Princípio da Coerência – A verdade de um enunciado depende de sua consonância com um sistema mais amplo de crenças
maio 23, 2026
Princípio da Coerência – A verdade de um enunciado depende de sua consonância com um sistema mais amplo de crenças
Como autor, (I) Ximenes, inicio este artigo compartilhando uma inquietação que há muito acompanha minha trajetória nos estudos alinhados a interpretações filosóficas: é possível que uma crença seja verdadeira sem se ancorar em um fundamento último e indubitável? Diante dessa questão, o Princípio da Coerência — ou coerentismo — oferece uma resposta ousada e sistemática.
Para mim, a verdade de um enunciado não repousa em dados sensíveis imediatos ou em axiomas autoevidentes, mas sim em sua consonância lógica e harmonia com um sistema mais amplo de crenças.
Em outras palavras, uma proposição é verdadeira (ou epistemicamente justificada) na medida em que se integra, sem contradições, ao conjunto total do que acreditamos.
Essa perspectiva contrasta frontalmente com ofundacionismo cartesiano, que busca verdades primeiras e inabaláveis sobre as quais edificar todo o edifício do conhecimento.
Ao longo deste artigo, pretendo explorar os fundamentos, as vantagens e os desafios do coerentismo, defendendo sua relevância para a epistemologia contemporânea e para a compreensão da racionalidade humana
O Princípio da Coerência, ou coerentismo, é uma teoria sobre a natureza da verdade e da justificação epistêmica que contrasta diretamente com o fundacionismo cartesiano. Enquanto o fundacionismo busca verdades indubitáveis a partir das quais derivar as demais, o coerentismo sustenta que a verdade (ou justificação) de uma crença não deriva de um fundamento exterior a ela, mas de sua relação de consistência lógica e harmonia com o conjunto total de crenças do sujeito.
Na teoria da coerência da verdade, afirma-se que a verdade é uma propriedade de sistemas inteiros de proposições (ou crenças), podendo ser atribuída a proposições individuais apenas derivativamente, na medida em que estas se integram coerentemente ao todo.
Em outras palavras, uma proposição é verdadeira se e somente se ela é membro de um sistema de proposições que é internamente consistente, abrangente e explicativamente poderoso.
Na filosofia do século XX, destacaram-se Brand Blanshard (que ofereceu a primeira caracterização contemporânea completa da teoria) e Nicholas Rescher.
A teoria da coerência pode ser contrastada com a teoria da correspondência, que sustenta que uma proposição é verdadeira se ela corresponde aos fatos (a realidade independente da mente). Enquanto o correspondencialismo parece intuitivamente adequado para enunciados empíricos simples (“Está chovendo agora”), ele enfrenta dificuldades para explicar enunciados teóricos abstratos e para definir o que “correspondência” realmente significa.
A coerência, por seu turno, oferece uma explicação imanente e holista da verdade, que se aplica naturalmente a sistemas axiomáticos e a teorias científicas completas.
No domínio da epistemologia, o coerentismo é a posição segundo a qual uma crença está justificada quando ela se ajusta harmoniosamente ao sistema geral de crenças do indivíduo, sem depender de crenças básicas infalíveis (que o fundacionismo exige). A justificação, nessa visão, tem estrutura de rede: cada crença apoia as demais, e a força justificatória flui circularmente do sistema como um todo.
O coerentismo, contudo, enfrenta objeções sérias. A principal delas é que um sistema pode ser internamente coerente (não contraditório) e, no entanto, ser inteiramente falso em relação ao mundo exterior. É possível construir um romance de fantasia ou uma mitologia completamente consistente internamente que não corresponde a qualquer realidade.
A coerência não é garantia de verdade; ela pode ser mera consistência formal, desacompanhada de contato com a experiência.
Além disso, o coerentismo parece precisar, para sua própria formulação, de uma noção de correspondência – pois ao afirmar que a verdade é coerência, o coerentista está fazendo uma afirmação que, para ser verdadeira, deve corresponder à natureza real da verdade.
Apesar dessas dificuldades, o coerentismo exerce forte atração em áreas onde a correspondência é problemática: na filosofia da matemática (onde se busca consistência interna), na hermenêutica (onde a interpretação é avaliada por sua coerência com o texto e o contexto) e na filosofia da ciência (onde teorias são avaliadas por sua coerência empírica e teórica com o paradigma vigente).
A pesquisa que reuni, a respeito do tema e prezando por uma interpretação bem ordinária, sem conclusões precipitadas ou inovadoras, com base em sólida documentação e textos de redação consistentes, espero ter abordado o assunto com a clareza e a humildade que ele exige. Não pretendi esgotar as questões, tampouco entregar respostas definitivas.
O que ofereço é um percurso documentado – filosófico, teológico, humanístico e maçônico – que respeita as fontes e evita voos retóricos desnecessários. Cada leitor, à sua maneira, poderá aprofundar ou discordar. A mim coube apenas organizar o que outros, mais sábios, já pensaram e escreveram, acrescentando o testemunho honesto de quem, ao longo dos anos, aprendeu que viver, morrer e esperar o além são mistérios que se mostram mais na prática do que na teoria. Que este trabalho sirva não como ponto de chegada, mas como convite à reflexão pessoal.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).