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Getúlio Dornelles Vargas: vida, poder, Estado Novo

Getúlio Dornelles Vargas: vida, poder, Estado Novo e suas relações com a Maçonaria

Introdução

Getúlio Dornelles Vargas ocupa posição singular na história política brasileira do século XX. Advogado, político, chefe revolucionário, presidente constitucional e governante de um regime autoritário, Vargas esteve no centro das principais transformações institucionais do Brasil entre 1930 e 1954. Sua trajetória atravessou a crise da Primeira República, a Revolução de 1930, a Revolução Constitucionalista de 1932, a Constituição de 1934, o Estado Novo de 1937, a redemocratização de 1945 e seu retorno à Presidência pelo voto popular em 1950.

Ao mesmo tempo em que promoveu profundas transformações na legislação trabalhista, na organização administrativa e na industrialização brasileira, também concentrou poderes, restringiu liberdades políticas e governou ditatorialmente entre 1937 e 1945. Sua relação com a Maçonaria merece análise cuidadosa.

Embora fontes maçônicas registrem que seu pai e seus irmãos eram maçons, não foi localizada documentação primária confiável que comprove a iniciação do próprio Getúlio Vargas.

Portanto, sua proximidade familiar com a Ordem não deve ser confundida com filiação maçônica pessoal.

Origem e formação de Getúlio Vargas

Getúlio Dornelles Vargas nasceu em São Borja, no Rio Grande do Sul, em 19 de abril de 1882, filho do general Manoel do Nascimento Vargas e de Cândida Dornelles Vargas.

A família Vargas possuía forte inserção na sociedade política e militar do Rio Grande do Sul. Seu pai havia participado da Guerra do Paraguai e posteriormente da Revolução Federalista, ao lado das forças legalistas. Esse ambiente regional, marcado pelo militarismo, pelo republicanismo e pelas disputas políticas do Rio Grande do Sul, exerceu importante influência sobre a formação de Getúlio.

Vargas estudou inicialmente em São Borja e posteriormente ingressou na Faculdade de Direito de Porto Alegre, formando-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais em 1907.

A documentação biográfica da Fundação Getulio Vargas registra sua passagem pela política estadual, sua eleição para deputado estadual e, posteriormente, para deputado federal. Em 1926, assumiu o Ministério da Fazenda no governo Washington Luís e, em 1927, tornou-se presidente do Rio Grande do Sul. ([CPDOC FGV][1])

Ascensão política no Rio Grande do Sul

A experiência de Vargas no governo gaúcho foi decisiva para sua projeção nacional. No Rio Grande do Sul, desenvolveu capacidade de negociação entre diferentes grupos políticos e consolidou uma imagem de administrador pragmático.

Em 1929, o cenário nacional entrou em crise com a sucessão presidencial. Washington Luís decidiu apoiar Júlio Prestes, rompendo o equilíbrio político que tradicionalmente aproximava São Paulo e Minas Gerais.

Minas Gerais e Rio Grande do Sul passaram a articular uma candidatura oposicionista. Em setembro de 1929, foi formalizada a Aliança Liberal, que lançou Getúlio Vargas para presidente e João Pessoa para vice-presidente.

O programa da Aliança Liberal defendia, entre outras medidas, o voto secreto e a anistia. Vargas, contudo, foi derrotado nas eleições de março de 1930 por Júlio Prestes. A derrota eleitoral não encerrou sua trajetória. Setores da Aliança Liberal e grupos militares passaram a defender a solução armada. ([CPDOC FGV][2])

A Revolução de 1930

A Revolução de 1930 resultou da convergência de diferentes grupos políticos e militares. Não se tratou de um movimento homogêneo: havia oligarquias dissidentes interessadas em modificar o sistema político, militares identificados com o tenentismo e setores que defendiam transformações mais profundas.

O movimento teve início em 3 de outubro de 1930, no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais. As forças revolucionárias avançaram rapidamente, enquanto a crise política se agravava no governo federal.

Em 24 de outubro, Washington Luís foi deposto. Em 3 de novembro de 1930, Getúlio Vargas assumiu a chefia do Governo Provisório.

A chamada Revolução de 1930 encerrou a Primeira República e inaugurou uma nova etapa da história brasileira. A própria documentação do CPDOC destaca que o movimento representou a ruptura do quadro político dominado pelas antigas oligarquias e abriu uma disputa entre diferentes projetos para o novo Estado brasileiro. ([CPDOC FGV][2])

O Governo Provisório e a centralização do poder

Nos primeiros anos de governo, Vargas promoveu significativa centralização política. Os antigos presidentes estaduais foram substituídos, em muitos casos, por interventores nomeados pelo governo federal.

