Cônego Antônio Joaquim das Mercês
PADRE MESTRE, CÔNEGO DR. ANTÔNIO JOAQUIM DAS MERCÊS
1786 – 1854
Mestre de Filosofia
Em homenagem a Loja Simbólica Cônego Antonio das Mercês, fundada no dia 1º de outubro de 1897, em Porto Alegre, Estado do Rio Grande Do Sul, trazemos, para que todos possam ter um mais completo conhecimento sobre o seu Patrono, o Padre Mestre Cônego Dr. Antonio Joaquim das Mercês, o que foi a sua vida.
Maçon emérito, homem justo, lutador e idealista que não media esforços nem conseqüências para defender nossa Pátria, sobretudo quando a finalidade dos seus atos tinha como objetivos a justiça, a liberdade, a fraternidade e a soberania do povo e de nosso País, assim como tudo fez para buscar os seus direitos dentro de uma congregação que os negava, face as suas atividades, atitudes e, principalmente, por sua inquestionável inteligência e capacidade de liderança.
O Cônego Antonio Joaquim das Mercês, filho legítimo de Silvério de Araújo e Silva e de Joaquina Izabel de Amorim, nasceu em Salvador – BA em junho de 1786. A data do seu nascimento é uma incógnita até hoje não decifrada pois não foram encontrados quaisquer documentos que possam fornecer com precisão este acontecimento.
Batizado em 20 de maio de 1787, conforme assento de batismo na folha 28 da Capela do Senhor dos Passos, filial da Matriz da Madre de Deus do Boqueirão, com o nome de ANTONIO JOAQUIM DE ARAÚJO SILVA.
Faleceu em 25 de janeiro de 1854, com 67 anos, conforme livro de óbitos da freguesia da Sé, vítima de moléstia interna. Consta no atestado de óbito que o Cônego tinha 65 anos de idade, quando na realidade estava com 67, conforme comprova o seu registro de batismo.
Sua família pertencia a classe média, contando com pequenos recursos tendo sido proprietária de escravos.
Possuía seis irmãos, Manoel José, Francisco, José Joaquim, Anna, Faustine e Alexandrina de Araújo Silva, conforme declaração escrita pelo pai, em datas de 02 de outubro de 1835 e 03 de fevereiro de 1836.
Na condição de Beneditino e Carmelita, o Cônego estava vinculado ao voto de pobreza, readquirindo seus direitos de posse e sucessão após o ingresso no Clero Secular.
Em seu testamento, feito em 17 de janeiro de 1854, oito dias antes de sua morte, reconhece, “para descargo de consciência”, três filhos: Benjamim Cincinato Utinguassú, Rutilo Palmerino Bulhões e Zenóbia Rutilino de Palmeira, não sendo possível, no entanto, determinar suas idades e maternidades. A abertura do testamento foi assistida por Benjamim Cincinatto Utinguassú.
O MONGE BENEDITINO
Em 18 de dezembro de 1805, recebeu no mosteiro do Rio de Janeiro, o hábito Beneditino. Em 1806 recebeu a consagração Monástica e de 1807 a 1810 foi conventual do Mosteiro de São Bento, de Salvador – BA.
Em 07 de dezembro de 1810, em reunião do Conselho da Ordem, foi aprovado para todas as Ordens, tendo-as recebido em fins de 1811 ou princípio de 1812. Recebeu do Abade de São Bento as Ordens Menores e do Arcebispo da Bahia, Dom Frei de Sana Escolástica, as Ordens Maiores de Subdiaconato, Diácono e Presbítero, chegando a ocupar o cargo de Subprior do Mosteiro de São Bento, onde foi professor de Filosofia. Uma carreira meteórica na Ordem sem dúvidas.
Por escolha do Provincial e por sua competência, foi designado, também, examinador do Convento do Carmo.
O FRADE CARMELITA
Por casos acontecidos e nunca esclarecidos e por razões de “ordem de consciência”, solicitou à Roma permissão para transferir-se para a Província Carmelita da Bahia. Permissão concedida em 10 de janeiro de 1817.
