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O mar de bronze: simbolismo maçônico e sua posição no templo

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O mar de bronze: simbolismo maçônico e sua posição no templo

Resumo preliminar do texto base

O artigo original de Luis de Figueiredo apresenta uma pesquisa detalhada sobre o mar de bronze, um elemento simbólico e arquitetônico que ornava o templo de Salomão, conforme descrito na Bíblia (1º Reis 7, 23-36 e 2º Crônicas 4,10).

O mar de bronze tinha dimensões aproximadas de 4,5 metros de diâmetro, capacidade de 90 mil litros, e repousava sobre doze bois simbolizando os doze sinais do zodíaco, representando assim a totalidade do cosmos. Sua função era a purificação ritual, tanto dos sacerdotes quanto dos animais sacrificados.

O texto base destaca divergências nas traduções bíblicas quanto à localização exata do mar de bronze, e apresenta a posição tradicional maçônica do mesmo dentro do templo maçônico, enfatizando que, embora o templo maçônico seja uma réplica simbólica do templo de Salomão, a orientação espacial difere, invertendo os pontos cardeais, o que influencia a localização do mar de bronze próximo à coluna Jaquim e à porta de entrada, na posição sudoeste.

Pesquisa histórica sobre o mar de bronze e sua simbologia na maçonaria regular

O mar de bronze, ou “Mar de Fundição”, é um elemento de destaque no Templo de Salomão, cuja descrição detalhada se encontra em textos bíblicos e que tem profundas interpretações simbólicas na tradição maçônica regular (Rizzardo da Camino, 2006). Historicamente, o mar era uma grande bacia de bronze utilizada para purificação ritual — uma prática comum nas religiões do Antigo Oriente Próximo — que simbolizava a necessidade de limpeza espiritual antes de adentrar o sagrado (Waite, 1922).

Na Maçonaria Regular, que tem por base a simbologia do Templo de Salomão como um modelo ideal de construção moral e espiritual, o mar de bronze representa o princípio da purificação interior, uma etapa indispensável para o progresso do iniciado. Esta purificação é tanto física — na forma de rituais de água — quanto moral e intelectual, preparando o candidato para o “sacrifício do homem profano” e a renovação em luz (Mansur, 1995; Castellani, 1989).

A simbologia dos doze bois que sustentam o mar também é fortemente destacada na doutrina maçônica, representando os ciclos cósmicos, o zodíaco e a ordem universal, indicando a ligação entre o microcosmo humano e o macrocosmo divino (Pike, 1871; Ortega, 2011).

A posição do mar no templo é interpretada como sendo no sudeste (ou sudoeste no templo maçônico), próximo à coluna Jaquim, que simboliza a força estabelecida e a estabilidade do edifício moral que o maçom deve construir (Gonçalves, 2009).

Opiniões contrárias

Algumas correntes dentro da maçonaria questionam a literalidade ou mesmo a simbologia atribuída ao mar de bronze, apontando que algumas descrições bíblicas apresentam inconsistências técnicas — como as medidas e capacidade de água do mar — que poderiam indicar um simbolismo mais abstrato e menos ligado a uma estrutura física real (Castellani, 1989; Schmidt-Patier, 2014).

Outros estudiosos destacam que o excesso de atenção ao mar de bronze pode desviar o foco do maçom da essência da iniciação, que é a transformação interior e não a fixação em elementos externos ou arquitetônicos (Brasílio Conte, 2008). Há ainda quem critique a discrepância na localização do mar entre as traduções bíblicas e os rituais maçônicos, defendendo que a inversão dos pontos cardeais no templo maçônico seria um artifício ritualístico e não uma reprodução histórica precisa (Rizzardo da Camino, 2006).

Doutrina mais aceita na maçonaria regular

Na maçonaria regular, é consenso que o mar de bronze simboliza a purificação e a preparação do iniciado para a luz da verdade e da sabedoria. Conforme a doutrina do Rito Escocês Antigo e Aceito (R.E.A.A.), o mar representa a limpeza da alma, a ablução necessária para que o maçom possa adentrar os mistérios da Ordem com o espírito livre de impurezas (Ritual do R.E.A.A., 2001; Mansur, 1995).

Alberto Mansur enfatiza que o mar é o símbolo da purificação do corpo e da alma, ligando o maçom à universalidade da criação, enquanto Albert Pike destaca a importância da ordem cósmica representada pelos doze bois que sustentam o mar, símbolo da harmonia entre o homem e o universo (Pike, 1871).

Nicola Aslan ressalta que o mar de bronze é um dos elementos que conferem ao templo maçônico sua força simbólica e que sua localização, próxima à coluna Jaquim, reforça a ideia de estabilidade e sustentação do edifício espiritual do maçom (Aslan, 2010).

Utilização do texto base com a pesquisa

Conforme apresentado no texto base, as divergências nas traduções bíblicas e a dificuldade técnica de algumas medidas do mar de bronze reforçam a necessidade de interpretá-lo principalmente como símbolo e não como objeto arquitetônico literal. O mar, em sua função ritual de purificação, mantém seu significado central para o ritual maçônico, ligado à limpeza e renovação espiritual do candidato (Luis de Figueiredo, 2013).

A inversão da orientação dos pontos cardeais do templo maçônico em relação ao templo de Salomão, detalhada no texto base, confirma a complexidade da simbologia utilizada na maçonaria, que privilegia o significado sobre a literalidade, buscando preservar a harmonia e o equilíbrio simbólicos necessários ao desenvolvimento do maçom (Castellani, 1989; Rizzardo da Camino, 2006).

Assim, a posição sudoeste do mar de bronze no templo maçônico não é apenas uma questão topográfica, mas um elemento simbólico que reforça a sustentação do templo espiritual e a preparação do iniciado para a jornada que seguirá.

Considerações finais

O mar de bronze é um dos símbolos mais ricos e complexos da maçonaria regular, carregando em si a ideia da purificação, da ordem cósmica e da preparação do indivíduo para a iniciação e o progresso espiritual. Sua representação e localização no templo maçônico refletem a profunda interligação entre tradição bíblica, simbologia esotérica e ritualística maçônica.

Embora existam controvérsias e discussões sobre aspectos técnicos e interpretativos, a doutrina maçônica consolidada reconhece no mar de bronze um elemento fundamental para a compreensão do processo iniciático, sustentando o compromisso do maçom com a purificação contínua e a busca pela perfeição moral.

Autor Ivair Ximenes Lopes

Referências bibliográficas

Marcado:

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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