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O Hospitaleiro na Maçonaria: Virtude, Caridade e Responsabilidade Fraterna

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O Hospitaleiro na Maçonaria: Virtude, Caridade e Responsabilidade Fraternal

Introdução

Na estrutura simbólica e ritualística de uma Loja Maçônica, cada cargo ou função desempenha um papel essencial na harmonia e no propósito moral da Ordem. Entre eles, destaca-se o Hospitaleiro , figura inspirada historicamente na Ordem dos Hospitalários , atuante durante as Cruzadas, e cujo significado transcende a simples arrecadação de recursos.

O Hospitaleiro é símbolo vivo da caridade , da solidariedade e da responsabilidade social que todo maçom deve cultivar. Este artigo explora o conceito maçônico do Hospitaleiro, sua importância ritualística e moral, além de seu reflexo no comportamento ético individual e coletivo da família maçônica.

I. O Hospitaleiro e suas Raízes Históricas

A origem do termo “Hospitaleiro” está ligada à Ordem dos Cavaleiros Hospitalários de São João de Jerusalém , fundada durante as Cruzadas com o objetivo de acolher, proteger e cuidar dos peregrinos cristãos que visitavam a Terra Santa.

Essa tradição de hospitalidade e assistência foi absorvida pela Maçonaria especulativa, atribuindo ao Hospitaleiro o papel de guardião da caridade dentro da Loja :

“Nome dado a um dos oficiais de uma Loja maçônica, inspirado pela Ordem dos Hospitalários, no Tempo das Cruzadas, porque esse oficial é encarregado não só da arrecadação dos óbulos por intermédio de seu ‘giro’ litúrgico como também de atender aos necessitados.”
Fonte: Rizzardo da Camino , Breviário Maçônico , 2014, p. 187.

II. Funções e Responsabilidades do Hospitaleiro

Dentro da Loja, o Hospitaleiro tem funções bem definidas, embora nem sempre visíveis ao público externo:

  • Arrecadar os óbulos (doações) dos irmãos durante os rituais;
  • Gerenciar a bolsa de beneficência , destinada ao amparo a membros em dificuldade ou a outras causas sociais;
  • Manter sigilo sobre os valores arrecadados , respondendo apenas pelas ações realizadas, e não pelos números;
  • Atuar com autonomia e independência , respeitando os princípios de discrição e compaixão.

“Por meio da bolsa de beneficência, os óbulos arrecadados são aplicados pelo Hospitaleiro, de forma autônoma e independente, sem que lhe seja exigida qualquer prestação de contas; o montante da coleta permanece em sigilo e somente o hospitaleiro o conhecerá…”
Fonte: Rizzardo da Camino , Breviário Maçônico , 2014, p. 187.

Esta autonomia confere ao Hospitaleiro um alto grau de confiança e responsabilidade moral , pois sua missão é servir em nome da Loja, agindo com sabedoria e prudência.

III. O Hospitaleiro como Símbolo de Caridade Universal

Mais do que uma função específica, o Hospitaleiro representa o ideal de caridade que deve habitar o coração de todos os maçons. Cada membro da Ordem é, em última instância, um hospitaleiro, chamado a exercer a solidariedade em sua vida cotidiana:

“Cada maçom, por sua vez, é um hospitaleiro, uma vez que lhe cumpre a prática da caridade, pois recebe as benesses de Deus e a ele deverá prestar contas da sua ‘hospitalaria’, ou seja, do bem que pratica.”
Fonte: Rizzardo da Camino , Breviário Maçônico , 2014, p. 187.

Para Carlos Torres Pastorino , a caridade é uma das expressões mais elevadas do espírito maçônico:

“A Maçonaria não é uma religião, mas ensina a viver com amor ao próximo, e isso se manifesta claramente através da caridade.”
Fonte: Carlos Torres Pastorino , Maçonaria – Doutrina e Prática .