Solicitou dispensa do cumprimento de oito meses de Noviciado pelo que não foi atendido, sendo obrigado a cumprir um mínimo de seis meses como Noviço Carmelitano, para poder exercer a nova profissão religiosa.
Enquanto permaneceu no convento do Carmo não abandonou suas vestes beneditinas, pelo que foi chamado a atenção, pelo Prior do Convento. Em 16 de julho de 1818 obteve autorização do Papa Pio VII para a transferência definitiva para o Convento do Carmo, onde assumiu a nova profissão religiosa.
Ao transferir-se para o Convento do Carmo desejou gozar dos privilégios conferidos aos religiosos pelo tempo de vocação, entrando com a solicitação, que lhe foi concedida e pedida aquiescência da Santa Sé, e liberada pela mesma em 26 de julho de 1819.
Nesta Ordem também ocupou quase todos os cargos da hierarquia Carmelita.
Em 1821 manifestou desejo de desligar-se da ordem e em 1824 já participava ativamente dos movimentos políticos, o que não lhe tirava o prestígio que gozava no meio religioso.
No ano de 1825 nada se registra quanto a sua atuação religiosa, pois achava-se envolvido, na Paraíba, numa revolta de tropa contra o Presidente Felipe Nery, partidário do Imperador D. Pedro I, “por querer obrigar a adaptar-se à força essa carta que hoje temos denominada Constituição, e tive a infelicidade de me indigitarem como arranjador e proclamador dessa revolução…”. Voltou para a Bahia em fins de 1825, onde tornou-se encarregado do ensino no colégio.
No período de 1826 a 1834 ocupou praticamente todos os cargos de sua Ordem, desde o Pró-secretariado, em 15 de abril de 1826 a Segundo Definidor, em 19 de abril de 1834.
Em 1836 deixa a Ordem Carmelita e se faz padre Secular da Arquidiocese de São Salvador da Bahia.
O PADRE SECULAR
O brevê de sua secularização é passado no Rio de Janeiro, em data de 02 de junho de 1835, complementado por outro de 03 de junho do mesmo ano, que lhe dá graças para a aquisição, a posse e o testamento de bens que possuísse, anulando-se o voto de pobreza do Convento do Carmo.
Dois motivos são determinantes do seu desejo de sair do Carmo. O primeiro por ordem de consciência e o segundo por motivos de saúde, que ao que parece teria sido uma doença passageira, pois ao assumir a nova profissão religiosa, de imediato foi eleito Mestre da Capela e viveu por ainda dezoito anos de profícuas atividades.
Em 13 de junho de 1836 assina o termo de obediência e sujeição ao prelado, tendo a partir daí, galgado posições hierárquicas no clero baiano. Assim, em 1º de julho de 1847 assume a cadeira de Meia Prebeda e Residência Amára, passando a exercer o status de Cônego.
Em 1º de outubro de 1847, exatamente cinqüenta anos antes da fundação original de nossa Loja, termina sua Residência Amára, reduzida para três meses por portaria do Arcebispado da Bahia.
Em 1º de junho de 1851 foi beneficiado no Cabido por uma cadeira de Prebeda Inteira.
De 1º de outubro de 1850, nova coincidência com a Loja, até 02 de setembro de 1853, permanece no cargo de secretário do Cabido, assinando as atas como Cônego Doutor ou Cônego Magistrado Doutor Antonio Joaquim das Mercês.
Nesta posição veio a falecer em 25 de janeiro de 1854, assim anotado no Livro de Óbitos da Freguesia da Sé (transcrição original):
“Aos vinte e cindo dias de janrº 1854, falleceo de moléstia interna, e com a extrema-unção na id. E, digo, O Cônego Doutor Antonio Joaquim das Mercez, branco com a idade de secenta e cinco annos. Foi encommendado pelo Coadjutor e Sacristão, e acompanhou o Reverendíssimo Cabido. Amortalhado de vestes sacerdotais e condusido pª a Igreja de S. Pedro dos Cléricos. Do q’ fes-se este assento e assignei.
