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Rir dos Cem Passos (Os cinquenta passos Zombam dos cem): A Hipocrisia do Julgamento e a cegueira sobre os Próprios Defeitos

Rir dos Cem Passos Os cinquenta passos Zombam dos cem A Hipocrisia do Julgamento e a cegueira sobre os Proprios Defeitos

Rir dos Cem Passos (Os cinquenta passos Zombam dos cem): A Hipocrisia do Julgamento e a cegueira sobre os Próprios Defeitos

1. O Resumo da Fábula

Em tempos de guerra, o rei de um pequeno Estado consultou seu sábio conselheiro, Mencius, sobre a administração do reino. Mencius, então, contou-lhe a seguinte parábola: Em um campo de batalha, dois soldados fugiam do combate. Um deles, após correr cinquenta passos, parou, recuperou o fôlego e, olhando para trás, viu outro soldado que ainda corria, já tendo ultrapassado a marca dos cem passos.

O que parou aos cinquenta passos, então, riu-se do outro, apontando o dedo e dizendo: “Veja só o covarde! Foge como um miserável, já ultrapassou os cem passos!”

O sábio então perguntou ao rei: “Ó senhor, o soldado que correu cinquenta passos tem o direito de zombar daquele que correu cem?”

O rei respondeu: “Claro que não! Ambos estão fugindo; a diferença é apenas de quantidade, não de qualidade.

Cinquenta passos e cem passos são ambos fuga.” E Mencius concluiu: “Assim também é com os governantes que condenam os vícios de seus vizinhos, mas praticam os mesmos vícios em sua própria corte, apenas em menor escala.”

A moral da história é: “Quem vive na própria falha não tem o direito de apontar a falha alheia. A diferença de grau não anula a identidade do erro. A verdadeira virtude começa quando se reconhece o próprio defeito antes de apontar o do próximo.”

Esta fábula é um dos mais precisos e cortantes diagnósticos da….

2. Associação com a Maçonaria

Esta fábula é um dos mais precisos e cortantes diagnósticos da hipocrisia moral e da cegueira seletiva — dois vícios que a Maçonaria combate com uma das mais rigorosas ferramentas do autoconhecimento: o exame diário da própria consciência.

O soldado que correu cinquenta passos e zomba do que correu cem é a personificação viva do obreiro que condena no irmão o pecado que ele mesmo comete, apenas em proporções menores.

No contexto maçônico, a fábula fala diretamente sobre a tendência humana ao julgamento apressado.

Quantas vezes, na Oficina, um irmão aponta os defeitos de outro: “Fulano é orgulhoso!” “Beltrano não tem pontualidade!” “Ciclano é fofoqueiro!” Mas o mesmo irmão que aponta, ao olhar para si mesmo com honestidade, descobre que também é orgulhoso em sua própria medida, que também falta à pontualidade quando lhe convém, que também fala demais quando deveria calar.

A diferença é de cinquenta passos para cem — ambos estão fugindo da batalha da virtude, ambos estão desertando do combate contra seus próprios vícios.

A fábula nos ensina que a medida do erro é irrelevante diante da natureza do erro. O soldado que correu cinquenta passos não é mais corajoso que o que correu cem; ambos são desertores. O irmão que fofoca um pouco menos que o outro não é mais virtuoso; ambos estão ferindo a fraternidade.

O maçom que chega atrasado às reuniões com menos frequência que seu colega não está mais comprometido; ambos estão desrespeitando o tempo do Templo. A Maçonaria exige não a redução dos defeitos, mas a sua superação radical. Não se trata de ser “menos pior”, mas de buscar a perfeição moral, mesmo sabendo que ela é um horizonte sempre distante.

Há uma lição ainda mais profunda sobre o mecanismo da projeção. O soldado que zomba do outro está, na verdade, tentando se convencer de sua própria coragem. Ao apontar o dedo para o que corre mais, ele esconde de si mesmo sua própria covardia. Na psicologia maçônica, isso é chamado de projeção: atribuir ao outro o defeito que não queremos enxergar em nós. O irmão que mais severamente condena a vaidade alheia é, muitas vezes, o mais vaidoso de todos. O que mais fala sobre a importância do silêncio é, geralmente, o que mais fala. A fábula adverte: antes de olhar para o irmão, o maçom deve olhar para o espelho da própria consciência — e, se vir ali o soldado fugitivo, deve calar seu julgamento e voltar à batalha interior.

A fábula também dialoga com a questão da escala de valores. Cinquenta passos e cem passos são quantidades diferentes, mas ambas são medidas de fuga. Na vida maçônica, há uma tentação constante de hierarquizar os defeitos: “Meu defeito é pequeno, o dele é grande.” “Minha falta é venial, a dele é mortal.” Mas a Maçonaria não trabalha com essa hierarquia mundana; ela trabalha com a verdade absoluta do Esquadro. O Esquadro não mede cinquenta ou cem; ele mede o ângulo reto, a retidão perfeita. Qualquer desvio, por menor que seja, já é um desvio. O verdadeiro maçom não se consola por ser “menos pior” que o outro; ele se esforça para ser “melhor” do que era ontem, independentemente dos outros.

Há ainda uma leitura sobre a comunidade da culpa. O soldado que ri do outro está, ao rir, se excluindo da irmandade dos que falham. Ele se coloca em um pedestal imaginário, onde pode julgar o outro sem ser julgado. Na Maçonaria, porém, a Cadeia de União é feita de irmãos que reconhecem suas falhas mutuamente e se ajudam a superá-las. Não há lugar para o juiz solitário que aponta o dedo; há lugar para o irmão que estende a mão e diz: “Eu também sou imperfeito. Vamos melhorar juntos.” A fábula é um chamado à solidariedade na imperfeição, e não à competição de quem é menos imperfeito.

Por fim, a fábula nos convida a refletir sobre a natureza do arrependimento. O soldado de cinquenta passos, em vez de se arrepender de sua fuga, prefere zombar da fuga alheia. Ele não se volta para a batalha; ele se volta contra o irmão. O maçom que não se arrepende de seus próprios erros está condenado a repeti-los, e pior: está condenado a tornar-se um fiscal implacável dos erros alheios, perdendo a oportunidade de crescer.

O verdadeiro arrependimento maçônico não é a lamentação estéril, mas a mudança de direção — voltar à batalha da virtude, mesmo que se tenha corrido cem ou quinhentos passos. A Luz está sempre no Oriente, e nunca é tarde para retomar o caminho, desde que se pare de apontar o dedo para o irmão e se comece a trabalhar a própria pedra.

Pesquisa e redação: Ivair Ximenes Lopes

Fontes de Referência

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MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

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goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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