Ao mesmo tempo, iniciou-se a construção de novas estruturas administrativas e sociais. Foi criado o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e foram implementadas as primeiras medidas de legislação trabalhista do período.

A estratégia de Vargas combinava centralização política com concessões sociais e trabalhistas. Essa combinação seria uma das características permanentes de seu projeto político.

Entretanto, a ausência de uma Constituição e a concentração de poderes alimentaram forte oposição, especialmente em São Paulo.

A Revolução Constitucionalista de 1932

Em 1932, a tensão entre São Paulo e o Governo Provisório chegou ao ponto de ruptura.

O Partido Democrático rompeu com Vargas e aproximou-se do Partido Republicano Paulista, formando a Frente Única Paulista. Entre suas principais reivindicações estavam a constitucionalização do país e maior autonomia administrativa para São Paulo.

O movimento armado começou em 9 de julho de 1932. A liderança militar ficou associada ao general Isidoro Dias Lopes, enquanto amplos setores civis participaram da mobilização.

A resistência paulista durou alguns meses e terminou militarmente com a derrota dos constitucionalistas. Politicamente, entretanto, o movimento contribuiu para acelerar a constitucionalização do país. Vargas retomou o processo de elaboração constitucional e foram realizadas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte em 1933. ([CPDOC FGV][3])

A Maçonaria e os maçons na Revolução Constitucionalista

A participação de maçons no ambiente político que envolveu a Revolução Constitucionalista de 1932 merece ser tratada com precisão histórica.

Existiam maçons envolvidos na vida política paulista e brasileira, inclusive entre setores que apoiaram o movimento constitucionalista. Também existem registros documentais de manifestações maçônicas relacionadas ao contexto de 1932.

Isso, porém, não permite afirmar automaticamente que a Maçonaria, enquanto instituição nacional, tenha organizado ou comandado a Revolução Constitucionalista.

A análise histórica precisa distinguir três situações: a atuação individual de maçons; a utilização de redes de sociabilidade existentes nas lojas; e decisões formalmente adotadas por corpos maçônicos reconhecidos.

Essa distinção é particularmente importante porque a Maçonaria brasileira reunia homens de diferentes posições políticas. O pertencimento à Ordem não significava necessariamente identidade partidária ou uniformidade ideológica.

Da Constituição de 1934 ao crescimento das tensões políticas

Depois da Revolução Constitucionalista, o processo de constitucionalização avançou. A Assembleia Nacional Constituinte reuniu-se em 1933 e promulgou a Constituição de 1934.

Vargas foi eleito presidente da República pela própria Assembleia Constituinte em julho de 1934.

O novo período constitucional, entretanto, ocorreu em ambiente político extremamente polarizado. De um lado crescia a Ação Integralista Brasileira; de outro, desenvolvia-se a Aliança Nacional Libertadora, movimento que passou a sofrer crescente influência do Partido Comunista do Brasil.

Em 1935, ocorreram levantes armados em Natal, Recife e no Rio de Janeiro, posteriormente conhecidos como Revolta Comunista de 1935.

O governo utilizou a insurreição como fundamento para ampliar as medidas de repressão política. ([CPDOC FGV][1])

O caminho para o Estado Novo

Em 1937, aproximavam-se as eleições presidenciais previstas para janeiro de 1938. O cenário político encontrava-se marcado pela disputa entre diferentes correntes.

Nesse contexto surgiu o chamado Plano Cohen, apresentado pelo governo como prova de uma conspiração comunista destinada a promover uma revolução no Brasil.

Posteriormente, ficou demonstrado que o documento havia sido produzido dentro do próprio ambiente integralista e não correspondia a um plano real de tomada do poder pelos comunistas.

O episódio foi utilizado politicamente para criar um ambiente favorável à ruptura institucional.

Em 10 de novembro de 1937, Vargas fechou o Congresso Nacional e instaurou o Estado Novo, outorgando uma nova Constituição e concentrando poderes no Executivo. ([CPDOC FGV][1])

O Estado Novo

O Estado Novo foi um regime autoritário que perdurou de 1937 a 1945.

Os partidos políticos foram fechados, as atividades políticas foram fortemente restringidas e a censura tornou-se parte estruturante do regime.

Ao mesmo tempo, Vargas ampliou a intervenção estatal na economia e fortaleceu a administração pública federal.

Entre as instituições criadas ou estruturadas nesse período destacam-se o Departamento Administrativo do Serviço Público, o Conselho Nacional do Petróleo, a Companhia Siderúrgica Nacional e a Fábrica Nacional de Motores.

