Ao longo dos meus anos de estudosobre a psicologia e as relações humanas, poucos nomes me provocaram uma reflexão tão profunda quanto o de John W. Berry.
Ele não é um psicólogo de gabinete, nem um teórico distante das realidades do mundo; é, antes de tudo, umconstrutor de pontes — alguém que dedicou sua vida a compreender como pessoas de diferentes culturas podem não apenas coexistir, mas prosperar em contato umas com as outras.
A sua obra, que abrange desde a psicologia intercultural até os estudossobreaculturação e migração, é um testemunho de que a diversidade não é umproblema a ser resolvido, mas uma riqueza a ser compreendida e cultivada.
Neste artigo, convido o leitor a conhecer a trajetória, as ideias e o legado deste que é justamente considerado um dos mais influentes psicólogos do nosso tempo.
John Widdup Berry nasceu em 19 de maio de 1939 em Montreal, Canadá. Filho de uma família canadense, cresceu em um ambiente que valorizava a educação e a diversidade cultural — uma característica que marcaria profundamente sua carreira.
Em 1963, obteve o título de Bacharel em Artes (B.A.) pela SirGeorge Williams University (atualmente Concordia University), em Montreal. Após a graduação, mudou-se para a Escócia, onde obteve seu doutorado (Ph.D.) pela Universidade de Edimburgo em 1966. Sua tese de doutorado, intitulada “Cultural determinants of perception” (Determinantes Culturais da Percepção), já anunciava o tema que seria central em sua carreira: a influência da culturasobre os processos psicológicos.
Carreira Acadêmica
Após o doutorado, Berry trabalhou brevemente na Universidade de Sydney, na Austrália. Em 1969, retornou ao Canadá e ingressou no corpo docente da Queen’s University, em Kingston, Ontário, onde passou a maior parte de sua carreira acadêmica. Permaneceu na Queen’s University até sua aposentadoria como Professor Emérito de Psicologia em 1999.
Mesmo após a aposentadoria, Berry continuou ativo na pesquisa e no ensino, assumindo cargos de curta duração em universidades de diversos países, incluindo Austrália, China, Estônia, França, Índia, Irlanda, Japão, México, Nova Zelândia, Noruega, Sri Lanka, Suécia e Reino Unido. Foi também Chief Research Fellow (Pesquisador-Chefe) na National Research University Higher School of Economics, em Moscou, Rússia.
A Psicologia Transcultural e a Perspectiva Ecocultural
A primeira grande área de pesquisa de Berry examina como os grupos culturais e seus membros adaptam seus costumes e comportamentos aos contextos ecológicos em que se desenvolveram. Essa perspectiva, conhecida como perspectiva ecocultural, busca explicar como os indivíduos desenvolvem e adquirem seu repertório comportamental em diferentes contextos ecológicos e culturais.
A perspectiva ecocultural conecta o habitat de umgrupo cultural às suas instituições e práticas sociais (como estilo de assentamento, estratificação social e práticas de socialização) e, a partir daí, ao desenvolvimento de uma variedade de comportamentos dos membros individuais desses grupos culturais (incluindo percepção, cognição e comportamentos sociais). Grandeparte dessa pesquisa foi realizada com povos indígenas na África, no Ártico e na Ásia, contrastando grupos com estilos de vida de caça, agrícola e urbano.
Para realizar esse trabalho comparativo, Berry desenvolveu os conceitos de ético imposto (imposed etic), êmico (emic) e ético derivado (derived etic) como formas de identificar os métodos utilizados ao fazer comparações interculturais.
A segundagrande área de pesquisa de Berry examina a psicologia da aculturação e das relações interculturais. Foi nesse campo que ele se tornou mundialmente famoso, desenvolvendo os conceitos de estratégias de aculturação e estresse aculturativo.
Marginalização: não se engajar em nenhuma das duas culturas.
Os resultados dessas diferentes formas de vida intercultural foram descritos em termos de três formas de adaptação:
Bem-estar psicológico
Competência sociocultural
Relações interculturais
O conceito de estresse aculturativo foi desenvolvido como uma alternativa ao “choque cultural”. Esse conceito utiliza a estrutura de estresse, enfrentamento e adaptação para descrever os desafios encontrados durante o processo de aculturação.
Consolidação dos Campos
Berry buscou integrar e consolidar tanto a psicologia transcultural quanto a intercultural, participando da produção de livros-texto (entre 1990 e 2011) e manuais (entre 1980 e 2016). Algumas dessas obras foram traduzidas para o chinês, grego, indonésio, italiano, japonês, coreano, russo e turco.
Além dos livros, Berry publicou, com colegas, mais de 120 artigos em periódicos, 30 livros e 200 capítulos de livros. Seu trabalho é amplamente citado na literatura acadêmica, com mais de 140.000 citações e umíndice h de 128 no Google Scholar.
