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Antonius Andreas

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Antonius Andreas

Quando falamos em filosofia medieval, os grandes nomes que vêm à mente são quase sempre os mesmos: Tomás de Aquino, Boaventura e, claro, o enigmático João Duns Escoto. Mas a filosofia não se constrói apenas com mentes originais; ela precisa de expositores, de sistematizadores e de mestres que consolidam e difundem um pensamento.

Foi essa a missão de uma vida de Antonius Andreas, um frade franciscano aragonês que muitos estudiosos consideram um dos maiores divulgadores da obra de Duns Escoto.

A sua dedicação quase religiosa ao Mestre Sutil e a fidelidade com que replicou, comentou e expandiu as suas ideias valeram-lhe o epíteto de Doctor Dulcifluus (o “Doutor Doce como o Mel”). Neste artigo, convido você a conhecer a sua trajetória e a perceber como ele foi essencial para que o escotismo se espalhasse e florescesse pela Europa dos séculos XIV e XV.

Origens, Juventude e Formação

As informações precisas sobre a vida de Antonius Andreas são escassas, e grande parte do que se sabe foi reconstituída a partir de fontes indiretas e estudos especializados, como a biografia de Gensler. Acredita-se que tenha nascido por volta de 1280 na cidade de Tauste, então pertencente ao Reino de Aragão, situada na atual província de Saragoça, na Espanha.

Ele é frequentemente referido por vários nomes, de acordo com o país e a tradição: Antonio Andrés (em espanhol), Antoni Andreu (em catalão), Antoine André (em francês) e Antonio d’Andrea (em italiano), para além da sua forma latina mais comum, Antonius Andreae.

Provavelmente, ingressou na Ordem dos Frades Menores (Franciscanos) por volta de 1295. O seu percurso académico começou na recém-fundada Universidade de Lérida (Lleida), onde estudou entre 1296 e 1299. O seu brilho intelectual foi de tal modo notado que a decisão de o enviar para Paris terá partido do próprio Geral da Ordem Franciscana, Gonçalo de Balboa, que também fora mentor de Duns Escoto.

Em Paris, por volta do ano 1300, Antonius Andreas teve o privilégio de assistir diretamente às lições de Duns Escoto, enquanto este lecionava sobre as Sentenças de Pedro Lombardo, entre 1304 e outubro de 1307. Esta experiência seria determinante para o resto da sua vida e obra.

Carreira Académica e Últimos Anos

Após completar os seus estudos em Paris, por volta de 1309, Antonius Andreas regressou à coroa de Aragão. Por volta de 1312, fixou-se em Monzón, na província de Huesca, onde se dedicou ao ensino da filosofia da natureza no convento franciscano local, tendo ali passado a maior parte da sua vida. Foi também nessa altura que se doutorou em Artes e Teologia pela Universidade de Paris.

A sua carreira docente incluiu também uma passagem pela Universidade de Lérida, onde se sabe que ensinava já em 1315. A data da sua morte é incerta, havendo fontes que a colocam por volta de 1320, enquanto outras a avançam para cerca de 1325.

Principais Obras e o Pensamento Filosófico

A Herança Fiel de Duns Escoto

Antonius Andreas não foi um pensador original no sentido de propor um sistema filosófico inovador. A sua grande missão foi, nas suas palavras, “seguir os passos do Doutor Sutil”. Ele escreveu, sobretudo, versões simplificadas, compilações e comentários aos textos do seu mestre. Essas obras tiveram um papel crucial na popularização do escotismo pela Europa durante os séculos XIV e XV, muito antes da invenção da imprenta, sendo que os primeiros editores de livros estavam ávidos por este material, atingindo o número de edições impressas das obras de Escoto o seu pico na viragem do século XV para o século XVI.

A sua fidelidade a Duns Escoto era tão grande que, durante séculos, várias das suas obras foram atribuídas ao próprio Mestre Sutil. Essa confusão foi alimentada pela proximidade temporal e geográfica entre ambos e pela profundidade da sua admiração, que levou muitos a tratar as suas obras como se fossem do próprio punho de Escoto.