O Cônego Cura João José de Miranda”
A morte do conceituado orador sacro e ilustre mestre mereceu uma destacada nota necrológica no ‘O NOTICIADOR CATÓLICO” e o sepultamento, com honras capitulares, do Cônego Doutor na Igreja de São Pedro dos Cléricos, onde, atualmente, não se localiza nenhuma lápide sepulcral.
Cabe ressaltar que nos documentos encontrados na Cúria Metropolitana de Salvador, não foi encontrada nenhuma referência ou censura à condição de maçon e as fraquezas cometidas por quem estava vinculado a disciplina Eclesiástica, o que demonstra, ao menos na Bahia, o espírito liberal da época ou então a tolerância para determinados casos ou pessoas.
O CÔNEGO MAÇON
A posição de realce ocupada pelo Cônego Dr. Antonio Joaquim das Mercês, no clero da Bahia, apresenta interessante aspecto para nossa história, porquanto sabemos ter ele ocupado elevados postos em Lojas Maçônicas.
Conhecido historiador da maçonaria no Brasil, A. Tenório Cavalcante d’Albuquerque, descreve bem as atividades e as honrarias maçônicas desse religioso que, após ter deixado duas Ordens, Beneditinos e Carmelitas, tornou-se membro do Clero Secular e passou a atuar numa sociedade que, na época, era considerada muito infensa (contrária) à igreja.
Na época, principalmente na Bahia, muitos padres tiveram participação ativa na maçonaria e em movimentos revolucionários, mas nenhum foi tão ativo como o nosso Cônego.
O que levava os religiosos para a maçonaria? Talvez os seus ideais filantrópicos, suas lutas em prol da independência brasileira contra o absolutismo político.
Mas temos uma incógnita: quando o Cônego Dr. Antonio Joaquim das Mercês se tornou Maçon?
É uma pergunta difícil de ser respondida. Talvez por sua condição de padre Secular, muito embora já simpatizasse, como Carmelita, com o livre pensamento reinante na maçonaria, o certo é ter sido iniciado entre os anos de 1837 e 1841.
Essa conclusão se prende ao fato de o Cônego ter sido iniciado na Loja União e Segredo, que foi fundada no ano de 1837 em Salvador – BA, presidida pelo famoso Maçon UGE SCHIEUSSNER. No ano de 1841 o próprio Cônego fundava a Loja Caridade Universal, da qual foi o 1º Venerável. Inicialmente esta Loja utilizava o Rito Moderno, em desacordo com os Landmarks. Posteriormente a Loja passou a denominar-se Loja União, Caridade e Abrigo, produto da união de três oficinas, Lojas União e Segredo, Caridade Universal e Abrigo da Humanidade, que abriga em sua sede um quadro a óleo do Cônego, de batina com os paramentos e o malhete de Venerável Mestre.
Este quadro encontra-se reproduzido e fotografado em nossa secretaria.
É de se crer que sua vinculação com a maçonaria data da fundação da Loja União e Segredo, no ano de 1837, pois tem-se dados que dizem ter ele ocupado a administração da Loja quando da espetacular fuga do General Bento Gonçalves, do Forte de São Marcelo, em 10 de setembro de 1837.
Sobre este fato, de grande importância para nós gaúchos e pela proximidade da nossa data magna, 20 de setembro, temos o seguinte relato de A. Tenório Cavalcante d’Albuquerque, em “A Maçonaria e a Grandeza do Brasil”:
“Para os leigos foi misteriosa a fuga, para outros esta é a realidade: foi um trabalho de solidariedade e fraternidade da maçonaria da Bahia, de que participou ativamente o Cônego Dr. Antonio Joaquim das Mercês.”
