Advogado, magistrado, ministro do Supremo Tribunal Militar e presidente da Paraíba, tornou-se uma das principais figuras da crise política que conduziu à Revolução de 1930. Sua trajetória esteve ligada à famíliaPessoa, uma das mais influentes da política paraibana, e particularmente a seu tio Epitácio Pessoa, presidente da República entre 1919 e 1922.
Em 1930, JoãoPessoa foi escolhido candidato a vice-presidente na chapa da Aliança Liberal, encabeçada por Getúlio Vargas. Sua derrota eleitoral e, sobretudo, seu assassinato em Recife, em 26 de julho daquele ano, tiveram enorme repercussão política e foram incorporados à narrativa que legitimou o movimento revolucionário de outubro de 1930.
Sua família materna possuía forte tradição política. Sua mãe era sobrinha de Henrique Pereira de Lucena, o Barão de Lucena, que foi presidente da Província de Pernambuco e ministro durante o governo de Deodoro da Fonseca.
JoãoPessoa também era sobrinho de Epitácio Pessoa, que posteriormente se tornaria presidente da República, e de AntônioPessoa, que exerceu importante posição na política paraibana.
O Arquivo Nacional destaca justamente essa origem familiar como um dos elementos que contribuíram para sua inserção posterior na política. ([Mapa do Arquivo Nacional][1])
Em 1894, retornou à Paraíba e ingressou no Liceu Paraibano. No mesmo período, entrou voluntariamente para o 27º Batalhão de Infantaria.
Interessado pela carreira militar, deslocou-se para o Rio de Janeiro e ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha.
Sua passagem pela instituição, entretanto, foi turbulenta.
JoãoPessoa foi envolvido em episódios de contestação política e acabou desligado da Escola Militar. Posteriormente, foi anistiado e retornou à instituição, mas novamente enfrentou problemas durante os movimentos de contestação dos alunos em 1897.
O episódio demonstra que sua juventude ocorreu em ambiente de intensa instabilidade política e militar, característica dos primeirosanos da Repúblicabrasileira.
Segundo a documentação biográfica do Superior Tribunal Militar, JoãoPessoa chegou a ser rebaixado à condição de soldado raso e transferido para Belém, antes de ser posteriormente excluído do Exército. ([Dspace STM][2])
Exerceu sucessivamente funções de auxiliar do auditor-geral da Marinha, auditor interino, auditor-geral e ministro da Junta de Justiça Militar.
Em 1919, chegou ao Supremo Tribunal Militar.
Durante sua carreira judicial participou de processos de grande repercussão, inclusive relacionados à Revolta da Chibata.
O Arquivo Nacional e o Superior Tribunal Militar registram essa trajetória institucional, que transformou JoãoPessoa em um jurista de destaque antes de seu ingresso definitivo na política. ([Mapa do Arquivo Nacional][1])
Seu governo promoveu importantes reformas administrativas e fiscais.
Entre as medidas destacadas pela documentação histórica estão o combate à sonegação, a reorganização tributária, o fortalecimento da arrecadação estadual, investimentos na educação pública, estímulo à agricultura e à indústria e realização de obras de infraestrutura.
Também houve investimentos em estradas e no porto de Cabedelo.
Seu governo procurou reduzir a influência das antigas oligarquias municipais sobre a administração e a Justiça.
Essa política provocou forte resistência de grupos econômicos e políticos que estavam acostumados a exercer influênciasobre o aparelho estadual. ([Mapa do Arquivo Nacional][1])
O governo paraibano criou mecanismos mais rigorosos de fiscalização e arrecadação.
A medida atingiu interesses econômicos ligados ao comércio do algodão e às relações comerciais com Pernambuco.
A imprensa da época passou a tratar o conflito como “guerra tributária”.
A disputa ultrapassou a questão fiscal e transformou-se em confronto político entre JoãoPessoa e setores das oligarquias tradicionais.
A Revolta de Princesa
Em 1930, as tensões internas da Paraíba alcançaram novo patamar.
O município de Princesa Isabel, liderado politicamente por José Pereira Lima, rebelou-se contra o governo estadual.
A chamada Revolta de Princesa esteve relacionada às disputas políticas entre grupos locais e ao conflito entre JoãoPessoa e setores da oligarquia paraibana.
