Ao longo dos meus anos de estudosobre os pensadores que moldaram o cristianismo primitivo, poucos nomes me provocaram uma admiração tão profunda quanto o de Gregório de Nissa.
Ele não foi um administrador de império, nem um líder militar; foi, antes de tudo, um filósofo da fé — alguém que ousou conciliar a herança de Platão com a revelação cristã, construindo pontes entre o mundo grego e o mundo da Igreja.
A sua vida, marcada por perseguições, exílios e uma vocação tardia, é um testemunho de que a verdadeira teologia não se faz na solidão dos estudos, mas no confronto com as heresias e no serviço à comunidade.
Neste artigo, convido o leitor a conhecer a trajetória, as obras e as curiosidades que cercam este que é, sem dúvida, o mais especulativo e profundo dos Padres Capadócios.
Gregório de Nissa (em grego: Γρηγόριος Νύσσης) nasceu por volta de 335 d.C. em Cesareia da Capadócia, na região da Anatólia (atual Turquia). Pertencente a uma família da aristocracia local, era filho de Basílio, o Velho, e de Emília de Cesareia.
A sua família foi profundamente marcada pela santidade: era neto de Santa Macrina Maior, irmão de Santa Macrina, a Jovem, de São Basílio Magno, de São Naucrácio e de São Pedro de Sebaste. A família teve dez filhos, embora o número exato seja controverso devido à morte de um na infância.
Os pais de Gregório sofreram perseguições pela fé, tendo seus bens confiscados.
Formação e Vida Mundana
Gregório recebeu uma educação esmerada, estudando retórica e filosofia. Dedicou-se à cultura clássica do tempo, um misto de platonismo, aristotelismo e estoicismo. Tornou-se professor de retórica e chegou a contrair matrimônio — uma escolha da qual mais tarde se arrependeria.
Apesar de sua vida mundana, foi profundamente influenciado por seu irmão Basílio e por Gregório Nazianzeno, que o conduziram à vida ascética. Abandonou tudo, inclusive a esposa, e retirou-se para a solidão das margens do rio Íris, dedicando-se ao estudo das obras de Orígenes e Metódio de Olimpo.
O Episcopado e as Perseguições
Em 371, foi elevado à sede episcopal de Nissa, um pequeno distrito da Cesareia, por aclamação popular. No entanto, sua bondade e falta de senso prático foram muitas vezes vistas como ingenuidade.
Foi acusado de desperdiçar os bens da Igreja e, em 376, foi deposto e enviado ao exílio pelos bispos arianos. Dois anos depois, com a morte do imperador Valente, sua inocência foi reconhecida, e ele retornou à sua diocese entre as aclamações do povo.
Em 381, participou do Concílio de Constantinopla, onde foi reconhecido como uma das colunas da ortodoxia. Em 394, compareceu a outro sínodo em Constantinopla. Gregório faleceu por volta de 394-395.
Obras e Pensamento
Gregório de Nissa é considerado o mais especulativo dos Padres Capadócios. Foi o primeiro a sistematizar os dogmas cristãos, diferenciando fé e conhecimento.
Principais Obras
Entre suas obras mais importantes, destacam-se:
Grande Catequese (Oratio catechetica magna): considerado seu principal trabalho dogmático.
A Criação do Homem (De opificio hominis): onde completou a obra de seu irmão Basílio.
Vida de Moisés (De vita Moysis): uma obra mística que usa a jornada de Moisés como alegoria da alma.
Diálogo sobre a Alma e a Ressurreição (Dialogus de anima et resurrectione): também conhecido como “Macrina”.
Contra Eunômio (Adversus Eunomium): defesa da ortodoxia trinitária contra o arianismo.
Vida de Macrina (Vita Macrinae): biografia de sua irmã.
Pensamento Teológico
Gregório é conhecido por formular a doutrina da Trindade, relacionando a teologia dos três Personas divinas com a filosofia platônica. Seus escritos ascéticos e místicos, como Vida de Macrina e Vida de Moisés, combinam inspirações platônicas e cristãs. Em seu tratado Sobre Não Haver Três Deuses, ele relaciona a teologia trinitária com o ensinamento de Platãosobreo Uno e o Múltiplo.
Uma família de santos: Gregório fazia parte de uma das famílias mais santas da história da Igreja — sua avó, irmãos e irmã são todos venerados como santos.
Casado e depois monge: Ao contrário de muitos Padres da Igreja, Gregório foi casado antes de se tornar monge e bispo.
O “Filósofo”: Era conhecido em vida como “o Filósofo”, devido à sua profunda erudição e ao seu domínio da cultura clássica.
Perseguido e exilado: Foi deposto e exilado em 376 por acusações de malversação financeira, mas dois anos depois foi inocentado e reassumiu sua diocese.
Coluna da ortodoxia: No Concílio de Constantinopla (381), os padres conciliares o apelidaram de “coluna da ortodoxia”.
Mestre do silêncio: Gregório desenvolveu uma teologia mística que enfatiza o silêncio e a contemplação como caminhos para conhecer a Deus.
Legado
Gregório de Nissa é um dos mais importantes teólogos da Igreja primitiva.
Como um dos três Padres Capadócios — ao lado de seu irmão Basílio Magno e de Gregório Nazianzeno —, ele foi fundamental para a formulação da doutrina da Trindade e para a vitória da ortodoxia nicena sobre o arianismo.
Sua obra, que equilibra a tradição platônica e cristã, influenciou profundamente tanto a Igreja Oriental quanto a Ocidental.
Ele é lembrado como um dos primeiros grandes sintetizadores do cristianismo com a filosofia grega, mostrando que a razão e a fé não precisam ser inimigas, mas podem caminhar juntas na busca da verdade.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).