O Estado Novo, portanto, apresentou uma combinação paradoxal: autoritarismo político e modernização administrativa e econômica.

Essa contradição é fundamental para compreender o legado de Vargas. A expansão da legislação social e da capacidade administrativa do Estado ocorreu simultaneamente à restrição das liberdades políticas.

Vargas e a legislação trabalhista

Um dos aspectos mais duradouros da Era Vargas foi a construção de uma legislação trabalhista de abrangência nacional.

Durante os governos Vargas foram criados e regulamentados mecanismos relacionados à organização sindical, jornada de trabalho, salário mínimo e proteção trabalhista.

Em 1943, foi promulgada a Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, que reuniu e sistematizou diversas normas trabalhistas existentes.

A Justiça do Trabalho e o Ministério do Trabalho também passaram a ocupar papel central na organização das relações entre trabalhadores, sindicatos e empregadores.

Por essa razão, Vargas tornou-se personagem fundamental tanto para a história política quanto para a história social e trabalhista brasileira. ([CPDOC FGV][1])

Industrialização e nacionalismo econômico

Durante o Estado Novo, o governo Vargas aprofundou o projeto de industrialização e fortalecimento da intervenção estatal na economia.

A criação da Companhia Siderúrgica Nacional tornou-se um marco da industrialização brasileira.

A política econômica buscava reduzir a dependência externa em setores considerados estratégicos e aumentar a capacidade produtiva nacional.

Esse nacionalismo econômico seria retomado com maior intensidade no segundo governo Vargas, especialmente na questão do petróleo.

Vargas e a Segunda Guerra Mundial

Com o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, o governo brasileiro inicialmente manteve uma posição de neutralidade.

A situação mudou gradualmente. O Brasil aproximou-se dos Estados Unidos e negociou apoio econômico e militar.

O acordo que viabilizou a construção da Companhia Siderúrgica Nacional esteve relacionado a essa aproximação.

Em 1942, após o torpedeamento de navios brasileiros por submarinos alemães, o Brasil declarou guerra à Alemanha e à Itália.

Em 1943, Vargas criou a Força Expedicionária Brasileira. Em 1944, tropas brasileiras foram enviadas à Itália para combater ao lado dos Aliados. ([CPDOC FGV][1])

A relação de Vargas com a Maçonaria

A questão de saber se Getúlio Vargas foi maçom exige uma distinção documental importante.

Nas fontes consultadas, não foi localizada documentação primária confiável — como ata de iniciação, ficha de membro, registro de loja ou publicação oficial maçônica — que comprove que Getúlio Dornelles Vargas tenha sido iniciado na Maçonaria.

Isso não significa que não existam referências secundárias ou interpretações diferentes. Significa apenas que, diante do padrão documental exigido para uma afirmação biográfica, não se deve apresentar como fato comprovado uma iniciação que não foi documentalmente localizada.

O pai de Getúlio Vargas era maçom

A situação é diferente em relação ao pai de Getúlio.

Fontes da historiografia maçônica registram que o general Manoel do Nascimento Vargas foi iniciado em 24 de agosto de 1876, em São Borja, na Loja Vigilância e Fé.

O dado aparece em trabalhos dedicados à história do Rito Brasileiro e da Maçonaria brasileira, inclusive com referência à data e à loja de iniciação. ([Masonic][4])

Portanto, é documentalmente defensável afirmar que Getúlio era filho de um maçom.

Os irmãos de Getúlio Vargas e a Maçonaria

A ligação familiar com a Maçonaria não se limitava ao pai.

O coronel Manoel Viriato Dornelles Vargas, irmão de Getúlio, foi iniciado em 18 de setembro de 1942, na Loja Brasil, no Rio de Janeiro, segundo fontes maçônicas dedicadas à história do Rito Brasileiro.

As mesmas fontes registram também o coronel Protásio Vargas como outro irmão de Getúlio ligado à Maçonaria. ([Masonic][4])

Esse fato é especialmente interessante porque Manoel Viriato foi iniciado durante o próprio Estado Novo, período no qual a relação entre o regime de Vargas e as organizações maçônicas havia se tornado particularmente complexa.

O Estado Novo e as restrições à Maçonaria

Fontes da historiografia maçônica registram que, durante o Estado Novo, houve medidas de restrição ao funcionamento das lojas maçônicas.