“Era então Venerável da Loja União e Segredo o Cônego Antonio Joaquim das Mercês, devoto da maçonaria. Ele tomou conhecimento do pedido de auxílio de Bento Gonçalves e movimentou os maçons da Bahia. Tornava-se imperiosa uma demonstração de solidariedade fraternal.
No recinto das Lojas, entre Veneráveis com a participação ativa do Cônego das Mercês, foi traçado o plano de auxílio. Movimentaram-se todas as forças maçônicas e com uma admirável evidenciação do alto espírito de fraternidade, os maçons da Bahia conseguiram libertar o Irmão e encaminhá-lo para o Rio Grande do Sul, para que lá assumisse a Presidência da República de Piratini, cujas raízes são inocultáveis.”
O POLÍTICO E REVOLUCIONÁRIO
De marcante personalidade e elevada cultura, não poderia deixar de tomar uma posição de liderança no seu meio.
Nascido em 1786 sentiu, criança ainda, os efeitos dos movimentos populares da “Primeira Revolução Social Brasileira”, revelada em Salvador – BA em 12 de agosto de 1798, com os “Boletins dos Sediciosos”.
Jovem Beneditino em 1808 assistiu à chegada do Rei D. João V I e acompanhou os importantes fatos ocorridos durante a permanência da corte portuguesa no Brasil.
Em 1817 ao se darem as execuções do padre Roma e do ex-Carmelita padre Miguelinho e de muitos outros frades e padres nas prisões da Bahia, o Cônego participante da Revolução Pernambucana não se manteve neutro e levantou sua voz contra tais atos.
Em 1824, por perseguição de seus superiores, deixou a Bahia, quando foi convidado, por ser conhecido como bom mestre, patriota e liberal, pelo Presidente da Província de Pernambuco, para instalar na Paraíba a primeira cadeira de Filosofia daquela Província. Aceitando o encargo escolheu para explicar certos acontecimentos da época “O Contrato Social”, de Rousseau, autor liberal rejeitado pela Igreja.
Nesse período foi considerado como “o motor propulsor” da expulsão das tropas lusitanas de Alagoas.
Em 1824 participou ativamente da Revolução Pernambucana, quando foi sério crítico e opositor à Carta outorgada e ao autoritarismo de D. Pedro I, pelo que foi considerado como o “arranjador e o proclamador desta Revolução”, que deu origem a malograda tentativa da formação da Confederação do Equador.
Com ordem de prisão dada pelo Presidente da Província e ocultado por amigos, evadiu-se para a vila de Goiânia, juntamente com o Frei Joaquim do Amor Divino Rebelo e Caneca, o Frei Caneca, e outros religiosos, tendo passado sérias dificuldades com alimentação e vestimentas.
Vencido o movimento pelas forças legalistas, sofreu, o Cônego Dr. Antonio Joaquim das Mercês, toda a espécie de vexames, que começaram a partir da capitulação em 16 de setembro de 1824. Os fatos foram detalhadamente relatados pelo Frei Caneca, que diz dos sofrimentos dos participantes considerados líderes da Revolução Pernambucana. Presos, sete pessoas, em um calabouço que servia de armário para guardar as cabeças dos enforcados, com o cumprimento de 13 palmos (aproximadamente 2,30 m) e a largura da altura de uma pessoa normal (aproximadamente 1,70 m).
Em 26 de dezembro de 1824, Frei Caneca e mais dois presos, Rangel e Agostinho, são retirados do calabouço e executados.
Em 24 de janeiro de 1825, foi retirado mais um preso, Carneirinho, que também foi morto. Permaneceram ainda presos o Cônego, o padre Ignácio Bento e José Maria Ildefonso, sendo que os dois últimos tiveram o mesmo fim dos demais presos, e somente o Cônego das Mercês, por decreto de anistia “obtido pelas lágrimas da virtuosa falecida Imperatriz Dona Leopoldina”, salvou-se da pena capital, retornando definitivamente à Bahia em 1825.
Recomeçou em 1825 a exercer o magistério no Convento do Carmo, continuando até o ano de 1850, mesmo após a sua secularização em 1836.
