Ele não foium sociólogo de torre de marfim, nem um intelectual distante das lutas do seu tempo; foi, antes de tudo, umhomem que fez da sua própria trajetória — da pobreza à consagração acadêmica, do exílio ao reconhecimento — o ponto de partida para uma das mais vigorosas investigações sobre as desigualdades que marcam a sociedadebrasileira.
A sua obra é um convite a pensar o Brasil sem ilusões, a desvendar os mecanismos da dominação e a compreender que a realidade social, por mais opressiva que pareça, pode ser transformada pela ação consciente. Neste artigo, convido o leitor a conhecer a vida, as obras e o legado de Octávio Ianni, o sociólogo que ousou perguntar: quem são os verdadeiros donos do poder no Brasil?
Octávio Ianni nasceu em 13 de outubro de 1926 na cidade de Itu, no interior de São Paulo, em uma família de origem italiana. Filho dos imigrantes Andrea Ianni e Anna Guariglia, ambos naturais de Castellabate, na região da Campânia, na Itália, cresceu em condições humildes, no antigo Bairro do Matadouro — atualmente Vila Padre Bento. Oriundo de uma família camponesa sem muitos recursos, enfrentou obstáculos durante sua formação.
Em 1951, ingressou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP) para cursar Ciências Sociais. As dificuldades financeiras foram tão grandes que precisou trancar o curso por doisanos para trabalhar. Formou-se em 1954. Logo após a formatura, integrou o corpo de assistentes da Faculdade, na cadeira de Sociologia I, da qual Florestan Fernandesera o titular.
Ianni tornou-se um dos principais nomes da chamada Escola de Sociologia Paulista — ao lado de Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso.
Com o endurecimento do regime militar, Ianni foium dos muitos intelectuais perseguidos. Foiaposentado pelo Ato Institucional n.º 5 (AI-5) e proibido de dar aulas na USP. Em 1970, foi preso durante a operação Tarrafa, que visava prender cerca de cem pessoas, a maioria professores e alunos com vínculo com a universidade. Posteriormente, foi exilado do Brasil.
Retornou ao país como professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) , que na época contratou vários professores perseguidos pela ditadura, como Florestan Fernandes, Paulo Freire e Maurício Tragtenberg. Mais tarde, voltou a dar aulas na USP e depois na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) , aposentando-se como professor emérito nas duas universidades.
A produção intelectual de Ianni é vasta e abrangente, abordando temas como a questão racial, as desigualdades sociais, o capitalismo, o populismo e a globalização. Suas principais obras incluem:
Cor e Mobilidade Social em Florianópolis (1960, em colaboração)
Ianni dedicou sua vida a decifrar a realidade brasileira, latino-americana e mundial, buscando compreender as diferenças sociais, as injustiças a elas associadas e os meios de superá-las. Sua obra é marcada por uma sucessão de épocas que atravessam meio século: da democracia da era JK à ditadura militar que o afastou da USP, até as incertezas da globalização.
Combate à Desigualdade e ao Racismo: Ianni esteve atento às lutas por direitos civis, questionando a democracia racial no Brasil. Em sua obra, ele denunciou que as premissas básicas para a passagem do escravo ao cidadão não foram cumpridas. Seus estudossobre a questão racial na sociedadebrasileira foram fundamentais para desmontar o mito da democracia racial.
Globalização e Crise do Estado-Nação: Nos últimosanos de sua carreira, Ianni dedicou-se ao estudo da globalização. Ele analisou o fenômeno a partir de metáforas como a “aldeia global”, a “fábrica global” e o “shopping global”, discutindo a crise do Estado-nação como comunidade política e referente empírico da própria sociologia.
Uma Sociologia Crítica e Engajada: Para Ianni, a sociologia não era uma torre de marfim que se eleva acima das contradições sociais, mas um laboratório para a compreensão e reinvenção da sociedade. Ele combinava à sua infinita curiosidade e ao seu rigor intelectual um compromisso incondicional com a transformação social. Sua sociologia era, nas palavras de um admirador, uma “pedagogia imaginativa e libertária”.
De origem camponesa a professor emérito: Nascido em uma família humilde, Ianni precisou trancar a graduação por doisanos por questões financeiras, mas superou as barreiras para se tornar professor emérito da USP e da Unicamp.
Preso e exilado pela ditadura: Em 1970, foi preso na operação Tarrafa, que visava prender professores e alunos da universidade. Exilado do Brasil, retornou à PUC-SP, que acolheu vários intelectuais perseguidos.
Admirado por Florestan Fernandes: Ianni foi assistente de Florestan Fernandes e, ao lado dele e de Fernando Henrique Cardoso, é considerado um dos pais da moderna sociologia brasileira.
Reconhecimento internacional: Foi professor visitante e conferencista em universidades norte-americanas, latino-americanas e europeias.
Participação no CEBRAP: Integrou a equipe de pesquisadores do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), uma das mais importantes instituições de pesquisa do país.
Pedagogia imaginativa e libertária: Sua forma de ensinar e sua relação com os alunos eram marcadas por uma abertura que encantava gerações.
O legado da Biblioteca Octavio Ianni: A Unicamp homenageou o sociólogo dando seu nome à biblioteca do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas.
Legado de Octávio Ianni
O legado de Octávio Ianni é imenso. Ele é, ao lado de Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso, um dos principais sociólogos do Brasil. Sua obra influenciou profundamente a compreensão das desigualdades sociais, do racismo, do capitalismo e da globalização no país.
Ianni nos ensinou que a sociologia não pode ser neutra diante da injustiça. Sua vida e sua obrasãoum testemunho de que o intelectual tem o dever de se engajar na luta por uma sociedade mais justa. A sua insistência em desnaturalizar as hierarquias sociais, a sua denúncia do racismo estrutural e a sua análise lúcida dos mecanismos de dominação continuam a ser referências indispensáveis para quem quer compreender o Brasil.
Como escreveu André Botelho, Ianni assumiu com radicalidade a sociologia como vocação, compatibilizando as tarefas do scholar com as do intelectual público. A sua obra permanece viva, e a sua pergunta fundamental — como superar as desigualdades que marcam a sociedadebrasileira? — continua a ecoar, mais atual do que nunca.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).