Uma obra disponível no acervo da Universidade Estadual de Londrina afirma que Vargas determinou o fechamento das lojas maçônicas e relaciona essa medida ao ambiente político de 1937 e 1938. A mesma obra registra que, em 3 de março de 1938, o Grande Oriente do Brasil alterou seu lema para “Ordem, Fraternidade e Sabedoria”. ([Projetos UEL][5])

É necessário, entretanto, tratar essa narrativa com cautela historiográfica. Trata-se de uma interpretação apresentada em uma obra de história maçônica, e não de uma documentação presidencial isolada que, por si só, permita reconstruir toda a política do Estado Novo em relação à Maçonaria.

O que se pode afirmar com segurança é que o Estado Novo restringiu fortemente as organizações políticas e associativas e que a Maçonaria brasileira enfrentou dificuldades e limitações durante o período.

Uma aparente contradição histórica

A presença de maçons na família de Vargas e a existência de relações entre políticos e integrantes da Maçonaria não significam que Getúlio Vargas tenha sido maçom.

Da mesma maneira, as medidas de seu governo contra determinadas atividades maçônicas não permitem concluir que Vargas tivesse uma posição pessoal permanente de hostilidade à Ordem sem examinar cada momento histórico.

A trajetória política de Vargas foi marcada pelo pragmatismo e pela capacidade de estabelecer relações com grupos ideologicamente distintos.

Por isso, a afirmação mais segura é:

Getúlio Vargas não possui, nas fontes confiáveis consultadas, comprovação documental primária de iniciação maçônica. Seu pai, Manoel do Nascimento Vargas, era maçom, e seus irmãos Manoel Viriato Dornelles Vargas e Protásio Vargas também aparecem documentados na historiografia maçônica como integrantes da Ordem. ([Masonic][4])

A queda de Vargas em 1945

A derrota das potências do Eixo na Segunda Guerra Mundial criou uma contradição política para o Estado Novo.

O Brasil havia enviado tropas para combater em defesa das democracias ocidentais, enquanto internamente permanecia sob um regime autoritário.

As pressões pela redemocratização aumentaram.

Vargas tentou conduzir uma transição controlada, promovendo anistia, reorganização partidária e convocação de eleições. Entretanto, setores militares passaram a desconfiar de suas intenções.

Em 29 de outubro de 1945, Vargas foi deposto por um movimento militar.

Depois de quinze anos de presença direta no poder nacional, retirou-se para São Borja. ([CPDOC FGV][1])

O retorno à política e o segundo governo

Mesmo afastado da Presidência, Vargas permaneceu como uma das figuras políticas mais importantes do país.

Em 1946, foi eleito senador pelo Rio Grande do Sul e também recebeu expressiva votação em outros estados.

Em 1950, candidatou-se novamente à Presidência da República pelo Partido Trabalhista Brasileiro.

Dessa vez, venceu a eleição pelo voto popular e retornou ao Palácio do Catete em 1951. ([CPDOC FGV][1])

A criação da Petrobras

O segundo governo Vargas foi marcado pelo nacionalismo econômico.

A questão do petróleo tornou-se um dos grandes temas da política brasileira.

Em 1953, o Congresso aprovou a Lei nº 2.004, que criou a Petróleo Brasileiro S.A. — Petrobras — e estabeleceu o monopólio estatal sobre atividades relacionadas à pesquisa, lavra, refino e transporte do petróleo.

A criação da Petrobras tornou-se um dos principais símbolos do nacionalismo econômico do segundo governo Vargas. ([CPDOC FGV][6])

A crise política de 1954

O segundo governo Vargas enfrentou forte oposição.

Entre seus principais adversários encontrava-se o jornalista Carlos Lacerda, um dos mais destacados críticos do governo.

Na madrugada de 5 de agosto de 1954, Lacerda sofreu um atentado na rua Tonelero, em Copacabana. O major-aviador Rubens Vaz, que o acompanhava, foi morto.

As investigações apontaram integrantes da guarda pessoal de Vargas para o centro da crise política.

A oposição aumentou a pressão pela renúncia do presidente e setores das Forças Armadas passaram a exigir seu afastamento. ([CPDOC FGV][7])

O suicídio de Getúlio Vargas

Na madrugada de 24 de agosto de 1954, diante da crise política e da pressão pela sua saída do governo, Getúlio Vargas suicidou-se no Palácio do Catete.

Deixou uma carta-testamento dirigida ao povo brasileiro.

Sua morte provocou enorme comoção nacional e transformou definitivamente a imagem histórica do presidente.

O homem que havia governado o Brasil por cerca de dezenove anos, somando os períodos de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954, encerrava sua trajetória de maneira dramática. ([CPDOC FGV][1])

O legado político de Getúlio Vargas

O legado de Vargas permanece marcado por fortes contradições.

