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Dom Pedro I do Brasil

Dom Pedro I

Dom Pedro I do Brasil: biografia, poder político e a experiência maçônica

1. Nome completo e identificação histórica

Dom Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon

Conhecido historicamente como Dom Pedro I, foi o primeiro Imperador do Brasil e, posteriormente, Dom Pedro IV de Portugal.

2. Origem e formação

Dom Pedro nasceu em 12 de outubro de 1798, no Palácio de Queluz, em Portugal, filho do então príncipe regente Dom João (futuro Dom João VI) e de Dona Carlota Joaquina de Bourbon.

Recebeu educação típica da Casa de Bragança, com formação militar, política e cultural, embora menos erudita que a de seu pai. Sua personalidade foi marcada por impulsividade, espírito militar, senso de autoridade e capacidade de decisão em momentos críticos.

3. Dom Pedro e o processo de Independência do Brasil

Com a transferência da Corte portuguesa para o Brasil em 1808, Dom Pedro cresceu em ambiente político ativo. Em 1821, com o retorno de Dom João VI a Portugal, permaneceu no Brasil como Príncipe Regente.

Entre 1821 e 1822, tornou-se o principal articulador da resistência brasileira às determinações das Cortes portuguesas, culminando:

  • no Dia do Fico (9 de janeiro de 1822);

  • na ruptura política definitiva;

  • na Proclamação da Independência, em 7 de setembro de 1822.

Em 12 de outubro de 1822, foi aclamado Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.

4. Iniciação de Dom Pedro I na Maçonaria

4.1. Contexto da iniciação

A iniciação de Dom Pedro na Maçonaria ocorreu em meio às articulações políticas do processo de Independência, quando as Lojas funcionavam como espaços de sociabilidade política e difusão do liberalismo constitucional.

4.2. Data, Loja e Obediência

Segundo registros históricos e a tradição institucional do Grande Oriente do Brasil:

Dom Pedro foi iniciado com o nome simbólico Guatimozim, referência a líder indígena resistente, conforme a tradição da época.

5. Atuação maçônica e ascensão ao Grão-Mestrado

Após sua iniciação, Dom Pedro teve participação ativa e rápida ascensão na estrutura maçônica:

Sua eleição refletia tanto sua posição política quanto a expectativa de que a Maçonaria pudesse influenciar a organização constitucional do novo Estado brasileiro.

6. Ruptura com a Maçonaria

6.1. Conflitos políticos e institucionais

A relação entre Dom Pedro I e a Maçonaria deteriorou-se rapidamente. As divergências principais envolveram:

  • limites do poder imperial;

  • defesa do liberalismo constitucional;

  • autonomia das Lojas;

  • oposição de setores maçônicos ao autoritarismo imperial.

6.2. Dissolução das Lojas

Em outubro de 1822, pouco após a Independência, Dom Pedro:

  • afastou-se da Maçonaria;

  • determinou o fechamento temporário de Lojas;

  • rompeu institucionalmente com o Grande Oriente do Brasil.

Esse episódio marcou uma das primeiras grandes fraturas políticas do Império nascente.

7. Dom Pedro I e o Primeiro Reinado

O Primeiro Reinado (1822–1831) foi caracterizado por:

  • centralização do poder;

  • dissolução da Assembleia Constituinte em 1823;

  • outorga da Constituição de 1824;

  • repressão a movimentos liberais, como a Confederação do Equador.

Esses eventos consolidaram a imagem de Dom Pedro I como monarca de perfil autoritário, afastado do ideário liberal que inicialmente dialogara com a Maçonaria.

8. Dom Pedro I na memória maçônica

Na memória maçônica brasileira, Dom Pedro I é figura ambígua e controversa:

  • reconhecido como iniciado e Grão-Mestre;

  • associado ao processo da Independência;

  • criticado pela ruptura institucional com a Ordem;

  • lembrado como exemplo dos limites da conciliação entre poder pessoal e princípios maçônicos.

A memória maçônica tende a valorizar sua iniciação e seu papel simbólico na Independência, mas também registra sua posterior oposição à autonomia da Ordem.

9. Últimos anos e legado histórico

Após abdicar do trono brasileiro em 7 de abril de 1831, Dom Pedro retornou à Europa, onde liderou a luta liberal em Portugal contra o absolutismo de Dom Miguel.

Faleceu em 24 de setembro de 1834, em Queluz, sendo lembrado como figura central na história constitucional de Brasil e Portugal.

10. Considerações finais

Dom Pedro I representa uma figura complexa na história brasileira e na memória maçônica. Sua iniciação e breve atuação na Maçonaria ocorreram em momento decisivo da formação do Estado brasileiro, refletindo o diálogo entre liberalismo, monarquia e sociabilidade política.

A ruptura posterior evidencia os limites históricos da convivência entre um poder imperial centralizador e uma instituição fundada na autonomia, na liberdade de consciência e na igualdade simbólica entre seus membros.

Autor Ivair Ximenes Lopes

Fontes

  • FAUSTO, Boris. História do Brasil.

  • CARVALHO, José Murilo de. A Construção da Ordem.

  • PRADO JÚNIOR, Caio. Formação do Brasil Contemporâneo.

  • SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Colônia a Império.

  • BARATA, Alexandre Mansur. Maçonaria, Sociabilidade Ilustrada e Política no Brasil.

  • COLUSSI, Eliane. Maçonaria e Poder no Brasil.

  • ABREU, Alzira Alves de (org.). Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro.

  • Trabalhos históricos do Grande Oriente do Brasil.

  • Periódicos maçônicos do século XIX.

Marcado:

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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