André Pinto Rebouças foiumhomem à frente de seu tempo. Engenheiro militar, inventor, professor, escritor e um dos mais ferrenhos defensores da abolição da escravatura no Brasil, sua vida foi marcada por realizações extraordinárias e por umidealismo que o acompanhou até os últimos dias. Monarquista convicto, exilou-se com a famíliaimperial e dedicou seus anos finais a projetos na África, sempre buscando aplicar seus conhecimentos em prol do desenvolvimento e da justiça social.
André Pinto Rebouças nasceu em 13 de janeiro de 1838 na cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano. Seu nascimento ocorreu em um período conturbado da históriabrasileira, em plena Sabinada, uma revolução baiana contra o governo regencial.
Era filho de Antônio Pereira Rebouças, um advogado autodidata, filho de uma ex-escravizada e de umhomem branco, que se tornou deputado pela província da Bahia e conselheiro do imperadorDom Pedro I, e de Carolina Pinto Rebouças. Sua famíliaera notável: seu tio, Manuel Maurício Rebouças, foi médico, professor da Faculdade de Medicina da Bahia e combatente da Guerra de Independência.
Em 1846, a família mudou-se para o Rio de Janeiro, onde André e seu irmão Antônio, seu grandecompanheiro de vida e trabalho, foram alfabetizados pelo pai. Em 1854, ingressou na Escola Militar do Rio de Janeiro, graduando-se em Ciências Físicas e Matemáticas em 1859 e obtendo o título de engenheiro militar em 1860, tornando-se o primeiro engenheiro negro a se formar pela instituição.
Entre 1861 e 1862, ele e o irmão viajaram à Europa para complementar seus estudos. Na França e na Inglaterra, dedicaram-se à teoria e à prática da Engenharia Civil. De volta ao Brasil, André publicou “Memórias Sobre os Caminhos de Ferro na França”, e com a colaboração de Antônio, “Estudos Sobre Portos de Mar”.
Designado para inspecionar fortificações no litoral sul, Rebouças também projetou o novo porto do Maranhão em 1864. Com a eclosão da Guerra do Paraguai em 1865, voluntariou-se e serviu no batalhão de engenheiros. Sua tática de manter o cerco à Uruguaiana sem bombardear a cidade foi bem-sucedida, rendendo-lhe a amizade do Conde d’Eu.
De volta ao Rio de Janeiro, tornou-se diretor das obras das novas Docas da Alfândega e, posteriormente, das Docas de Pedro II. A partir de 1876, ingressou como professor da Escola Politécnica no Rio de Janeiro, e a partir da década de 1880 envolveu-se mais profundamente no movimentoabolicionista.
Com a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, Rebouças, monarquista convicto e amigo pessoal do imperador, partiu para o exílio juntamente com a famíliaimperial. Nos seisanos seguintes, trabalhou pelo desenvolvimento de territórios africanos, passando por Angola, Moçambique e África do Sul. Desiludido com a exploração colonial, mudou-se para a ilha da Madeira, onde faleceu em 9 de maio de 1898, em circunstâncias nunca totalmente esclarecidas.
André Rebouças foiummaçom atuante, e sua visão de mundofoi profundamente influenciada pelos ideais fraternais, igualitários e liberais da Ordem. Ele enxergava a Maçonaria como um bastião das defesas do Abolicionismo e da igualdade.
Acredita-se que sua adesão a correntes de pensamento como o pitagorismo esteja relacionada aos ambientes de sociabilidade maçônica que frequentava. Sua atuação na Maçonaria, portanto, não foi apenas cerimonial, mas umespaço de construção de alianças políticas e intelectuais para a causa abolicionista.
Em sua homenagem, existem LojasMaçônicas com seu nome, como a ARLS André Rebouças, fundada em 26 de junho de 1970, e a Loja André Rebouças Nº 1777, em Salvador, que pratica o Rito Brasileiro.
A produção intelectual de André Rebouças é vasta, mas, como observam os pesquisadores, a maior parte de sua obra permanece não publicada, estando confiada aos seus diários íntimos e à sua extensa correspondência.
Entre suas obras publicadas, destacam-se:
Memórias Sobre os Caminhos de Ferro na França e EstudosSobre Portos de Mar, resultados de sua viagem de estudos à Europa.
O engenheiro abolicionista: 1. Entre o Atlântico e a Mantiqueira – Diários, 1883-1884, e seu segundo volume, O engenheiro abolicionista: 2. No Hotel dos Estrangeiros – Diário, artigos e cartas, 1883-1885, organizados pela historiadora Hebe Mattos.
Cartas da África, que reúne sua correspondência do período de exílio no continente africano.
Além disso, Rebouças escreveu diversos livros sobrereligião e traduziu a Bíblia protestante para o português.
A vida de André Rebouças é repleta de episódios que revelam sua personalidade, seus ideais e os desafios que enfrentou:
O Primeiro Engenheiro Negro do Brasil: André Rebouças foi o primeiro engenheiro negro a se formar pela Escola Militar, rompendo barreiras raciais em um país escravocrata.
Vítima de Segregação nos EUA: Em 1872, viajou aos Estados Unidos, onde experimentou o regime segregacionista, tendo dificuldades até mesmo para conseguir um hotel para se hospedar.
A Tática que Venceu sem Bombardear: Na Guerra do Paraguai, Rebouças propôs uma tática de cerco a Uruguaiana que evitou o bombardeio da cidade, garantindo a rendição da guarnição paraguaia e iniciando uma longa amizade com o Conde d’Eu.
A Reforma Agrária como Solução: Rebouças defendia que, junto com a abolição, deveria vir uma política de desapropriação e concessão de terras para os libertos e imigrantes pobres. A forma como a abolição se deu, sem nenhum plano para os libertados, foi profundamente decepcionante para ele.
Uma Vida de Diários: Homem metódico, Rebouças manteve diários detalhados ao longo de sua vida. Seus registros, feitos no Letts Diary, uma pioneira agenda comercial impressa na Inglaterra, sãosecos e econômicos, mas revelam as minúcias de sua rotina e a complexidade de seu tempo.
O Patrono de Carlos Gomes: Rebouças buscou apoio financeiro para que o compositor Carlos Gomes pudesse retornar à Itália, demonstrando seu apreço pelas artes.
Uma Morte Envolta em Mistério: Encontrado morto ao pé de um precipício em Funchal, na Ilha da Madeira, sua mortenunca foi totalmente esclarecida. Há uma máscara mortuária de André Rebouças, que faleceu exilado.
Conclusão
André Rebouças foium dos maiores pensadores e realizadores do BrasilImpério. Sua trajetória como engenheiro, abolicionista, monarquista e maçom demonstra um compromisso inabalável com a modernização do país e com a justiça social. Sua visão de uma reforma agrária para integrar os libertos, sua luta incansável contra a escravidão e seus projetos de infraestrutura revelam umhomem que não apenas sonhou com umBrasil melhor, mas que dedicou sua vida a construir as bases para esse futuro. Seu legado, preservado em diários, projetos e na memória das instituições que o homenageiam, continua a inspirar as gerações presentes.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).