Berry é autor ou coautor de dezenas de livros fundamentais para a psicologia transcultural e intercultural. Entre suas obras mais importantes, destacam-se:
Psicologia Transcultural
Human Ecology and Cognitive Style: Comparative Studies in Cultural and Psychological Adaptation (1976)
On the Edge of the Forest: Cultural Adaptation and Cognitive Development in Central Africa (1986, com colaboradores)
Ecology, Acculturation and Psychological Adaptation: A study of Adivasi in Bihar (1996, com R.C. Mishra e D. Sinha)
Family Structure and Function: A 30 nation psychological study (2006, como editor)
Ecology, Culture and Human Development: Lessons for Adivasi Education (2017, com R.C. Mishra)
Psicologia Intercultural
Multiculturalism and Ethnic Attitudes in Canada (1977, com R. Kalin e D. Taylor)
Immigrant Youth in Cultural Transition: Acculturation, Identity and Adaptation Across National Contexts (2006, como editor)
Cambridge Handbook of Acculturation Psychology (2006/2016, como editor, com D.L. Sam)
Mutual Intercultural Relations (2017)
Acculturation: A personal journey across cultures (2019)
Consolidações
Handbook of Cross-Cultural Psychology, Vol. 2, Methodology (1980, como editor, com H.C. Triandis)
Human Behavior in Global Perspective: An Introduction to Cross-Cultural Psychology (1990/1999, com colaboradores)
Cross-Cultural Psychology: Research and Applications (1992/2002/2011, com colaboradores)
Honrarias e Prêmios
É também Honorary Life Fellow da Canadian Psychological Association e Fellow de diversas associações internacionais, incluindo a International Association for Cross-Cultural Psychology, a International Academy for Intercultural Research e a International Association of Applied Psychology.
Um canadense que conquistou o mundo: Embora tenha nascido e se formado no Canadá, Berry passou parte significativa de sua carreira acadêmica em outrospaíses, incluindo Austrália, Escócia e Rússia.
Pesquisador de povos indígenas: Grandeparte de sua pesquisa inicial foi realizada com povos indígenas na África, no Ártico e na Ásia, contrastando grupos com diferentes estilos de vida.
Mais de 140.000 citações: Berry é um dos psicólogos mais citados do mundo, com um índice h de 128 no Google Scholar.
Trabalho aplicado: Berry esteve profundamente envolvido na aplicação dos resultados de suas pesquisas ao desenvolvimento de políticas e programas nas áreas de educação, imigração, multiculturalismo e bem-estar.
Professor visitante em todo o mundo: Desde sua aposentadoria em 1999, Berry assumiu cargos de curta duração em universidades de mais de dez países, demonstrando sua vocação cosmopolita.
Aposentado, mas ativo: Mesmo após se aposentar da Queen’s University, Berry continua a publicar e a participar de pesquisas, incluindo a coedição de um compêndio em quatro volumes sobre psicologia transcultural em 2017.
Legado
O legado de John W. Berry é imenso. Ele é, antes de tudo, o fundador da psicologia intercultural moderna e o criador do modelo de aculturação mais influente do mundo. Sua obra não se limita ao campo acadêmico; ela tem aplicações práticas diretas em políticas de imigração, educação multicultural, saúde mental de imigrantes e relações interculturais.
Berry nos ensinou que a diversidade cultural não é umproblema a ser resolvido, mas uma oportunidade a ser cultivada. Seu modelo de aculturação mostra que existem diferentes maneiras de viver em contato com outras culturas, e que a integração — o engajamento em ambas as culturas — é geralmente a estratégia que produz os melhores resultados para o bem-estar psicológico e sociocultural.
A sua insistência na perspectiva ecocultural nos lembra que os seres humanos não são meros produtos de sua cultura, mas agentes ativos que moldam e são moldados por seus contextos ecológicos e culturais. E a sua longa carreira, marcada por viagens, colaborações internacionais e um compromisso inabalável com a aplicação do conhecimento, é um testemunho de que a ciência, quandobem feita, pode contribuir para a construção de ummundo mais justo e fraterno.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York). “Labor omnia vincit”, um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos. O grau não faz o homem; o homem é que deve fazer-se digno do grau. Um avental bordado, uma joia reluzente ou um título pomposo nada significam se não estiverem apoiados sobre a solidez do caráter.
"Labor omnia vincit", um lema para inspirar a perseverança e a determinação, enfatizando que o trabalho árduo e a dedicação superam quaisquer obstáculos.
MM (GLEMS), Inspetor Geral da Ordem (REAA), Servidor da Pátria e da Humanidade (Rito Brasileiro), MR e ME (Rito York).
No fim, a única elevação que realmente importa é a da nossa própria alma.
A Maçonaria Regular é uma fraternidade histórica, fundada entre os séculos XVII e XVIII, baseada em moralidade, filantropia e busca do conhecimento.
No Brasil, no simbolismo, apenas uma Federação e duas Confederações representam potências reconhecidas internacionalmente: Grande Oriente do Brasil (GOB), as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e os Grandes Orientes Estaduais (COMAB); todas as demais não têm reconhecimento oficial. O reconhecimento entre potências é um ato diplomático e soberano.
A Confederação Maçônica Interamericana (CMI), criada em 1947, reúne 94 grandes potências de 26 países.
Uma Loja regular deve estar vinculada a uma das três potências reconhecidas no Brasil e seguir normas específicas de regularidade.
Maçonaria Regular MS
A maçonaria regular no Mato Grosso do Sul é composta pelo Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul (GOB-MS) (GOB), Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso do Sul (GLEMS) (CMSB) e Grande Oriente do Estado do Mato Grosso do Sul (GOMS) (COMAB).