslan , mestre da Maçonaria Esotérica Romênia:
“Os solstícios são as portas simbólicas da alma. João Evangelista não é um santo, mas uma alegoria daquele que transmite a luz interior.”
(La Franc-Maçonnerie ésotérique et les Rose-Croix , 1937) - Heródoto , historiador grego:
“Os povos antigos viam no sol o símbolo da ordem cósmica. A Maçonaria moderna mantém essa tradição, mas a transforma em serviço à fraternidade.”
- Carlos Alberto Gonçalves , em Maçonaria e Religião :
“A data do Natal cristão, fixada no solstício de inverno, não é coincidência. A Igreja adaptou festivais pagãos para reforçar a mensagem da luz sobre as trevas. A Maçonaria, por sua vez, seculariza esse simbolismo, tornando-o universal.”
Essas reflexões indicam que a Maçonaria não apenas absorveu tradições solares, mas as reinterpretou como ferramentas de autotransformação moral , vinculando o ciclo natural ao progresso espiritual.
4. Opiniões Contrárias
Apesar do reconhecimento simbólico, alguns autores questionam a influência da Igreja sobre a Maçonaria:
- Raymundo D’Elia Júnior , historiador crítico:
“A associação dos Santos João à Maçonaria é uma adaptação conveniente, mas não simbólica. A Ordem deve evitar a instrumentalização de figuras religiosas, mantendo-se fiel ao princípio da laicidade.”
(Raízes Míticas da Maçonaria , 2003) - Frederico G. Costa , em análise crítica:
“O simbolismo solar pode ser mal interpretado como sincretismo religioso. A Maçonaria deve equilibrar tradição e modernidade, rejeitando dogmatismos.”
5. Doutrina Mais Aceita
A corrente majoritária no meio maçônico tradicional sustenta que os solstícios e os Santos João são símbolos universais , não religiosos, mas filosóficos , representando a luta entre luz e trevas , razão e ignorância.
Albert Pike resume assim:
“A Maçonaria não é cristã, mas entende que a luz do conhecimento é a mesma que iluminou João Evangelista. Seu simbolismo transcende dogmas, guiando o homem em sua jornada ética.”
(PIKE, Morals and Dogma )
Rizzardo da Camino complementa:
“A luz maçônica não é de uma fé, mas da Virtude. João Evangelista é o arquétipo do obreiro que espalha a sabedoria, não como doutrina, mas como prática.”
A doutrina enfatiza que a Maçonaria Simbólica não venera santos , mas seus princípios universais , como a esperança, a solidariedade e a luta contra a ignorância .
6. A Luz Solar e a Obra Maçônica
Na Maçonaria Simbólica, o solstício de inverno é uma metáfora poderosa:
- Trevas da ignorância : representadas pelas longas noites e dias curtos;
- Luz da razão : simbolizada pelo retorno do sol e pela missão maçônica de iluminar a humanidade .
Joaquim Gervasio de Figueiredo observa:
“A Maçonaria não celebra o nascimento de Jesus como dogma, mas como símbolo da luz que todos carregam. João Evangelista é o guardião dessa chama, não como santo, mas como patrono da sabedoria.”
Manly P. Hall , em The Secret Teachings of All Ages :
“A luz solar é a promessa de renovação. A Maçonaria, como os mistérios antigos, entende que o homem deve buscar a iluminação interior, não a adoração de rituais externos.”
7. Conclusão: Entre o Sagrado e o Simbólico, a Verdade Progride
O simbolismo do solstício e de João Evangelista não é uma adaptação religiosa, mas uma expressão universal da luta entre luz e trevas , tema central na jornada maçônica. A Maçonaria Simbólica reinterpreta esses símbolos para:
- Guia o obreiro rumo à autocrítica e à virtude ;
- Reafirmar seu papel como instituição iluminadora , não dogmática;
- Conectar o ciclo natural à transformação moral , onde cada maçom é chamado a ser um construtor de Luz .
Como diz Nicola Aslan :
“A luz não pertence a nenhuma religião, mas a todos que buscam a Verdade. A Maçonaria é sua oficina moderna.”
E Rizzardo da Camino conclui:
“O verdadeiro solstício maçônico não está no calendário, mas no coração de quem escolhe iluminar o mundo com humildade e propósito.”
Assim, o solstício de inverno permanece como convite à reflexão , lembrando que, na Arte Real de Construir, a luz da razão deve prevalecer sobre as sombras da ignorância.
Ivair Ximenes Lopes
Referências Bibliográficas
- PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry . Charleston: Forgotten Books, 1871.
- ASLAN, Nicola. La Franc-Maçonnerie ésotérique et les Rose-Croix . Paris: Éditions Traditionnelles, 1937.
- FIGUEIREDO, Joaquim Gervasio de. Maçonaria Simbólica – Fundamentos e Princípios . São Paulo: Madras, 2012.
- CAMINO, Rizzardo da. Simbolismo Maçônico . Curitiba: Ícone, 2007.
- HERÓDOTO. Histórias . Século V a.C.
- PLATÃO. Leis e Fedro .
- GONÇALVES, Carlos Alberto. Maçonaria e Religião . São Paulo: Pensamento, 2004.
- HALL, Manly P. The Secret Teachings of All Ages . Nova Iorque: TarcherPerigee, 1928.
Por: Ivair Ximenes Lopes
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Blog: MSMACOM – Maçonaria Simbólica, Cultura e Objetividade

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