Nereu de Oliveira Ramos (Lages, 3 de setembro de 1888 – Curitiba, 16 de junho de 1958) foi um dos mais influentes homens públicos de Santa Catarina e do Brasil no século XX. Jurista, professor, deputado, senador, governador, ministro e vice-presidente do Senado, ascendeu à chefia do Estado brasileiro como Presidente Interino da República em um dos momentos mais delicados da história nacional, exercendo o cargo entre novembro de 1955 e janeiro de 1956.
Menos conhecida do grande público, mas documentada em registros históricos, é sua participação na maçonaria, onde exerceu papel intelectual e de articulação política.
2. Formação e Início da Vida Pública
Filho de família tradicional catarinense, Nereu Ramos formou-se em Direito na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais de Curitiba, destacando-se pela oratória e pela sólida formação teórica. Tornou-se professor de Direito Constitucional e Administrativo, construindo carreira acadêmica paralela à atuação política.
Durante a juventude, envolveu-se na política regional da época, aderindo às forças republicanas e reformistas que buscavam fortalecer as instituições civis e modernizar o sistema político brasileiro no início do século XX.
3. Carreira Política
A trajetória de Nereu Ramos foi marcada por amplitude e continuidade institucional:
3.1. Deputado e Senador
Eleito Deputado Federal por Santa Catarina por diversas legislaturas.
Senador da República, com forte atuação em temas constitucionais e administrativos.
Ocupou a 1ª Vice-Presidência do Senado, posição central para sua ascensão à Presidência da República.
Com a crise constitucional de 1955 e o impedimento provisório de Café Filho, coube a Nereu Ramos — como Vice-Presidente do Senado — assumir a Presidência da República garantindo a posse de Juscelino Kubitschek, em meio a tensões militares e tentativas de ruptura institucional.
Seu governo interino, ainda que breve, foi decisivo para:
Afirmar a autoridade constitucional do Congresso.
Restaurar a estabilidade institucional.
Viabilizar a continuidade democrática em um período de grande instabilidade.
4. Participação na Maçonaria
A vida maçônica de Nereu Ramos é frequentemente mencionada em documentos históricos e nos arquivos das potências maçônicas do sul do país. Sua atuação refletia sua personalidade política: institucionalista, legalista e comprometida com a formação moral e cívica.
4.1. Iniciação Maçônica
Nereu Ramos foi iniciado na década de 1910, em Santa Catarina, na:
Loja Maçônica “Liberdade e União” nº 13, Oriente de Lages, ligada ao Grande Oriente de Santa Catarina.
A data tradicionalmente registrada em documentos internos é:
Participar de sessões de instrução e debates sobre política, administração pública e direito.
Defender o papel da maçonaria como instituição de formação cívica e promotora da ordem constitucional.
Ser articulador de novos quadros intelectuais e políticos no sul do país.
Colaborar com lojas do Rio de Janeiro e de Curitiba quando exerceu mandatos e cargos ministeriais.
4.3. Contribuições Filosóficas e Morais
Nereu Ramos valorizava na maçonaria:
A ética pública e o dever moral como fundamentos do serviço ao Estado.
A defesa da legalidade e da autoridade constitucional.
O aprimoramento intelectual como base da cidadania.
Embora não tenha exercido cargo máximo dentro de sua potência, foi reconhecido como irmão de grande influência doutrinária, dada sua posição política e sua produção jurídica.
Após longa carreira, Nereu Ramos continuou exercendo mandatos legislativos e funções jurídicas. Morreu tragicamente em 16 de junho de 1958, em um acidente aéreo no interior do Paraná, quando viajava a serviço político.
Sua morte foi amplamente lamentada por setores civis, jurídicos e maçônicos, que reconheceram nele um dos principais defensores da estabilidade democrática no período pós-guerra.
6. Legado
Nereu Ramos permanece como:
Um dos homens públicos mais relevantes do sul do país.
Defensor firme da Constituição e da legalidade.
Figura essencial para a transição pacífica entre o turbulento fim do governo Café Filho e o início do governo JK.
Intelectual maçônico de destaque, símbolo da tradição legalista e reformista da maçonaria brasileira no século XX.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).