Quando percorremos a história dos grandestemplos da Antiguidade, há um que, para mim, sempre representou o coração pulsante da própria Roma.
Não era o maior em dimensões, nem o mais ornamentado, mas era o mais sagrado — o templo onde os cônsules faziam seus votos, onde os generais triunfantes ofereciam suas homenagens e onde o destino da cidade era, literalmente, decidido.
O nome completo do temploeraAedes Iovis Optimi Maximi Capitolini — “O Templo de Júpiter, o Melhor e o Maior, no Capitólio”. O epíteto Optimus Maximus (“Ótimo Máximo”) era uma das mais antigas e sagradas invocações de Júpiter, o rei dos deuses romanos.
O templo não era dedicado apenas a Júpiter, mas à Tríade Capitolina: Júpiter, Juno e Minerva. Três celas (câmaras internas) abrigavam as estátuas das três divindades: a central, mais ampla, para Júpiter; a da esquerda para Juno, sua esposa; e a da direita para Minerva, sua filha. Essa disposição tripartite tornava o templo um “templo três-em-um”, um santuário completo para as divindades que protegiam o Estado romano.
O nome “Capitólio”, que até hoje designa a colina e o edifício do governo dos Estados Unidos, deriva precisamente deste templo. A palavra Capitoliumera originalmente o nome do templo, e só depois se estendeu a toda a colina. O Monte Capitolino, onde Remo teria começado a construir as fundações da antiga Roma, era o local mais sagrado da cidade.
A construção do Templo de Júpiter Capitolino começou no século VI a.C., durante o reinado do primeiro rei etrusco de Roma, Lúcio Tarquínio Prisco (616–579 a.C.). Segundo a tradição registrada por Lívio e Dionísio de Halicarnasso, Tarquínio Prisco jurou construir o templo enquanto lutava contra os sabinos. Ele iniciou o enorme trabalho de terraplenagem necessário para criar uma plataforma plana no topo do Monte Capitolino, onde o templo seria erguido.
A Conclusão por Tarquínio Soberbo
As fundações e a maior parte da estrutura foram completadas por Lúcio Tarquínio Soberbo, o último rei de Roma (534–509 a.C.). O templo, no entanto, só foi dedicado após a queda da monarquia e o estabelecimento da República. A data tradicional de dedicação é 13 de setembro de 509 a.C. — o mesmo ano que marcou a fundação da República Romana. A coincidência não era acidental: o novo regime queria associar-se à proteção divina do templo e legitimar-se como herdeiro da tradição religiosa romana.
As Fundações e os Tamanhos
As fundações do templo, ainda visíveis nos Museus Capitolinos, são compostas por enormes blocos de tufo e medem aproximadamente 55 x 60 metros. No entanto, as dimensões exatas permanecem objeto de debate entre os estudiosos, com algumas fontes antigas sugerindo medidas ainda maiores, de quase 60 x 60 metros. O que é certo é que o temploera o maior edifício de seu tipo em Roma e um dos maiores do mundo antigo.
Os Áugures e a Teimosia dos Deuses
Uma curiosa história cerca a construção do templo. Antes da obra, o local era ocupado por santuários de outras divindades. Quando os áugures realizaram os rituais para obter permissão para removê-los, dois deuses se recusaram terminantemente a sair: Terminus, o deus dos limites e das fronteiras, e Juventas, a deusa da juventude. Os romanos interpretaram isso como um presságio favorável: Roma nunca perderia suas fronteiras e sua juventude nunca envelheceria.
Arquitetura: O Estilo Etrusco que se Tornou Romano
O primeiro Templo de Júpiter Capitolino era um exemplo clássico da arquitetura etrusca. Os reis etruscos que governaram Roma trouxeram artesãos especializados da Etrúria para construir e decorar o templo. As características distintivas incluíam:
Um pódio elevado (plataforma), acessível apenas por uma escadaria frontal
Uma planta pseudoperíptera — cercada por colunas em três lados, com as colunas laterais embutidas nas paredes
No alto do telhado, uma imponente quadriga (carruagem de quatro cavalos) de terracota, obra do célebre escultor etrusco Vulca de Veios. Vulca é o único artista etrusco cujo nome chegou até nós, e sua obra-prima no Capitólio era tão famosa que, no início do século III a.C., foi substituída por uma versão em bronze, ainda mais suntuosa. O telhado também era decorado com acroteras (esculturas nas extremidades) e antefixas de terracota pintada.
Dentro da cela central, a estátua de culto de Júpiterera outra obra de Vulca de Veios. A estátua, pintada de vermelho, serviu de base para a tradição de pintar o rosto dos generais romanos durante os triunfos oficiais. A tradiçãoera uma lembrança de que o general, naquele momento de glória máxima, se assemelhava ao próprio Júpiter.
As Destruições e Reconstruções: Um Templo que Renascia das Cinzas
A primeira grandedestruição ocorreu em 83 a.C., durante as guerras civis de Sula. O fogo consumiu o templo de madeira, e a reconstrução foi lenta. Foram necessários 14 anos para que o novo templo fosse concluído, em 69 a.C.. Desta vez, os artesãos foram trazidos da Grécia, e o novo edifício incorporou elementos do estilo grego, embora tenha mantido a planta etrusca.