De um lado, estão a legislação trabalhista, a CLT, a organização da Justiça do Trabalho, a criação de instituições administrativas, a industrialização, o fortalecimento do Estado nacional e a criação da Petrobras.

De outro, encontram-se a centralização do poder, a repressão política, a censura, o fechamento do Congresso Nacional, a extinção dos partidos políticos e a ditadura do Estado Novo.

A avaliação histórica de Vargas, portanto, não pode ser reduzida a uma única dimensão.

Ele foi simultaneamente responsável pela ampliação da presença do Estado nas relações trabalhistas e pela supressão das liberdades políticas durante o Estado Novo.

Foi um líder revolucionário que chegou ao poder em 1930, um presidente eleito indiretamente pela Constituinte em 1934, um governante autoritário a partir de 1937, um político deposto em 1945 e, posteriormente, um presidente eleito pelo voto popular em 1950.

Getúlio Vargas e a Maçonaria: conclusão documental

A relação entre Getúlio Vargas e a Maçonaria deve ser apresentada com rigor.

Há documentação e referências maçônicas indicando que seu pai, general Manoel do Nascimento Vargas, foi iniciado na Loja Vigilância e Fé, em São Borja, em 1876.

Também há registros maçônicos de que seus irmãos Manoel Viriato Dornelles Vargas e Protásio Vargas pertenceram à Ordem.

Entretanto, não foi localizada, nas fontes consultadas, documentação primária que demonstre a iniciação do próprio Getúlio Vargas.

Por isso, a formulação historicamente mais responsável é dizer que **Getúlio Vargas era filho e irmão de maçons, mas sua própria condição de maçom não está documentalmente comprovada nas fontes pesquisadas**.

Essa distinção é essencial para evitar que vínculos familiares, relações políticas ou aproximações circunstanciais sejam transformados em prova de iniciação maçônica.

Da mesma maneira, a existência de maçons entre os participantes da Revolução de 1932 não significa que a Maçonaria, como instituição, tenha sido responsável pela revolução. A pesquisa histórica deve separar a atuação individual dos irmãos das decisões oficiais das Potências e Lojas maçônicas.

Considerações finais

Getúlio Vargas foi uma das figuras mais complexas da história republicana brasileira. Sua trajetória esteve ligada à transformação do Estado brasileiro, à industrialização, à legislação trabalhista e à construção de uma nova relação entre governo, trabalhadores e economia.

Ao mesmo tempo, sua carreira esteve associada a rupturas institucionais e a um dos períodos autoritários mais importantes da história brasileira.

Sua relação com a Maçonaria acrescenta uma dimensão particular a essa história. O fato de seu pai e dois de seus irmãos terem sido maçons demonstra que a Ordem fazia parte do ambiente familiar dos Vargas. Entretanto, essa circunstância não permite afirmar, sem documentação própria, que Getúlio tenha sido iniciado.

A biografia de Vargas demonstra, portanto, a necessidade de distinguir cuidadosamente entre parentesco, sociabilidade, relações políticas e pertencimento institucional. No estudo da Maçonaria e da história brasileira, essa metodologia é especialmente importante para evitar tanto o apagamento da presença efetiva dos maçons na vida nacional quanto a atribuição à Ordem de acontecimentos para os quais não exista documentação suficiente.

Pesquisa e redação Ivair Ximenes Lopes
Fontes Pesquisadas

  • FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS — CPDOC. Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro: Getúlio Vargas. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas.
  • FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS — CPDOC. Getúlio Vargas. Biografia e documentação histórica.
  • FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS — CPDOC. A Revolução de 1930.
  • FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS — CPDOC. A Revolução Constitucionalista de 1932.
  • CÂMARA DOS DEPUTADOS. Biografia de Getúlio Dornelles Vargas. Brasília: Câmara dos Deputados.
  • SENADO FEDERAL. Perfil biográfico de Getúlio Vargas. Brasília: Senado Federal.
  • FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo.
  • SKIDMORE, Thomas E. Brasil: de Getúlio a Castelo. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
  • D’ARAÚJO, Maria Celina. Getúlio Vargas.
  • VIANNA, Marly de Almeida Gomes. Revolucionários de 1935: sonho e realidade. São Paulo: Companhia das Letras.
  • TRAGNAGO, Lenio Carlos; SILVA, Oberdan Teles da. Influências da origem da Ordem Maçônica. Universidade Estadual de Londrina.
  • SPOLADORE, Hércules. História da criação do Rito Brasileiro.
  • GRANDE ORIENTE DO BRASIL. Documentação histórica e publicações sobre a Maçonaria brasileira e o período Vargas.

 

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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