Principais Obras Atribuídas

Ao seu nome estão associadas dezenas de títulos, sendo alguns dos mais importantes:

  • Expositio in XII libros Metaphysicorum Aristotelis: O seu comentário mais famoso à Metafísica de Aristóteles.

  • Quaestiones subtillissimae Metaphysicae Aristotelis (Questões Subtilíssimas da Metafísica de Aristóteles).

  • Quaestiones super XII libros Metaphysicae Aristotelis: Esta obra foi impressa já em 1481, um dos primeiros testemunhos da sua influência na era da imprensa.

  • Comentários à Logica vetus (Lógica Antiga): Foram publicadas treze edições diferentes dos seus comentários aos tratados lógicos de Aristóteles, o que demonstra o seu uso generalizado como manuais de ensino.

  • Tractatus formalitatum ad mentem Scoti.

  • De tribus principiis rerum naturalium.

  • Compendiosum principium in libros sententiarum, obra que foi erroneamente atribuída a São Boaventura.

  • Scriptum aureum in Metaphysicam: É uma das suas obras mais conhecidas.

Curiosidades

  1. O Apelido de “Doctor Dulcifluus”: Os seus contemporâneos chamavam-lhe Doctor Dulcifluus, que significa “Doutor Doce como o Mel“, ou também Doctor dulcissimus et fundatissimus (“Doutor dulcíssimo e profundamente fundamentado”), em reconhecimento à sua clareza, à suavidade do seu estilo e à profundidade da sua doutrina.

  2. O Nome de “Scotellus”: Era também conhecido como Doctor Scotellus (“Pequeno Escoto”), em alusão à sua total devoção e fidelidade ao pensamento de Duns Escoto. O mesmo epíteto, no entanto, também era atribuído a Pedro de Áquila, outro importante escotista.

  3. O Mestre que Reconhecia a sua Dívida: Antonius Andreas teve o cuidado de, em várias passagens das suas obras, reconhecer explicitamente a sua dívida para com Duns Escoto. Num texto famoso, escreveu que tudo o que ali havia de “bem-dito” provinha da arte da doutrina escotista, cujos passos seguia o mais possível.

  4. O “Pseudo-Antonius” e os Problemas de Autoria: Devido à sua grande popularidade e à confusão com as obras do seu mestre, vários textos anónimos ou de outros autores foram-lhe indevidamente atribuídos. Os especialistas referem-se, por vezes, a um “Pseudo-Antonius Andreas” para distinguir os escritos que certamente não são da sua autoria.

Legado de Antonius Andreas

O grande legado de Antonius Andreas reside na sua capacidade de sintetizar, organizar e transmitir as complexas ideias do seu mestre. Num tempo em que a difusão do conhecimento era lenta e limitada, as suas obras serviram como autênticos manuais de introdução à filosofia de Duns Escoto, sendo adotadas em muitos studia franciscanos pela Europa fora. Ele completou as lacunas deixadas por Escoto e, ao copiar, resumir e reestruturar as suas lições, moldou aquilo que viria a ser conhecido como a tradição escotista.

A sua influência persistiu por muito tempo. Durante o século XVI, a sua obra continuou a ser lida, e os impressores ainda procuravam os seus textos para editar. Ele foi um dos grandes responsáveis por transformar o escotismo numa das escolas filosóficas mais influentes da Baixa Idade Média, assegurando que a voz do “Doutor Sutil” ecoasse muito para além do seu tempo.

Pesquisa e Redação Ivair Ximenes Lopes

Referências e Fontes para Aprofundamento

  • Wikipedia – Antonius Andreas (em português)

  • Wikipedia – Antonius Andreas (em inglês)

  • The Logic Museum – Antonius Andreas

  • Encyclopedia.com – Antonius Andreas

  • Biblioteca Virtual de Polígrafos – Andrés, Antonio

  • Biblioteca Virtual de Patrimonio Bibliográfico – Andrés, Antonio

  • Revista AFIL – La recepción del pensamiento filosófico de Antonius Andreae (Doctor Dulcifluus) en el siglo XVI, por R. Ramis Barceló (2022)

  • Revista Anuari de 

Marcado:

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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