Os Incêndios de 69 e 80 d.C.
Durante o tumultuado “Ano dos Quatro Imperadores” (69 d.C.), o templo foi novamente incendiado. A reconstrução foi concluída sob o imperador Vespasiano. Um novo incêndio, em 80 d.C., durante o reinado de Tito, exigiu mais uma reconstrução.
As Reconstruções Imperiais
As reconstruções posteriores foram feitas em estilo romano contemporâneo, mas mantiveram o tamanho excepcional do edifício. Os materiais tornaram-se cada vez mais suntuosos: mármore pentélico (o mesmo do Partenon) para a superestrutura, telhas douradas, portas revestidas de ouro e elaboradas esculturas nos frontões.
A Função Política e Religiosa: O Centro do Império
O Templo de Júpiter Capitolino era o centro da religião do Estado romano. Era o local onde o destino de Romaera decidido. Os cônsules, no primeirodia de seus mandatos, faziam sacrifícios e votos solenes no templo. Os generais que retornavam de vitórias importantes celebravam seus triunfos no Capitólio, oferecendo a Júpiter os despojos da guerra. As atas do Senado e outros documentos oficiais eram depositados no templo, que servia como um arquivo central do Estado.
O Centro da Liga Latina
O templo também servia como um ponto de encontro para os povos latinos. O culto de Júpiter Capitolino foi organizado para substituir o santuário de Júpiter Latiaris nos montes Albanos, transferindo o centro da Liga Latina para Roma. Até 47 povos se reuniam ali uma vez por ano para realizar sacrifícios rituais em comum.
O Local da Área Capitolina
O templo estava rodeado pela Área Capitolina (Area Capitolina), um grandeespaço aberto que abrigava inúmeros altares, santuários, estátuas e troféus de guerra. Era ali que certas assembleias populares se reuniam, e o local era considerado tão sagrado que nenhum edifício profano podia ser erguido em suas imediações.
O Templo Mais Importante de Roma: Embora muitos templos fossem maiores ou mais ornamentados, o Templo de Júpiter Capitolino era considerado o mais importante de todos — o local onde o próprio destino de Romaera decidido.
O Nome que Se Tornou Símbolo: A palavra “Capitólio” deriva do nome do templo. O edifício do governo dos Estados Unidos e os capitólios estaduais americanos são uma homenagem direta a este temploromano.
A Quadriga de Vulca: O escultor etrusco Vulca de Veios, que criou a quadriga de terracota no telhado do templo, é o único artista etrusco cujo nome chegou até nós.
A Estátua que Pintava Generais: A estátua de Júpiter, pintada de vermelho, serviu de base para a tradição de pintar os rostos dos generais durante os triunfos — uma lembrança de que, naquele momento, eles se assemelhavam ao próprio deus.
Os Deuses que se Recusaram a Sair: Os deuses Terminus e Juventas se recusaram a abandonar o local, e seus santuários foram incorporados ao novo templo. Isso foi interpretado como um sinal de que Roma nunca perderia suas fronteiras nem sua juventude.
Três Incêndios, Três Reconstruções: O templo foi destruído por incêndios em 83 a.C., 69 d.C. e 80 d.C. Cada reconstrução refletiu os estilos arquitetônicos de sua época, desde o etrusco original até o mármore grego e o esplendor imperial.
As Colunas de 20 Metros: As colunas do templo tinham 19,9 metros de altura e um diâmetro de quase 2,5 metros, tornando-as algumas das mais altas do mundo antigo.
O Templo que Virou Praça: Hoje, o local do templo é ocupado pela Piazza del Campidoglio, projetada por Michelangelo no século XVI. As fundações do templo ainda podem ser vistas nos Museus Capitolinos.
O legado do Templo de Júpiter Capitolino é imenso e perdura até os dias de hoje, mesmo que do edifício original pouco mais do que as fundações tenham sobrevivido.
Na Arquitetura, o templo estabeleceu o modelo para os templos romanos por séculos. Sua planta pseudoperíptera, seu pódio elevado e sua fachada hexastila foram copiados em inúmeros templos por todo o Império. A influência se estendeu até o Renascimento, quando arquitetos como Michelangelo (que projetou a praça que hoje ocupa seu lugar) e Palladio estudaram e reinterpretaram suas formas.
Na Política e na Religião, o temploera o coração do Estado romano. Foi ali que os cônsules fizeram seus votos, os generais celebraram seus triunfos e o Senado depositou seus arquivos. A associação entre o poder político e a proteção divina, estabelecida no Templo de Júpiter Capitolino, tornou-se um modelo para governos em todo o mundo.
E, talvez, o maior legado do temploseja a lição de que a grandeza não está apenas na pedra e no mármore, mas na memória e na influência. O Templo de Júpiter Capitolino foi destruído e reconstruído três vezes. Foi saqueado, incendiado e, finalmente, desmontado. Mas sua imagem — um templo no alto de uma colina, guardando o destino de uma cidade — sobreviveu, inspirando gerações de arquitetos, governantes e sonhadores. Suas fundações, ainda visíveis sob a Piazza del Campidoglio, são um lembrete silencioso de que as maiores construções não são as que resistem ao tempo, mas as que moldam o futuro.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).