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A Letra “G”

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A Letra “G”: Símbolo do Grande Arquiteto e da Ordem Universal na Maçonaria

Na Maçonaria, a letra “G” transcende sua simplicidade gráfica, tornando-se um dos símbolos mais profundos e universais. Como ensina Rizzardo da Camino, “a letra G do alfabeto latino apresenta-se como um dos mais singelos símbolos, que expressa, porém, a grandiosidade maçônica” (Camino, 2014, p. 176).

Sua posição central entre o Esquadro e o Compás , bem como no Delta Luminoso e na Estrela Flamígera , simboliza a presença do Grande Arquiteto do Universo (GAU) , o princípio ordenador do cosmos e da própria jornada iniciática. A “G” é, assim, o lembrete constante de que “o maçom deve equilibrar-se, pois a multiplicidade dos idiomas não pode servir para criar confusões” (ibid.), reforçando que, seja como Deus , Yod (י) hebraico ou Geômetra , a essência da simbologia é a busca pela ordem divina .

A Letra “G” nos Três Graus Simbólicos: Aprendiz, Companheiro e Mestre

Nos graus iniciais da Maçonaria, a “G” é trabalhada como símbolo da presença divina e da geometria sagrada :

      1. Grau de Aprendiz :
        O Aprendiz confronta a “G” na Câmara de Reflexão , onde ela simboliza a origem da luz e a necessidade de retificação . Camino destaca que “dentro do templo, a ‘G’ situa-se no espaço livre entre o cruzamento do compás e do esquadro” (Camino, 2014, p. 176), recordando que a verdadeira construção começa com a harmonia entre liberdade e limitação .
      2. Grau de Companheiro :
        Aqui, a “G” é associada ao estudo das Quinze Escadas , onde cada degrau representa uma etapa da sabedoria, culminando na compreensão de que “Deus é o Grande Geômetra que organiza o caos” (DUBOIS, 2009). No Rito Escocês Antigo e Aprovado (REAA) , o Companheiro aprende que a “G” também está na Estrela Flamígera , símbolo da aspiração à luz divina.
      3. Grau de Mestre :
        A lenda de Hiram Abif, central no Grau 3º (Mestre Maçom) , ilustra que a “G” não é apenas um emblema, mas o núcleo da verdade oculta , onde a verticalidade do Compás e a horizontalidade do Esquadro convergem na letra que representa o GAU. Albert Pike, em Morals and Dogma , associa a “G” ao “princípio ativo da divindade, que guia a construção moral” (Pike, 1871), enquanto Manly P. Hall vê nela a “centelha que ilumina o templo interior” (Hall, 1928).

Histórico: Da Geometria Sagrada à Simbologia Maçônica

A origem da “G” como símbolo remonta às tradições antigas, onde a geometria era vista como a linguagem do cosmos. Na Maçonaria operativa, a “G” apareceu desde o século XVII, vinculada aos rituais de consagração de ferramentas, mas foi na Maçonaria especulativa (século XVIII) que seu significado esotérico se consolidou.

      • Grande Loja de Londres (1717) : Formalizou a “G” como símbolo da presença divina no painel da Loja, integrando-a aos rituais dos três graus.
      • Rito Escocês Antigo e Aprovado (REAA) : A “G” é tema central no Grau 3º , onde a lenda de Hiram Abif ilustra que “a ordem divina só se revela após a morte simbólica do ego” (Camino, 2014, p. 176).
      • Rito York : No Mark Master Degree , a “G” é usada como marca pessoal , recordando que “cada obreiro deve gravar seu compromisso com a virtude” (Waite, 1909).

Curiosidades nos Ritos Maçônicos: REAA e YORK

Rito Escocês Antigo e Aprovado (REAA)

      • Grau 3º (Mestre Maçom) : A “G” no Delta Luminoso é adornada com inscrições como “Que a ordem divina nos guie” (DUBOIS, 2009), reforçando o provérbio: “A geometria é a ciência do iniciado.”
      • Grau 18º (Cavaleiro Rosa-Cruz) : A “G” é comparada à alquimia do espírito , onde a transmutação do vício em virtude reflete a harmonia do cosmos.
      • Grau 30º (Cavaleiro da Aurora) : Ritualiza a “G” como “o vértice da pirâmide da iluminação(Hall, 1928), lembrando que “a verdadeira jornada é a reconciliação com o Uno” (Plotino, Século III d.C.).

Rito York

      • Mark Master Degree : A “G” é usada como selo pessoal , onde o obreiro grava sua assinatura maçônica, simbolizando “o compromisso com a verdade” (Camino, 2014, p. 176).
      • George Washington , maçom do York, integrava a “G” aos pilares da Constituição dos EUA, associando-a à “ordem que sustenta a liberdade” (DUBOIS, 2009).
      • Grau de Mestre : A cerimônia inclui a leitura de passagens bíblicas sobre “a sabedoria que edifica a casa” (Provérbios 9:1), alinhando-se ao provérbio maçônico: “A ‘G’ não é uma letra, mas a promessa de que Deus é o mestre da obra.”