O episódio tornou-se parte importante da crise política que antecedeu a Revolução de 1930.
O Arquivo Nacional registra que o movimento ocorreu em meio às disputas políticas que marcaram a sucessão presidencial daquele ano. ([Mapa do Arquivo Nacional][1])
A sucessão presidencial de 1930
Em 1929, o presidente Washington Luís decidiu apoiar Júlio Prestes, então presidente de São Paulo, para sua sucessão.
A escolha rompeu o acordo político que havia permitido a alternância de influência entre São Paulo e Minas Gerais.
Minas Gerais, RioGrande do Sul e Paraíba aproximaram-se em oposição ao governo federal.
Getúlio Vargas, então presidente do RioGrande do Sul, foi escolhido candidato à Presidência.
JoãoPessoa, presidente da Paraíba, foi escolhido candidato a vice-presidente.
O Arquivo Nacional confirma que a chapa Vargas–JoãoPessoa representou a principal candidatura oposicionista às eleições de 1930. ([Mapa do Arquivo Nacional][1])
Participavam do movimento setores dissidentes das oligarquias estaduais, políticos ligados ao RioGrande do Sul e Minas Gerais, integrantes das classes médias urbanas e setores militares.
O programa liberal defendia mudanças no sistema político, especialmente o voto secreto e maior transparência eleitoral.
JoãoPessoa passou a representar a Paraíba dentro dessa articulação nacional.
A Aliança Liberal não reconheceu o resultado como expressão legítima da vontade popular e setores de seus integrantes passaram a discutir a possibilidade de uma solução armada.
JoãoPessoa mantinha uma disputa política com o advogado e jornalista João Duarte Dantas.
O conflito envolvia questões políticas e pessoais.
A polícia paraibana invadiu o escritório e a residência de João Dantas em busca de armas e documentos.
Correspondências particulares envolvendo João Dantas e Anaíde Beiriz foram posteriormente divulgadas.
O episódio produziu enorme repercussão e aprofundou a hostilidade entre os grupos políticos envolvidos.
A documentação do Arquivo Nacional registra o conflito como um dos elementos do contexto imediatamente anterior ao assassinato de JoãoPessoa. ([Mapa do Arquivo Nacional][1])
O assassinato provocou enorme repercussão política.
Embora o crime estivesse diretamente relacionado às disputas políticas e pessoais entre JoãoPessoa e João Dantas, sua morte foi rapidamente incorporada à mobilização política da Aliança Liberal.
O acontecimento transformou JoãoPessoa em símbolo da oposição ao governo de Washington Luís.
O Arquivo Nacional considera seu assassinato um dos elementos que contribuíram para o desencadeamento da Revolução de 1930. ([Mapa do Arquivo Nacional][1])
A alteração foi uma homenagem ao presidente assassinado e consolidou sua transformação em símbolo político da Revolução de 1930.
A própria Prefeitura de JoãoPessoa registra que a denominação atual da capital foi adotada em 1930 como homenagem ao político paraibano assassinado naquele ano. ([Prefeitura de JoãoPessoa][3])
A documentação histórica da GLEPB registra a participação de maçons como Augusto Simões, João Arlindo Corrêia, Manoel Velloso Borges e outros na formação da nova Potência maçônica paraibana. ([Ipatrimônio][5])
A Grande Loja foi regularizada em 14 de maio de 1928.
Assim, quandoJoãoPessoa iniciou seu governo, a Maçonaria paraibana encontrava-se justamente em processo de reorganização institucional.
A pesquisa realizada em fontes históricas, biográficas e maçônicas localizadas não encontrou, até o momento, uma documentação primária suficientemente clara — como ata de iniciação, ficha de obreiro, registro de loja ou publicação oficial de uma Potência — que permita afirmar categoricamente que JoãoPessoa Cavalcanti de Albuquerque foi iniciado na Maçonaria.
As biografias institucionais consultadas do Arquivo Nacional e do Superior Tribunal Militar, embora apresentem detalhadamente sua vida militar, jurídica e política, não registram filiação maçônica. ([Mapa do Arquivo Nacional][1])
Essa ausência não constitui prova absoluta de que JoãoPessoa jamais tenha pertencido à Maçonaria.