Já como alto dignatário maçônico esteve indigitado como suspeito participante do movimento revolucionário baiano de 1837, a Sabinada, que teve ampla divulgação na imprensa, nas Lojas Maçônicas e nos Quartéis.
O MAÇOM E A REVOLUÇÃO FARROUPILHA
Quem de nós não conhece o Hino Rio-Grandense, de autoria de Francisco Pinto da Fontoura:
Como a aurora, precursora
do farol da divindade
foi o Vinte de Setembro
o precursor da liberdade.
Mostremos valor, constância,
nesta ímpia e injusta guerra,
sirvam nossas façanhas
de modelo a toda a terra
Mas não basta pra ser livre
ser forte, aguerrido e bravo;
povo que não tem virtude,
acaba por ser escravo.
Mostremos valor, constância,
nesta ímpia e injusta guerra,
sirvam nossas façanhas
de modelo a toda a terra
Mas nem todos conhecem a participação da Maçonaria da Bahia e, em especial, do Cônego Dr. Joaquim Antonio das Mercês, para que os ideais dos Farroupilhas se tornasse a nossa realidade atual.
Em 20 de setembro de 1835, em virtude dos desmandos do governador Fernandes Braga, imposto aos rio-grandenses pelo governo imperial, os Farroupilhas investiram sobre Porto Alegre, entrando pela Azenha sem encontrar resistências.
A Partir dai desenvolveu-se o movimento que todos conhecemos e que nos orgulha.
Em 1836, as circunstâncias levaram Bento Gonçalves, um dos grandes lideres do movimento, a concentrar suas tropas na ilha de Fanfa, no rio Jacuí. Os combates travados com os imperialistas, numa lamentável desproporção de tropas, resultaram na derrota dos Farroupilhas.
Bento Gonçalves juntamente com Onofre Pires, Tito Livio Zambicari e outros chefes, são presos e transferidos para Porto Alegre e dai para a Fortaleza de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.
O episódio, porém, não abalaria o ânimo dos republicanos e a luta prosseguia no Rio Grande do Sul.
Temido, apesar de preso, Bento Gonçalves foi transferido para o Forte do mar, em Salvador na Bahia.
Ali calculava como evadir-se para retornar ao comando de suas tropas. E aqui inicia a atuação do Cônego Dr. Joaquim Antonio das Mercês.
Para muitos leigos, foi misteriosa a fuga, para outros – esta é a realidade – foi um trabalho de solidariedade fraterna da Maçonaria da Bahia, de que participou ativamente o Cônego.
A direta influência do Cônego maçom é assim esclarecida por A. Tenório Cavalcante d’ Albuquerque:
“Era então Venerável da Loja união e Segredo, hoje União, Caridade e Abrigo, o Cônego Dr. Joaquim Antonio das Mercês, devotado da Maçonaria. Ele tomou conhecimento do pedido de auxílio de Bento Gonçalves e movimentou os maçons da Bahia. Tornava-se imperiosa uma demonstração de solidariedade fraternal.
No recinto das Lojas, entre Veneráveis, com a participação ativa do Cônego Dr. Joaquim Antonio das Mercês, foi traçado o plano de auxílio. Movimentaram-se todas as forças maçônicas e numa admirável evidenciação de alto espírito de fraternidade, os maçons da Bahia conseguiram libertar o Irmão e encaminhá-lo para o Rio Grande do Sul, para que assumisse a Presidência da República de Piratini, cujas raízes maçônicas são inocultáveis.”
Em 10 de setembro de 1837, chegava a oportunidade. O comandante do Forte, em atitude surpreendente, presenteara o prisioneiro com um pastelão, de que Bento Gonçalves desconfiara. Dando de comer a um cãozinho, seu visitante costumeiro na hora das refeições, o animal entrou em convulsão e morreu.