IV. A Verdadeira Essência do Dar

A contribuição financeira para a bolsa de beneficência é importante, mas não é suficiente por si só. Como lembra Camino:

“Colocar um óbulo na bolsa de beneficência não satisfaz a consciência. Após prover para si, para sua família, todo maçom tem a obrigação de prover para a sociedade, na parte mais desvalida e abandonada.”
Fonte: Rizzardo da Camino , Breviário Maçônico , 2014, p. 187.

A verdadeira hospitalidade maçônica vai além da esfera material — envolve tempo, atenção, apoio emocional e presença fraterna. É o que Joseph Fort Newton chama de “caridade invisível”, aquela que não busca reconhecimento:

“O verdadeiro ato de caridade é aquele feito em silêncio, longe dos olhos do mundo, mas próximo ao coração de Deus.”
Fonte: Joseph Fort Newton , The Builders – A Story and Study of Freemasonry .

V. O Dar como Benção e Dever

A Maçonaria reafirma constantemente a máxima evangélica:

“Mais aventurado é dar do que receber.”
Fonte: Bíblia Sagrada, Atos 20:35

E este princípio é reforçado por Camino:

“Dizia o Mestre: ‘Mais aventurado é dar do que receber’, e essa máxima cristã nos diz respeito.”
Fonte: Rizzardo da Camino , Breviário Maçônico , 2014, p. 187.

Para Manly P. Hall , filósofo e historiador maçônico, a generosidade é uma virtude que eleva tanto o doador quanto o beneficiado:

“Quando damos com amor, estamos construindo não apenas um futuro melhor para o outro, mas também um templo interior de paz e sabedoria.”
Fonte: Manly P. Hall , Os Mistérios da Livre-Maçonaria .

VI. Conclusão

O Hospitaleiro é muito mais do que um cargo dentro da hierarquia simbólica de uma Loja Maçônica. Ele é o representante vivo da caridade , da fraternidade universal e da responsabilidade social que a Maçonaria exige de seus membros.

Seu trabalho é discreto, muitas vezes invisível, mas extremamente significativo. Ele simboliza a obrigação moral de cuidar uns dos outros , de estender a mão ao necessitado e de transformar a solidariedade em um ato cotidiano de justiça e amor.

Que cada maçom possa ser, em sua própria vida, um verdadeiro hospitaleiro , praticando a caridade com humildade, generosidade e , lembrando sempre que:

“Ao darmos nosso óbulo, não esqueçamos jamais que o dar também é benção.”
Fonte: Rizzardo da Camino , Breviário Maçônico , 2014, p. 187.

Ivair Ximenes Lopes

VII. Referências Bibliográficas e Fontes Consultadas

  1. Camino, Rizzardo da. Breviário Maçônico . 6ª Edição. São Paulo: Madras, 2014. Página 187.
  2. Pastorino, Carlos Torres. Maçonaria – Doutrina e Prática . GOB, São Paulo, 1976.
  3. Hall, Manly P. Os Mistérios da Livre-Maçonaria . Ed. Pensamento, SP, 1990.
  4. Newton, Joseph Fort. The Builders – A Story and Study of Freemasonry . Macoy Publishing, Richmond, 1914.
  5. Lopes, José Antonio Leme. História Geral da Maçonaria . Editora Pensamento, São Paulo, 2002.
  6. Lisboa, Luiz Carlos. Maçonaria – História e Fundamentos . Editora Madras, São Paulo, 2005.
  7. Mansur, Alberto. Ética e Liberdade na Maçonaria . Editora Teológica, 2008.
  8. Righetto, Armando. Maçonaria – Ciência, Filosofia e Arte . Madras, São Paulo, 2007.
  9. Pires, Herculano. Introdução ao Estudo da Maçonaria Universal . IBRASA, São Paulo, 1995.
  10. Carvalho, Paulo S. R. O Simbolismo Maçônico . Editora Pensamento, São Paulo, 2001.
  11. Benimelli, Pe José A.F. Maçonaria – Segredos e História . Editora Madras, 2003.

MM Ximenes

"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter. No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.

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A Maçonaria Regular

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A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.

 No Brasil, no simbolismo, apenas três "potências" são reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.

 A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.

 Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.

Maçonaria Regular MS

glems
goms
gob ms
glems

 

A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).

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