Hipólito da Costa: O Patriarca da Imprensa Brasileira e Sua Atuação Maçônica
1. Introdução
Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça (Colônia do Sacramento, 25 de março de 1774 – Londres, 11 de setembro de 1823) é considerado o Patriarca da Imprensa Brasileira por ter fundado e dirigido o Correio Braziliense (1808–1822), o primeiro jornal político brasileiro com publicação regular e consistente.
Diplomata, intelectual cosmopolita, crítico do despotismo e defensor das liberdades civis, teve sua vida profundamente marcada pela maçonaria, instituição à qual aderiu e onde exerceu influência determinante em seu pensamento político.
2. Trajetória de Vida
Nascido na então Colônia do Sacramento (território disputado entre Portugal e Espanha), Hipólito estudou em Portugal, onde se formou em filosofia e ciências naturais. Ingressou na carreira diplomática e foi enviado aos Estados Unidos em missão científica. Esse período ampliou seu contato com ideias iluministas, com a liberdade de imprensa e com a organização republicana estadunidense.
Em 1802, retornando a Portugal, foi acusado pelo governo português de suposta participação em sociedades secretas e atividades consideradas subversivas. Foi preso pela Inquisição e permaneceu cerca de três anos encarcerado, até conseguir fugir para a Inglaterra em 1805.
Instalado em Londres, passou a escrever amplamente sobre política, economia e filosofia, até fundar o Correio Braziliense em 1808, veículo que se tornaria essencial na crítica às práticas absolutistas da corte e na formação da opinião pública brasileira durante o processo de independência.
Hipólito faleceu em Londres pouco antes da consolidação plena da Independência do Brasil.
3. Participação na Maçonaria
A maçonaria teve papel central na vida intelectual e política de Hipólito da Costa. Seu engajamento foi profundo, regular e documentado, sendo reconhecido como um dos mais influentes maçons de língua portuguesa do período.
3.1. Iniciação
Hipólito da Costa foi iniciado na Maçonaria em 1796, na Loja “Cavaleiros da Luz”, em Filadélfia, nos Estados Unidos, durante sua missão diplomática naquele país. Essa loja reunia intelectuais e estudiosos, muitos deles ligados ao movimento iluminista e à recém-estabelecida república norte-americana.
Esse ambiente plural e liberal marcou profundamente sua visão política e sua defesa da liberdade civil.
3.2. Filiação e atuação regular
Após sua iniciação, Hipólito:
Manteve vínculos com a maçonaria americana e inglesa durante o exílio.
Participou de debates maçônicos sobre liberdade, reformas políticas e direitos civis.
Tornou-se um dos mais conhecidos divulgadores das ideias maçônicas entre brasileiros radicados na Europa.
Teve trânsito em lojas inglesas que integravam o Grande Oriente Unido.
Em Londres, estabeleceu contato com maçons portugueses e brasileiros exilados, articulando uma rede intelectual de inspiração liberal.
3.3. Perseguição pela Inquisição
Sua prisão pela Inquisição portuguesa (1802–1805) deveu-se, em grande parte, ao fato de pertencer à maçonaria, considerada subversiva e herética pelo governo de então. A detenção reforçou sua convicção na defesa das liberdades e no combate à opressão política.
3.4. Influência maçônica no Correio Braziliense
O jornal fundado por Hipólito em 1808 refletia princípios típicos da maçonaria:
Defesa da liberdade de imprensa.
Crítica ao absolutismo e às práticas arbitrárias do poder.
Promoção da educação e do progresso moral e social.
Incentivo ao debate racional e à reforma pacífica das instituições.
Valorização da laicidade, da ciência e da razão.
Embora o Correio Braziliense não fosse um periódico maçônico, seus valores coincidiam amplamente com o ideário liberal que circulava entre as lojas.
3.5. Legado maçônico
Hipólito da Costa tornou-se símbolo do pensamento maçônico liberal no mundo de língua portuguesa, sendo frequentemente lembrado como:
Um dos maçons mais influentes da história brasileira.
O modelo do intelectual maçom ilustrado, defensor da razão e da liberdade.
Um precursor das ideias que influenciariam a Independência do Brasil.
4. Legado
Hipólito é reconhecido como:
Fundador da imprensa política brasileira.
Um dos articuladores da formação de uma opinião pública nacional.
Intelectual essencial para o ideário liberal e constitucional do Brasil.
Maçom de atuação decisiva contra o despotismo.
Seu trabalho, especialmente no Correio Braziliense, exerceu influência direta sobre os debates políticos que culminaram na Independência e na reorganização estatal do país.
Autor Ivair Ximenes Lopes
Fontes
COSTA, Hipólito da. Correio Braziliense (1808–1822).
SILVA, João Manuel Pereira da. História da Fundação da Imprensa Brasileira.
CARVALHO, José Murilo de. A Construção da Ordem.
MARTINS, Wilson. A Palavra Escrita: História da Imprensa Brasileira.
Documentos do Grande Oriente Unido e registros históricos das lojas norte-americanas do final do século XVIII.
Arquivos da Inquisição Portuguesa – Processo de Hipólito da Cost

“Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau.
Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.











