Ao longo dos meus anos de estudosobre a literatura clássica francesa, poucos nomes me provocaram uma admiração tão profunda quanto o de Jean Racine.
Ele não foi apenas um dramaturgo; foiumanatomista da alma humana, um artista que, com versos de uma pureza cristalina, dissecou as paixões que devastam os homens.
Enquanto Corneille cantava o dever e a glória, Racine preferiu mergulhar nas profundezas da obsessão, do ciúme e do desejo proibido, mostrando que a paixão é, antes de tudo, uma força fatal que destrói quem dela se apossa.
Sua trajetória, marcada pela tensão entre a educação jansenista e a vida teatral, pela rivalidade com os grandes nomes de seu tempo e por umsilêncio voluntário que intriga até hoje, é um testemunho de que a verdadeira tragédia não está nos deuses, mas no coração humano.
Jean Racine nasceu em 21 de dezembro de 1639 (algumas fontes indicam 22 de dezembro) na pequena cidade de La Ferté‑Milon, no norte da França.
Órfão desde muito jovem — perdeu a mãe com um ano e o pai aos três —, foi criado pelos avós na tradiçãojansenista.
Essa herança marcaria sua vida para sempre. Estudou nas escolas de Port‑Royal des Champs entre 1655 e 1658, onde recebeu uma educação literária e religiosa rara.
Os jansenistas, com sua visão austera da graça divina e da predestinação, imprimiram no jovem Racine umsenso trágico da existência que transpareceria em toda a sua obra.
Como observou um crítico, Port‑Royal “marcou para sempre o menino com umselo que o tornaria o mais sutil crítico de seu tempo”.
A Ruptura com Port‑Royal e a Carreira Teatral
Destinado à carreira eclesiástica, Racine chegou a estudar teologia em Uzès (1661‑1663), onde um tio cônego pretendia transmitir‑lhe um benefício . Mas a vocação religiosa não venceu. Em 1663, voltou a Paris decidido a dedicar‑se à literatura.
O primeiro sucesso veio com a ode “La Nymphe de la Seine” (1660), composta para o casamento de Luís XIV.
O ministro Colbert, aconselhado pelo crítico Chapelain, concedeu‑lhe cem luíses de ouro e uma pensão de 600 libras.
A partir daí, Racine frequentou os círculos literários e travou amizade com Molière e Boileau.
Seguiu‑se Alexandre le Grand (1665), que consolidou sua fama, embora tenha causado umdesentendimento com Molière: insatisfeito com a montagem, Racine entregou a peça à companhia rival do Hôtel de Bourgogne, o que gerou um conflito duradouro entre os dois.
A partir de 1667, Racine viveu uma década de criações extraordinárias. Andromaque (1667) foi a primeira de suas obras‑primas e o consagrou como sério rival de Corneille. Seguiram‑se:
Les Plaideurs (1668): sua única comédia, uma sátira espirituosa do mundo judicial .
Britannicus (1669): considerada por muitos sua obra mais perfeita, retrata a corrupção do poder imperialromano.
Bérénice (1670): imposta sobre o mesmo tema que Corneille, consagrou Racine como o trágico oficial do rei.
Bajazet (1672): uma tragédia de tema turco e quase contemporâneo .
Mithridate (1673): uma incursão no gênero elevado e político que parecia reservado a Corneille .
Iphigénie (1674): baseada em Eurípides e Homero, foiumgrande sucesso .
Phèdre (1677): sua obra‑prima, considerada a expressão máxima da tragédia clássica francesa.
Em 1677, após Phèdre, Racine tomou uma decisão que intriga estudiosos até hoje: abandonou o teatro. Nomeado historiógrafo do rei ao lado de Boileau, casou‑se e dedicou‑se à família e à educação dos filhos.
Reconciliou‑se com os mestres de Port‑Royal, após uma profunda crise interior . Durante doze anos, não escreveu para a cena. Só voltou em 1689, a pedido de Madame de Maintenon, para compor Esther, destinada às alunas do internato de Saint‑Cyr. Seguiu‑se Athalie (1691), sua última tragédia, de tema bíblico.
A rivalidade com Corneille A partir de Andromaque, a opinião pública francesa dividiu‑se entre os partidários de Racine e os de Corneille, trocando epigramas e panfletos . Racine chegou a responder aos detratores com Les Plaideurs, sua única comédia .
O “desaparecimento” das primeiras obras Entre 1659 e 1660, Racine compôs uma ode e duas tragédias que se perderam completamente.
A amizade com Boileau Boileau vangloriava‑se de ter ensinado Racine “a fazer dificilmente versos fáceis” . A amizade entre os dois durou até a morte de Racine, sem interrupção.
A “distração” diante do rei Conta o duque de Saint‑Simon que, num dia em que conversava amistosamente com Luís XIV e Madame de Maintenon, Racine, distraído, fez uma referência elogiosa ao autor cômico Scarron — o falecido primeiro marido de Madame de Maintenon. O silêncio glacial do casal real teria sido aterrorizador.
A morte e o túmulo perdido Racine faleceu em 21 de abril de 1699, em Paris, aos 59 anos. Em 1792, ao tentarem exumar seus restos mortais, abriram o túmulo errado. Sua sepultura permanece desconhecida até hoje.
A educação dos próprios filhos Após a aposentadoria, Racine dedicou‑se à educação de seus cincofilhos e duas filhas, um dos quais, Louis Racine, tornou‑se poeta.
Jean Racine foi, como procurei mostrar, o mais puro representante da tragédia clássica francesa. Enquanto Corneille pintava heróis divididos entre o dever e a paixão, Racine preferiu mostrar seres humanos possuídos por uma paixão capaz de os destruir. Sua linguagem, de uma elegância e pureza raramente igualadas, permanece como um dos maiores monumentos da literatura francesa.
A sua vida, marcada pela tensão entre o jansenismo austero e a vida teatral, entre a glória e o silêncio, entre a obediência e a transgressão, é um testemunho de que a verdadeira tragédia não está nos deuses, mas no coração humano. E, como ele próprio demonstrou com Phèdre, a paixão, quando não dominada, é uma força fatal que consome tudo ao seu redor.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).