A Letra “G” na Filosofia e no Pensamento Maçônico

Grandes filósofos e doutrinadores ampliaram o significado da “G”:

      • Platão , em A República , compara a “G” à “ideia do bem” (Século IV a.C.), que organiza o caos da matéria.
      • Marcus Aurelius , estoico, defende em Meditações que “a virtude está em medir os desejos pela régua da razão(Século II), princípio adotado pelos rituais do Grau 2º.
      • Manly P. Hall , em A Filosofia Perene , afirma que “a ‘G’ é o vértice da pirâmide da transformação” (Hall, 1928), recordando que “a verdadeira luz nasce no centro do ser” (Camino, 2014, p. 176).
      • Carl Jung vê na “G” uma manifestação do arquétipo do mandala , onde a curva da letra simboliza o processo de individuação (Jung, 1964).

A Letra “G” e a Prática Ritualística

Nos três graus simbólicos, a “G” é aplicada de forma progressiva:

      1. Grau de Aprendiz :
        O candidato aprende que a “G” no painel da Loja é o “centro da alma, onde o GAU habita” (Camino, 2014, p. 176). A Câmara de Reflexão inclui alegorias sobre a “necessidade de alinhar-se à ordem divina antes de construir o caráter” (DUBOIS, 2009).
      2. Grau de Companheiro :
        O estudo das Quinze Escadas vincula a “G” à “geometria da virtude” , onde cada degrau é uma medida da justiça .
      3. Grau de Mestre :
        A lenda de Hiram Abif ilustra que a “G” é o ponto de encontro entre o humano e o divino. O Grau 32º (Sublime Príncipe do Real Segredo) do REAA enfatiza que “a ‘G’ não é apenas um símbolo, mas a promessa de que o GAU guia os passos” (Pike, 1871), enquanto o York associa a letra à Escada de Jacó , onde “a subida rumo à luz exige equilíbrio entre o Compás e o Esquadro” (Mateus 7:24-25).

A Letra “G” e a Busca pela Verdade Universal

A Maçonaria ensina que a “G” não é um símbolo fixo, mas dinâmico , adaptando-se às culturas e línguas sem perder seu propósito: “não haverá conflito entre ‘G’ e ‘Iod’, pois a verdade é única, mesmo em múltiplas expressões” (Camino, 2014, p. 176). Essa visão alinha-se ao taoísmo , onde o Tao Te Ching afirma: “O nome que pode ser nomeado não é o nome eterno” , e ao cristianismo, onde Jesus diz: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6).

Filósofos como Plotino e Sêneca influenciaram essa visão, defendendo que “a sabedoria é a soma de pequenas medidas” (Cartas a Lúcio ). Fontes externas reforçam que “a ‘G’ é a curva perfeita, símbolo da eterna busca pelo equilíbrio” , alinhando-se ao ideal maçônico de “construir com virtude, não com vaidade” (Hall, 1928).

A Letra “G” e a Psicologia do Iniciado

A Maçonaria vê na “G” uma ferramenta de autoconhecimento . Camino alerta que “a criatividade humana não deve abusar da simbologia da ‘G’, pois o equilíbrio é a base da compreensão” (Camino, 2014, p. 176), recordando a máxima socrática: “Conhece-te a ti mesmo” .

No REAA , o Grau 3º inclui a leitura de “toda obra bem edificada tem Deus como pedra angular” (Efésios 2:20), enquanto o York associa a “G” à Cadeia de União , onde a energia coletiva dos irmãos é canalizada sob a proteção do GAU.

Conclusão: A Letra “G” como Compasso da Alma

A “G”, na tradição maçônica, não é apenas uma letra, mas o mapa da alma , onde a busca pela ordem divina guia os passos do obreiro. Seja no REAA ou no York, a Ordem recorda que a verdadeira jornada não é decifrar o símbolo, mas integrar-se à geometria sagrada que organiza o universo. Como diz o provérbio maçônico: “A ‘G’ não é o destino, mas a bússola que aponta para a luz.”

Fontes:

    1. CAMINO, Rizzardo da. Breviário Maçônico . 6ª ed. São Paulo: Madras, 2014.
    2. PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry . Charleston, 1871.
    3. HALL, Manly P. A Filosofia Perene . São Paulo: Pensamento, 1928.
    4. DUBOIS, Pierre. História da Maçonaria . São Paulo: Pensamento, 2009.
    5. BÍBLIA SAGRADA. Efésios 2:20 (“Vós sois edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo o principal da esquina, Jesus Cristo” ); João 14:6 (“Eu sou o caminho, a verdade e a vida” ).
    6. PLATÃO. A República . Século IV a.C.

 

Ivair Ximenes Lopes

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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