Ela significa que, **com a documentação localizada nesta pesquisa, sua iniciação não pode ser apresentada como fato documentalmente comprovado**.
Entretanto, é metodologicamente incorreto transformar essa proximidade histórica em prova de iniciação.
A historiografia maçônica precisa distinguir entre:
1. o indivíduo comprovadamente iniciado;
2. o indivíduo relacionado socialmente com maçons;
3. a atuação de maçons em determinado movimento político;
4. e a atuação institucional de uma Loja ou Potência.
No caso de JoãoPessoa, é possível afirmar que sua trajetória ocorreu em um ambiente político no qual existiam redes maçônicas organizadas.
Para sustentar que JoãoPessoa foi efetivamente maçom, contudo, seria necessário localizar o registro individual correspondente.
Essa cautela não diminui a importância da Maçonaria na história paraibana. Ao contrário, permite estudar sua participação de maneira historicamente mais rigorosa.
Vargas era candidato à Presidência e JoãoPessoa à Vice-Presidência.
A chapa foi derrotada por Júlio Prestes e Vital Soares.
Depois do assassinato de JoãoPessoa, sua morte tornou-se um dos elementos utilizados para mobilizar os setores que defendiam a ruptura com o governo federal.
A transformação de JoãoPessoa em mártir não ocorreu exclusivamente por causa de sua atuação administrativa.
Foi resultado da combinação de três fatores: sua posição como presidente da Paraíba, sua participação na Aliança Liberal e seu assassinato em meio à crise política nacional.
JoãoPessoa Cavalcanti de Albuquerque foi militar, advogado, magistrado, ministro do Supremo Tribunal Militar e presidente da Paraíba. Sua administração estadual enfrentou interesses oligárquicos e promoveu reformas fiscais, administrativas e econômicas.
Seu assassinato, em 26 de julho de 1930, transformou-o em símbolo político e contribuiu para a mobilização que culminou na Revolução de 1930.
Quanto à Maçonaria, o cenário histórico é igualmente relevante, mas exige precisão. A Paraíba possuía uma estrutura maçônica consolidada muito antes de 1930. Lojas como Regeneração do Norte e Branca Dias estavam em atividade, e a Grande Loja da Paraíba foi fundada em 1927.
Entretanto, **não foi localizada, nesta pesquisa, documentação primária suficiente para afirmar categoricamente que JoãoPessoa tenha sido iniciadomaçom**.
Assim, a formulação mais segura para a historiografia maçônica é: **JoãoPessoa viveu em uma sociedade paraibana na qual a Maçonaria possuía forte organização e presença entre as elites profissionais e políticas, mas sua própria condição de maçom permanece sem comprovação documental primária localizada.**
[1]: https://mapa.arquivonacional.gov.br/index.php/mapa/centrais-de-conteudo/producao/biografias/1015-joao-pessoa-cavalcanti-de-albuquerque?utm_source=chatgpt.com “JoãoPessoa Cavalcanti de Albuquerque”
[2]: https://dspace.stm.jus.br/bitstream/handle/123456789/50681/173biog%20Jo%C3%A3o%20Pess%C3%B4a%20Cavalcanti%20de%20Albuquerque%20Var.%20Jo%C3%A3o%20Pessoa%20Cavalcante%20de%20Albuquerque.pdf?isAllowed=y&sequence=10&utm_source=chatgpt.com “Doutor JOÃOPESSOA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE”
[3]: https://www.joaopessoa.pb.gov.br/noticias/porto-do-capim-representa-a-historia-viva-da-cidade-de-joao-pessoa/?utm_source=chatgpt.com “Porto do Capim representa a história viva da cidade de João Pessoa”
[4]: https://grandelojapb.org/sobre/loja/id/266?utm_source=chatgpt.com “Lojas Jurisdicionadas | Sobre a GLEPB | Grande LojaMaçônica do Estado da Paraíba”
[5]: https://ipatrimonio.org/joao-pessoa-grande-loja-maconica-branca-dias?utm_source=chatgpt.com “JoãoPessoa – Grande LojaMaçônica Branca Dias | ipatrimônio”
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).