Ao longo dos anos dedicados ao estudo da tradição iniciática, sempre me fascinou a forma como a Maçonaria articula duas dimensões aparentemente opostas: a lei que vem do alto, inscrita no coração da criação, e a lei que emerge da razão humana, acessível a todos os homens de boa vontade.
Esta dualidade — entre o que é revelado e o que é descoberto — não é uma contradição, mas uma harmonia profunda.
O maçom, ao percorrer os graus da Ordem, aprende que o Livro da Lei Sagrada (Lex Divina) e a LeiNatural (Lex Naturalis) não são rivais, mas faces da mesma verdade: uma ordem universal que rege tanto os astros quanto a consciência humana.
Neste artigo, convido o leitor a compreender como a Maçonaria entende e integra as leis divinas e as leis naturais, e como essa síntese orienta a jornada do iniciado em busca da Luz.
Lei Eterna (Lex Aeterna): A própria razão de Deus, o plano divino que governa todo o universo. É a fonte de todas as leis, invisível aos olhos humanos, mas presente em cada ato da criação.
LeiNatural (Lex Naturalis): A participação da lei eterna na criatura racional. É a capacidade inata no serhumano de distinguir o bem do mal, uma lei “escrita por Deus mesmo, em caracteres de vida, no grandelivro da natureza física, intelectual e moral”.
Lei Humana (Lex Humana): As leis positivas criadas pelos homens para reger a vida em sociedade. Para ser justa, deveestar de acordo com a leinatural.
Ela é definida como uma lei cujo conteúdo é definido pela própria natureza e, portanto, possui validade universal. É a capacidade inata no serhumano de distinguir o bem do mal.
Diferentemente da lei positiva — aquela criada por uma comunidade política ou Estado — a leinatural é acessível a todos os homens pelo uso da razão. Ela não depende de revelação divina, mas é descoberta pela inteligência humana ao contemplar a ordem do universo.
Nas palavras de ummaçom do século XIX, a lei divina é “a leiimutável de Deus” que exige que “além de respeitar os direitos absolutos dos outros, e de ser meramente justo, devemos fazer o bem, ser caridosos e obedecer aos ditames dos sentimentos generosos e nobres da alma”.
Nesta perspectiva, o V.’.L.’.S.’. é o Sol; os Landmarks são o calor e a Luz. As compilações humanas tentam descrever a luz, mas o Livro é a fonte da luz.
A Maçonaria ensina que a leinatural, “a da natureza, é necessária“, e que “quando a lei escrita estiver de acordo com a leinatural, que é a lei do ser racional que vem da lei eterna (vontade de Deus nas suas criaturas)”, então ela é justa.
O maçom, ao jurar sobre o Livro da Lei, compromete-se a obedecer à lei divina revelada.
Ao estudar a natureza e a razão, compromete-se a obedecer à leinatural descoberta. As duas leis não se contradizem: são expressões da mesma lei eterna, do mesmo plano divino que governa o universo.
A justiça divina é aquela que permite que os maus pereçam em consequência dos seus pecados e os bons sejam salvos. A justiça humana, por outro lado, é falível, como exemplificado pelo episódio em que Pilatos lavou as mãos ao condenar Jesus.
Esta distinção não é um convite ao fatalismo, mas um alerta para que o maçom busque sempre alinhar a justiça humana com a justiça divina.
A conexão entre leis divinas e leis naturais na Maçonaria é a expressão de uma visão de mundo onde o céu e a terra não estão separados.
O Livro da Lei, no centro do altar, representa a revelação divina.
A razão, que investiga a natureza, representa a descoberta humana. O maçom, ao longo da sua caminhada, aprende que estas duas fontes de conhecimento não se opõem, mas se complementam.
A Lei Divina recorda-lhe a sua obrigação para com o Criador. Juntas, elas formam o fundamento da ética maçônica: uma ética que é ao mesmo tempo racional e espiritual, humana e divina.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).