Simulando sentir náuseas, o chefe Farroupilha solicitou permissão para banhar-se no mar, porque aliviaria a sua dor. A solicitação foi prontamente atendida, pois assim, supunha o comandante do Forte, o envenenado sucumbiria sem vestígios.
Bento Gonçalves, exímio nadador que banhava-se diariamente, sempre a maior distância sem nunca despertar desconfiança, exercitava-se para executar seu plano de fuga.
Os amigos da cidade estavam preparados para, em dia de vento favorável, aproximar-se da fortaleza, simulando entregar-se à pesca. Este dia coincidiu com a tentativa de envenenar o chefe Farroupilha.
Da prisão, Bento Gonçalves, viu o barco e homens acenando-lhe. Deixando suas roupas com o soldado que sempre o acompanhava, atirou-se ao mar como de costume. Nadando vagarosamente chegou a baleeira que vinha ao seu encontro e para onde foi içado.
Bento Gonçalves, livre, empreendia sua volta ao Sul, para a retomada do seu comando na luta em prol dos ideais republicanos e federalistas por que se batiam os Farrapos.
A fuga parece ter sido a última atuação insurrenta do Cônego Dr. Joaquim Antonio das Mercês, que atingia os 50 anos de idade.
Foi no magistério, e principalmente no de Filosofia, que desenvolveu o Cônego Dr. Antonio Joaquim das Mercês sua mais vigorosa atividade como Beniditino, como Carmelita e como Padre Secular.
Ordenado Presbítero em dezembro de 1810, cursando ainda Filosofia, Geometria e Física de 1810 a 1813, consta que como Beneditino em 1814 já exercia certas funções no Magistério em Salvador – BA
Em 21 e 22 de fevereiro de 1817 consta como examinador do Frei Joaquim José de Santa Maria, para a Lauréola Doutoral, a convite do Provincial Carmelitano.
Em 1818, transferido para Convento do Carmo, foi encarregado de ensinar Filosofia no colégio daquele Convento.
Em 1826 requereu, através de petição e por ter cumprido todos os requisitos exigidos pela Lei, o grau de Magistério, Jubilação e Doutoramento, em que foi atendido pelo Capítulo Provincial, em reunião de 11 de maio de 1827.
Em 1826 voltou a lecionar no Convento do Carmo, após ter saído em 1821 e ter sido anistiado em 1825 (Revolução Pernambucana), onde voltou a ser encarregado do ensino no colégio do Convento, permanecendo até 1850, mesmo depois de ter se tornado padre Secular.
Finalmente foi professor do Liceu Provincial, desde 1837 até sua morte em 25 de janeiro de 1854.
Além de Mestre foi Tradutor das obras de Física de Altieri, e das “Instituições Lógicas”, de Sigismundo Storchenau, ambas escritas em latim.
Foi autor de poesias e de carta ao Padre Mesape Amaral, a respeito dos primeiros professores de Filosofia da Bahia, Alagoas e Paraíba.
Assim, apresentamos resumidamente a biografia de nosso Patrono, baseada na obra “Padre Mestre Cônego Dr. Antonio Joaquim das Mercês, 1786 – 1854, Mestre em Filosofia”, dos historiadores Francisco Pinheiro Lima Júnior e Dinorah D’Araujo Berbert de Castro, publicado no ano de 1977, sob os auspícios da Universidade Católica de Salvador.
Marco Antonio Perottoni
Bibliografia:
Lima Junior, F. P. e Castro, D. A.. B., Padre mestre Cônego Dr. Joaquim Antonio das Mercês. Universidade Católica de Salvador. Salvador. 1977.
d’ Albuquerque, A. T. C., O que é Maçonaria. Ed. Aurora. Rio de Janeiro. 7ª Edição.
Spalding, W., A Epopéia Farroupilha
Fragoso, T., A Revolução Farroupilha
Porto, A., O Processo dos Farrapos
Marco Antonio Perottoni
Loja Cônego Antonio das Mercês
Grande Oriente do Rio Grande do Sul
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“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











